Martin Scorsese
“Shutter Island”
(EUA – 2010) – (138 min./Cor)
Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley,
Emily Mortimer, Max von Sydow, Michelle Williams.
Desde que o cinema nasceu que, por vezes, se estabelecem laços entre o realizador e o actor ou actriz, constituindo duplas que oferecem à Sétima Arte obras cinematográficas memoráveis, ao mesmo tempo que transportam as suas carreiras em paralelo conduzindo ao seu reconhecimento pelo público e pela crítica cinematográfica.
Assim sucedeu com D. W. Griffith e Lilian Gish, no período do Mudo, Josef von Sternberg e Marlene Dietrich, quando o cinema se tornou sonoro, Alfred Hitchcock e Grace Kelly, com três filmes seguidos e mais seriam se ela não tivesse querido visitar o Principado do Mónaco durante a rodagem de “Ladrão de Casaca”, Martin Scorsese e Robert de Niro, dois ilustres desconhecidos do grande público, na época da estreia de “Taxi Driver” e cujas carreiras são indissociáveis.
Poderíamos falar ainda de Tony Scott (que saudades temos dele!) e Denzel Washington ou Ridley Scott e Russell Crowe. Mas o que nos trás aqui, nesta longa introdução, é precisamente a dupla Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio que, desde esse momento mágico em que se encontraram, perceberam que constituíam a dupla perfeita, ao ponto de já podermos programar um ciclo de cinema Scorsese-DiCaprio, que encheria as salas de cinema de uma cinemateca!
“Shutter Island”, realizado em 2010, é um dos melhores Scorsese do século XXI e se muito se deve à genialidade deste mago do cinema, outro tanto pertence à espantosa interpretação de Leonardo DiCaprio, verdadeiramente memorável, sendo importante ao longo do filme estarmos sempre muito atentos às suas palavras.
Quanto ao argumento genial deste filme, só poderemos adiantar que estamos em 1954, a memória da Guerra, com os horrores que foram descobertos quando as tropas aliadas entraram nos campos de concentração, ainda está presente na memória de todos, especialmente Dachau, já na América a Comissão de Actividades Anti-Americana está no apogeu e o medo continua a navegar nas veias de muitos que acreditaram num mundo melhor.
Martin Scorsese, em “Shutter Island”, visita de forma inesquecível o cinema clássico, desde o denominado “film noir”, passando pelo cinema de terror no seu sentido mais puro, mas oferece-nos também um olhar sobre a psiquiatria, que na época estava muito em voga no cinema, com inúmeros filmes a abordarem o tema, tal como a sua “irmã gémea”: a psicanálise.
Ao longo de mais de duas horas o espectador vai ficar preso ao écran, quase sem respirar, não entendendo o que se passa, mas à medida que os fotogramas vão surgindo, novas pistas vão nascendo e só respiramos quando o intervalo surge, depois mergulhamos no enigma deste filme até chegarmos aos minutos finais e tudo se encaixar, mas há peças soltas!
E aqui deve estar com muita atenção às palavras de Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e não tirar conclusões precipitadas, escute com atenção, mesmo muita atenção e quando o genérico final terminar de passar no écran irá perceber que Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio formam uma das duplas mais fascinantes do Cinema do século XXI!











