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16.8.26

Barry Levinson - “Bugsy”


Barry Levinson
“Bugsy”
(EUA – 1991) – (135 min. / Cor)
Warren Beatty, Annette Bening, Ben Kingsley,
Harvey Keitel, Elliott Gould, Joe Mantegna.

“Bugsy” surge na filmografia de Barry Levinson como o seu oitavo filme e, pela primeira vez, o cineasta envolvia-se no mundo dos gangsters, através de um excelente argumento de James Toback, argumentista e realizador com obra feita tendo convocado Warren Beatty para encarnar a figura do temido Benjamin Siegel. Recorde-se que Warren Beatty, para além de produzir o filme de Barry Levinson, já tinha dado excelentes cartas nessa obra fabulosa de Arthur Penn intitulada “Bonnie and Clyde”.


Por outro lado Barry Levinson, que no ano anterior assinara “Avalon”, para nós o seu melhor filme até à presente data, recupera diversos elementos dessa obra para os introduzir na película, já que ambas se passam na mesma década, anos quarenta, ao mesmo tempo que se rodeia de um leque de actores acima de qualquer suspeita, por aqui encontramos Harvey Keitel, Ben Kingsley, Elliott Gould (muitas vezes ignorado) não esquecendo todos aqueles secundários que passamos uma vida a encontrar nas telas, sempre seguros das suas interpretações. A terminar descobrimos a bela Annette Bening na personagem de Virgina Hill, a “starlette” de Hollywood, possuidora de umas pernas fabulosas, tendo dado a volta por completo à cabeça de Bugsy Siegel, não nos esqueçamos que o nome dado ao primeiro Casino de Las Vegas, o célebre “Flamingo”, construído pelo gangster, é a sua homenagem às pernas de Virgínia Hill.

Nunca será demais referir que foi neste filme que os destinos de Warren Beatty e Annette Bening se cruzaram, originando um dos mais famosos pares de Hollywood, sendo a interpretação de ambos neste filme um verdadeiro duelo, numa ligação de amor e posse, repare-se na célebre discussão na residência do gangster em Beverly Hills, mesmo de cortar à faca.


A história deste gangster de New York, temido por todos, decide um dia partir para a outra costa, mais concretamente Los Angeles, para expandir os seus negócios devidamente apoiado por dois outros nomes famosos do mundo do crime, Meyer Lansky (Ben Kingsley) e Lucky Luciano (Bill Graham), mas quando Bugsy chega a Hollywood fica perfeitamente fascinado pelo mundo das estrelas de cinema que encontra aos seus pés e de imediato começa a controlar o sub-mundo do crime local, pouco desenvolvido, comparado com o de New York, ao mesmo tempo que se começa a interessar pela Sétima Arte, chegando até a fazer diversos “screen test” para participar no cinema. Será aliás numas filmagens que irá conhecer no “plateau” a célebre Virgínia Hill (Annette Bening), que nunca chegaremos a saber se ama mais Bugsy se o seu dinheiro.

Nasce então a ideia louca, na época, de construir um Casino no meio do deserto, numa pequena povoação chamada Las Vegas onde o jogo era legal. Os sócios de Bugsy olham de lado o projecto, embora Lansky deixe avançar a ideia para ver onde vai dar, mas a relação de Bugsy e Virgínia surge inquinada quando ele descobre que ela desvia dinheiro para uma conta pessoal, por outro lado os custos do “Flamingo” ultrapassam todos os orçamentos previstos e como não podia deixar de ser a longa mão da noite do crime decide avançar e apresentar a factura depois de, no dia de abertura do Casino, este se encontrar às moscas devido à tempestade que se fazia sentir.


A história é por demais conhecida: no dia seguinte com Bugsy já morto, no interior da sua casa de Beverly Hills, Lansky e Luciano tomam conta do negócio e descobrem uma das fontes mais rentáveis de sempre, porque no dia seguinte todo o mundo de Los Angeles parte para essa pequena povoação chamada Las Vegas para jogar no “Flamingo”.

Benjamin Siegel, apesar de ser um gangster que até matava com as suas próprias mãos não usando intermediários, como era habitual na época, foi um visionário, um homem que fez nascer no Estado do Nevada uma cidade chamada Las Vegas, uma fonte de receita muito estimada por todos, quanto à sua história de amor, ela é perfeita e tumultuosa, Virgínia Hill acabaria por devolver o dinheiro desviado e anos depois irá suicidar-se num quarto de hotel na Europa esquecida por todos.


Quanto a este filme de Barry Levinson, ele possui todos os elementos que permitem considerar esta película uma obra a ver em todas as suas potencialidades, desde a interpretação, passando pela realização, até ao argumento. “Bugsy” merece aquela visita, tal como o "Flamingo" em Las Vegas, que ainda se mantém em actividade.

23.4.26

Martin Scorsese - “A Invenção de Hugo” / “Hugo”


Martin Scorsese
“A Invenção de Hugo” / “Hugo”
(EUA – 2011) – (126 min./Cor)
Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Asa Butterfield,
Chloe Grace Moretz, Christopher Lee, Emily Mortimer.

O genial filme de Martin Scorsese, “A Invenção de Hugo” / “Hugo”, que foi nomeado para 11 Oscars, nesse ano de 2011, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Realização, terminou a noite a conquistar apenas cinco Oscars técnicos e sinceramente nesse dia percebi como Hollywood é um território sem memória do cinema, porque esta película realizada em 3D, conta-nos uma história destinada a um público de todas as idades (se tem filhos compre o dvd e veja com eles este filme mágico), onde os protagonistas são duas crianças e o genial Méliès, aqui interpretado por um Ben Kingsley soberbo e inesquecível!


Depois temos esse mago do cinema que permanece um apaixonado pela Sétima Arte e a sua Memória, chamado Martin Scorsese. Veja-se a forma como ele fala do cinema, nas entrevistas e nos oferece uma realização ímpar e repleta de Magia em “A Invenção de Hugo” / “Hugo”, porque a forma como ele recria o universo dos filmes de Méliès, esse genial inventor dos primórdios do cinema e nos narra a sua história, revela-se um convite a descobrirmos essa bela e inesquecível época do tempo do mudo, onde a linguagem cinematográfica foi criada e teve em Georges Méliès o artífice perfeito dos efeitos especiais no cinema, alguns até criados por mero acaso e depois desenvolvidos, sempre em busca dessa magia que cativava as audiências.


Como é possível uma obra-prima da Sétima Arte ter sido esquecida pela Academia de Hollywood, revela-nos bem como são turvas as águas onde navegam os Membros da Academia. Desconhecer “A Invenção de Hugo” de Martin Scorsese é imperdoável!