31.7.26

Elton John - "Goodbye Yellow Brick Road"


Elton John
"Goodbye Yellow Brick Road"
DJM Records
1973

Nesse ano distante de 1973 Elton John já dava cartas e até tinha passado por cá no Festival de Vilar de Mouros.

O fabuloso "Goodbye Yellow Brick Road" era um duplo álbum recheado de belas canções que viriam a ficar na memória de muitos e viriam a fazer parte de muitas das colectâneas de Elton John. Mas o álbum também era inesquecível graficamente falando porque estávamos perante uma capa tripla muito bem concebida com as letras e muita informação sobre o disco, e se me perguntarem qual o meu tema favorito a resposta é simples: "Funeral for a friend", que abria o disco 1 e revelava já a obra-prima que tínhamos nas mãos.

Johan e Pirlouit - "A Pedra de Lua" - Peyo


Johan e Pirlouit
"A Pedra de Lua"
Arte: Peyo
Argumento: Peyo
Revista Spirou - 2ª Série nºs.25 a 32
Ano: 1979

As aventuras de Johan e Pirlouit surgiram pela primeira vez na revista Spirou a 11 de Setembro de 1952 e o seu criador foi o belga Pierre Culliford, que assinava os seus trabalhos com o pseudónimo de Peyo, tendo-se tornado famoso ao criar os célebres Schtroumpfs. Johan é um cavaleiro destemido e Pirlouit o seu destravado escudeiro, sendo bem divertidas as suas façanhas nessa idade medieval repleta de mágicos e feitiços como sucede neste "A Pedra de Lua", publicado na 2ª Série da revista Spirou dirigida por Vasco Granja, esse nome grande da divulgação da 9ª Arte em Portugal.

Andy Warhol - "The Twenty-Five Marilyns"


Andy Warhol
"The Twenty-Five Marilyns"
Serigrafia sobre acrílico sobre tela
205,7 x 169,5 cm.
Ano: 1962
Moderna Museet, Estocolmo.

Julien Temple - “Absolutamente Principiantes” / “Absolute Beginners”


Julien Temple
“Absolutamente Principiantes” / “Absolute Beginners”
(Inglaterra - 1986) – (108 min, / Cor)
Patsy Kensit, Eddie O’Connell, David Bowie, James Fox, Ray Davies.

Julien Temple estreou-se nas longas-metragens com "The Great Rock'n'Roll Swindle", tendo por base a vida/história dos Sex Pistols, pretendeu na segunda viagem que encetou na Sétima Srte, construir um musical, baseado na novela de Colin MacInnes, onde a memória da Broadway e dos seus filmes se integrassem plenamente.


A Londres de 1958 e o seu Verão explosivo, com as revoltas juvenis em busca de uma juventude eterna e a história/romance do fotógrafo Collin e da modelo Suzette, são o tema de "Absolute Beginners" / “Absolutamente Principiantes”. No entanto, a presença de David Bowie, Sade ou Ray Davies, não conseguem tirar o filme do "limbo" cinematográfico. O que encontramos é uma manta de retalhos, onde a beleza de algumas sequências, acaba sempre por ser aniquilada pelo raccord deficiente, que se vai desenvolvendo perante o nosso olhar, assim como a excessiva narração dos acontecimentos, demonstrando algumas dificuldades encontradas pelo realizador em adaptar o livro de Colin MacInnes.


Julian Temple seguindo os passos dos grandes coreógrafos de Hollywood e tentando conjugar a estética dos video-clips, na qual é mestre, acaba por se afogar nas águas do Tamisa, já que o tão citado Jerome Robbins e o seu "West Side Story" / "Amor Sem Barreiras" estão felizmente a anos-luz desta película. Curiosamente, algumas sequências musicais que nos são oferecidas, ao longo de "Absolute Beginners", vistas isoladamente, acabam por obter uma força e qualidade estética, que simplesmente morrem, quando dadas a ver no contexto da película.


Julien Temple afigura-se-nos, com esta obra, um excelente piloto de fórmula 1, que acelera nas curvas e perde velocidade nas rectas, perdendo evidentemente a corrida. A estética dos video-clips no cinema...não funciona como essas fabulosas coreografias que Busby Berkeley, Gene Kelly ou Vincent Minelli criaram e que nos continuam a encantar perdidamente.


"Absolute Beginners" / “Absolutamente Principiantes” é a prova que a estética dos "video-clips" nunca poderá ser transposta para o cinema como um todo, já que ela funciona como complemento da narrativa cinematográfica, como sucede com o fabuloso filme de Walter Hill, “Street of Fire” / “Estrada de Fogo”, mas não resulta como elemento preponderante e fundamental da obra fílmica, ou seja, um video-clip com duração equivalente ao tempo standard da longa-metragem, nunca será possível, com a qualidade exigida a uma obra cinematográfica, seja ela uma adaptação de um musical da Broadway ou um musical saído directamente dos Estúdios de Cinema. No entanto o filme de Julian Temple acaba por se transformar numa obra para se escutar, devido à escaldante e maravilhosa música de Gil Evans, e muitos dirão então vou optar pelo cd e aí dizemos optem pelo dvd e vejam as sequências musicais de uma forma independente, através da selecção de capítulos e irão descobrir toda a magia e sabedoria de um Mestre do video-clip chamado Julien Temple.

30.7.26

Jack DeJohnette’s Directions - “Untitled”


Jack DeJohnette’s Directions
“Untitled”
ECM Records
1976

Jack DeJohnette – drums, saxophone tenor (tema 4)
John Abercrombie – electric guitar, acoustic guitar.
Warren Bernhardt – piano, electric piano, clavinet, cowbell.
Mike Richmond – bass, electric bass.
Alex Foster – saxophone tenor, saxophone soprano.

1 – Flying Spirits (Jack DeJohnette)– 13:50
2 – Pansori Visions Jack DeJohnette/John Abercrombie) – 2:20
3 – Fantastic (Foster/DeJohnette/Abercrombie/Richmond) – 5:52
4 – The Vikings Are Coming (Jack DeJohnette) – 6:43
5 – Struttin (Foster/DeJohnette/Abercombie) – 6:30
6 – Morning Star (Warren Bernhardt) – 7:22
7 – Malibu Reggae (Jack DeJohnette)– 3:03

Um dos mais inovadores e brilhantes trabalhos discográficos da banda do baterista Jack DeJohnette, "Directions", que na década de setenta incendiou o jazz, no bom sentido da palavra, com um som único e inesquecível e onde todos podemos descobrir a arte de compositor do mais célebre baterista de jazz! Gravado em Fevereiro de 1976 no Talent Studios, Oslo, por Jan Erik Kongshaug. Design de Frieder Grindler. Fotografia de Roberto Masotti. Produzido por Manfred Eicher. Jack DeJohnette toca Saxophone Soprano no tema 4 – “The Vikings Are Coming”.

Robert F. Young - "Projecto Grande Ascensão"


Robert F. Young
"Projecto Grande Ascensão"
Magazine do Fantástico e Ficção Cientifica nº.3
(The Magazine of Fantasy and Science Fiction)
Matriz / Editorial Império

Robert Franklin Young - (1915 - 1986) iniciou a publicação de "short-stories" em 1953 em diversas revistas dedicadas à ficção-científica e desde logo alguns compararam a sua escrita com a do famoso Ray Bradbury. A sua obra foi traduzida em diversos países incluindo este belo conto que surgiu neste número do Magazine do Fantástico e Ficção Científica.


«Assim que recebemos palavra de que a greve estava lançada, largámos o trabalho e viemo-nos embora. Eram 10 e 40 da manhã. Aqueles de nós que estavam escalados para fazerem o primeiro turno de piquete de greve, começaram a passear-se de cá para lá, defronte do portão. Os restantes, ficámos por ali durante um bocado fumando cigarros e especulando àcerca de quanto tempo estaríamos sem trabalhar. Depois afastámo-nos, pelas ruas serpenteantes, em direcção a casa.»

Robert F. Young
in "Projecto Grande Ascensão"

Edward Hopper - "November, Washington Square"


Edward Hopper
"November, Washington Square"
Óleo sobre tela
86,7 x127,6 cm.
Ano: 1932
Santa Barbara Museum of Art, Santa Barbara.

Nicholas Ray - "Atrás do Espelho" / "Bigger Than Life"


Nicholas Ray
"Atrás do Espelho" / "Bigger Than Life"
(EUA – 1956) – (95 min. / Cor)
James Mason, Barbara Rush, Walter Matthau.

No início desta película de Nicholas Ray, surge uma América típica dos melodramas de Douglas Sirk, quando vimos o Professor Ed Avery (James Mason) na sala de aula com um aluno. Pouco depois, surge a correr para uma companhia de táxis onde trabalha para poder sustentar a família e assim descobrimos que nesta América não há lugar para as personagens dos filmes de Douglas Sirk. Esta América é muito mais dura e a existência do segundo emprego é escondida da mulher e do filho, representantes de um "Perfect Way ofLlife", pelo Professor Ed Avery.


Quando descobrimos que Ed Avery está doente, a situação agrava-se e nasce a possibilidade da cura através de um medicamento então pouco conhecido e ainda em fase experimental chamado cortisona. Convém aqui referir que o argumento do filme é baseado num artigo da "New Yorker", onde era narrada uma experiência com este medicamento. James Mason, leu e gostou tanto dele que decidiu produzir o filme, escolhendo Nick Ray para o realizar. Na época a morte de James Dean ainda se fazia sentir no cineasta e Clifford Odets foi o argumentista creditado, embora muitos outros tenham colaborado na escrita.


Os efeitos secundários da cortisona, então desconhecidos, vão-se abater sobre a vida de Ed Avery e tanto a sua mulher Lou Avery (Barbara Rush), como o filho, vão ser as vítimas das suas alterações comportamentais. Aparentemente Ed Avery surge no lugar do politicamente correcto, para pouco depois cair no excesso, dizendo muitas coisas incómodas para os ouvidos de terceiros, veja-se a reunião com os pais na escola. Para fugir à dor, faz-se passar por falso médico para conseguir comprar mais comprimidos, que começam a funcionar para ele como verdadeira droga, tornando-o dependente deles para sobreviver. Mais uma vez James Mason oferece-nos um dos mais brilhantes exercícios de interpretação da sua carreira e o "scope" de Nick Ray esmaga-nos com a sua contenção. A vida de Ed Avery é, a pouco e pouco, alterada perante uma mulher passiva no seu lugar de esposa e um filho revoltado, que procura os comprimidos do pai para os deitar fora, já que eles representam para ele o mal de todos os pecados.


Walter Matthau, ainda longe das comédias delirantes que nos ofereceu ao longo da carreira em dupla com Jack Lemmon, surge aqui como o amigo de Ed Avery e confessor de Lou, num papel onde a amizade é fruto de uma certa ambiguidade e a traição espreita em cada esquina. Ele não se interessa pela colega solteira da escola, mas vive para ajudar Lou a resolver os seus problemas com Ed. Quem desejar poderá sempre fazer uma leitura diferente. Quanto a Lou, ela representa a "Mrs. Right", a esposa mais-que-perfeita junto do marido, até ao momento em que entende que, se nada fizer, ele a irá conduzir até à morte, arrastando com eles o seu filho. O mal está simbolizado no medicamento ou estará no próprio homem, nesse ser que muitas vezes vive escondido no nosso interior, esperando o momento para atacar. Ed Avery (James Mason) deseja o melhor dos mundos para a família e a sua luta com o medicamento sai vitoriosa no final. Nicholas Ray oferece-nos um filme brilhante, com interpretações bem marcantes, fruto de uma excelente direcção de actores e embora happy-end possa ser motivo de discordância para alguns, já para nós estas personagens, depois de tanto terem sofrido, bem mereceram a Felicidade reencontrada.

29.7.26

Bette Midler - "The Divine Miss M"


Bette Midler
"The Divine Miss M"
Atlantic
1972

O álbum de estreia de Bette Midler chegou ao meu conhecimento através de uma revista dirigida por Lauro António intitulada "Isto é Espectáculo" de formato A4 e que era dedicada ao cinema, mas que também abordava música, livros e arte.

Depois foi no inevitável programa de rádio "Dois Pontos", que escutei o álbum "The Divine Miss M" na íntegra. Eram os anos em que podíamos escutar e gravar álbuns na integra no rádio.

Mais tarde tivemos a película "The Rose" que vi no cinema Londres e como muitos percebi como aquela dama possuía talento para dar e vender!

Alix - "O Ùltimo Espartano" - Jacques Martin


Alix
"O Ùltimo Espartano" / "Le Dernier Spartiate"
Arte: Jacques Martin
Argumento: Jacques Martin
Páginas: 64
Asa / Público

O álbum de banda desenhada "O Último Espartano" / "Le Dernier Spartiata", uma das mais fascinantes histórias criadas por Jacques Martin, para o seu herói Alix foi publicada pela primeira vez na Revista Tintin, a 2 de Agosto de 1966 (nº.31 - 21º ano) e concluído a 21 de Fevereiro de 1967 (nº.8 - 22º ano), posteriormente irá surgir em álbum como era habitual na época.

Edward Hopper - "Notre Dame de Paris"


Edward Hopper
"Notre Dame de Paris"
Óleo sobre tela
59,7 x 72,4 cm.
Ano: 1907
Whitney Museum of American Art, New York.

Dusan Makavejev - “O Rapaz da Coca-Cola” / “The Coca-Cola Kid”


Dusan Makavejev
“O Rapaz da Coca-Cola” / “The Coca-Cola Kid”
(Austrália - 1985) – (98 min. / Cor)
Eric Roberts, Greta Scacchi, Bill Kerr, Chris Haywood.

Jean-Luc Godard fala de uma imagem justa, ou justamente uma imagem e quando olhamos uma imagem, seja ela fixa/fotografia ou em movimento/cinema/vídeo, muitas vezes não sabemos as consequências futuras contidas no seu interior e uma das imagens que me ficou na memória, imagem essa em movimento, foi uma reunião de líderes, na então República Federativa da Jugoslava, eles eram apenas meia-dúzia, mas "ofereceram" a morte a milhares e destruíram uma nação.


O drama Jugoslavo nunca o esquecerei, porque durante anos o cinema Jugoslavo foi chegando a Portugal nas suas mais diversas formas: o cinema de "libertação" (mas já longe das teses de Jdanov do realismo socialista), dando lugar ao cinema do quotidiano e às suas pequenas histórias de amor e neste panorama um nome se destacava era Dusan Makavejev.

Hoje em dia todos conhecemos a obra de Emir Kusturica que obteve visibilidade internacional com "Recordam-se de Dolly Bell" / "Sjecas li se, Dolly Bell e "O Papa Foi em Viagem de Negócios" / "Otac na sluzbenon putu", mais tarde seria com o seu retrato pungente de "Underground" visão de uma nação/federação em ruínas que todos lhe fixaram o nome para sempre, apesar de anteriormente ter realizado o maravilhoso "Tempo de Ciganos" / "Dom za vesange" e a sua obra americana "Arizona Dream" com um quarteto de luxo (Johnny Depp, Jerry Lewis, Faye Dunaway, Vincent Gallo).


Todos aqueles que estiveram nos encontros de cinema de Avanca de 2002 (workshop) recordam-se do Dusan Makavejev; falemos um pouco dele, antes de beber a nossa Coca-Cola com o Eric Roberts.

“Um Homem não é um Pássaro” / ”Covek Nijetica” foi a obra que o projectou além fronteiras (1) e foi com “A Tragédia de uma Telefonista” / ”Ljubavni slucaj ili tragedija sluzbenice P.T.T.”, que deu à costa portuguesa, aportando no cinema Quarteto, então um dos refúgios da cinéfilia, ficando o seu nome gravado na mente de todos os que viram o filme.

Nessa época de libertações das mentes e corpos, Wilhelm Reich era um dos nomes sonantes e o seu livro “Escuta Zé-ninguém” (Ed. D. Quixote) de leitura obrigatória, sendo com uma certa naturalidade que o libertário Dusan Makavejev surgisse com “W.R.: Os Mistérios do Organismo” / ”W.R.: the Mysteries of the Organism”, “inaugurando”, de certa forma, um "novo género" denominado a "ficção documental".


Como era de se esperar, tendo em conta o seu olhar sobre a sociedade e as ideologias, Dusan Makavejev acabou por deixar o seu país, para realizar no Canadá “Um Filme Doce” / ”Sweet Movie” (2), contando no elenco com a bela Carole Laure (3) e Pierre Clementi, onde se interrogava as ideologias, fossem elas o socialismo ou o capitalismo, usando o humor como arma, já que nele encontramos o marinheiro Potemkine e o seu rato de estimação Nikita ou o Mr. Kapital.

Tendo em conta o caminho escolhido por Makavejev, não espantou ninguém que tenha sido convidado a participar num dos segmentos de “Wet Dreams”/”Sonhos Húmidos”, uma co-produção de 1975 holandesa/alemã , que se tornou um verdadeiro “cult-movie” e que possuía no seu interior um episódio famoso intitulado, "The Janitor" realizado e interpretado por Nicholas Ray (4), que desta forma renascia para o cinema.


Ao continuar na linha libertária, Dusan Makavejev realiza na Suécia “Montenegro ou Pérolas e Porcos” / ”Montenegro eller Paerlor och Svin” e convida o actor Bergmaniano, Erland Josephson para participar na película, o mesmo sucederia muitos anos mais tarde quando Andrei Tarkovski o convidou para protagonista da sua derradeira obra-prima "O Sacrifício" / "Offret". E o fim da estrada surgia no horizonte, a moda libertária, era chão que já tinha dado uvas e o seu humor ácido e erótico, necessitava de uma nova roupagem, onde as imagens e as palavras continuassem a possuir a mensagem do cineasta acerca das ideologias e do mundo em que vivemos, nascia assim “O Rapaz da Coca-Cola” / “The Coca-Cola Kid”.

O país escolhido foi a Austrália e os actores principais, Eric Roberts (irmão da Júlia Roberts, para quem não saiba) e Greta Scacchi. Um jovem quadro da Coca-Cola, Beker (Eric Roberts) chega à Austrália em “busca de problemas”, que inicialmente pareciam inexistentes para os responsáveis locais da famosa marca, mas após um daqueles estudos, verificou-se que o produto não penetrava numa pequena região, totalmente dominada pela firma concorrente “McDowell”.


A “luta” está aberta e Becker, um daqueles eficientes funcionários das Multinacionais, vai ganhar a “guerra”, encontrando no seu caminho a jovem Terri (Greta Scacchi), que irá alterar a sua forma de olhar o mundo que o rodeia.

Ao longo desta película descobrimos mais uma vez, o humor e a ironia tão característicos de Dusan Makavejev, de uma forma muito mais refinada e nunca é demais de destacar a interpretação da dupla constituída por Eric Roberts e Greta Scacchi, que hoje em dia oferecem o seu enorme talento em telefilmes de baixo orçamento, uma situação que atinge uma geração de actores e cineastas, a quem os Estúdios de Hollywood fechou as portas. Só para não ir mais longe, recordo que Peter Bogdanovich anda a realizar episódios de séries de televisão e o seu nome nem é creditado.


Ao rever este filme recentemente, confesso que me diverti tanto, como quando o vi pela primeira vez no cinema e fiquei com enorme vontade de rever a filmografia deste libertário chamado Dusan Makavejev, que nos dias de hoje é um perfeito estranho para as plateias de cinema.

(1) - Ainda estavam longe os dias de Emir Kusturica, cujo filme "O Papá foi em Viagem de Negócios" continua por descobrir.

(2) - Anteriormente tinha participado na feitura de “I Miss Sonia Henie”, filme de episódios no qual participaram, entre outros, Milos Forman, Paul Morrisey e Frederick Wiseman.


(3) - Carole Laure, esposa do cineasta canadiano Gilles Carle e ex-Miss Mundo, foi durante longos anos (década de 70) o rosto do Novo Cinema Canadiano (oriundo do Quebec), onde se destacou pela força que transmitia às personagens que interpretava, para além da sua beleza.

(4) - Nicholas Ray um dos "mavericks" do cinema que iria surgir em “O Amigo Americano” de Wim Wenders e que com Wim daria origem a essa obra testamento intitulada “Nick’s Movie”. Curiosamente “We Can’t Go Home” de Nick Ray,” last movie” na primeira pessoa, permanece uma película pouco visível.

28.7.26

Trio Beyond - "Saudades"


Trio Beyond
"Saudades"
ECM Records
2006

Jack DeJohnette - drums.
John Scofield - guitar.
Larry Goldings - organ, electric piano.

Um duplo álbum que regista um encontro verdadeiramente surpreendente no Queen Elizabeth Hall em Londres, no dia 21 de Novembro de 2004, onde iremos descobrir a bateria de Jack DeJohnette a pontuar os solos de John Scofield, ao mesmo tempo que o órgão de Larry Goldings nos oferece a atmosfera perfeita, já quando ele passa para o piano elétrico sentimos o pulsar do jazz. Recorde-se que este trio revisita a música John Coltrane, Miles Davis e John McLaughlin de forma perfeita.

Agatha Christie - "Poirot e Companhia"


Agatha Christie
"Poirot e Companhia" / "Problem at Pollensa Bay and Other Stories"
Colecção Vampiro de bolso nº.550
Páginas: 191
Livros do Brasil

Os cinco contos inéditos apresentados neste volume da célebre colecção Vampiro de bolso andaram dispersos por diversas publicações até 1991, quando foram finalmente reunidos em livro:

- O Segundo Gongo
- O Íris Amarelo
- O Serviço de Chá de Arlequim
- À Beira do Abismo
- Magnólia em Flor

Este livro virá a ser reeditado pela Asa na sua colecção dedicada a Agatha Christie. Recorde-se que este conjunto de contos inéditos já tiveram adaptação televisiva contando com o actor David Suchet a dar cor e vida ao detective belga Hercule Poirot!

Edward Hopper - "Soir Blue"


Edward Hopper
"Soir Blue"
Óleo sobre tela
91,4 x 182,9 cm.
Ano: 1914
Whitney Museum of American Art, New York.

Stanley Kubrick - “O Beijo Assassino” / “Killer’s Kiss”


Stanley Kubrick
“O Beijo Assassino” / “Killer’s Kiss”
(EUA – 1955) – (67 min. – P/B)
Frank Silvera, Irene Kane, Jamie Smith, Jerry Jarrett.

A primeira longa-metragem de Stanley Kubrick teve no cineasta um verdadeiro” homem dos sete instrumentos”, já que escreveu o argumento, foi o responsável pela fotografia e montagem da película, produziu e realizou.


Mais uma vez, tal como sucedeu na sua curta-metragem “Day of the Fight”, o protagonista é um pugilista que vamos encontrar no início do filme numa estação de comboios, esperando alguém e que nos confessa estar metido numa “grande encrenca” e em voz off irá nos contar o que lhe sucedeu nos dois últimos dias. E assim, sempre com uma rigorosa planificação e uma fotografia genial, iremos acompanhar a sua saga e as partidas que o amor faz, quando a seta de cupido navega por essa noite recheada de obstáculos e curvas perigosas quando se encontra a rapariga certa, mas que pertence a outro.


A genialidade de Stanley Kubrick já navega neste filme de pequeno orçamento e é fundamental para a compreensão da filmografia deste cineasta incontornável!

27.7.26

Taiguara - "Imyra, Tayra, Ipy"


Taiguara
"Imyra, Tayra, Ipy"
Odeon
1976

"Imyra, Tayra, Ipy" foi considerado um dos melhores álbuns do ano em Portugal, no distante ano de 1976 revelando-se como um dos mais importantes trabalhos discográficos da Música Popular Brasileira.

Michel Vaillant - “Os Cavaleiros de Konigsfeld” - Jean Graton


Michel Vaillant
“Os Cavaleiros de Konigsfeld” / / “Le chevaliers de Konigsfeld”
Argumento: Jean Graton
Arte: Jean Graton
Páginas: 64
Asa/Público

A equipa Vaillant, já com o regressado Steve Warson, prepara-se para disputar o Grande Prémio da Alemanha, no célebre circuito de Nurburgring e chegados a terras germânicas, ainda antes dos treinos se iniciarem, são convidados a passar uns dias de repouso no famoso Castelo de Konigsfeld pelo seu proprietário, que se revela um aficionado dos desportos motorizados, mas durante esses dias de repouso e tranquilidade os pilotos convidados para a estadia nas vésperas de participarem na famosa prova de Fórmula 1, começam a desaparecer um a um e…

Mais uma vez Jean Graton introduz o mistério nesta aventura de Michel Vaillamt, conduzindo-o até às portas da Idade Média, através da lenda que conduz o nome Konigsfeld para o Reino das Trevas, criando mais uma vez um belo suspense no leitor desta banda desenhada, com as inevitáveis surpresas e desenlaces imprevistos.

Edward Hopper - "Le Bistro"


Edward Hopper
"Le Bistro"
Óleo sobre tela
59,4 x 72,4 cm.
Ano: 1909
Whitney Museum of American Art

John Boorman - “Pela Rainha” / “Queen & Country”


John Boorman
“Pela Rainha” / “Queen & Country”
(Irlanda/França/Grã-Bretanha/Roménia – 2014) – (114 min,/Cor)
Callum Turner, Caleb Landry Jones, Pat Shortt, David Thewlis, Richard E. Grant.

“Esperança e Glória” / “Hope and Glory” é um dos mais belos filmes do cineasta britânico John Boorman, que nos conta a visão de uma criança do mundo que a rodeia, durante a Segunda Grande Guerra e dos mortíferos bombardeamentos alemães sobre Londres. Esta memorável película, realizada em 1987, não é mais do que as memórias do próprio realizador e o jovem protagonista Bill Rohan (Sebastian Rice-Edwards) o seu próprio alter-ego.


Esta comovente e brilhante obra cinematográfica, verdadeiramente mágica, teve uma sequela em 2014, intitulada “Pela Rainha” / “Queen & Country”, iniciando-se o filme precisamente onde “Esperança e Glória” / “Hope and Glory” tinha terminado: Bill Rohan chega à escola levado pelo avô e vai descobrir, feliz, que esta foi bombardeada, no recreio as crianças pulam de alegria atirando os livros ao ar e assim iremos viajar no tempo e descobrir o protagonista a entrar no serviço militar, com a guerra da Coreia como pano de fundo.

Mais uma vez iremos seguir os passos de Bill Rohan (Callum Turner, que possui enormes semelhanças físicas com o anterior protagonista) na tropa, onde trava amizade com outro militar, sofrendo ambos as agruras do serviço militar, embora se tornem instrutores e escapem à mobilização para a guerra na Península Coreana, nos dias de hoje um pouco esquecida.


John Boorman assina o argumento (autobiográfico) e convida-nos a conhecer como se encontram os restantes protagonistas de “Esperança e Glória” / “Hope and Glory”, que continuam a viver numa bela ilha no Tamisa, a irmã voltou do Canadá sem o marido nem as crianças, a mãe permanece com o pai, depois de ter tido um caso, do qual as crianças guardaram segredo, embora ela ainda diga adeus ao amante e ele, que se irá apaixonar por uma bela rapariga com um presente bem secreto, irá trocar a paixão pelo amor e descobrir como a felicidade afinal, estava ali tão perto.

“Queen & Counry” / “Pela Rainha” forma com “Hope and Glory” / “Esperança e Glória” um par de filmes que. se fossem um dia exibidos juntos numa sessão dupla, proporcionariam a quem os vê a oportunidade de usufruir em todos os aspectos esta espantosa e incontornável obra cinematográfica de John Boorman, que respira uma comovente ternura pelo cinema e a vida. Simplesmente genial!


Nota: “Esperança e Glória” é exibido regularmente na RTP Memória e “Queen & Country” também foi exibido no pequeno écran, aqui deixo o pedido, caros programadores, esqueçam o share (recordem-se de “Network” de Sidney Lumet) e façam uma sessão dupla com ambos os filmes, numa tarde de cinema, a Sétima Arte iria certamente agradecer!

26.7.26

Gary Burton / Steve Swallow - “Hotel Hello”


Gary Burton / Steve Swallow
“Hotel Hello”
ECM Records
1975

Gary Burton – vibraharp, organ, marimba.
Steve Swallow – bass, piano.

1 – Chelsea Bells (for Hern) (Steve Swallow) – 4:25
2 . Hotel Overture + Vamp (Steve Swallow) – 3:39
3 – Hotel Hello (Steve Swallow) – 5:24
4 – Inside In (Michael Gibbs) – 2:43
5 . Domino Biscuit (Steve Swallow) – 1:56
6 – Vashkar (Carla Bley) – 5:58
7 – Sweet Henry (Jack Gregg/Steve Swallow)– 4:02
8 – Impromptu (Gary Burton/Steve Swallow)– 2:29
9 – Sveeping Up (Steve Swallow) – 5:24

Um dos mais belos encontros entre dois músicos, cujas afinidades são por demais conhecidas e que aqui nos oferecem um belo álbum de duetos, que bem merece ser redescoberto, um incontornável na discografia de Gary Burton e Steve Swallow.

Gravado nos dias 13 e 14 de Maio de 1974 no Aengus Studio, Fayville, Mass. Por John Nagy e misturado por Martin Wieland. Layout de B & B Wojirsch. Fotografia da capa do álbum de Nick Passmore e Walter Urbanowicz. Fotografias de Paul Maks. Produzido por Manfred Eicher.

Andrew Weiner - "O Feito"


Andrew Weiner
"O Feito"
Magazine do Fantástico e Ficção Cientifica nº.1
(The Magazine of Fantasy and Science Fiction)
Matriz / Editorial Império

Andrew Weiner nasceu em Londres (1949) bacharel em Psicologia Social, trabalhou em publicidade, uma actividade de que não gostou, escreveu sobre rock para algumas revistas inglesas e desenvolveu trabalho na área da psicologia, assim como diversas traduções, tendo-se estreado na literatura em 1972 e em 1974 emigrou para o Canada, onde viria a residir até à sua morte em 2019. Escreveu diversos romances e dezenas de "short-stories" de que "o Feito" é um bom exemplo da sua escrita na área da ficção-científica.


" Diário de Stern:
Primeiro dia

A viagem começa. E começa bastante bem, pelo menos até este momento. Encontramo-nos a caminho, bem lançados, quase completamente fora do sistema segundo o último boletim Webb, a uma distância já muito grande de casa. E amanhã, muito cedo, ultrapassaremos a velocidade da luz e entraremos nesse espaço nulo de que tanto tenho ouvido falar, iniciando o verdadeiro voo inter-estelar."

Andrew Weiner
in "O Feito"

Edward Hopper - "Le Parc de Saint-Cloud"


Edward Hopper
"Le Parc de Saint-Cloud"
Óleo sobre tela
59,7 x 72,4
Ano: 1907
Whitney Museum of American Art, New York.

Sergio Leone - “Era Uma Vez na America” / “Once Upon a Time in America”


Sergio Leone
“Era Uma Vez na America” / “Once Upon a Time in America”
(EUA - 1984) – (229 min. / Cor)
Robert De Niro, James Woods, Elizabeth McGovern, Tuesday Weld, Treat Williams.

A América esse Paraíso que nos acorda nas noites de sonho para a Estrada 66 e as viagens “cost to cost” de Jack Kerouac, teve sempre um comportamento original em relação ao desenvolvimento do cinema, desde o seu início, criando teorias e mitos que por vezes o nosso olhar Europeu, e muitas vezes antiamericano, não consegue atingir. E a origem de tudo isto, está necessariamente nesses homens, antigos pesquisadores de ouro, com a fortuna coberta de pó, de mãos rudes, que construíram nas feiras pequenos teatros, onde se exibiam filmes para divertimento do público. Esses homens eram verdadeiros "Vendedores de Sonhos" (1) que ofereciam o espectáculo em troca de um nickel, nascendo assim os "Nickleodeons", repletos de multidões que se deslumbravam com as imagens em movimento.


Fascínio de todos os cineastas Europeus, a América e a sua história têm sido retratados no cinema dos mais variados prismas, (2) surgindo finalmente um dos retratos mais belos e cruéis através do olhar de Sergio Leone.

Criador do Western Spaghetti, onde pontificou Clint Eastwood e mais tarde Charles Bronson no admirável "Era Uma Vez no Oeste" / “Once Upon a Time in The West”, com Henry Fonda a personificar um admirável vilão, Sergio Leone foi sem dúvida alguma o mais americano dos cineastas europeus e não é certamente por acaso que assinou inicialmente, como Bob Robertson a película "Por Um Punhado de Dollars" que o tornaria célebre.


"Era Uma Vez no Oeste" é um dos mais belos e melancólicos westerns realizados, com uma banda sonora que nos ficou no ouvido para sempre e depois temos sempre a beleza de Claudia Cardinalle a perturbar o olhar de Charles Bronson, no seu melhor papel e aqui estamos no território da edificação de uma nação, cuja continuação será de certa forma o portentoso "Era Uma Vez na América" / “Once Upon a Time in America”.

Era uma vez, assim começam todas as histórias que os nossos avós nos contavam. "Era Uma Vez" um filme sobre a América, olhada do outro lado do oceano.


Como todas as histórias, esta é baseada na amizade entre homens, num universo onde as mulheres têm um papel secundário. Sendo um dos segredos da película, as elipses nas passagens do tempo, revelando-se a mais bela de todas, a que nos é oferecida na Central Station: uma elipse de 25 anos!

Viajando no tempo, vertiginosamente e contando com Robert de Niro e James Woods nos protagonistas, numa história de amizade e traição, Sergio Leone constrói uma das mais belas narrativas que o cinema nos ofereceu. E se Robert de Niro um dos maiores actores de sempre está excelente, já James Woods possui aqui uma das suas mais deslumbrantes interpretações.


Quando escutamos em casa a extraordinária banda sonora de Ennio Morricone de imediato as imagens do filme surgem na nossa memória, acompanhando a infância, adolescência e amizade de um grupo de amigos que se irá desmoronar, ao mesmo tempo que o corpo da pessoa amada navega sem destino nos braços de quem detém o poder.

Rever "Era uma vez na América" é um dos momentos mais gratificantes da História do Cinema e graças ao DVD podemos também fazer sessão dupla com as duas Américas de Sergio Leone, a do Oeste e a da “Big Apple”, em ambas navega essa velha questão chamada: o Poder Político.


(1) - Procurem o fabuloso "O Vendedor de Sonhos" / “Nickleodeon” de Peter Bogdanovich.

(2) - "As Portas do Céu" / "Heavens Gate" do Michael Cimino, que levou à falência a United Artists e que nos ofereceu uma visão da América sem contemplações.

(3) - Se gosta de Sergio Leone não perca o livro editado pelos Cahiers du Cinema, sobre a obra do cineasta.