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8.6.26

Edward Zwick - “Estado de Sítio” / “The Siege”


Edward Zwick
“Estado de Sítio” / “The Siege”
(EUA – 1998) – (112 min./Cor)
Denzel Washington, Annette Bening, Bruce Willis.

Edward Zwick é um cineasta oriundo da televisão, estreou-se nas séries em 1976, mas seria com a série “Thirty Something” / “Os Trintões”, que passou na nossa televisão com enorme sucesso e após a feitura desse portentoso filme, sobre a guerra civil norte-americana, intitulado “Tempo de Glória” / “Glory” (1989), todos terminámos por lhe fixar o nome.


Ao realizar em 1998 “Estado de Sítio” / “The Siege”, o cineasta nunca pensou, que passado um quarto de século a película pudesse estar a acompanhar a actualidade destes tempos difíceis que vivemos infelizmente, em algumas cidades da Europa, onde os atentados se repetem, perpetrados por organizações terroristas ou lobos solitários, fazendo inúmeras vítimas inocentes.


Tudo começa com um autocarro armadilhado a explodir em Brooklyn, que quase mata o agente do FBI Anthony Hubbard (Denzel Washington), depois é a investigação e a descoberta que outra Agência está a lidar com o “problema” de outra forma, quando Hub conhece a agente Elise Kraft, que até “dorme com o inimigo” e depois temos o General William Devereaux (Bruce Willis), que tem a “solução” para resolver o problema, só necessita do aval da Presidência.


Por tudo isto será interessante revermos esta película, que conta com excelentes interpretações, no trio de protagonistas constituído por Denzel Washington, Annette Bening e Bruce Willis, sobre este mundo em que vivemos.

14.4.26

Annette Bening - (1958)

Annette Bening
Aniversário: 19 de Maio
Fotograma: "Beleza Americana" / "American Beauty"
Filme de Estreia: "Férias em Família" / "The Great Outdoors"
Filme Favorito: "O Amor da Minha Vida" / "Love Affair"

21.2.26

Irwin Winkler - “Na Lista Negra” / “Guilty by Suspicion”


Irwin Winkler
“Na Lista Negra” / “Guilty by Suspicion”
(EUA – 1991) – (105 min./Cor)
Robert de Niro, Annette Bening, George Wendt,
Patricia Wetting, Sam Wanamaker, Chris Cooper, Martin Scorsese.

Foi na segunda metade dos anos 60 que Irwin Winkler iniciou a sua actividade no cinema como produtor e rapidamente iremos fixar o seu nome, especialmente quando começa a produzir os filmes de Martin Scorsese. Mas este homem, bom conhecedor do meio cinematográfico onde se movimentava, decidiu um dia abordar o período mais negro da História do Cinema de Hollywood e assim nasceu “Na Lista Negra” / “Guilty by Suspicion”, tendo o argumento sido entregue a Abraham Polonsky, mas quando Irwin Winkler leu o trabalho do “ex-black list” não gostou e decidiu reescrevê-lo, alterando a personagem interpretada por Robert de Niro, tendo depois decidido ser ele próprio o realizador da película, tal foi o seu empenho em a concretizar.


Esta película constitui com os filmes “O Testa de Ferro” / “The Front” de Martin Ritt e “Boa Noite e Boa Sorte” / “Good Night and Good Luck” de George Clooney, a trilogia perfeita para conhecermos este período da história do cinema norte-americano. Por outro lado, Irwin Winkler encontrou em Robert de Niro o actor perfeito para encarnar o protagonista, já o amigo Martin Scorsese surge no filme como o cineasta Joe Lesser, evocando o realizador Joseph Losey, que fugiu para Inglaterra, tal como fez Sam Wanamker, que aqui veste a pele de Felix Graff (recorde-se que ele é o responsável pela ideia do teatro “The Globe” em Londres, bem como pai da conhecida Zoe Wanamaker, que interpreta a escritora Ariadne Oliver na série de televisão “Poirot”).


“Na Lista Negra” / “Guilty by Suspicion” encontra-se repleto de referências e revela-se como uma das mais espantosas películas realizadas sobre este negro período da história americana. Só para terminar, aproveito para referir apenas alguns casos relacionados com a perseguição encetada pelo senador Joseph McCarty e “Friends”:


1- Bertold Brecht foi convocado para se apresentar perante a temível comissão e nesse mesmo dia abandonou a América.

2 - O conhecido actor John Garfield (protagonista de “O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes”), ficou sem trabalho e terminou por se suicidar.

3 - O célebre cineasta Joseph L. Mankiewicz, Presidente da Associação de Realizadores, viu a sua cabeça pedida por Cecil B. de Mille, num tumultuoso plenário de “caça aos vermelhos” em Hollywood e será o grande John Ford a sair em sua defesa e então todas as vozes se calaram.

4 - Elia Kazan, por seu lado, terminou por ceder na Comissão e assinou de cruz, tudo o que pretendiam os “cavalheiros” que o estavam a interrogar, daí o célebre “pandemónio” na cerimónia dos Oscars, quando a Academia de Hollywood lhe atribui um Oscar pela carreira.


Recorde-se que o temível Senador só foi destituído quando “esticou demasiado a corda” e acusou o próprio Presidente Eisenhower, como veremos no filme realizado por George Clooney.


Irwin Winkler, com “Na Lista Negra” / “Guilty by Suspicion”, encetou uma carreira de realizador, paralela à de produtor, bem interessante, portanto fixem o nome, que nós em breve voltaremos a falar dele e não deixem de (re)ver este filme fabuloso!

15.2.26

Glenn Gordon Caron - "O Amor da Minha Vida" / "Love Affair"


Glenn Gordon Caron
"O Amor da Minha Vida" / "Love Affair"
(EUA - 1994) - (108 min./Cor)
Warren Beatty, Annette Bening, Katharine Hepburn, Pierce Brosnan.

Quando Leo McCarey realizou “Love Affair” / “Ele e Ela” em 1939, nunca pensou que mais de uma década depois iria ele mesmo fazer o “remake” desta película que teve como protagonistas Charles Boyer e Irene Dunne, convém desde já referir que o facto de em 1957 Leo McCarey refazer a história através de “An Affair to Remember” / “O Grande Amor da Minha Vida” não é inédito, recorde-se que Alfred Hitchcock fez o mesmo com “O Homem Que Sabia Demais” / “The Man Who Knew Too Much”, em que temos a versão inglesa com Leslie Banks e Edna Best nos protagonistas e na americana, a mais célebre, encontramos James Stewart e Doris Day. Mas regressemos à história de Mike Gambril (Warren Beatty) e Terry McKay (Annette Bening) em “Love Affair”, sem antes deixar de referir que este projecto foi uma prenda de Warren à sua mulher Annette, como devem estar recordados os actores encontraram-se no set de “Bugsy” realizado por Barry Levinson, a paixão invadiu as suas almas e o mais famoso “playboy” de Hollywood rendeu-se aos encantos de Annette Bening, tornando-se num dos casais mais mediáticos do mundo do cinema.


Um dos aspectos mais curiosos deste “O Amor da Minha Vida” é encontrarmos as imagens que vemos surgir na TV (relatando o mais recente “affair” do ex-jogador de futebol americano Mike Gambril) se reportarem aos diversos romances que Warren Beatty teve precisamente na vida, devidamente mediatizados pela imprensa sensacionalista. Vamos assim encontrá-lo a embarcar para Sidney com o seu inefável agente (Garry Shandling) a levá-lo ao aeroporto e de imediato nos apercebemos que o esquecimento do relógio de Mike na mesa de montagem possui um outro significado.


A viagem para Sidney apresenta-se enfadonha até ao momento em que trava conhecimento com o casal Stillman (interpretado pelo cineasta Paul Mazursky e a esquecida actriz Brenda Vaccaro) e desta forma consegue meter conversa com Terry McKay (Annette Bening). No entanto, devido ao mau tempo que se faz sentir, o avião tem uma avaria e é obrigado a aterrar num atol, terminando os passageiros por serem recolhidos por um navio e regressar mais tarde de avião a New York.


Durante este período iremos conhecer a vida de Mike e Terry e perceberemos que eles habitam universos bem diferentes mas pouco distantes, já que se ele vive no” conforto” de Lynn Weaver (Kate Capshaw – mulher de Steven Spielberg) uma poderosa produtora de televisão, já ela é a companheira de Ken Allen (Pierce Brosnan), um poderoso homem de negócios de Wall Street.


Ao longo da viagem Mike terá que se ver livre do habitual “paparrazzi” de serviço, ao mesmo tempo que aproveitando uma paragem do navio leva Terry a conhecer a sua tia Ginny (Katharine Hepburn, no seu último trabalho no cinema) e aqui temos a passagem de testemunho de Katharine Hepburn para Annette Bening, já que como todos sabemos Annette Bening é uma verdadeira herdeira dessa grande actriz chamada Katharine Hepburn, em tempos idos considerada pelos produtores como um “veneno de bilheteira”. Será ainda de referir que toda a sequência passada na ilha entre Annette Bening e Katherine Hepburn foi dirigida por Warren Beatty.


Nasce então esse grande amor entre Terry e Mike, sendo marcado encontro para daí a três meses no alto de “Empire State Building” e depois já todos sabemos a história, essa história que tantas lágrimas fez correr na América e que leva Meg Ryan em “A Sintonia do Amor” a consumir tantos lenços de papel sempre que vê o filme de Leo McCarey.


“Love Affair”, versão de 1994, surge assim como a “gift” de Warren Beatty para Annette Bening, num primeiro plano, mas depois à medida que o argumento vai sendo desenvolvido encontramos o amor pelas personagens, repare-se na conversa no convés do barco, a chuva que cai e a dança que surge e por fim esse momento mágico nos últimos vinte minutos da película, com os actores a deixarem de interpretar as suas personagens para oferecerem um ao outro a mais bela declaração de amor.


"Love Affair" / “O Amor da Minha Vida” surgiu no território do melodrama, nos anos noventa (século passado), como um verdadeiro “outsider”, envolvido por uma das mais belas partituras de Ennio Morricone, que dedica um dos temas, precisamente, aos dois protagonistas: Warren Beatty e Annette Bening.

30.1.26

Milos Forman - “Valmont”


Milos Forman
“Valmont”
(França/EUA -1989) – (137 min. / Cor)
Colin Firth, Annette Bening, Meg Tilly, Fairuza Balk, Jeffrey Jones, Henry Thomas.

Todos nós fixámos o nome deste cineasta checo quando surgiu nos nossos écrans essa obra intitulada “Voando Sobre um Ninho de Cucos” / “One Flew Over the Cuckoo’s Nest”, baseada no livro do ex-beatnick Ken Keasy e, como alguns devem estar recordados, na época o cinema Quarteto fez uma retrospectiva do cineasta na qual foi possível descobrir alguns filmes do seu período checo, onde encontrámos obras como “O Ás de Espadas” / “Cerny Petr” sobre a adolescência, “O Baile dos Bombeiros” / “Hori má panenko”, retrato mordaz de uma sociedade e o maravilhoso “Amores de uma Loira” / “Lásky jedné plavovlásky” onde a imagem de um regime se fazia sentir, de forma perfeita e irónica. Depois, com a invasão da Checoslováquia pelas tropas de Pacto de Varsóvia, pondo fim à então chamada “Primavera de Praga”, Milos Forman optou por partir e escolheu a América como a sua segunda casa. Aí rodou primeiro “Os Amores de Uma Adolescente” / “Taking Off” e participou numa obra colectiva sobre os jogos olímpicos,”Visions of Eight”, tendo escolhido o decatlo para nos oferecer a sua visão sobre esta difícil modalidade.


Após o êxito estrondoso de “Voando Sobre um Ninho de Cucos”, realizou o infelizmente pouco conhecido “Ragtime”, retrato de uma nação e viu chegar o reconhecimento de todos com o célebre “Amadeus” em 1984. Cinco anos depois, decide levar ao grande écran o célebre livro de Chordelos de Laclos, “Ligações Perigosas”, tendo escolhido como argumentista o famoso Jean-Claude Carriére. E, mais uma vez, surpreendeu tudo e todos não só pela escolha dos actores: Colin Firth, Annette Bening e Meg Tilly, todos eles com grandes interpretações, como pela sua reconstituição histórica, simplesmente perfeita. Mas na época um outro Estúdio decidiu também levar ao grande écran o célebre romance, partindo da peça de teatro escrita por Christopher Hampton, com John Malkovich, Glenn Close e Michelle Pfeifer, que estaria concluído antes do filme de Milos Forman, terminando por ganhar na batalha das bilheteiras.


“Valmont” de Milos Forman, ao contrário do filme de Stephen Frears, privilegia a reconstituição histórica e o naturalismo, sendo o trabalho dos actores muito mais credível, fruto da excelente direcção do cineasta checo e, ao dizermos isto, não estamos de forma alguma a menosprezar a obra do britânico, apenas pretendemos referir que Forman nos oferece um retrato muito mais plausível e aliciante, fruto das interpretações espantosas dos actores e nunca nos podemos esquecer que esta foi a segunda película de Annette Bening, que nos mergulha numa Madame de Merteuil cheia de sensualidade e cinismo, em busca da vingança, após descobrir que o seu amante Gercourt (Jeffrey Jones) vai casar com a jovem e inocente Cecile de Volanges (Fairuza Balk).


Decide então envolver o seu amigo Valmont (Colin Firth) em apostas amorosas, cuja finalidade é oferecer ao seu amante uma noiva “em segunda mão”. E nesta rede de pequenos enganos e grandes ódios irão cair a bela e inocente Madame de Tourval (Meg Tilly), que se irá apaixonar perdidamente pelo belo Valmont, ao mesmo tempo que o jovem professor de música Danceny (Henry Thomas… em tempos o célebre amigo de “E.T.”) se irá por sua vez perder de amor e razão pela bela Cecília, fazendo-lhe a corte (sempre com a cumplicidade de Madame de Merteuil), apesar de saber que ela está prometida a Gercourt, nascendo aqui a mais perfeita história de intrigas onde todos acabarão por sair a perder, incluindo Valmont, que será morto num duelo pelo jovem Danceny.


Ao revermos hoje esta obra de Milos Forman, descobrimos que o seu ”Valmont” não apresenta as marcas da passagem dos anos, surgindo como um belo e profundo retrato de uma época, a França do século XVIII, em que os jogos de amor e traição conviviam abertamente com a morte e a perdição, porque o que aqui encontramos é esse profundo desejo de amar, esse mesmo desejo que irá consumir a bela Madame de Tourval (Mel Tilly), a qual nunca irá esquecer a enorme paixão que nutre por Valmont, reparem bem como ela vai deixando que o seu amor por ele lhe consuma a vida. A película realizada por Milos Forman respira Cinema por todos os poros!