31.8.26

Eberhard Weber - “Yellow Fields”


Eberhard Weber
“Yellow Fields”
ECM Records
1976

Eberhard Weber – Bass.
Charlie Mariano – Soprano Saxophone, Shenai, Nagaswaram.
Rainer Bruninghaus – Keyboards.
Jon Christensen – Drums.

1 – Touch – 4:59
2 – Sand-Glass . 15:31
3 – Yellow Fields – 10:04
4 – Left Lane – 13:37

Eberhard Weber e o seu quarteto “Colours” prosseguiam nesse ano de 1975 a sua aventura musical com a edição deste magnífico “Yellow Fields”, sendo de referir a saída do ex-membro dos Soft Machine, John Marshall, da banda, entrando para o seu lugar o baterista Jon Christensen. Por outro lado, será sempre de recordar em “Yellow Fields” a magia que os instrumentos shenai e o nagaswaran introduzem nos temas em que surgem tocados por Charlie Mariano, oferecendo-nos paisagens sonoras de uma enorme beleza.

Gravado em Setembro de 1975 no Tonstudio Bauer, Ludwigsburg, por Martin Wieland. Capa do álbum de Maja Weber. Layout de Dieter Bonhorst. Fotografia de Gabi Winter. Produção de Manfred Eicher. Todos os temas são da autoria de Eberhard Weber.

Bret Easton Ellis - "Psicopata Americano" / "American Psycho"


Bret Easton Ellis
"Psicopata Americano" / "American Psycho"
Páginas: 540
Puma Editores

O livro que fez enriquecer Bret Easton Ellis, violento e sensual q.b., tendo até sido adaptado ao cinema em 2000, num filme bem fraquinho realizado por Mary Harron e que tinha Christian Bale como protagonista e um elenco feminino inimaginável para quem leu o livro, reparem só nos nomes das protagonistas: Chlöe Sevigny, Reese Witherspoon, Samantha Mathis. Já a feitura do livro e as andanças de editora para editora ficaram famosas devido ao conteúdo do book!

A celebridade de Bret Easton Ellis nascera com o seu livro de estreia "Menos Que Zero" / "Less Than Zero", que teve uma excelente adaptação cinematográfica e se recebeu o título em Portugal de "A Última Viagem em Beverly Hills", realizado por Mark Kanievska, e que nos dava a conhecer um extraordinário actor, desconhecido na época, chamado Robert Downey Jr.!

Andy Warhol - "Atomic Bomb"


 Andy Warhol
"Atomic Bomb"
Acrílico e liquitex pelo processo de serigrafia sobre tela.
264 x 204,5 cm.
Ano: 1965

Frank Capra - “Horizonte Perdido” / “Lost Horizon”


Frank Capra
“Horizonte Perdido” / “Lost Horizon”
(EUA – 1937) – (132 min. – P/B)
Ronald Colman, Jane Wyatt, Edward Everett Horton, Thomas Mitchell.

Um dos mais belos filmes de toda a filmografia de Frank Capra, foi finalmente recuperado na sua versão integral, tirando uma breve sequência em que só temos a banda som e assim podemos ver pela primeira vez o final deste belo e nostálgico filme assinado pelo cineasta que tinha nos cartazes o nome antes do título, mas que no final da vida viveu bastante amargurado com o rumo que o cinema estava a tomar, como deixou bem expresso no seu testamento literário.


O "Lost Horizon" de que fala o título deste filme de Frank Capra é o famoso “Shangri-La” situado no Tibet e onde os seus habitantes estão possuídos de um estranho poder que os não deixa envelhecer, mas se saírem do seu território de imediato, essa magia desaparece e eles são tomados pela voragem do tempo.


Na China temos uma revolução em ebulição e os poucos americanos que ainda restam na cidade, tentam fugir dos distúrbios, mas ao partirem de avião, irão ver o aparelho a ser desviado para essa Terra de Sonho perdida no topo do mundo. E se uns querem lá ficar, outros desejam partir e no meio de todos está o diplomata Robert Conway (Ronald Colman), que encontrou na bela Sondra (Jane Wyatt) uma razão para ficar...


Frank Capra ao realizar este "Horizonte Perdido", basado no romance de James Hilton, assinou uma película incontornável da sua filmografia e que continua a fascinar quem a descobre. A paixão do cinema passa decididamente por este filme!

30.8.26

Pat Metheny - "What's All About"


Pat Metheny
"What's All About"
Nonesuch
2011

Pat Metheny - baritone guitar

Pat Metheny surge a solo interpretando temas bem conhecidos da música popular. Paul Simon, Carly Simon, António Carlos Jobim, The Beatles e Burt Bacharach são alguns dos nomes que surgem neste belo cd que nos oferece 10 temas bem conhecidos de todos.

Spirou e Fantásio - "Os Chapéus Negros" - Jijé / Franquin



Spirou e Fantásio
"Os Chapéus Negros"
Arte: Jijé
Argumento: Franquin
Revista Spirou 2ª Série nº.1 a 8
Páginas: 16

Spirou e Fantásio são enviados à America para fazerem uma reportagem sobre o "Far-West" e quando menos esperam estão em Tombstone, a mais violenta cidade do Oeste, com verdadeiros fora-da-lei e só por pouco é que não se cruzaram com os irmãos Dalton! Uma banda desenhada bem delirante!

Ross Bleckner - "Oceans"


Ross Bleckner
"Oceans"
Óleo e cera sobre tela
304,8 x365,8 cm.
Ano: 1984

Ross Bleckner - (1949) - é um artista norte-americano  vive em Nova Iorque e tem dedicado grande parte da sua actividade artística à pintura. A obra "Oceans", faz parte da série de quadros que criou na década de 80, do século passado, que ficou denominada como "Strpe Series".

Lee Tamahori - “Brigada de Elite” / “Mulholland Falls”


Lee Tamahori
“Brigada de Elite” / “Mulholland Falls”
(EUA – 1996) – (107 min. / Cor)
Nick Nolte, Melanie Griffith, Chazz Palmentieri, Michael Madsen,Chris Penn, Jennifer Connely, Treat Williams, John Malkovich,Andrew McCarthy, Daniel Baldwin.

Lee Tamahori iniciou a sua actividade como fotógrafo, depois passou a director de fotografia e assistente de realização. Durante 10 anos viveu no universo da publicidade, onde foi por diversas vezes premiado. Na televisão aprendeu a arte da realização, como muitos outros e depois foi o estrondoso sucesso do seu filme de estreia “A Alma dos Guerreiros” / “Once Were Warriors” (que surpreendeu tudo e todos quando foi exibido no Festival de Montreal). Aliás, quando Fanny Ardant visitou a Cinemateca Portuguesa, foi-lhe sugerida a escolha de um filme para ser apresentado por ela e a actriz francesa optou precisamente pela obra de estreia do cineasta neo-zelandês, que nesta película nos oferece um retrato espantoso da comunidade Mahori.


Como sabemos, Hollywood nunca brinca em serviço, embora alguns pensem o contrário, e de imediato Lee Tamahori foi convidado a dirigir um filme nos “States”. Desafio aceite pelo cineasta, tendo os Estúdios disponibilizado os meios necessários para ele recriar a atmosfera desses anos cinquenta, em que o “film noir” dava cartas.

Tendo o excelente director de fotografia Haskell Wexler consigo, Lee Tamahori oferece-nos um filme sem falhas, que nos agarra do primeiro ao último fotograma, possuindo um elenco masculino de primeira água, ao mesmo tempo que Melanie Griffith cumpre na personagem que lhe foi destinada e Jennifer Connely surge aqui como um verdadeiro sex-symbol. Se a virmos hoje, não poderemos dizer o mesmo, infelizmente.


Durante a década de cinquenta, os gangsters tudo fizeram para estabelecer os seus negócios nesse paraíso cinematográfico chamado Hollywood mas a polícia local, bem conhecida pela forma violenta como actuava, sempre impediu o estabelecimento do mundo do crime, na capital do cinema. E será precisamente isso que iremos descobrir logo no início da película, quando vemos em acção a brigada chefiada por Max Hoover (Nick Nolte) a invadir um restaurante de luxo e a levar dali um dos senhores de Chicago, conduzindo-o pela célebre Mulholland Drive, até ao cimo das colinas, para de seguida o lançarem pela declive abaixo, dando-lhe desta forma a conhecer a sua Mulholland Falls (que dá o nome ao filme), ou seja, o local predilecto da polícia para inibir as chefias do crime de se estabeleceram na Califórnia, com os resultados positivos que todos sabemos, apesar dos seus métodos infringirem, a maioria das vezes, a própria lei que diziam fazer cumprir.

Esta brigada é chefiada por Max Hoover (Nick Nolte) e tem como seus adjuntos Eddie Hall (Michael Madsen), Arthur Relyea (Chris Penn) e Elleroy Coolidge (Chazz Palminteri), esse polícia que tem sessões de psicanálise para conseguir dormir descansado. Uma manhã esta brigada de elite será chamada a uma zona onde estão a fazer terraplanagens, onde se encontra o corpo sem vida de uma jovem, chamada Allison Pond (Jennifer Connely). A forma como foi morta é um mistério, apresentando o seu belo corpo dezenas de fracturas, por ele espalhadas.


No entanto, este não será mais um crime para investigar pelo detective Max Hoover e a sua equipa, porque ele conhece a rapariga, embora o esconda de todos. Allison, que fora sua amante durante seis meses, não passa de uma das milhares de”girls” que partiram para Hollywood em busca de um lugar ao sol, lugar esse, que as conduziria na maioria das vezes à prostituição encapotada ou bem visível, consoante o sucesso que tinham na captura das presas. Mas no dia em que chega à esquadra uma bobine endereçada a Max Hoover, com imagens de Allison a fazer amor com uma pessoa cuja identidade se desconhece inicialmente, o detective percebe de imediato, que quem lhe enviou o filme possui muito mais imagens dela, com outras pessoas, estando certamente ele próprio na mira da possível chantagem.

Tudo parece encaminhar-se para esse jogo de gato e rato, quando este detective que nos faz recordar os heróis de Raymond Chandler e Mickey Spillane, conhece o autor das filmagens, o jovem Jimmy Fieis (Andrew McCarthy), que as fazia através do habitual espelho falso, sem os protagonistas do quarto ao lado do seu saberem o que se passava.


Numa primeira leitura podemos dizer que estamos perante mais um caso igual a tantos outros, mas lentamente vamos descobrir que naquele filme que foi enviado para a esquadra se encontram imagens mais que proibidas e será precisamente isso que descobrimos quando sabemos que a última pessoa a ver viva a bela Allison Pond, foi o general Timms (John Malkovich), um dos pais da bomba atómica. De imediato o filme muda de registo, conduzindo-nos a esses inícios dos anos cinquenta em que o exército americano fazia experiências nucleares no deserto, com as suas próprias tropas, porque só assim podiam estudar a evolução da radio-actividade no corpo humano.

“Brigada de Elite” transforma-se de um filme policial numa obra com uma mensagem política. Olhando a história recente da América e o célebre segredo militar, em defesa da nação, percebemos as palavras ditas pelo general Timms: “para se salvarem mil temos que sacrificar cem”. Como sabemos a história contemporânea está recheada deste género de acontecimentos, infelizmente.


Lee Tamahori conduz com uma eficácia espantosa este seu primeiro trabalho em território americano, conseguindo oferecer-nos uma reconstituição de época perfeita, com uma boa direcção de actores, sendo sempre de destacar a composição que John Malkovich faz da personagem que interpreta.


Em “Brigada de Elite”, como vemos no final, não há vencedores, todos são derrotados. “Mulholland Falls” de Lee Tamahori é uma película que merece ser revista, para não cair no esquecimento, numa época em que as modas eliminam a memória cinéfila.

29.8.26

Carly Simon - "Playing Possum"


Carly Simon
"Playing Possum"
Elektra
1975

Segundo a revista "Rolling Stone" a capa do álbum "Playing Possum" de Carly Simon é uma das mais famosas da história da Música Popular, mas este álbum é muito mais do que as belas fotos que possui, porque nele habitam verdadeiras pérolas musicais e poéticas, que respiram a liberdade que se respirava na década de setenta do século xx, sendo até bem curioso o facto de a própria Carly Simon se ter referido recentemente numa entrevista a esses tempos em que a simples poesia de viver sem condicionalismos de qualquer espécie se revelava como um belo mergulho nas águas azuis do oceano.

David S. Garnett - "O Senhor da Terra"


David S. Garnett
"O Senhor da Terra"
Magazine do Fantástico e Ficção Cientifica nº.2
(The Magazine of Fantasy and Science Fiction)
Matriz / Editorial Império

David Stanley Garnett é um escritor inglês que tem dedicado o seu tempo à ficção-científica e fantástico, incluindo para a 9ª arte. Nascido em 1947 viu o seu primeiro romance "Mirror in the Sky" a ser publicado em 1969. Este conto intitulado "O Senhor da Terra" navega na área do Fantástico e nunca é demais referir que alguns dos seus livros são publicados com os pseudónimos de David Ferring e David Lee. Por outro lado algumas edições das obras deste escritor surgem com o nome de David Garnett e aqui convém não confundir com o outro David Garnett nascido em 1892 e falecido em 1981, também ele escritor e britânico e que pertenceu ao famoso grupo de Bloomsbury.


«O encantamento fora poderoso. Tinha envolvido o sangue de sete virgens as quais, devido às recentes explosões de pilhagens e violações, eram relativamente escassas. De qualquer Vad Granite obtivera os necessários ingredientes e fizera-me desaparecer num instante antes que a minha fiel espada rúnica lhe cortasse a cabeça de feiticeiro.»

David S. Garnett
in "O Senhor da Terra”

Claude Monet - "Barques de pêche"


Claude Monet
"Barques de pêche"
Óleo sobre tela
46 x 55 cm.
Ano: 1866

Sydney Pollack - “A Flor à Beira do Pântano” / “


Sydney Pollack
“A Flor à Beira do Pântano” / “This Property is Condemned”
(EUA – 1966) – (110 min./Cor)
Natalie Wood, Robert Redford, Charles Bronson, Kate Reid, Mary Badham.

Cinco anos após se ter estreado na realização no pequeno écran, Sydney Pollack assina em 1966 a sua segunda longa-metragem, intitulada “This Property is Condemned”, uma película fabulosa com argumento de Francis Ford Coppola, a partir de uma peça de Tennesse Williams e produzida por John Houseman ou seja um trio de luxo e se desconhecêssemos os seus autores, rapidamente chegávamos lá ao entrarmos com Owen Legate (Robert Redford) nessa América em recessão e que tem nele o homem do caminho-de-ferro que trata dos despedimentos em época de crise.


Já a bela Alva Starr (Natalie Wood) é a filha da dona dessa pensão onde vivem muitos dos funcionários do caminho-de-ferro, que trabalham na povoação e rapidamente iremos perceber como ela é o isco usado pela mãe para sobreviver e será precisamente nessa pensão que Owen Legate se irá hospedar, despertando de imediato a atenção da bela e disponível Alva, cujo maior desejo é fugir dali.


Tanto a direcção de actores como a realização de Sydney Pollack são bem demonstrativas do talento do cineasta, depois a peça de Tennesse Williams é um bom exemplo do seu enorme talento, com um excelente trabalho de Francis Coppola no argumento e depois temos essa narradora que é a pequena Willie (Mary Badham), que muitos se recordam do fabuloso filme “To Kill a Mockingbird” de Robert Mulligan ou seja todos os ingredientes para descobrirmos um excelente filme dessa maravilhosa Arte chamada de Sétima, que teve em Sydney Pollack o último cineasta clássico, que nunca é demais recordar, nesta época em que a memória do cinema se vai perdendo de forma imperdoável!

28.8.26

Novos Blogs Musicais!

A nossa paixão pela música navega pelas mais diversas áreas e nos dias de hoje muitos géneros musicais estão esquecidos e por essa mesma razão decidimos criar diversos blogs musicais dedicados aos géneros musicais que mais apreciamos e para não surgirem dispersos num mesmo blog, decidimos criar um conjunto de blogs temáticos.

O Blog "Podkayne Music" irá ser dedicado exclusivamente à denominada "ambient music", procurando recordar os nomes mais famosos deste género musical, mas também os que permanecem na penumbra, apesar de possuírem obras marcantes, assim como os músicos e compositores japoneses, que permanecem desconhecidos do mundo ocidental.

Podem visitar aqui:

https://podkaynemusic.blogspot.com/


O Blog "Rock Atmospheres" é dedicado à música rock que navegou durante a década de setenta do século passado, que se encontra infelizmente um pouco esquecida, tendo aliás alguns nomes já partido, perante um silêncio dos "media", enquanto outros já abandonaram a actividade, restando muito poucos ainda em actividade, mas dando cartas repletas de trunfos graças à sua genialidade. Por outro lado prestamos homenagem a dois programas de rádio dessa época que marcaram uma geração, refiro-me aos programas do Fm, "Módulo" e "Dois Pontos", que tinham na época como realizadores e apresentadores nomes como Jaime Fernandes, João David Nunes e Humberto Boto, entre outros.

Podem visitar aqui: 

https://rockatmospheres.blogspot.com/

O Blog "Jazz Atmospheres" irá ser inteiramente dedicado ao jazz nas suas mais variadas vertentes, revelando nomes célebres do jazz, mas também intervenientes que infelizmente permanecem pouco conhecidos, apesar do jazz ser uma música sem fronteiras. Assim desde o jazz oriundo do continente americano até ao jazz europeu, não esquecendo aquele que se faz noutras latitudes, muitas vezes com instrumentos pouco usuais. Numa altura em que muitos nomes que marcaram gerações já partiram, enquanto outros devido à idade avançada já deixaram a actividade, nunca é demais recordar a sua importância no interior deste género musical, mas também não iremos esquecer os nomes que começam a despertar abrindo novos horizontes a este género musical. Por outro lado pretendemos homenagear dois programas de rádio: "Cinco Minutos de Jazz" de José Duarte e o "Fórum" de Jorge Lopes, que dedicava sempre a última meia-hora do programa a divulgar o jazz da editora alemã "ECM Records", a mais importante editora discográfica europeia de jazz.

Podem visitar aqui: 

https://jazzatmospheres.blogspot.com/


O Blog "Music Atmospheres" é dedicado à denominada música erudita e à música contemporânea, desde o universo do Barroco, passando pelo Romântico até chegar ao Contemporâneo, nas suas mais diversas vertentes. Por outro lado pretendemos também homenagear o programa de rádio "Em Órbita" de Jorge Gil e com locução de Cândido Mota, que ao regressar ao convívio dos ouvintes na década de setenta do século passado, decidiu dedicar as suas emissões à música barroca, tocada em instrumentos da época, algo que na época era muito pouco divulgado na industria discográfica, embora desde então a situação se tenha alterado com a chegada de novos intérpretes.

Podem visitar aqui: 

https://musicatmospheres.blogspot.com/

Boa audição!

"A Vida Maravilhosa de Charles Chaplin" - José Ruy


"A Vida Maravilhosa de Charles Chaplin"
Autor : José Ruy
Revista Spirou - 2ª Série - nº. 1 a 23
Ano: 1979

José Ruy chama a esta bela biografia de Charles Chaplin "uma narração livre em banda desenhada" e tendo eu lido diversos livros sobre o famoso actor e cineasta, incluindo a sua auto-biografia, confesso que gostei imenso de ler/ver este trabalho da 9ª Arte portuguesa.

"A Vida Maravilhosa de Charles Chaplin" saída da criação de José Ruy é uma leitura para miúdos e graúdos, porque alguns já não sabem o que são "livros aos quadradinhos" e esta banda desenhada bem merece ser reeditada!

James Rosenquist - "Rainbow"


James Rosenquist
"Rainbow"
Óleo, tela, vidro.
121,3 x 153 cm.
Ano: 1961
Museum Ludwig, Colónia.

"Imaginem a cena: na extremidade de um muro grande como um estádio de futebol, e em baixo, no canto inferior direito, um homem pequeno com um vidro repleto de pintura - de pintura cinzenta -, um pincel na mão."

James Rosenquist

Robert Stevenson - “Quatro Minutos de Vida” / “The Man Who Changed Hs Mind”


Robert Stevenson
“Quatro Minutos de Vida” / “The Man Who Changed Hs Mind”
(Grã-Bretanha – 1936) – (66 min. – P/B)
Boris Karloff, Anna Lee, John Loder.

Antes de mais, convém alertar que este filme realizado por Robert Stevenson e intitulado “The Man Who Changed His Mind”, também ficou conhecido como “The Man Who Lived Again”, navegando na net com os dois títulos levando o leitor a pensar que se trata de duas películas distintas, quando se trata do mesmo filme.


Por outro lado, o leitor poderá não se recordar do cineasta Robert Stevenson, aqui em inicio de carreira a trabalhar para os Estúdios Britânicos Gainsborough de Michael Balcon, o célebre produtor que descobriu Alfred Hitchcock, mas se lhe falar de filmes como “Mary Poppins”, “Se a Minha Cama Voasse”, “Herbie, um carocha dos diabos” ou “A Paixão de Jane Eyre”, possivelmente recorda-se destes filmes realizados por Robert Stevenson, que esteve também muito ligado aos Estúdios da Disney.


Situado o cineasta, homem com história, fica aqui o convite para descobrir este belo filme, que retrata de forma exemplar o filme de terror de série-B, concebido para preencher a primeira parte das sessões de cinema na década de trinta do século xx e se seguir o nosso conselho, irá perceber como ele serviu de modelo a inúmeros filmes que por aí andam, escondendo a inspiração, assim como poderá descobrir o talento desse actor chamado Boris Karloff, que dedicou grande parte da sua carreira a este género de películas e conhecer a bela Anna Lee, que participou em mais de uma centena de filmes.


“Quatro Minutos de Vida”, de Robert Stevenson, vem confirmar que a História da Sétima Arte possui um número infinito de filmes que bem merecem ser redescobertos!

27.8.26

Soft Verdict - "For Amusement Only"



Soft Verdict
"For Amusement Only"
Les Disques du Crépuscule
1982

Os Sof Verdict que assinam o álbum "For Amusement Only" integram os músicos Wim Mertens e Herman Lemahieu, estamos no ano de 1982 e o minimalismo está a surgir. Posteriormente este álbum será reeditado em 1988 sendo atribuído a Wim Mertens.

Luiza Neto Jorge - "Poesia 1960-1989"


Luiza Neto Jorge
"Poesia 1960-1989"
Páginas: 320
Assírio & Alvim

A rua era do Mundo e o café "A Parisiense" do senhor Gouveia, numa das esquinas do Largo do Camões, e ali ía com a minha avó, foi assim, com a idade de um digito, que me cruzei várias vezes com a Luíza Neto Jorge, desconhecendo como era bela a sua poesia.

Anos mais tarde descobri a palavra poética e surrealista e assim a poesia de Luíza Neto Jorge, passou a conviver com as minhas leituras.


IV

Gasto-me à espera da noite
impraticável

fiel
sugo os lábios da noite

invariável caio
nos poços da noite

Gasto-me à espera da noite alheia
amassada de gargalhadas doces e areia

Amor anoitecido vem
tecer-me um vestido
nocturno

Atraiçoo os anúncios luminosos
até a lua nova sabe a ausente
- e eu anavalhei-te com naifas de ansiedade -

Estou à espera da noite contigo
venham as pontes ruindo sob os barcos
venham em rodas de sol
os montes os túneis e deus

Estou à espera da noite contigo
livre de amor e ódio
livre
sem o cordão umbilical da morte
livre da morte

estou
à espera
da noite

Luiza Neto Jorge,
in "A noite vertebrada"

Edward Hopper - "Parisian Woman Walking"


Edward Hopper
"Parisian Woman Walking"
Aguarela sobre cartão
30 x 23,5 cm.
Ano: 1907
Whitney Museum of American Art

Durante os anos de 1906-1907 em que Edward Hopper permaneceu em Paris, pintando diversas obras, dedicou-se também à aguarela, um material pouco utilizado pelo pintor, ao contrário do que viria a suceder com a sua futura esposa Jo Hopper. Esta obra intitulada "Parisian Woman Walking" foi publicada na revista "Arts and Decoration" em Fevereiro de 1916. Recorde-se que o pintor também nos deixou inúmeros trabalhos utilizando "pastel sobre papel" e "água forte".

Mike Figgis - “Morrer em Las Vegas” / “Leaving Las Vegas”


Mike Figgis
“Morrer em Las Vegas” / “Leaving Las Vegas”
(EUA/França – 1995) – (111 min. / Cor)
Nicolas Cage, Elizabeth Shue, Julian Sands, Richard Lewis, Valeria Golino.

Alguns ainda se recordam dessa cerimónia dos Óscares em que Nicolas Cage recebeu o Oscar para melhor actor, dando saltos no palco com a estatueta na mão e gritando: “agora sou um dos vossos!!!”. O sobrinho de Francis Ford Coppola, que não usa o apelido do clã, tinha atingido o ponto mais alto na carreira de actor. Para trás ficavam os tempos de “Rumble Fish”, em que alguns de nós duvidávamos do seu talento.


Mike Figgis, um músico que trocou a sua profissão pelo cinema, oferece-nos um dos seus melhores filmes de sempre. Para trás ficavam obras como “Infernal Affairs” e “Mr. Jones”, duas películas excelentes que é urgente rever. A primeira, um duelo sobre a corrupção na polícia travado entre Richard Gere e Andy Garcia (1990) (na época fixámos o nome do cineasta) e depois esse profundo drama chamado “Mr. Jones”, uma das melhores interpretações de Mr. Gere, ao lado da Bergmaniana actriz Lena Olin. Por outro lado o cineasta, sempre experimental, em 2000 apresentou a obra "Time Code", cuja acção se passa em tempo real, surgindo o écran dividido em quatro partes, cada uma delas acompanhando a história dos diversos protagonistas.


Mas regressemos a Las Vegas, essa cidade das luzes idealizada por Bugsy Siegel, um sonho que custou a morte ao gangster e não só. Se o leitor estiver nas montanhas rochosas, como nos sucedeu e decidir ir até Las Vegas, o caminho é sempre a descer, são milhas atrás de milhas e quase ficámos sem gasolina no Chevy. Ao nos aproximarmos da cidade, de imediato vamos deparando com os diversos locais de divertimento, jogo e prazer, numa soma explosiva e a melhor forma de entrar na cidade é decididamente de madrugada, iluminados pelas luzes de néon, ao som dos casinos. Ben Sanderson (Nicolas Cage), na sua viagem para Las Vegas, tinha um destino traçado, ao contrário do nosso, porque Las Vegas iria assistir ao lento apagar da chama da sua vida. Para ele o passado estava enterrado e o futuro nunca iria nascer, porque o presente só o poderia conduzir a essa morte tão desejada e sofrida. Despedido do emprego, abandonado pela mulher e filho, esquecido pelos amigos, só lhe restava morrer. Da mesma forma que em “O Gosto da Cereja” / "Ta'm e guilass" de Abbas Kiarostami desconhecemos os motivos que levam o protagonista a procurar a morte/suicídio. Aqui pouco interessa o passado de Ben, apenas sabemos que o álcool é o meio para chegar ao fim traçado e debaixo dessa população que se arrasta nas ruas em busca do divertimento, ele apenas procura a morte, acabando por se cruzar com uma das muitas raparigas que fazem da noite a sua profissão, o seu modo de sobrevivência, nesse Estado (Nevada) em que a prostituição é uma actividade legal, mas com algumas regras.


Las Vegas é também a cidade das Convenções, depois do trabalho vamos ao divertimento e será dessa forma que iremos conhecer Sera (Elizabeth Shue), uma profissional brilhante no ramo, habitando os bares dos Casinos, repare-se na sua expressão “ao meter conversa” com o homem que se encontra ao seu lado no bar, “veio para a Convenção?”, sendo de imediato repelida pelo cavalheiro que só estava ali para beber um copo, até chegar esse momento em que repara em Ben, que irá marcar para sempre o seu destino. Nicolas Cage não é aqui o anjo caído na terra por amor, como sucedia em “A Cidade dos Anjos” / "City of Angels", ele é um simples farrapo humano, bebendo copo atrás de copo, em busca da morte, trocando rapidamente o copo pela garrafa, quase não comendo, enquanto essa morte, tão bem personificada por Ingmar Bergman em “O Sétimo Selo”, tarda a chegar.


A profissão de Sera também tem os seus riscos e iremos ter a prova disso mesmo quando ela, julgando ir ganhar uma excelente quantia com um grupo de adolescentes, acaba por ser violada e brutalmente agredida, regressando a casa num estado sofredor. Mas será o seu encontro com o alcoólico Ben que lhe irá oferecer uma esperança de mudar de vida, esperança essa perdida rapidamente quando se apercebe das suas intenções suicidas. A união daquelas duas almas não irá durar muito, como nos apercebemos, mas ela insiste em acompanhá-lo nessa “via-sacra”, amando cada vez mais o alcoólico Ben. Expulsa do condomínio onde vive, decide permanecer com ele, até ao último minuto.


Vamos assim assistir a uma degradação humana através do álcool nunca vista no cinema, retratada com um realismo acima de qualquer suspeita e sem melodramas nas entre linhas. Ali não há lugar para isso, é tudo demasiado cru para haver uma réstia de esperança, e embora ela com a passagem do tempo se aperceba disso, nunca o irá abandonar, mesmo quando o encontra na cama com uma colega de profissão.

Mike Figgis oferece-nos, ao longo do filme, uma Las Vegas nocturna onde por debaixo da luz brilhante do néon, navegam dois seres em busca da perdição (Ben) e salvação (Sera). O primeiro irá encontrar o destino tão desejado, enquanto a segunda estará ao seu lado até ao último momento, nunca o abandonando, como se fosse o seu anjo da guarda, para depois regressar à mais antiga profissão do mundo.


A interpretação de ambos está muito acima do habitual e se Nicolas Cage viu brilhar a sua estrela para sempre, já Elizabeth Shue, com o passar dos anos, viu a sua luz ficar cada vez mais pálida. Recorde-se que o argumento se baseia no livro de John O’Brien e, de certa forma, retrata a experiência do escritor, que aliás se suicidou durante a rodagem do filme.


“Morrer em Las Vegas” é o retrato violento de um homem perdido na vida, que busca na bebida a forma mais simples de morrer, transformando-se num verdadeiro farrapo humano, tendo sempre a seu lado esse anjo que o ampara nos momentos difíceis, embora ela saiba que o destino de ambos está traçado à muito. Aqui não há lugar a milagres nem happy-endings, apenas há cinema da mais alta qualidade!

Nota: "Morrer em Las Vegas" / "Leaving Las Vegas" possui em dvd um “director's cut”, que merece ser descoberto.

26.8.26

Dolly Parton - (1946 - 2026)


Dolly Parton - (1946 - 2026)

A notícia surgiu como um relâmpago: a fabulosa Dolly Parton tinha partido! Ela era um dos maiores nomes da "country music", embora também tenha visitado outros géneros, para além de ter participado como actriz em diversos filmes como "Das 9 às 5", "O Destravado do Táxi Amarelo", "A Melhor Casa de Prazer do Texas" e o fabuloso "Flores de Aço". Já na televisão participou em diversas séries, para além dos diversos "talk-show" em que participou irradiando um humor inesquecível. Mas será a sua voz inconfundível que nos fica para sempre na memória desta cantora que se iniciou em 1967 com o álbum "Hello I'm Dolly" e desde então foi sempre a subir na carreira musical, tendo gravado 80 álbuns de originais para além das diversas colectâneas que rondam as  duas centenas. Dolly Rebecca Parton, que nasceu no Tennessee a 19 de Janeiro de 1946, deixa-nos um legado musical fabuloso e esta rainha da "country music" permanece bem viva no universo musical com a sua voz inconfundível!

Yoko Tsuno - "Mensagem para a Eternidade" - Roger Leloup


Yoko Tsuno
"Mensagem para a Eternidade"
Arte: Roger Leloup
Argumento: Roger Leloup
Spirou - 2ª Série - nº.25 a .34
Ano: 1979

Roger Leloup ao criar a bela japonesa Yoko Tsuno invade a ficção-científica oferecendo-lhe um cariz policial. Recorde-se que Yoko Tsuno vive entre os planetas Terra e Vinea e junto dos leitores da revista Spirou conquistou uma legião de fans pelas suas aventuras na Galáxia. Se a revista Tintin tinha "Luc Orient", já a célebre "Pilote" viajava no cosmos através de "Valerian". Era assim a ficção científica no interior da banda desenhada franco-belga. Esta aventura de Yoko Tsuno surgiu publicada em Portugal na 2ª Série da revista Spirou que tinha como director Vasco Granja.