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13.6.26

Eve Arnold - "Monica Vitti & Terence Stamp"


Eve Arnold
"Monica Vitti & Terence Stamp"
Ano: 1965

Eve Arnold - (1912 - 2012) foi uma célebre fotógrafa norte-americana, que ficou conhecida como uma pioneira do fotojornalismo, dedicando uma parte do seu trabalho ao interior da indústria cinematográfica acompanhando muitas vezes a rodagem de inúmeros filmes, captando com a sua máquina fotográfica momentos únicos dos intervenientes das películas, durante as pausas das filmagens, desde actores aos realizadores, passando pelos trabalhos de produção.


Na imagem do topo temos os actores Monica Vitti e Terence Stamp durante uma pausa da produção da película "Modesty Blase", baseada numa célebre banda desenhada criada por Peter O 'Donnell, que na época era publicada em Portugal em inúmeras revista e num jornal diário. Recorde-se que a actriz italiana surgia igual à personagem da banda desenhada de cabelo preto, ficando quase irreconhecível.

Eve Arnold que nos deixou em 2012 foi um dos principais nomes da famosa Agência Magnum.

24.5.26

Michelangelo Antonioni - “O Eclipse” / “L’Eclisse”


Michelangelo Antonioni
“O Eclipse” / “L’Eclisse”
(Itália – 1962) – (120 min. / Cor)
Monica Vitti, Alain Delon, Francisco Rabal, Lilla Brignone,
Rossana Roryu, Mirella Riccardi, Louis Seignier.

Com “O Eclipse” / “L’Eclisse”, Michelangelo Antonioni concluiu a sua famosa “trilogia dos sentimentos”, iniciada dois anos antes, em 1960 com “A Aventura” / “L’Avventura” e prosseguida um ano mais tarde com “A Noite” / “La Notte”. Estamos assim nesse território da comunicação ou melhor da incomunicabilidade, que o cineasta tão bem explorou ao longo da sua filmografia e aqui vamos encontrar mais uma vez a sua musa Mónica Vitti, naquele que será possivelmente o seu mais belo retrato/presença no cinema de Antonioni e não nos estamos a esquecer de “O Deserto Vermelho” / “Il Deserto Rosso” ou dessa obra-prima intitulada “O Mistério de Oberwald” / “Il Mistério di Oberwald”.


Vittoria (Mónica Vitti) encontra-se no apartamento de Ricardo (Francisco Rabal) e, à medida que o cineasta vai filmando o silêncio daqueles corpos deambulando pela casa, percebemos que o amor já se ausentou daquelas paredes à muito, restando apenas esse momento sempre tão delicado e complexo que é o fim de uma relação e quando Vittoria decide sair da casa a ruptura está mais que consumada. Ricardo, que primeiro não reage, acaba por segui-la na sua caminhada e insiste para irem tomar o pequeno-almoço, o dia estava a nascer, mas para ela aquele presente já faz parte do passado e segue o seu caminho, iluminada pela escuridão em que vive o seu universo. Decide então procurar a mãe, que gosta de passar largas horas na bolsa, para ter alguém com quem falar da tragédia da sua vida sentimental, mas esta está mais preocupada com as cotações das acções e as suas oscilações do que com os problemas sentimentais da filha. E será nesse ambiente frenético, tão bem retratado por Antonioni, que Vittoria se irá cruzar com Piero (Alain Delon) que ali trabalha.


Como muitas vezes o acaso comanda a vida Piero e Vittoria começarão a encontrar-se nesse recinto da especulação e os seus sentimentos acabam por seguir pela mesma estrada, já que Vittoria, que Piero tantas vezes vira na bolsa a acompanhar a mãe, chama decididamente a sua atenção. E ela decide então oferecer uma nova oportunidade à sua vida sentimental, sempre com o medo da experiência do passado a rondar por perto. Mas nem sempre os desejos são cristalinos quando a dúvida e a incerteza se instalam entre dois corpos e será precisamente isso mesmo que irá surgir na encruzilhada criada por ambos.


Michelangelo Antonioni oferece-nos ao longo da película esse maravilhoso som que são os sentimentos a respirar, ora tranquilos, ora à beira do abismo, navegando na dúvida e na incerteza, ao mesmo tempo que filma Mónica Vitti de uma forma apaixonante. O seu rosto principalmente e o seu olhar cruzam-se com a câmara com a maior ternura e angústia do mundo, sempre nesse equilíbrio perfeito que fez dela a luz do cineasta, da mesma forma que Jean-Luc Godard tinha em Anna Karina o rosto da insustentável leveza do ser.


Quase na sua totalidade filmado em exteriores e possuidor desse olhar que Antonioni tão bem cultivou ao longo da sua obra cinematográfica, ao revermos “O Eclipse” entramos, decididamente, nesse território da incomunicabilidade, em que o olhar substituiu as palavras, desenhando nos pequenos gestos o mapa dos sentimentos.

4.4.26

Eve Arnold - "Monica Vitti"


Eve Arnold
"Monica Vitti"
Ano: 1965

A actriz italiana Monica Vitti durante a rodagem do filme "Modesty Blaise", realizado por Joseph Losey, baseado na famosa banda desenhada britânica "Modesty Blaise", criada por Peter O'Donnel e desenhada por Jim Holdaway e nascida em 1963.

Recordo que nas décadas de 60/70 do século passado em que os jornais diários deste país divulgavam a 9ª Arte, as aventuras de "Modesty Blase", tinham lugar assegurado, para além das próprias revistas dedicadas à banda desenhada.