30.9.26

Arild Andersen - "Green in Blue - Early Quartets"


Arild Andersen
"Green in Blue - Early Quartets"
ECM Records
2010

Esta cd Box da série "Old & New Masters Edition" da ECM Records, que é disponibilizada a um valor bem convidativo reúne os álbuns: "Clouds in My Head", "Shimri" e Green Shading into Blue", do Arild Andersen Quartet.

James Patrick Kelly - "Terapêutica de Morte"


James Patrick Kelly
"Terapêutica de Morte"
Magazine do Fantástico e Ficção Cientifica nº.2
(The Magazine of Fantasy and Science Fiction)
Matriz / Editorial Império

Este conto de James Patrick Kelly fala-nos de uma experiência na qual um criminoso suporta uma experiência de morte "num contexto terapêutico". Recorde-se que os mais famosos prémios da literatura de ficção científica, "Hugo Award" e "Nebula Award" já foram conquistados por este escritor nascido em Mineola, New York, no ano de 1951.


«Carla Walsh era uma mulher alta e delgada, que, em determinada altura, devia ter sido notavelmente bonita. Agora apresentava-se de ombros caídos e as uas feições delicadas tinham endurecido numa fina máscara ossuda. Rebuscou no seu pequeno guarda-roupa impacientemente; encontrava dificuldades em se interessar por roupas, nesse dia.»

James Patrick Kelly

Roy Lichtenstein - "The Melody Haunts My Reverie"


Roy Lichtenstein
"The Melody Haunts My Reverie"
Tela de seda em vermelho, azul, amarelo, preto.
69,9 x 51,4 cm.
Ano: 1965

Peter Godfrey - “Inspiração Trágica” / “The Two Mrs. Carrols”


Peter Godfrey
“Inspiração Trágica” / “The Two Mrs. Carrols”
(EUA – 1947) – (90 min. – P/B)
Humphrey Bogart, Barbara Stanwyck, Alexis Smith, Peter Godfrey.

Peter Godfrey nasceu em Inglaterra e decidiu ser actor, tendo-se iniciado no Teatro. Com a chegada do sonoro, partiu para a América e, quando ingressou na Warner Brothers, tentou a realização e gostou tanto que decidiu permanecer por detrás da câmara, embora por vezes decidisse recordar os bons velhos tempos, com pequenas aparições como sucede neste filme intitulado “Inspiração Trágica” / “The Two Mrs. Carrolls”.


Estamos perante uma dessas produções que fizeram com que a série-B seja tão elogiada pelos cinéfilos, com a mestria demonstrada pelo cineasta e a forma como vai introduzindo a dúvida no espectador sobre as reais intenções desse pintor, interpretado por Humphrey Bogart (recorde-se que o actor começou no palco), como um pai dedicado à filha que o adora, até ao seu estranho relacionamento com os quadros que cria, terminando por assistirmos a um Bogart verdadeiramente surpreendente.


Mas também não nos podemos esquecer que este filme, ambientado em Inglaterra, é profundamente “british”, levando-nos a recordar dois nomes do suspense: Agatha Christie e Alfred Hitchcock.

29.9.26

Melanie - "The Very Best of Melanie"


Melanie
"The Very Best of Melanie"
Camden
1998


Uma bela colectânea de Melanie Safka que nos oferece um belo retrato desta songwriter que atravessou de forma brilhante o período 60/70 do século passado e que ainda canta com vozes bem mais novas que lhe prestam uma sincera homenagem.

Dilbert & Dogbert - "Como Vencer na Vida Roubando Material de Escritório" - Scott Adams


Dilbert & Dogbert
"Como Vencer na Vida Roubando Material de Escritório"
Scott Adams
Páginas: 118
Editorial Notícias


A divertida banda desenhada saída da imaginação de Scott Adams, que nos oferece os atribulados esquemas, tão politicamente incorrectos, da dupla Dilbert & Dogbert cujo sucesso se tem revelado uma surpresa e cujos álbuns tem tido edição no nosso país.

Georgia O'Keeffe,- "Special Nº.21"


Georgia O'Keeffe
"Special Nº.21"
Óleo sobre cartão
34 x 41 cm.
Ano: 1916
Museu do Novo México, Santa Fé.

«O artista abstracto não recebe a sua inspiração de qualquer peça da natureza que vos agrade, mas sim da Natureza como um todo, das suas várias manifestações múltiplas, que acumula nele e transfere para a sua obra de arte.»

Wassily Kandinsky

François Ozon - “O Tempo Que Resta” / “Le Temps Qui Reste”


François Ozon
“O Tempo Que Resta” / “Le Temps Qui Reste”
(França - 2006) – (85 min. / Cor)
Melvil Poupaud, Jeanne Moreau, Valeria Bruni-Tadeschi, Marie Rivière.

François Ozon é hoje um dos valores mais seguros do cinema francês, poderemos afirmar que ele surge no panorama cinematográfico como herdeiro desses dois nomes grandes François Truffaut e André Téchiné, pela forma como ama as suas personagens, em especial as femininas, projectando-se nelas, mas nada melhor como ele para nos falar delas: " faço filmes atrás da câmara e não em frente dela. Falo de coisas intimas acerca de mim em todos os meus filmes, sempre de uma forma indirecta, prefiro sempre esconder-me por detrás de uma mulher". Precisamente como André Téchiné usou Catherine Deneuve e Emanuelle Béart nas suas películas, ele oferece-nos o seu olhar através dessa revelação chamada Ludivine Sagnier, ou então invade o universo feminino convocando as grandes vedetas do cinema francês para esse jogo de mulheres intitulado "8 Femmes" / "8 Mulheres", tal como no passado George Cukor, o cineasta das mulheres por excelência, nos ofereceu essa obra-prima intitulada "The Women".


Depois temos essas obras incontornáveis "Swimming Pool" e "Sous le sable" / "Sob a Areia", onde redescobrimos o brilho de Charlotte Rampling de forma perturbante, seja na escritora em busca de um romance, fugindo do seu bloqueio criativo ou na pele dessa mulher perturbada pelo desaparecimento do marido na praia, incapaz de voltar a viver, numa paixão mórbida pelo seu ente querido, organizando o seu quotidiano como se ele sempre estivesse presente ou então esse relato do fim da felicidade em "5x2".

Mas para chegar aqui François Ozon demonstrou um amor profundo pela Sétima Arte desde a sua curta-metragem de estreia "Photo de famille", onde nos oferecia precisamente o retrato da sua família, da mesma forma que Martin Scorsese nos deu o seu "Italo-American". Durante meia-dúzia de anos rodou curtas-metragens com uma paixão e uma tenacidade indescritíveis até chegar à sua primeira longa-metragem "Sitcom" em 1998, passando ainda pelo documentarismo, onde fez o retrato de Lionel Jospin.


Em "O Tempo Que Resta" vamos reencontrar Melvil Poupaud, que conhecemos no "Conto de Verão" de Eric Rohmer, onde se encontrava perdido no universo feminino incapaz de tomar uma decisão, sempre vitima dos acontecimentos até descobrir na fuga a melhor forma de sobreviver. Jeanne Moreau, essa mulher tão amada por Truffaut em "Jules e Jim" e que recentemente nos deixou, surge também neste filme na figura protectora da avó, ao mesmo tempo que a presença de Marie Riviére ( actriz de Rohmer) e Valeria Bruni-Tadeschi (actriz de Chabrol), duas actrizes da nossa estima, oferecem a pontuação necessária ao argumento de François Ozon.

“Sous le Sable” / ”Sob a Areia” foi a primeira película sobre a morte, realizada pelo cineasta francês, sendo “O Tempo Que Resta” / ”Le Temps Qui Reste” a segunda parte de uma trilogia idealizada por François Ozon. Se no filme com Charlotte Rampling tudo se passa em redor da perda do marido e na impossibilidade de aceitar o seu desaparecimento, já em “O Tempo Que Resta” é a doença (não a sida como metáfora, apesar das opções sexuais do protagonista), aquele nome que todos nós resistimos a pronunciar porque ele não escolhe idade, porque o que nos interessa a nós e ao cineasta é a forma como o protagonista vai encarar os três meses de vida que lhe restam e quando se tem apenas trinta anos é como se o chão tivesse desaparecido debaixo dos pés.


Romain (Melvil Poupard) é um fotógrafo de sucesso no mundo da moda mas, durante uma sessão de trabalho, o mundo fecha-se ao seu olhar e desmaia. Obrigado a procurar um médico, acaba por descobrir que tem uma “doença” que se está a espalhar perigosamente nos diversos órgãos internos, restando-lhe apenas alguns meses de vida, já que as hipóteses de cura são na ordem dos 5%. Perante esta situação Romain decide rejeitar o tratamento “possível”, a quimioterapia, devido à dor que irá acarretar, optando por viver o tempo que lhe resta, encarando a morte que o espera sem revolta nem resignação. Será com a avó (Jeanne Moreau), que ele irá partilhar a sua dor, ao mesmo tempo que esconde dos pais e da irmã a sua situação, mantendo-se a sua relação difícil com eles, de certa forma inalterável.

O caminho mais fácil seria partir para o melodrama, mas François Ozon prefere um outro olhar despido de emoções, apresentando-nos a dor do protagonista através de pequenos traços/episódios: a fotografia que tira à irmã e ao sobrinho; o olhar do mundo que o rodeia; a despedida do amante e fundamentalmente as recordações da infância – certamente os momentos mais brilhantes da película.


“O Tempo Que Resta” é um magnífico filme de François Ozon (o genial início e final na praia com a ida até ao mar), onde a morte é encarada de uma forma não tortuosa mas pacífica, apesar de irmos vendo o tempo que resta a ausentar-se lentamente do corpo de Romain, a dor do adeus envolve-nos na paz com que o protagonista se “despede” de todos nós na praia, entretanto deserta, partindo com a noite para um outro lugar.

28.9.26

Barre Phillips - “Journal Violone II”


Barre Phillips
“Journal Violone II”
ECM Records
1980

Barre Phillips – bass.
John Surman – soprano saxophone, baritone saxophone, bass clarinet, synthesizer.
Anna Kemanis – voice.

1 – Part I – 7:03
2 – Part II – 6:18
3 – Part III – 5:02
4 – Part IV – 6:45
5 – Part V (To Aquirax Aida) – 3:27
6 – Part VI – 11:03

O álbum “Journal Violone” (o primeiro volume) foi gravado em Novembro de 1968, em solo absoluto por Barre Phillips, encontrando-se dividido em duas partes, sendo o local escolhido para a gravação a Parishs Church of St. James’Norlands, tendo surgido no mercado discográfico com o selo da etiqueta “Opus One”.

Uma década depois já com um produtor como Manfred Eicher a cuidar do seu trabalho discográfico, Barre Phillips atira-se à aventura de gravar o segundo volume deste Diário, com excelentes resultados. Será sempre curioso numa audição compararem os dois álbuns e verificarem a evolução da escrita musical de Barre Phillips.

Gravado em Junho de 1979 no Tonstudio Bauer, Ludwigsburg, por Martin Wieland. Layout de Barbara Wojirsch. Pintura reproduzida na capa: “Les Violoncelleux” – R. Balestra. Fotografia de Gérard Ansellem. Produção de Manfred Eicher. Todos os temas foram compostos por Barre Phillips.

Eduardo Guerra Carneiro - "Dama de Copas"


Eduardo Guerra Carneiro
"Dama de Copas"
Páginas: 33
& etc.

A célebre colecção "subterrâneo 3" da editora de Vítor Silva Tavares iniciou-se com o livro de Herberto Helder intitulado "O Corpo, o Luxo e a Obra" e tudo o que veio a seguir nesta colecção de tiragem bem reduzida (100 exemplares) revelou-se como peças de colecção de bibliófilo e esta "Dama de Copas" de Eduardo Guerra Carneiro é mais um desses tesouros!

Andy Warhol - "Two Dollar Bills (front and rear)"


Andy Warhol
"Two Dollar Bills (front and rear)"
Serigrafia sobre tela
210 x 96 cm.
Ano:1962

Nicolas Roeg - “O Homem Que Veio do Espaço” / “The Man Who Fell to Earth”


Nicolas Roeg
“O Homem Que Veio do Espaço”/“The Man Who Fell to Earth”
(Grã-Bretanha – 1976) – (139 min./Cor)
David Bowie, Rip Torn, Candy Clark.

Foi com este filme intitulado “The Man Who Fell to Earth” / “O Homem Que Veio do Espaço”, realizado por Nicolas Roeg, que David Bowie deu mais nas vistas no cinema, na década de 70 do século passado, ao vestir a pele de um alien que chega à Terra em busca de água para o seu planeta, que se encontra em vias de extinção.


A película de Nicolas Roeg termina por ter como centro de gravidade precisamente a figura de David Bowie, ficando na memória de muitos a sequência em que o alien corta o desejo da visão em frente do espelho, numa referência ao célebre filme de Luis Buñuel, “Un Chien Andalou”, possivelmente um dos maiores estandartes do movimento surrealista no cinema, tendo na época causado o escândalo de uns e as delícias de outros, ao mesmo tempo que tornava famoso o realizador espanhol.


Para quem desconhece o trabalho de actor de David Bowie no Cinema, esta película de Nicolas Roeg permanece como incontornável no interior da filmografia da célebre estrela da pop music, que infelizmente já nos deixou.

27.9.26

Alva Noto + Ryuichi Sakamoto - "Summvs"


Alva Noto + Ryuichi Sakamoto
"Summvs"
Raster-Noton
2011

O encontro entre o japonês e o alemão conduziu-nos a sonoridades até então desconhecidas e a exploração encetada por Ryuichi Sakamoto e Alva Noto conduziu-nos a esse termo que irá definir um novo género musical neste século XXI: Glitch Nusic!

Mafalda - "Os Sarilhos da Mafalda" - Quno


Mafalda
"Os Sarilhos da Mafalda"
Arte: Quno
Argumento: Quino
Dom Quixote


A maravilhosa banda desenhada de Quino para miúdos e graúdos, com a Mafalda a contestatária a dar-nos a conhecer as suas opiniões sobre o universo dos adultos.

Maria Helena Vieira da Silva - "Au fur et à mesure"


Maria Helena Vieira da Silva
"Au fur et à mesure"
Óleo sobre tela
Ano: 1965

William Wyler - “Os Melhores Anos das Nossas Vidas” / “The Best Yers of Our Lives”


William Wyler
“Os Melhores Anos das Nossas Vidas” / “The Best Yers of Our Lives”
(EUA – 1946) – (170 min. – P/B)
Myrna Loy, Dana Andrews, Frederic March, Teresa Wright,
Virginia Mayo, Harold Russell, Cathy O’Donnel.

Por vezes existem filmes sobre os quais lemos e ouvimos falar, mas só quando os vimos podemos ter uma opinião sobre eles e muitas vezes ficamos de tal forma surpreendidos, que nos esquecemos de tudo o que lemos e ouvimos, porque “The Best Years of Our Lives” ultrapassa tudo, tal é a forma perfeita como está realizado e interpretado e depois temos um argumento assinado por Robert Sherwood que nos alerta para a chegada do McCartysmo e da tristemente famosa caça às bruxas, quando vemos esse cidadão anónimo a confessar a Fred Derry (Dana Andews) que afinal lutaram contra o inimigo errado na guerra. Afinal, os nazis e os japoneses combatiam o mesmo inimigo: os vermelhos!


Mas, infelizmente, estou-me a adiantar para quem não viu ainda este fabuloso filme realizado por William Wyler, rodado em 1946, que conquistou 7 Oscars e que nos conta a história de três militares que regressam a casa, cada um deles pertencente a um ramo diferente das forças armadas e também a classes sociais bem distintas.

Iremos assim acompanhar a vida destes homens iguais, a milhões de outros que, como eles, regressaram a casa e descobriram um país bem diferente. As suas dificuldades de inserção, a forma como são tratados por aqueles que ficaram comodamente em casa e temem que estes combatentes lhes roubem os empregos, porque são heróis da guerra, mas também esses familiares que, na sua ausência, reorganizaram as suas vidas de forma diversa ou, simplesmente, tentaram sobreviver da melhor maneira possível.


Se todas as interpretações são memoráveis em “Os Melhores Anos das Nossas Vidas” / “The Best Years of Our Lives”, teremos sempre que referir o caso de Harold Russell, que perdeu as mãos ao trabalhar com dinamite e que um dia irá participar num filme militar sobre a integração das pessoas com deficiência e cuja interpretação nesse documentário vai levar o cineasta Wiliam Wyler a convidá-lo para interpretar o marinheiro Homer Parrish, que o levará a conquistar 2 Oscars, uma dessas interpretações memoráveis que marcam decididamente a Sétima Arte.


“The Best Years of Our Lives” / “Os Melhores Anos das Nossas Vidas”, de William Wyler, permanece uma obra incontornável no interior da Sétima Arte!

26.9.26

Annette Peacock & Paul Bley - "Dual Unity"


Annette Peacock & Paul Bley
"Dual Unity"
Freedom, Freedom
1972

Annette Peacock - vocals, electric piano, synthesizer, electric bass.
Paul Bley - synthesizer, electric piano,
Mario Pavore - bass.
Han Bennink - drums.
Laurence Cook - drums.

Estamos em plena época do Free e mais uma vez Annette Peacock e Paul Bley permanecem na vanguarda ou seja sempre à frente do seu tempo!

Fernando Pessoa - "Ficções do Interlúdio 1914 - 1935"


Fernando Pessoa
"Ficções do Interlúdio 1914 - 1935"
Páginas: 280
Assirio & Alvim

A célebre arca de Fernando Pessoa encontra-se repleta de escritos que tem merecido um enorme trabalho dos investigadores, permitindo que o leitor vá descobrindo as inúmeras facetas desta figura incontornável da Literatura Mundial. A edição destas "ficções do Interlúdio" é da responsabilidade de Fernando Cabral Martins e reúne todos os poemas publicados em vida por Fernando Pessoa, excepto os poemas reunidos no livro "Mensagem".

Andy Warhol - "Joseph Beuys"


Andy Warhol
"Joseph Beuys"
Acrílico, liquitex e pó de diamante sobre tela, serigrafia.
254 x 203 cm.
Ano: 1980

Andy Warhol criou diversas séries de serigrafia tendo como modelo um retrato de Joseph Beuys, a pedido do próprio artista alemão, depois de ambos se terem conhecido em New York no ano de 1979.

O crítico de arte David Boubon, que escreveu o melhor livro que conheço sobre a obra de Andy Warhol, referiu-se ao encontro entre os dos artistas da seguinte maneira: "teve toda a aura cerimonial  de dois papas rivais encontrando-se em Avignon.". Recorde-se que Andy Warhol e Joseph Beuys tinham uma enorme admiração pela obra um do outro.

Jérome Salle - “Anthony Zimmer”


Jérome Salle
“Anthony Zimmer”
(França - 2005) - (90 min. / Cor)
Yvan Attal, Sophie Marceau, Sami Frey.

Anthony Zimmer faz branqueamento de dinheiro na alta-roda e decide alargar a sua zona de acção, colaborando com a Máfia Russa. Mas isso será fatal porque acaba por saber demais, sendo condenado por estes. Opta então por fazer uma operação plástica complexa, para alterar profundamente o rosto. A polícia francesa persegue o célebre Anthony Zimmer já lá vão longos anos, assim como outras forças policiais.


São as célebres operações de branqueamento de dinheiro a partir das famosas “offshore”, um processo simples, como nos relata na película um dos coordenadores da operação “Anthony Zimmer”: uma companhia sedeada num paraíso fiscal, envia determinada mercadoria para um cliente em França, a companhia francesa diz que não recebeu a mercadoria, o caso vai a tribunal e evidentemente a companhia francesa ganha o processo, recebendo a respectiva indemnização, está branqueado o “Money”!

O Inspector que coordena toda a operação sabe que Anthony Zimmer possui um ponto fraco, ou seja, “como sempre”, a mulher amada, atacando também por essa vertente, no meio de tudo isto há sempre o inocente ou de “Wrong Man” (não o Henry Fonda de “Falso Culpado”, mas o Cary Grant de “Intriga Internacional”). Estamos a falar de Alfred Hitchcock, porque este magnífico policial francês, realizado por Jérome Salle, é uma pura homenagem ao Mestre do Suspense, numa verdadeira partida de poker a dois com Brian de Palma!


Películas como “Intriga Internacional” e “Ladrão de Casaca”, têm citações tão explícitas, que vão desde a casa refúgio de Anthony Zimmer, idêntica em termos arquitectónicos à de James Mason, embora a contemporaneidade esteja presente, até ao célebre Hotel Carlton onde se hospedava Grace Kelly, aliás há um encontro na praia dentro de água, usando uma plataforma flutuante idêntica à que vimos em “To Catch a Thief”, já para não falar no guarda-roupa de Sophie Marceau que, forçosamente, recorda pelo extremo bom gosto o de Grace Kelly, para além das panorâmicas da cidade e arredores idênticos aos que foram utilizados pela segunda equipa de Hitchcock, depois ainda temos a música muito Bernard Herrman para não falar que, ao se entrar num comboio, temos sempre presente “O Desconhecido do Norte-Expresso”!


Como se pode verificar até ao momento, neste artigo muito pouco sabemos acerca de “Anthony Zimmer”, quais os dados em nosso poder? Assim continuaremos porque ele é o verdadeiro MacGuffin!!!! (Sabem o que é???) O Mestre Hitchcock explicou isso a François Truffaut no célebre livro/entrevista “Hitchcock por Truffaut”.

Quanto ao género policial francês, ele está de volta e de boa saúde. Poderemos afirmar que Jean-Pierre Melville já possui os seus herdeiros e ali está, saindo da penumbra, um rosto/corpo indefinido de chapéu na cabeça e cigarro aceso, chamado Alain Delon!


Yvan Attal, Sophie Marceau e Sami Frei são o verdadeiro trio Hitchcockiano porque, como todos sabemos, o Mestre era mesmo um bocadinho perverso, que o diga a Tippi Hedren, durante as filmagens de “Os Pássaros”…

Mas quem é Anthony Zimmer?

25.9.26

Uriah Heep - "Wonderworld"


Uriah Heep
"Wonderworld"
Bronze Records
1974

David Byron - vocals
Gary Thain - bass guitar
Mick Box - guitar
Ken Hensley - keyboards, guitar, vocals
Lee Kerslake - drums, percussion, vocals

Nesse ano de 1974 este álbum dos Uriah Heep fez furor entre a minha geração que amava o Hard-Rock!

"Snoopy - Charlie Brown & Friends - A Peanuts Collection" - Charles M. Schulz


"Snoopy - Charlie Brown & Friends - A Peanuts Collection"
Arte: Charles M. Schulz
Argumento: Charles M. Schulz
Planeta DeAgostini – 61 Álbuns

Durante muitos anos Charles M. Schulz não quis ver publicado em álbum o primeiro ano dos célebres Peanuts ou seja Charlie Brown & Friends, mas após a sua morte em 2000 a família permitiu a publicação da totalidade da sua obra.


Esta edição das páginas dominicais dos "Peanuts" por anos, surgiu em Portugal oriunda do Brasil. Todos os volumes oferecem-nos ensaios sobre a obra de Charles M. Schulz muito interessantes. Recorde-se que "Charlie Brown" no Brasil era conhecido por "Carlitos".


As tiras dos Peanuts foram as primeiras que cortei para colar depois num caderno, ainda com a idade de um digito. Os Peanuts eram publicados na última página do Diário de Lisboa.

Richard Parkes Bonington - "Sandy Beach in Normandy"


Richard Parkes Bonington
"Sandy Beach in Normandy"
Óleo sobre tela
38,7 x 54 cm.
Ano: 182 5 - 1826.
Trustees of the Cecil Higgins Art Gallery and Museum, Bedford.

Richard Parkes Bonington - (1802 - 1828) - foi um pintor de paisagens romântico inglês, tendo-se revelado um nome incontornável no seu tempo, influenciando inúmeros pintores através das obras que criou, apesar de ter falecido demasiado cedo. Recorde-se que a facilidade de seu estilo foi inspirada nos antigos mestres que admirava.

Oliver Hirschbiegel - “A Queda – Hitler e o Fim do Terceiro Reich” / “Der Untergang”


Oliver Hirschbiegel
“A Queda – Hitler e o Fim do Terceiro Reich” / “Der Untergang”
(Alemanha - 2004) - (156 min. / Cor)
Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, Juliane Kohler.

Quantas vezes nos cruzamos com pessoas que mais tarde irão alterar o mundo em que vivemos certamente nunca o saberemos e o mesmo sucedeu aos professores que chumbaram em Viena o jovem que gostava de aguarelas e pretendia seguir Belas-Artes. Ele acabaria por ficar com o seu nome na História, mas da pior maneira possível, não pelos seus feitos artísticos, mas sim pela ideologia que ajudou a criar e da qual foi o rosto principal.


Curiosamente o cinema, conhecido como a Sétima Arte, possui no seu interior fortes razões para se transformar numa síntese de todas as artes, mesmo quando a guerra é tratada como arte, como o fez Clausewitz. Mas porquê começar desta forma uma abordagem ao filme de Oliver Hirschbiegel, que retrata os últimos dias de vida de Hitler? Talvez porque a polémica originada pelo filme não tem razão de ser. É certo que a obra em questão não se filia em modas e surge como um verdadeiro documento, baseando-se em testemunhos credíveis: o da jovem secretária de Hitler (Traudl Jungle), que publicou nas suas memórias o que se passou no bunker de Adolph Hitler nos últimos dias de vida do temível ditador, assim como o do insuspeitável historiador Joachim Fest. Por outro lado, a forma como a personagem principal nos é apresentada, através de um dos maiores actores do cinema alemão, Bruno Ganz (embora seja Suíço), que esteve em Portugal já lá vão muitos anos, no Festival de Teatro de Almada e também nesse belo filme de Alain Tanner, intitulado "A Cidade Branca", um dos mais belos retratos da cidade de Lisboa, revela-se, neste filme, de uma contenção que nos surpreende, reparem nas mãos (todos falam nelas), mas acima de tudo no olhar frio do ditador, que nos inspira um verdadeiro terror.


Mas voltemos um pouco atrás na história do cinema alemão e não só. Existe um silêncio sobre o cinema alemão produzido entre 1933 e 1945, respeitante ao período em que o Partido Nazi governou a Alemanha e seria muito importante que esse mesmo cinema, de uma forma pedagógica, fosse conhecido, porque nem só de Leni Riefensthal viveu o cinema alemão. Aliás quando Fritz Lang foi convidado para assumir a chefia dos Estúdios da UFA, percebeu de imediato que tinha de fugir da Alemanha e do seu novo regime e nesse mesmo dia apanhou o comboio rumo a Paris, para depois partir para a América, deixando para trás a sua mulher e colaboradora, Thea Von Harbor, a qual, mesmo depois da derrota do Terceiro Reich, nunca escondeu as suas simpatias pela ideologia nacional-socialista.


Poderíamos até referir o livro de história alternativa do jornalista Robert Harris, já passada ao pequeno écran e intitulada “Fatherland”, que parte da seguinte premissa: o desembarque na Normandia é um insucesso, Churchill é forçado a exilar-se no Canadá e a Alemanha domina a Europa, havendo apenas pequenas escaramuças, ás quais ninguém liga, nos confins do Leste Europeu e a Alemanha pela primeira vez em muitos anos ainda com Hitler no poder, de idade avançada (75 anos), decide abrir as portas à América e receber o seu Presidente.... (ficamos por aqui...)


Este filme fabuloso, realizado por Christopher Menaul, conta ainda com a participação nos principais papéis de Rutger Hauer (o oficial alemão) e Miranda Richardson (a jornalista), curiosamente a película fez a transposição para o écran da Berlin sonhada pelo arquitecto Albert Speer. Isto para dizer que são as vitórias e as derrotas que escrevem a História e a vida dos seus principais intérpretes e uma leitura que recomendamos é o excelente livro de Marc Ferro, acerca das falsificações da História, que está disponível em edição da Folio.

Ora o filme de Oliver Hirschbiegel é de tal forma poderoso, e falo do que vi na sessão de cinema a que assisti, já lá vão uns anos largos, porque quando a sessão terminou (a lotação da sala estava esgotada) o silêncio era na verdade tenebroso e todos saímos sem palavras, com uma necessidade de dizer “baixinho”, como foi possível existir uma ideologia destas, que arrastou milhões atrás de um homem, mas como foi isso possível? Sintomático desse sentimento é a figura na película de Magda Goebbels (Corinna Harfouch), mulher do Ministro da Propaganda, que perante a morte inevitável do Fuhrer, decide também ela morrer porque não consegue viver num mundo sem ele e com ela leva os seus filhos numa das sequências mais dramáticas de toda a película.


Na verdade o povo alemão ainda não ajustou contas com o seu passado (não o conseguiu com o “Hitler” de Syberberg) e só agora viu chegado o momento de olhar de frente o seu passado recente. Até mesmo o denominado Novo Cinema Alemão nascido no Festival de Oberhausen, na década de 60, do século XX, nunca conseguiu olhar de forma frontal o seu passado e o seu principal responsável, embora a obra de Edgar Reitz “Heimat”, talvez seja uma daquelas pedradas no charco que deveria ser novamente exibida na nossa televisão, “Heimat – Eine Deutsch Chronik” é a história da cidade de Schabbach entre o período de 1919 a 1982, sendo a história dos seus habitantes contada ao longo de 11 episódios, que nos retratam a sociedade alemã.


A película de Oliver Hirschbiegel aborda os últimos dias vividos no Bunker de Hitler, acompanhado pelo que restava dos seus seguidores, neles encontramos o que resta da chefia de uma Wermacht, sempre em conflito aberto com as SS de Himmler, o ideólogo Gobbels, o arquitecto Albert Speer, Eva Braun (Juliane Kohker) e todo um conjunto de pessoas, que percebem que a guerra está perdida e em breve irão ser capturados pelos russos.


No interior de todos estes elementos navega a narradora Traudl Junge (Alexandra Maria Lara) secretária de Hitler e claro o próprio Adolph Hitler , numa interpretação histórica do ex-anjo de Wim Wenders, o actor Bruno Ganz, que conseguiu interiorizar de tal forma o ditador, que nos esquecemos muitas vezes que é um actor que está no écran, mas sim o responsável pelo genocídio de milhões de vidas.

Olhar hoje “A Queda”/”Der Untergang" sem complexos é importante, para que todos nós saibamos e não esqueçamos que a História nunca mais se poderá repetir. Se hoje olhamos os campos de concentração nazis como fazendo parte de um passado, é também importante que esse passado, não fique perdido na memória, para que nunca mais se transforme em futuro.


Para terminar falemos um pouco do cineasta Oliver Hirschbiegel. A sua primeira paixão foi a pintura, que o levou a ingressar na Academia de Belas-Artes de Hamburgo, onde se dedicou à pintura, como seria de esperar, mas também ao vídeo e à fotografia, começando os seus trabalhos videográficos a chamar as atenções da crítica especializada e surgindo com naturalidade o convite para ingressar na televisão, onde se revelou um excelente realizador de thrillers e melodramas.

Em 2001 realiza a sua primeira longa-metragem, “Das Experiment”, que ganhou diversos prémios em Festivais de Cinema e na qual se encontra já a claustrofobia do espaço, que seria o seu território por excelência, como iremos verificar com a feitura de “ “Der Untergang”/”A Queda – Hitler e o Fim do Terceiro Reich”.


No ano seguinte permanece no mesmo espaço eleito, a televisão, e cria “Mein Letzer Film”, baseando-se num monólogo de 90 minutos, tendo como personagem principal uma mulher de cinquenta anos, que pretende viver uma nova vida ou seja voltar a viver. E em 2004 nasce o polémico “Der Untergang”, sendo acusado por alguns de humanizar Hitler e os Nazis, mas ao revermos o filme em dvd, somos testemunhas de precisamente o contrário, porque este filme oferece-nos um retrato de uma ideologia e de um líder verdadeiramente tenebrosos. Uma última nota para referir que Bruno Ganz, esse genial actor Suíço, profundamente humanista, possui nesta película um trabalho interpretativo inesquecível, que culmina uma longa carreira cinematográfica.