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11.10.26

Martin Scorsese - “Shutter Island”


Martin Scorsese
“Shutter Island”
(EUA – 2010) – (138 min./Cor)
Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley,
Emily Mortimer, Max von Sydow, Michelle Williams.

Desde que o cinema nasceu que, por vezes, se estabelecem laços entre o realizador e o actor ou actriz, constituindo duplas que oferecem à Sétima Arte obras cinematográficas memoráveis, ao mesmo tempo que transportam as suas carreiras em paralelo conduzindo ao seu reconhecimento pelo público e pela crítica cinematográfica.


Assim sucedeu com D. W. Griffith e Lilian Gish, no período do Mudo, Josef von Sternberg e Marlene Dietrich, quando o cinema se tornou sonoro, Alfred Hitchcock e Grace Kelly, com três filmes seguidos e mais seriam se ela não tivesse querido visitar o Principado do Mónaco durante a rodagem de “Ladrão de Casaca”, Martin Scorsese e Robert de Niro, dois ilustres desconhecidos do grande público, na época da estreia de “Taxi Driver” e cujas carreiras são indissociáveis.


Poderíamos falar ainda de Tony Scott (que saudades temos dele!) e Denzel Washington ou Ridley Scott e Russell Crowe. Mas o que nos trás aqui, nesta longa introdução, é precisamente a dupla Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio que, desde esse momento mágico em que se encontraram, perceberam que constituíam a dupla perfeita, ao ponto de já podermos programar um ciclo de cinema Scorsese-DiCaprio, que encheria as salas de cinema de uma cinemateca!


“Shutter Island”, realizado em 2010, é um dos melhores Scorsese do século XXI e se muito se deve à genialidade deste mago do cinema, outro tanto pertence à espantosa interpretação de Leonardo DiCaprio, verdadeiramente memorável, sendo importante ao longo do filme estarmos sempre muito atentos às suas palavras.


Quanto ao argumento genial deste filme, só poderemos adiantar que estamos em 1954, a memória da Guerra, com os horrores que foram descobertos quando as tropas aliadas entraram nos campos de concentração, ainda está presente na memória de todos, especialmente Dachau, já na América a Comissão de Actividades Anti-Americana está no apogeu e o medo continua a navegar nas veias de muitos que acreditaram num mundo melhor.


Martin Scorsese, em “Shutter Island”, visita de forma inesquecível o cinema clássico, desde o denominado “film noir”, passando pelo cinema de terror no seu sentido mais puro, mas oferece-nos também um olhar sobre a psiquiatria, que na época estava muito em voga no cinema, com inúmeros filmes a abordarem o tema, tal como a sua “irmã gémea”: a psicanálise.


Ao longo de mais de duas horas o espectador vai ficar preso ao écran, quase sem respirar, não entendendo o que se passa, mas à medida que os fotogramas vão surgindo, novas pistas vão nascendo e só respiramos quando o intervalo surge, depois mergulhamos no enigma deste filme até chegarmos aos minutos finais e tudo se encaixar, mas há peças soltas!


E aqui deve estar com muita atenção às palavras de Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e não tirar conclusões precipitadas, escute com atenção, mesmo muita atenção e quando o genérico final terminar de passar no écran irá perceber que Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio formam uma das duplas mais fascinantes do Cinema do século XXI!

16.3.26

Woody Allen - “Celebridades” / “Celebrity”


Woody Allen
“Celebridades” / “Celebrity”
(EUA – 1998) – (113 min-P/B)
Kenneth Branagh, Judy Davis, Leonardo DiCaprio,
Charlize Theron, Melanie Griffith, Winona Ryder, Joe Mantegna.


Como é possível um filme realizado em 1998 oferecer-nos o retrato perfeito do mundo em que vivemos neste ano de 2025 do século XXI que acabou de nascer, este mundo das celebridades que invadem o quotidiano da Imprensa e da Televisão!? E será sempre de referir que neste filme temos até Donald Trump o Presidente norte-americano num "cameo" bem significativo do que é uma celebridade no universo mediático a dialogar com Judy Davis.


A resposta é simples e encontra-se na genialidade da escrita de Woody Allen, que neste filme preferiu não sair de detrás da câmara oferecendo ao actor/cineasta Kenneth Branagh a interpretação dessa célebre personagem chamada Lee Simon, que se encontra profundamente apaixonado pelo universo das estrelas, tendo até o próprio Kenneth Branagh, de forma bem convincente, assumido a personagem destinada a Woody Allen, repetindo os famosos tiques, que o cineasta norte-americano transporta para as suas personagens.


Depois temos um elenco de luxo, sabemos isso nos dias de hoje , sendo de realçar a transformação da personagem criada por essa extraordinária actriz chamada Judy Davis, que aqui surge loura, na figura da esposa de Lee Simon (Kenneth Branagh), que será confrontada com o pedido de divórcio, quando nada o fazia prever, ao fim de um longo casamento.


Tal como sucedeu aquando da estreia de “Stardust Memories” / “Recordações”, este “Celebrity” / “Celebridades” foi muito mal recebido na época da sua estreia, tanto pela crítica cinematográfica como pelo público e será talvez chegada a altura de darmos uma segunda oportunidade a esta genial película de Woody Allen, que decididamente nos ofereceu um filme bem visionário dos dias de hoje, em que não se olha a meios para se atingir a celebridade!