Mostrar mensagens com a etiqueta Albert Finney. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Albert Finney. Mostrar todas as mensagens

2.10.26

Sidney Lumet - “Antes Que o Diabo Saiba Que Morreste” / “Before the Devil Knows You’re Dead”


Sidney Lumet
“Antes Que o Diabo Saiba Que Morreste” / “Before the Devil Knows You’re Dead”
(EUA/Inglaterra – 2007) – (117 min. / Cor)
Phillip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney,
Marisa Tomei, Rosemary Harris, Amy Ryan.

Era ainda criança quando vi na televisão um filme que recordei para sempre, conhecia o actor mas não sabia o seu nome, depois fixei-o: era Henry Fonda. E foi só na adolescência que voltei a encontrar essa película intitulada “Doze Homens em Fúria” / “Twelve Angry Men” e descobri que o cineasta se chamava Sydney Lumet e este era o seu filme de estreia. A partir de então segui a carreira deste realizador que nasceu para o cinema, como muitos outros, a trabalhar na televisão.


Quando se olha para a sua filmografia somos atraídos pelos nomes dos actores, mas ele sempre soube escolher argumentos que agarravam o espectador, para depois lhes introduzir todo o seu saber, deixando sempre a sua marca. Basta recordar obras como “Serpico”, “Dia de Cão”/ “Dog Day Afternoon” (estes dois com Al Pacino no protagonista), “Network” ou “O Príncipe na Cidade” / “Prince of the City”, para além do seu filme de estreia, para termos de imediato o retrato genial do cineasta. E curiosamente, este homem nascido em Filadélfia a 26 de Junho de 1924, voltou a surpreender-nos com a película “Antes Que o Diabo Saiba que Morreste”, que viria a ser o seu derradeiro filme.

Partindo de um argumento de Kelly Masterson, o cineasta Sydney Lumet vai contar-nos uma história que é uma verdadeira tragédia shakespeariana dos tempos modernos, com uma crueldade e frieza que retrata bem o mundo em que vivemos.


Andy (Phillip Seymour Hoffman) é um executivo que se encontra em pânico, devido a uma Inspecção das Finanças que vai ter lugar na empresa onde trabalha, ao mesmo tempo que se vai encontrando no apartamento do seu "dealer" para fazer “viagens de luxo”, já o seu irmão Hank (Ethan Hawke) é a ovelha negra da família, aquele que vive sempre à beira do abismo, sem dinheiro e divorciado da mulher com um filho para sustentar. Ambos estão em apuros e será Andy a descobrir a solução para os problemas que os atormentam. Assaltar a ourivesaria dos pais, num sábado de manhã em que não há ainda movimento de clientes, para depois venderem as jóias, conseguindo desde modo resolver os diversos problemas financeiras de que ambos padecem, já que as jóias estão cobertas pelo seguro e assim ninguém sai a perder.

Andy é o estratega e Hank o operacional. O irmão mais novo decide convidar um amigo para fazer o golpe ficando ele no carro à sua espera, mas tudo irá correr mal. Nesse dia o pai de ambos (Albert Finney) tem exame da carta de condução e a empregada da loja irá chegar mais tarde, pelo que será a sua esposa a abrir a loja. O assaltante não conhece a mãe de Hank e quando tudo se complica, não hesita em alvejá-la mortalmente.


A partir de então a tragédia é uma verdadeira bola de neve a descer a montanha e Andy, ao saber da morte da mãe, percebe que se encontra num beco sem saída, por outro lado Charles Hanson (Albert Finney) só quer apanhar os assassinos da sua mulher, disposto a fazer justiça através das suas próprias mãos, enquanto Hank só deseja desaparecer do cimo da terra, porque não consegue viver com os remorsos a baterem-lhe insistentemente à porta ele, que até mantém uma relação com Gina (Marisa Tomei) a mulher do irmão, não tem para onde fugir sem levantar suspeitas.


Desta forma Sidney Lumet oferece-nos um verdadeiro drama familiar do mundo contemporâneo, que nos agarra desde o primeiro minuto do filme, sempre com a tragédia a espreitar na esquina mais próxima (se preferirem, chamem-lhe diabo). Contando com interpretações espantosas de um quarteto de actores que não deixa os seus créditos por mãos alheias, “Antes que o Diabo Saiba que Morreste” é um verdadeiro “vintage” do cineasta, que olha o cinema com uma juventude e eficácia espantosa. “Before the Devil Know’s You’re Dead” respira cinema por todos os fotogramas e foi o último filme deste genial cineasta norte-americano que nos deixou em 2011.

22.4.26

Michael Wadleigh - “Cidade em Pânico” / “Wolfen”


Michael Wadleigh
“Cidade em Pânico” / “Wolfen”
(EUA – 1981) – (115 min. / Cor)
Albert Finney, Diane Venora, Edward James Olmos, Gregory Hines, Tom Noonan.

Ao olharmos “Wolfen” / “Cidade em Pânico”, segundo o célebre ângulo da "Política de Autores", obriga-nos a relembrar que Michael Wadleigh é o célebre realizador de "Woodstock", essa película que retratou uma época de uma forma exemplar, ao abrir as portas para um novo "género" de musical, o concerto e o seu registo, que contou na montagem com Martin Scorsese e Thelma Schoonmaker


As imagens iniciais de "Woodstock" com o tractor invadindo o verde da paisagem que inunda o horizonte são já fruto da visão ecológica do cineasta, a qual irá surgir notavelmente integrada no argumento de "Wolfen" / “Cidade em Pânico”, tendo em conta que a película estabelece o paralelo entre a extinção a que os lobos e os índios estão sujeitos, sendo esta "dualidade cultural" o fio condutor de toda a história.

Não nos esqueçamos que foram os índios que construíram a maioria dos arranha-céus nova-iorquinos, vendo a sua pradaria a ser invadida pelos monstros de betão.


Mas o que são os "Wolfen" pergunta o leitor. A resposta é dada na película através do velho índio, símbolo visionário duma ficção do real. "Wolfen" são seres inteligentes, fruto da junção índio/lobo, que lutam pela posse do seu território, de forma violenta, porque no seu mundo não há morte nem assassínio, apenas esse instinto de sobrevivência, tão caracteristicamente humano.


“Wolfen” / “Cidade em Pânico” de Michael Wadleigh oferece-nos um Albert Finney em toda a sua arte, ao levar até ao limite a personificação de Dewey Wilson, esse polícia suspenso devido ao excessivo consumo de álcool, revelando assim o actor que o célebre “método” também vive no seu ser. Um filme que merece ser (re)descoberto.

18.2.26

Joel Coen & Ethan Coen - “História de Gangsters” / “Miller’s Crossing”


Joel Coen & Ethan Coen
“História de Gangsters” / “Miller’s Crossing”
(EUA – 1990) – (115 min./Cor)
Gabriel Byrne, Albert Finney, Marcia Gay Harden, John Turturro, John Polito.

Este fabuloso filme intitulado “Miller’s Crossing”, o nome do local onde os gangsters se livram das pessoas incómodas, que ali chegam vivas e depois desaparecem e que deu origem a uma das mais famosas sequências da filmografia dos irmãos Coen, teve em Portugal o título de “Histórias de Gangsters”, o que também não está mal, porque é disso mesmo que trata a película, embora para o cinéfilo, o filme seja sempre conhecido por “Miller’s Crossing”.


Estamos em 1990 e os irmãos Coen partem para a sua terceira longa-metragem, numa bela homenagem ao denominado “Film Noir”, onde logo no primeiro plano sequência do filme, deparamos com um olhar mordaz de citação, ao famoso “The Godfather” / “O Padrinho” de Francis Ford Coppola. Depois iremos entrar pela porta grande do universo de um gangster irlandês, chamado Leo (Albert Finney), que irá entrar em guerra com outro rival do ofício chamado Johnny Caspar (Joe Polito), controlando o primeiro a polícia e no meio deles circula o par fatal: o homem de mão de Leo, o carismático Tom Reagan (Gabriel Byrne), que mantêm uma relação amorosa com a mulher do patrão, a sensual e perigosa Verna (Marcia Gay Harden), que por sua vez tem um irmão que sendo o contabilista do bando irá fazer a famosa golpada.


Estamos assim perante um enredo que se irá tornar muito mais complexo à medida que os acontecimentos se vão sucedendo, sempre filmados com uma fotografia genial e movimentos de câmara que ficaram célebres no cinema, incluindo esse momento mágico em que Tom Reagan (Gabriel Byrne) aponta a pistola à cabeça de Bernie (John Turturro) e dispara e apenas vemos o seu chapéu a rolar pelo bosque fora…


“História de Gangsters” / “Miller’s Crossing” conta-nos a história de Tom Reagan (fabulosa interpretação de Gabriel Byrne), que entre dois fogos: a desconfiança do patrão e da amante, mas querendo manter ambos perto de si, tenta sobreviver às intempéries que se irão abater sobre ele.


“Miller’s Crossing”, apesar da pouca visibilidade que possui, infelizmente, revela-se como o irmão gémeo de “Fargo”, já que um e outro filme, são a cara e a coroa da mesma moeda: a genialidade dos irmãos Coen!


Nota: E foi aqui que todos começamos a fixar o nome de Carter Burwell, o genial compositor das bandas sonoras dos filmes dos irmãos Coen!