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6.10.26

Robert Z. Leonard - “In the Good Old Summertime”


Robert Z. Leonard
“In the Good Old Summertime”
(EUA – 1949) – (102 min./Cor)
Judy Garland, Van Johnson, Buster Keaton.

Quando se estreou o filme “Você Tem Uma Mensagem” / “You’ve Got Mail”, realizado por Nora Ephron, com Tom Hanks e Meg Ryan, nos protagonistas, de imediato se escreveu que se tratava de um “remake” do célebre filme de Ernst Lubitsch, “The Shop Around the Corner” / “A Loja da Esquina”, (1940), com James Stewart e Margareth Sullavan a oferecerem corpo e rosto ao par “romântico”.


Mas o que poucos sabiam foi que, nove anos, após a estreia da obra-prima de Lubitsch foi realizado um “remake” (musical), com Judy Garland e Van Johnson nos protagonistas, intitulado “In The Good Old Summertime” por Robert Z. Leonard, que nos oferece um conjunto de “gags” memoráveis, logo no início com o primeiro encontro, mas que convoca o genial Buster Keaton para compor uma das personagens mais fascinantes da película, mais concretamente o sobrinho de Mr.Oberkugen.


Se por um lado temos Buster Keaton a falar e a mostrar o seu fabuloso domínio do corpo, já o filme tem num violino o outro famoso protagonista, para além das célebres discussões entre Judy Garland e Van Johnson, ou melhor Veronica e Andrew, que estão apaixonados por correspondência, desconhecendo cada um deles a identidade do seu amado.


“In the Good Old Summertime” é uma dessas comédias intemporais repleta de pérolas e pequenos acontecimentos e uma sessão tripla com os três filmes é a nossa proposta para uma dessas tardes em que a chuva e o frio nos impedem de começar a preparar o Natal, porque o filme, como devem estar recordados, termina no Natal. Como um última nota, de referir que a criança que surge no final a passear no jardim com os protagonistas é a, então pequenina, Liza Minnelli.

18.9.26

Victor Fleming - “Um Certo Rapaz” / “A Guy Named Joe”


Victor Fleming
“Um Certo Rapaz” / “A Guy Named Joe”
(EUA – 1943) – (120 min. – P/B)
Spencer Tracy, Irene Dunne, Ward Bond, Van Johnson.

A primeira vez que ouvi falar neste filme foi quando Steven Spielberg realizou “Always” / “Sempre”, no ano de 1989, com Richard Dreyfuss, Holly Hunter, Brad Johnson, John Goodman e Audrey Hepburn nos protagonistas. Mas a película de Victor Fleming é bem diferente do “remake” de Steven Spielberg, porque a acção se passa em plena guerra do Pacífico (1943) e enquadra-se dentro do denominado esforço de guerra a que Hollywood dedicou inúmeros dos seus filmes, com o inevitável sacrifício do herói, esse certo rapaz chamado Joe (Spencer Tracy), que decide mergulhar o seu avião em chamas sobre o porta-aviões, perdendo assim a sua amada (Irene Dunne, essa inesquecível actriz!).


“A Guy Named Joe” termina por se revelar um filme mágico sobre o amor e a saudade deixada pelo ente amado, que no caso concreto do filme de Victor Fleming, continua a acompanhar o desenrolar da vida da sua amada, comentando com o anjo que o acompanha a situação em que esta se encontra ao sentir-se apaixonada por um outro piloto (Van Johnson).


Não querendo repetir a palavra, mas sendo inevitável, só poderemos afirmar que a magia do cinema e do romance habita “A Guy Named Joe” de Victor Fleming, o cineasta oficial de “E Tudo o Vento Levou” / “Gone With the Wind”!

30.4.26

Richard Brooks - “A Última Vez Que Vi Paris” / “The Last Time I Saw Paris”


Richard Brooks
“A Última Vez Que Vi Paris” / “The Last Time I Saw Paris”
(EUA – 1954) – (116 min/Cor)
Elzabeth Taylor, Van Johnson, Walter Pidgeon, Donna Reed, Roger Moore.

Richard Brooks nasceu a 18 de Maio de 1912 em Filadélfia tendo iniciado a sua actividade profissional como jornalista na área do desporto, já a trabalhar na rádio colaborou com Orson Welles, dando depois o salto para o Teatro. O Ano de 1941 marca o seu encontro com Hollywood, como argumentista, cuja actividade se irá dedicar ao longo de uma década, ao mesmo tempo que publica diversos romances. Delmer Daves, John Sturges e Jules Dassin serão alguns cineastas que irão utilizar alguns dos seus argumentos.


Mas como não podia deixar de ser a realização acabaria por ser abraçada por Richard Brooks, assinando em 1950 o seu primeiro filme “Crisis”, com Cary Grant no protagonista,, iniciando assim uma longa carreira cinematográfica, revelando-se como um dos mais importantes nomes da sua geração.

“A Última Vez Que Vi Paris” / “The Last Time I Saw Paris” transporta para o cinema um dos mais famosos contos de Francis Scott Fitzgerald, no qual é de imediato detectado diversos traços autobiográficos do famoso escritor norte-americano, respeitante à sua estadia em Paris, na companhia da sua mulher Zelda Fitzgerald, oferecendo-nos o retrato dessa geração perdida que fez da cidade de Paris o seu reduto.


Charles Welles (Van Johnson) encontra-se num bar de Paris, que bem conheceu num passado recente e depois de ser reconhecido pelo dono do bar, com quem trava uma conversa recheada de memórias, parte numa viagem pelo passado, que o irá conduzir até esse momento de festa, que foi a libertação de Paris do jugo alemão, no final da Segunda Grande Guerra Mundial.

Iremos assim acompanhar os festejos na cidade, com a chegada das forças norte-americanas a serem saudadas efusivamente por uma população e onde Charles Welles (Van Johnson) se irá cruzar com duas mulheres: Helen Ellswirth (Elizabeth Taylor) e Marion Ellswirth (Donna Reed), que por acaso até são irmãs.


Charles Welles acabará por se casar com a primeira, nunca percebendo como a segunda se encontra perdidamente apaixonada por ele, terminando esta por se casar com um seu colega e amigo de armas. Charles Welles irá ficar a viver em Paris, depois de se casar com Helen (Elizabeth Taylor) trabalhando como jornalista e frequentando a vida mundana com a esposa, iniciando uma vida boémia, em que o álcool irá estar bem presente, especialmente quando decide encetar uma carreira de romancista, que tarda em ter sucesso, já que vê os seus livros sempre recusados pelas editoras, dando origem a uma depressão, que o conduzirá inevitavelmente a refugiar-se na bebida e a afastar-se de todos aqueles que lhe são queridos: esposa, filha e amigos.


Ao seguir-mos a história de Charles Welles percebemos de imediato que muitas destas personagens existiram na realidade no universo de Francis Scott Fitzgerald, um dos maiores vultos da Literatura Norte-Americana, que encontrou na bebida o seu escape das contrariedades da vida e a forma como Richard Brooks nos oferece este poderoso melodrama, cativa de forma perfeita o espectador, já que estamos perante uma planificação perfeita e uma direcção de actores surpreendente, onde mais uma vez a interpretação de Elizabeth Taylor é inesquecível.


Ao mergulharmos em “A Última Vez Que Vi Paris” / “The Last Time I Saw Paris” descobrimos a essência do melodrama no cinema, revelada por esse genial cineasta chamado Richard Brooks.