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20.5.26

Francis Ford Coppola - “O Padrinho III” / “The Godfather III”


Francis Ford Coppola
“O Padrinho III” / “The Godfather III”
(EUA – 1990) – (162 min. / Cor)
Al Pacino, Diane Keaton, Talia Shire, Andy Garcia,
Eli Wallach, Joe Mantegna, Sofia Coppola, Bridget Fonda.

A Paramount Pictures nunca se esqueceu do êxito que foi “O Padrinho” / “The Godfather” e a sua sequela “O Padrinho: Parte II” / “The Godfather: Part II”, que lhe encheu os cofres e se revelou um dos maiores sucessos de sempre destes famosos Estúdios Americanos.


E quando foi anunciado a feitura de mais um filme da Saga da família Corleone, as expectativas foram bastante elevadas, conseguindo Francis Ford Coppola cumprir em todas as vertentes cinematográficas, ao mesmo tempo que nos oferecia, uma montagem final genial onde iremos assistir ao derradeiro ajuste de contas e a respectiva passagem de testemunho entre Don Michael Corleone (Al Pacino) e o seu eleito Vincent Mancini (Andy Garcia).

Mais uma vez Al Pacino demonstrou ser o maior actor norte-americano vivo. Basta recordarmos a sua morte no final, possivelmente um dos mais belos momentos do cinema de Francis Ford Coppola, possuidor dessa solidão que o poder transporta sempre consigo.


O ambiente em Roma, onde se desenrolou a rodagem de “O Padrinho: Parte III” / “The Godfather: Part III” era no início um verdadeiro caos. A Máfia “controlava” ao longe as filmagens da película, chegando-se até a falar-se que alguns elementos da organização participaram como extras, para controlarem o que se passava no interior da produção.

Foi este o clima encontrado por Winona Ryder ao chegar a Roma para interpretar a figura de Mary Corleone, a filha do poderoso Padrinho, Don Michael Corleone, e poucos dias depois, a actriz viu-se a braços com o inevitável esgotamento nervoso. Johnny Depp, então seu “namorado”, ainda voou para Itália, mas de nada serviu a sua presença. E foi assim que Francis Ford Coppola, desesperado, se virou para a sua filha Sofia Coppola e lhe disse que ela seria a nova Mary Corleone.


O que se passou a seguir é de todos conhecido: a crítica da especialidade saudou a película efusivamente, excepto a interpretação de Sofia Coppola. Basta consultar-se a imprensa da época, nacional ou estrangeira e o resumo é sempre o mesmo: “ a sua interpretação é um verdadeiro desastre”, depois os anos passaram e Sofia Coppola não voltou a estar à frente de uma câmara, preferindo ficar na retaguarda e seguir o caminho traçado pelo pai, abraçando a realização cinematográfica.

A sua película de estreia como cineasta, “As Virgens Suicidas” / “The Virgin Suicides”, recolheu o aplauso unânime da crítica especializada e do público e rapidamente todos nos esquecemos da sua passagem pelo terceiro capítulo da Saga “O Padrinho” / “The Godfather”, uma das mais fabulosas obras da História do Cinema.


Convém sempre recordar que com o seu filme seguinte “O Amor é um Lugar Estranho” / “Lost in Translation”, Sofia Coppola cimentou decididamente a sua carreira como cineasta.

Em “O Padrinho: Parte III” / “The Godfather: Part III” iremos assistir à tentativa de Don Michael Corleone (Al Pacino) legitimar/branquear os seus negócios, usando diversas entidades ligadas ao Vaticano para atingir esse fim, mas os inimigos espreitam por todos os lados, para se apoderarem dos negócios, como iremos ver logo no início com a tentativa de assassinato de Michael Corleone (Al Pacino) levada acabo por Joey Zasa (Joe Mantegna), que possui ligações subterrâneas com entidades ditas legais, mas com actividades muito pouco transparentes.


Por outro lado Mary Corleone (Sofia Coppola) e Vincent Mancini (Andy Garcia) terão que esquecer e abdicar do seu romance, para bem dos interesses da família, tornando-se ele no escolhido por Don Michael Corleone, para o suceder, jurando-lhe fidelidade, numa sequência que marca a ruptura definitiva entre os dois jovens apaixonados.

No final, após a vitória no confronto derradeiro com os seus inimigos, Michael Corleone, irá gozar a sua velhice solitária, até a morte o ir buscar, num dos momentos mais sublimes do filme.


Francis Ford Coppola conseguiu com esta terceira película fechar com chave de ouro a inesquecível Saga da família Corleone.

16.3.26

Woody Allen - “Celebridades” / “Celebrity”


Woody Allen
“Celebridades” / “Celebrity”
(EUA – 1998) – (113 min-P/B)
Kenneth Branagh, Judy Davis, Leonardo DiCaprio,
Charlize Theron, Melanie Griffith, Winona Ryder, Joe Mantegna.


Como é possível um filme realizado em 1998 oferecer-nos o retrato perfeito do mundo em que vivemos neste ano de 2025 do século XXI que acabou de nascer, este mundo das celebridades que invadem o quotidiano da Imprensa e da Televisão!? E será sempre de referir que neste filme temos até Donald Trump o Presidente norte-americano num "cameo" bem significativo do que é uma celebridade no universo mediático a dialogar com Judy Davis.


A resposta é simples e encontra-se na genialidade da escrita de Woody Allen, que neste filme preferiu não sair de detrás da câmara oferecendo ao actor/cineasta Kenneth Branagh a interpretação dessa célebre personagem chamada Lee Simon, que se encontra profundamente apaixonado pelo universo das estrelas, tendo até o próprio Kenneth Branagh, de forma bem convincente, assumido a personagem destinada a Woody Allen, repetindo os famosos tiques, que o cineasta norte-americano transporta para as suas personagens.


Depois temos um elenco de luxo, sabemos isso nos dias de hoje , sendo de realçar a transformação da personagem criada por essa extraordinária actriz chamada Judy Davis, que aqui surge loura, na figura da esposa de Lee Simon (Kenneth Branagh), que será confrontada com o pedido de divórcio, quando nada o fazia prever, ao fim de um longo casamento.


Tal como sucedeu aquando da estreia de “Stardust Memories” / “Recordações”, este “Celebrity” / “Celebridades” foi muito mal recebido na época da sua estreia, tanto pela crítica cinematográfica como pelo público e será talvez chegada a altura de darmos uma segunda oportunidade a esta genial película de Woody Allen, que decididamente nos ofereceu um filme bem visionário dos dias de hoje, em que não se olha a meios para se atingir a celebridade!