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24.7.26

Alfonso Cuarón - “Gravidade” / “Gravity”


Alfonso Cuarón
“Gravidade” / “Gravity”
(EUA/Inglaterra – 2013) – (91 min./Cor)
Sandra Bullock, George Clooney, Ed Harris.

Já alguma vez pensou em ver a Terra do espaço e sentir o silêncio que o envolve a penetrar-lhe na fragilidade do seu corpo? Possivelmente depois de acompanhar as viagens de Richard Brandon, de Jeff Bezos e do Comandante Kirk da Starship Enterprise, através da televisão ou deste meio fabuloso que é a net, percebeu como está perto esse momento.


Veja este filme e sinta essa emoção, porque em “Gravidade” / “Gravity” de Alfonso Cuáron, rodado nos famosos Estúdios Britânicos de Pinewwod, onde nasceu o mais que célebre “2001 – Odisseia no Espaço” / “2001: A Space Odissey” de Stanley Kubrick, fizeram esse “milagre” cinematográfico, cujos preparativos levaram quatro longos anos, mas valeu a pena esperar!


E se Alfonso Cuarón conseguiu levar a bom porto esta película que viria a ganhar diversos Oscars, incluindo o de melhor realização, já a escolha do elenco (que até é reduzido), como irão perceber, foi bastante problemática porque o actor escolhido, Robert Downey Jr., desistiu do projecto e depois seguiram-se os seguintes nomes (tome bem nota deles!): Daniel Craig, Tom Cruise, Tom Hanks, Harrison Ford, John Travolta, Bruce Willis, Russell Crowe, Kevin Costner, Denzel Washington e todos eles terminaram por desistir do filme e seria Sandra Bullock, que nem foi a primeira escolha do cineasta e que se encontrava à beira de um ataque de nervos, a decidir telefonar ao seu amigo George Clooney para lhe falar no projecto e este aceitou participar na película e na realidade ele é o perfeito veterano para encarnar a figura do astronauta Matt Kowalski, que conhece o espaço como ninguém!


Se é fã da aventura espacial, como os autores da revista Perspetiva, apaixonados pelas emissões da Nasa no século XX, em que milhões viram em silêncio Neil Armstrong a dar os primeiros passos na Lua, nessa histórica transmissão televisiva, veja este filme fabuloso de Alfonso Cuarón e volte a viver a emoção da aventura espacial, depois é só marcar voo e partir para o Espaço!

13.6.26

Joel Coen e Ethan Coen - “Irmão Onde Estás?” / “O Brother Where Are Thou?”


Joel Coen e Ethan Coen
“Irmão Onde Estás?” / “O Brother Where Are Thou?”
(EUA/Grã-Bretanha/França – 2000) – (106 min. / Cor)
George Clooney, John Turturro, Tim Blake Nelson,
John Goodman, Holly Hunter, Chris Thomas King, Charles Durning.

“Irmão Onde Estás?” é a mais louca comédia dos irmãos Coen que, partindo da “Odisseia” de Homero, a transpõem para o Sul dos Estados Unidos, em plena época da depressão. Contando com uma fotografia esplendorosa de Roger Deakins, habitual colaborador da dupla, que utilizou todos os meios laboratoriais ao seu alcance para atingir a paleta perfeita, para ilustrar os locais onde a acção se desenrola, mergulhamos assim na aventura de Ulysses Everett (George Clooney, que aqui inicia uma colaboração frutuosa com os irmãos Coen), que decide evadir-se da prisão onde se encontra a cumprir pena, nesse Mississipi profundo. Mas na fuga, ele é forçado a levar consigo dois companheiros de infortúnio: Pete (John Turturro) e Delmar (Tim Blake Nelson), em virtude de se encontrarem acorrentados uns aos outros, no difícil cativeiro, facto que irá fazer fracassar a sua fuga no comboio de mercadorias, numa das sequências mais delirantes da película.


Mas o nosso Ulysses, um verdadeiro fanfarrão, vaidoso até dizer chega, consegue com os seus companheiros livrar-se das correntes que os prendem, apesar de ser perseguido por um temível xerife de óculos escuros, que irá empreender uma feroz caçada, verdadeiramente infernal, não dando tréguas aos fugitivos da penitenciária estadual.

O nosso herói, que só deseja reconciliar-se com a sua bela Penélope e recuperar o seu tesouro bem escondido dos olhares alheios, irá cruzar-se na sua via-sacra com um músico negro chamado Tommy (Chris Thomas King), que vendera, em tempos idos, a sua alma ao diabo na famosa encruzilhada, passando também ele a integrar este estranho grupo de “desperados”.


Ao longo do percurso até à terra prometida, estes homens, que só desejam respirar o doce sabor da liberdade, irão encontrar-se com o perigoso Baby Face Nelson, que lhes dá boleia, durante uma tumultuosa fuga das forças da ordem, após mais um assalto, bem sucedido. No entanto, pior que o encontro com o conhecido gangster será o falso pregador e vendedor de Bíblias Big Dan Teague (John Goodman), que se irá revelar líder dessa poderosa organização racista denominada Klu Klux Klan, construindo os irmãos Coen, neste segmento do filme, uma das mais emocionantes e criativas sequências de “Irmão Onde Estás?”.

Na verdade, o Ulysses dos Coen é bem diferente do herói de Homero, já que não passa de um homem profundamente vaidoso, sempre preocupado com o seu aspecto, enchendo o cabelo de brilhantina, chegando a usar uma rede para o cabelo enquanto dorme. Mas quem não dorme é o grupo perseguidor chefiado pelo temível xerife e quando tudo parece perdido junto da velha cabana e a forca espera pelos fugitivos, um abençoado dilúvio irá salvá-los das forças da lei, só restando a Ulysses reconquistar a sua bela Penny, sempre com o seu rancho de filhos atrás, que ao contrário da bela Penélope, não é dada a tecelagens, sendo possuidora de um feitio difícil de vergar, apesar dos argumentos infrutíferos do seu marido, o aventureiro Ulysses Everett (George Clooney).


Ao longo da película iremos conhecer também como esses longínquos anos da rádio arrastavam multidões e quando o perigoso grupo dá a escutar a sua música, à muito divulgada na rádio, num derradeiro esforço de salvar a pele num comício, consegue deixar a multidão que a este assiste em profundo delírio.

De imediato o Governador (Charles Durning), que tinha a reeleição em maus lençóis, decide aproveitar a seu favor a presença do grupo, oferecendo-lhes o tão desejado indulto, ao mesmo tempo que Ulysses Everett reconquista o coração da sua esposa.


“O Brother Where Art Thou?” oferece ao território da comédia um novo fôlego, ao qual o mais sisudo dos espectadores não consegue resistir, dadas as inúmeras referências históricas e cinematográficas introduzidas pelo argumento dos irmãos Coen, que apesar de não terem lido Homero, segundo confessaram (mas que duvidamos), nos oferecem um retrato da época da depressão, onde o humor é o motor perfeito da ficção.

6.5.26

TV Séries - “Serviço de Urgência” / “ER”


TV Séries
“Serviço de Urgência” / “ER”
Autor: Michael Crichton
Temporadas: 15
1994 - 2009
George Clooney, Anthony Andrews, Juliana Margulies.
 

A famosa série “Serviço de Urgência” / “ER”, surgiu pela primeira vez em Portugal em 5 de Outubro de 1996 e voltou a ser reposta no canal “Vintage Television”, revelando desde já um enorme sucesso ao ponto de a grelha inicial de programas ter sido alterada, sendo a série transmitida no horário nobre do pequeno écran.


Recorde-se que foi em “Serviço de Urgência” / “ER”, que muitos descobriram o actor George Clooney, ao lado de Anthony Andrews e Juliana Margulies, cuja acção decorre num serviço de urgência de um hospital em Chicago onde os médicos não têm mãos a medir perante os casos que vão surgindo. Ao longo desta famosa série iremos também acompanhar a vida pessoal destes médicos que tudo fazem para salvar vidas.


Estamos perante uma das mais famosas séries da televisão norte-americana que assim voltou, em boa hora, ao convívio de todos.

5.4.26

Stephen Gaghan - “Syriana”


Stephen Gaghan
“Syriana”
(EUA / Emiratos - 2005) – (128 min./Cor)
George Clooney, Matt Damon, Christopher Plummer, William Hurt.

Quando acendemos a televisão e escutamos os serviços noticiosos ou lemos os jornais, sabemos de antemão que um dos temas forte, seja dia útil ou fim-de-semana, é o Médio-Oriente e este fabuloso filme do cineasta-argumentista Stephen Gaghan é precisamente uma verdadeira “mina de ouro”, porque ao longo de duas horas aborda a questão do Médio-Oriente de todos os ângulos com uma eficácia, que não descura nenhum pormenor.


Mas o leitor estará possivelmente a pensar que não conhece o nome do cineasta, repare que não lhe chamamos realizador, mas sim cineasta ou seja sinónimo de autor. A razão é simples porque este cavalheiro é o argumentista do fabuloso “Traffic – Ninguém Sai Ileso” de Steven Soderbergh e, com este “Syriana”, vai ainda mais longe, visitando todos os intervenientes do complexo Médio-Oriente e precisamente por isso mesmo, esta película, tal como sucedeu com “Traffic”, tendo em conta o manancial de temas abordados, ficou conhecido como um filme “híper-link”!


Depois temos em “Syriana” um conjunto de actores fabuloso e não me estou a referir apenas aos mais célebres, mas também a todos os outros e nunca será demais referir que a interpretação de George Clooney é portentosa, tendo aliás conquistado o Oscar de Melhor Actor Secundário.


Em “Syriana” iremos conhecer todos os interesses que navegam no Médio-Oriente, bem conhecidos dos mais atentos, mas também descobrir os milhões de emigrantes que por ali trabalham, em busca da sobrevivência, algo de que desistiram d procurar nos países de onde são oriundos, trabalhando sem direitos laborais nos poços petróleo, até chegar esse momento fabuloso de “Syriana”, em que iremos assistir ao nascimento de um terrorista, para além de todas as outras vertentes do filme onde se abordam os conflitos e interesses económicos das grandes empresas e das grandes potências, que não olham a meios para atingir os seus fins, porque como todos sabemos o petróleo não é inesgotável.


Por tudo isto “Syriana” é um filme a descobrir! Veja com muita atenção, porque como num filme de Robert Altman, as histórias entrecruzam-se a uma velocidade vertiginosa e obrigam-nos a reconhecer que este foi o melhor filme feito até hoje sobre a realidade do Médio-Oriente e tendo em conta o que se passa por essas paragens com o mundo ocidental à beira do abismo devido ao bloqueio no estreito de Ormuz, devemos ver esta película de Stephen Gaghan, que se revelou um cineasta visionário.

27.3.26

George Clooney - “Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind”


George Clooney
“Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind”
(EUA/Alemanha/Canada – 2002) – (113 min./Cor)
Sam Rockwell, George Clooney, Julia Roberts,
Drew Barrymore, Rutger Hauer, Maggie Gyllenhaal.

Foi com este filme “louco”, mas bem verdadeiro, que George Clooney se estreou como realizador, dando de imediato um passo enorme a caminho da categoria de cineasta e nunca é demais recordar que o amigo Steven Soderbergh foi o produtor executivo, enquanto o argumento foi escrito por Charlie Kaufman, que até não gostou muito da pelicula após ter visto o resultado final, mas também confessou que possivelmente nenhum Estúdio iria certamente aceitar as suas opções criativas e por fim temos Sam Rockwell a interpretar a figura de Chuck Barris, um conhecido apresentador de programas da televisão norte-americana, autor do livro de memórias, escolhido por George Clooney para o seu baptismo atrás da câmara de filmar.


Ao longo destas “Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind”, iremos conhecer a história de Chuck Barris (com uma interpretação memorável de Sam Rockwell), que ao longo das décadas de 60 e 70 (do séc.XX) se irá tornar um conhecido apresentador, autor e produtor de programas como “The Gong Show”, “The Dating Game” e “The Newlywed Game”, entre outros, mas que terá também uma outra profissão nessas décadas em que a Guerra Fria fazia parte do quotidiano e a Alemanha se encontrava dividida entre RFA e RDA, ao ser contratado para trabalhar como agente dos serviços secretos norte-americanos.


George Clooney, que interpreta a personagem de Jim Byrd, o homem que o convida a entrar para a Agência norte-americana irá ser o seu mentor, sendo memorável a cena de abordagem e recrutamento, tal como toda a sequência passada em Berlin Leste, onde iremos descobrir esse grande actor chamado Rutger Hauer na figura do contacto alemão, Keeler, e onde percebemos como nesses tempos a improvisação era a lei, porque nada corria como o previsto ou seja as fugas perfeitas do Leste para o Ocidente só aconteciam nos filmes e nos livros, já que na realidade só a sorte marcava o destino e o sucesso das fugas ou informações confidenciais. Por outro lado nunca é demais recordar que os serviços secretos norte-americanos souberam da queda do muro de Berlin pela CNNJ!


A feitura de “Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind” não foi fácil para George Clooney, em termos de recolha de meios para a sua concretização, mas contou com o apoio de muitos amigos e se, como dissemos anteriormente, a presença de Steven Soderbergh foi fundamental, já Julia Roberts e Drew Barrymore aceitaram um cachet “simbólico” de 250.000 dollars, por outro lado Brad Pitt e Matt Damon com duas aparições (os célebres “cameo”), fizeram-no de “borla” e depois muitas das sequências foram feitas em apenas um “take”, para poupar dinheiro, mas com excelentes resultados! Veja-se o ritmo da película e a loucura que por ali navega e certamente muitos se irão recordar dos irmãos Coen, com quem George Clooney tem trabalhado ao longo dos anos.


Vale a pena descobrir “Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind” e conhecer como nasceu um cineasta chamado George Clooney!