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1.4.26

Fados 1 - Helena Lima / Tristão da Silva Jr. / Isabel de Oliveira / Natalino Duarte / Jorge Fontes e seu Conjunto de Guitarras / Argentina Santos / Lina Maria Alves / Nazaré.


Fados 1
Helena Lima / Tristão da Silva Jr. / Isabel de Oliveira / Natalino Duarte / Jorge Fontes e seu Conjunto de Guitarras / Argentina Santos / Lina Maria Alves / Nazaré.
Rapsódia


A1 - Helena Lima - "Teu Amor Fez-me Mulher"
A2 - Tristão da Silva Jr. - "Tudo Me Fala de Ti"
A3 - Isabel de Oliveira - "Duas Velas"
A4 - Natalino Duarte - ""Saudoso Fado"
A5 - Helena Lima - "Gosto de Te Ver Zangado"
A6 - Tristão da Silva Jr. - "Partidas do Amor"
A7 - Jorge Fontes e o seu Conjunto de Guitarras - "Guitarras na Farra"

B1 - Argentina Santos - "O Chico da Mouraria"
B2 - Natalino Duarte - "Não Me Quiz"
B3 - Lina Maria Alves - "A Mais Linda Canção"
B4 - Tristão da Silva Jr. - "Falando do Fado"
B5 - "Nazaré - "Quem Dera"
B6 - Natalino Duarte - "Morena lá do Canto"
B7 - Jorge Fontes e o seu Conjunto de Guitarras - "Um Fado em Mi Menor"


Helena Lima surge nesta colectânea dedicada à arte do fado com os fados "Teu Amor Fez-me Mulher" e "Gosto de Te Ver Zangado", ambos com poemas de sua autoria, sendo acompanhada por António Chainho na guitarra e José Maria Nóbrega na viola, dois temas que fazem parte do seu disco intitulado "Barcos no Cais". Poderemos dizer que a arte do fado vive nesta bela colectânea, símbolo de um género que permanece bem vivo no interior da música popular portuguesa e cujos intérpretes e autores bem merecem ser recordados e escutados.

22.3.26

Helena Lima - "Barcos no Cais"

 

"Barcos no Cais"

Mais um barco a partir e tu agora
Adeus, só mais um desejo, adeus Manuel
Tens uma mulher forte que não chora
Serei ao teu amor sempre fiel.

Parece tão vazia a nossa rua
Parece tão sombria esta cidade
Sei que sou menos triste por ser tua
Mas sinto-me mais só por ter saudade,

Mais um barco a chegar. É Primavera
no coração dos homens a cantar
E em cada mulher no cais à espera
Quanto carinho e beijos para dar.

Barcos no cais. Lisboa canta agora,
Ainda te quero mais do que já quiz
A gente de alegria também chora
E eu choro Manuel, por ser feliz!

Nota: Poema incluído no disco "Barcos no Cais" de Helena Lima.

Helena Lima
in "Poesia"

15.3.26

Helena Lima - "Andorinha que Não Voa"


"Andorinha que Não Voa"

Como aquela Andorinha que nasceu
De asas cortadas sem saber voar
Dentro do ninho a contemplar o céu
Querendo viver para o poder olhar

Como a mulher perdida, apaixonada
Que um passado infeliz quer esquecer
Coração feliz, alma atormentada
Ganhando amor com medo de o perder

Sonhos, esperanças, carinho, desejo
Erros, desgostos, lágrimas, saudades.
Nosso amor proibido, em cada beijo
Vivendo de mentiras - é Verdade!

Helena Lima
in "Poesia"

Nota: Poema incluído no disco "Fados por Helena Lima".

8.3.26

Helena Lima - "O que o bom tem de melhor"


 "O que o bom tem de melhor"

Estou contente, sou feliz
Um minuto ao pé de ti
Compensa as horas vazias
Dos anos que eu já vivi.

Minha vida foi de mau
O que o mau tem de pior
Hoje contigo é de bom
O que o bom tem de melhor.

O que nasce há-de morrer
Se o teu amor acabar
Não mintas, vem-me dizer
Que eu prometo não chorar...

Direi amor - Obrigado!
Tal como um cego dizia
Se pudesse abrir os olhos
E ver a terra um só dia.

Helena Lima
in "Poesia"

Nota: Poema incluído no disco "Fados por Helena Lima".

1.3.26

Helena Lima e os Fados: Uma Memória!

Helena Lima e os Fados: Uma Memória!

Após a edição de “Barcos no Cais” Helena Lima deu uma entrevista ao jornalista Carvalho Ramos da Revista “Plateia”, estávamos a 12 de Julho de 1972, recordamos aqui esse encontro onde fica bem expresso a forma de estar na vida e no tempo de Helena Lima, mas também a sua forma sonhadora em acreditar que um mundo melhor é sempre possível.

“Até que ponto é que a gravação de um disco comercial poderá influi na carreira de uma artista «ansiosa de fazer coisas», de forma a sobressair e a tornar-se notada num meio onde a «concorrência» é enorme?

A pergunta de «chofre» e sem qualquer espécie de prévia preparação, foi feita pelo «repórter» a Helena Lima, intérprete fadista cuja voz a Rádio muito tem divulgado nos últimos tempos, mercê – precisamente… - da gravação de um disco comercial!

Se não houve preparação para a pergunta, ela também não existiu, também – e implicitamente… -, para a resposta.

Serenamente – com a expressão tranquila que lhe é peculiar…- Helena Lima explicou:

- Um disco é um extraordinário veículo de expansão de qualquer artista, pelo que pode valer como credencial dos seus eventuais méritos…


«Para além do mais, as gravações permitem fazer chegar ao grande público vozes de artistas que muitas vezes, sem essa possibilidade, jamais deixariam de ser ignorados…

- E no que respeita ao seu caso em particular? – Inquirimos.

- Bem… Eu já estava convencida de que era mesmo o meu caso particular que pretendia abordar… - replicou Helena Lima sorridente, para acrescentar:

«É inegável que este disco representa imenso para mim, não só por me ter ajudado a convencer que possuo um mínimo de valor onde posso alicerçar todos os projectos que acalento, como, também, porque me veio demonstrar que as pessoas que formam o meio artístico, não serão tão más e egoístas, como, por vezes, um tanto levianamente se afirma.

E à guisa de explicação:

«Gravar um disco, pura e simplesmente por gravar, é muito pouco e não chega a ter justificação que valha a pena.


«Depois de um disco feito – e com o máximo de cuidados…- é necessário que surja a imprescindível promoção, de maneira que chegue ao público a quem caberá, ao fim e ao cabo, o veredicto decisivo.

«Para tal – quem o ignora? – são necessários o apoio e a colaboração de muita gente ligada ao meio artístico – nomeadamente os homens da Rádio – dado que sem isso, o disco quase que não chega a ser divulgado…

«…E, sinceramente, não posso deixar de reconhecer que o êxito relativo desta gravação comercial se fica a dever, em grande parte, a um apoio que me sensibilizou e que agradeço muito reconhecida:

- Claro que o disco tem valor e sem ele, teria passado despercebido…

- Como já tive oportunidade de afirmar várias vezes noutras entrevistas, os cuidados postos neste disco foram tantos como as esperanças que nele depositei… Ou até talvez mais… Isso não invalida, naturalmente, que reconheça a importância enorme que tem o apoio a que referi, sem o qual o eventual valor que se possa reconhecer agora, continuaria ignorado.

- E agora?


A nossa pergunta teria sido pertinente e oportuna, mas a verdade, reconheça-se, é que estávamos a solicitar uma resposta que teria, invariavelmente de ser difícil.

- Agora… Agora estou a aguardar os reflexos do meu trabalho honesto e cuidado, esperançada em vir a conseguir possibilidades de concretizar alguns dos sonhos que há muito tempo acalento…

«Veremos a resposta do futuro…

Sabedores de que Helena Lima é funcionária de uma prestigiosa empresa há longo tempo, não quisemos deixar de inquirir – antes de «terminar» a agradável conversa que com ela mantivemos – como consideraria a simpática intérprete, a sua actividade de fadista… em «regime livre».

Resposta pronta e absolutamente explícita e coerente:

- Mentiria se não confessasse que em igualdade de circunstâncias – principalmente no respeitante a estabilidade e «segurança»… - preferia uma carreira artística a sério em que poderei fazer uma entrega total à actividade de que tanto gosto.


«Assim, reconhecendo as «incertezas» e «limitações» do nosso panorama artístico, sou forçada a «acumular». Embora procure não pensar no fado quando estou à secretária e esquecer o emprego de todos os dias quando canto.

Era tudo, por agora.

O restante, virá a sabê-lo Helena Lima no futuro, que é como quem diz, através do seu próprio fado.

In Plateia nº.597
(11 de Julho de 1972)

22.2.26

Helena Lima - “Barcos no Cais”


Helena Lima
“Barcos no Cais”
Rapsódia
1972


Helena Lima – Voz e Poemas.

António Chainho – Guitarra.
José Maria Nóbrega – Viola

1 – Barcos no Cais (Helena Lima – Fado Alberto) – 3:05
2 – Gosto de Te Ver Zangado (Helena Lima / Fado Pinóia / Casimiro Ramos) – 2:07
3 – Sózinha Pensando (Helena Lima / Carlos da Maia) – 2:25
4 – Teu Amor Fez-me Mulher (Helena Lima / Fado Primavera) – 3:07

Duração: 10:44
Ano: 1972
Edição: EP.


Este disco de Helena Lima foi editado na época em que ela cantava no Restaurante Folclore, em Lisboa, acompanhada na guitarra portuguesa por António Chaínho e na viola por José Maria Nóbrega, actividade que ela desenvolveu ao longo de alguns anos, sendo de referir que na maioria do seu reportório, desse género tão português que é o fado, os poemas são de sua autoria.

Transcrevemos o que escreveu o jornalista Carvalho Ramos aquando da edição do EP “Barcos no Cais” de Helena Lima:


«Num meio artístico onde a chamada (e tão decantada…) “canção nacional” ocupa lugar de privilégio no gosto e na aceitação do grande público, a aparição de novos discos de fado – por rotineira… - já não constitui acontecimento de tomo a justificar referências especiais tendentes a alertarem eventuais ouvintes para as qualidades do que lhes é apresentado…

Cantar o fado é praticamente condição essencial do português, que sabe como ninguém, exteriorizar com fundo musical de guitarras e violas, a saudade, o amor e tudo o mais que lhe vai na alma…

As próprias Editoras discófilas – sempre a braços com o embaraço da escolha – hesitam ante a profusão de intérpretes fadistas, antes de se decidirem a captar as suas vozes para os acetatos.


Sintetizando e em face de abundância: um novo disco de fado é quase sempre – e apenas… - mais um disco de fado.

De quando em quando, no entanto, surgem excepções, como que confirmativas da “regra”.

O presente disco da “RAPSÓDIA”, preenchido com quatro fados de bom nível – e será oportuno realçar que o fado pode ser evolutivo sem perder as características naturais que tão ajustadamente o identificaram com o sentir Da gente portuguesa… - traz-nos a voz diferente da diferente HELENA LIMA, intérprete que mostra reunir condições para se destacar num âmbito onde as semelhanças e afinidades são desagradáveis e desoladoras constantes.


Chamar a atenção do grande público para o seu belo timbre de voz ou para o seu belo timbre de voz ou para o sentimento que imprime a tudo quanto a sua alma de mulher sensível anseia por comunicar, seria usar lugares-comuns que, entretanto já não usufruem de grande aceitação por parte dum público a quem têm sido dados largos motivos para duvidar…

Limitamo-nos assim a realçar que este não é apenas mais um disco de fado. É um disco de HELENA LIMA.»

Carvalho Ramos

10.2.26

Helena Lima - “Fados por Helena Lima”


Helena Lima
“Fados por Helena Lima”
Marfer, SA.
1966


Helena Lima – Voz e Poemas.

Idílio dos Santos – Guitarra.
Carlos Gonçalves – Guitarra.
Orlando Silva – Viola.
José Maria Nóbrega – Viola-Baixo.

1 – O Que O Bom Tem de Melhor (Helena Lima / Popular) – 3:01
2 – Andorinha Que Não Voa (Helena Lima / Popular) – 2:07
3 – A Vida Não se Importa (Fernando Peres / João Maria dos Anjos) – 2:54
4 – Meus Fados (Helena Lima / Popular) – 2:20

Duração: 10:22
Ano: 1966
Edição: EP.


Tendo-se iniciado na música ligeira na década de cinquenta, do século XX, e revelando desde cedo uma paixão pela poesia, rapidamente sentiu o apelo do fado e assim Helena Lima ofereceu-nos os seus Fados da forma mais simples que conhecia: a sua voz navegando nos poemas que brotavam da sua escrita sensível e apaixonada.


Foi assim que nasceu a aventura da gravação do seu primeiro disco, intitulado simplesmente “Fados por Helena Lima”, onde aos três Fados com poemas seus, se juntou um quarto da autoria de Fernando Peres.

Muitos anos depois ao escutarmos este EP de Helena Lima, sentimos um rol de memórias a passear na paisagem de forma apaixonante.

28.1.26

António Chainho - (1938 - 2026)


 António Chainho - (1938 - 2026)

António Chainho foi um virtuoso da guitarra de 12 cordas e desde muito novo se interessou por este instrumento tão célebre no interior da música portuguesa. Foram os seus pais que lhe despertaram a paixão pela música e desde os oito anos começou a interessar-se pela guitarra e aos 13 anos já acompanhava a mãe quando ela cantava fado; sempre que escutava a rádio decidia também ele acompanhar os fados que surgiam no rádio lá de casa.

Seria na casa de fados "A Severa", situada no então já célebre Bairro Alto em Lisboa, que surgiu a tocar com enorme sucesso, assim como na casa de Fados "O Faia" e no Restaurante "O Folclore", situado mesmo ao lado da célebre cervejaria "Trindade". Ao longo dos anos acompanhou fadistas como Teresa de Noronha, Carlos do Carmo, Hermínia Silva, Francisco José, Helena Lima e até Tony de Matos e António Calvário, entre muitos outros.

Anos mais tarde iniciou uma careira internacional, tocando com nomes como Paco de Lucia, John Williams, Bruce Swedien, Geg Cohen, Peter Scherer e Jacques Morelenbaum e em 1980 inicia uma carreira em nome próprio com o álbum "Guitarra Portuguesa". Em 1996 grava com a célebre "The London Philharmonic Orchestra" um fabuloso trabalho discográfico, a que se seguiu dois anos mais tarde o álbum "A Guitarra e Outra Mulheres" na companhia de Teresa Salgueiro e Elba Ramalho, entre outros nomes. 

Com a chegada do novo Milénio surge o álbum "António Chainho - Lisboa Rio", que conta com diversas colaborações incluindo a do famoso Ney Matogrosso. Três anos mais tarde é lançado o registo ao vivo de um concerto no CCB com Marta Dias, para depois surgir seis anos mais tarde o fabuloso "LisGoa". Em 2012 nasce entre amigos o álbum "António Chainho - Entre Amigos", em que encontramos nomes como Camané, Adriana Calcanhoto, Ney Matogrosso, Elba Ramalho, para três anos mais tarde chegar o seu derradeiro trabalho discográfico cujo título nos revela o retrato de uma vida intitulado, "Cumplicidades - 50 Anos de Careira" em que participam Rui Veloso, Pedro Abrunhosa, Paulo de Carvalho entre outros.

António Chainho, o virtuoso da guitarra, era conhecido como o homem tranquilo e a sua paixão pela guitarra ficou bem expressa ao longo da sua genial carreira repleta de sucessos, tendo até sido convidado por K. D. Lang e José Carreras para participar em temas destes nomes incontornáveis do universo musical.

António Chainho deixou-nos a 27 de Janeiro de 2026, mas fica para sempre na nossa memória.