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28.5.26

Frank Capra - "Uma Noite Aconteceu" / "It Happened One Night"


Frank Capra
"Uma Noite Aconteceu" / "It Happened One Night"
(EUA – 1934) - (105 min. - P/B)
Clark Gable, Claudette Colbert, Walter Connoly, Ward Bond.

Frank Capra, melhor do que ninguém, olhou durante anos a sociedade americana, rompendo das mais variadas formas as regras do jogo, sempre com uma visão mordaz e crítica sobre o célebre “american way of life”, que ainda hoje cativa as mais diversas gerações. No entanto, quando deixou de filmar, tornou-se um homem reticente perante os novos caminhos que a América então trilhava, aliás bem patente nessa obra monumental que é a sua autobiografia intitulada “O Nome Acima do Título” / “The Name Above the Title”, publicada em 1971.


Quando em 1934 foi lançado “Uma Noite Aconteceu” / “It Happened One Night”, poucos acreditavam no sucesso da película, apesar dos protagonistas serem Clark Gable e Claudette Colbert. E ao vermos este filme percebemos bem que ele tinha acabado de inaugurar um género que ainda se faz hoje em dia no cinema, o célebre “on the road”, tantas vezes revisitado ao longo dos anos.

Ellie Andrews (Claudette Colbert) é uma jovem herdeira, que decide virar as costas à fortuna e partir para essa grande metrópole que é New York, à boleia. A forma como ela foge do iate é simples e indicadora dos seus desejos. E, como não podia deixar de ser, torna-se de imediato notícia na Imprensa do país.


Nessa sua viagem pela estrada fora, irá cruzar-se com um jornalista (Clark Gable), que irá estar sempre em conflito perfeito com ela. Estamos assim decididamente no interior dessa guerra de sexos, que fez da “screwball comedy” um género delicioso.

Numa das sequências que ficaram famosas no filme, Clark Gable tenta pedir boleia e os automobilistas não param, mas quando a bela Claudette Colbert o substitui nessa “árdua tarefa”, decidindo usar os seus atributos físicos, mostrando as famosas pernas e respectiva liga, de imediato consegue atingir os seus objectivos.


Durante a viagem as peripécias são inúmeras, tal como as discussões constantes entre ambos, mas o amor espreita e quando nessa noite em que ela coloca um cobertor a dividir o quarto, que ambos vão partilhar, para salvaguardar o seu corpo do desejo que mora ao lado, ou seja do galante homem que a acompanha, percebemos que aqueles dois seres de classes antagónicas estão destinados um ao outro.


“It Happened One Night” / “Uma Noite Aconteceu” é uma das comédias mais delirantes que a Sétima Arte nos ofereceu, graças à sabedoria desse Mestre do Cinema chamado Frank Capra.

17.3.26

Victor Fleming / David O'Selznick - "E Tudo o Vento Levou" / "Gone With the Wind"


Victor Fleming / David O'Selznick
"E Tudo o Vento Levou" / "Gone With the Wind"
(EUA - 1939) - (225 min. / Cor)
Clark Gable, Vivien Leigh, Leslie Howard, Olivia de Havilland.

Quando olhamos para este filme e procuramos o seu verdadeiro responsável, o nome que nos surge é o de David O’Selznick, esse produtor que tudo apostou na película, mas se pensarmos no realizador, embora seja o nome de Victor Fleming que encontramos mencionado, não nos poderemos esquecer que o primeiro cineasta a estar por detrás da câmara foi o grande George Cukor, que se deu muito mal com David O’Selznick, terminando por ser despedido. Sam Wood foi outro realizador bem conhecido que passou pela película, tal como o célebre William Cameron Menzies, que se encarregou dos soberbos cenários que vemos ao longo do filme.


Por aqui já se vê como foram atribuladas as filmagens de “E Tudo o Vento Levou” / “Gone With the Wind”, baseado no célebre romance de Margareth Mitchell, que fizera chorar a América e que fora comprado a peso de ouro por David O’Selznick. Um dado curioso é o de Francis Scott Fitzgerald ter sido um dos argumentistas a trabalhar na adaptação cinematográfica do célebre romance.


Durante as filmagens, todas as atenções em Hollywood se viraram para a feitura desta película, cujos gastos atingiram a soma de quatro milhões de dollars e que nos ofereceu uma das mais famosas heroínas da História do Cinema, a bela Scarlett O’Hara, interpretada por Vivien Leigh, mais conhecida na época por ser esposa de Laurence Olivier do que pelo seu enorme talento, que se irá revelar nesta película e no fabuloso filme de Elia Kazan, “Um Eléctrico Chamado Desejo” / “A Streetcar Named Desire”. Nunca é demais referir que Vivien Leigh durante os testes para encontrar a actriz perfeita para o papel, venceu Bette Davis e Katherine Hepburn, duas das mais temidas candidatas a interpretar a bela, caprichosa e destemida Scarlett O’Hara.


Estamos no Sul, esse território dominado pelos ricos fazendeiros, com as suas enormes plantações e onde a escravatura ainda era uma triste realidade. E em Tara, a famosa propriedade, iremos descobrir Scarlett O’Hara, que irá estar uma vida inteira perdidamente apaixonada pelo homem errado, ou melhor Ashley Wilkes (Leslie Howard), que nunca a tentará desenganar, apesar de ter casado com a sua prima Melanie (Olívia de Havilland). Furiosa com esta traição, Scarlett O’Hara decide também ela casar com o primeiro homem que encontra à mão, que irá rapidamente morrer na guerra civil que entretanto estala entre os Estados do Norte e os Estados do Sul dessa América de então na mais cruel Guerra Civil de que há memória no Novo Mundo, tornando-a numa bela viúva, que irá chamar a atenção do destemido Rhett Buttler (Clark Gable), ele que irá sempre olhar o conflito de forma bastante diferente das forças oponentes.


Tara, a famosa propriedade, será destruída pela guerra como veremos no filme, sendo uma das mais famosas sequências da película o incêndio da cidade de Atlanta e nesta memorável sequência os Estúdios aproveitaram para destruir e queimar os gigantescos cenários de “Intolerância” / “Intolerance” de David Wark Griffith, o filme que destrui a carreira do célebre criador da linguagem cinematográfica devido aos fracos resultados de bilheteira. Mas Scarlett O’ Hara irá com toda a sua força reconstruir a sua casa, descobrindo em Rhett Buttler (Clark Gable) o homem ideal para estar a seu lado, mas a sua cega paixão por Ashley Wilkes (Leslie Howard), após a morte da sua prima Melanie (Olivia de Havilland), será a gota de água que levará Rhett Buttler a partir finalmente de Tara, deixando para trás a mulher que se esqueceu de o amar, num dos momentos mais poderosos da película.


“Gone With the Wind” / “E Tudo o Vento Levou” foi premiado com uma chuva de Oscars e obteve na época resultados espantosos nas bilheteiras, transformando-se num dos filmes mais rentáveis de sempre da Sétima Arte. E quando revemos, mais uma vez, esta película percebemos que esta obra verdadeiramente monumental só foi possível graças à luta titânica desse produtor chamado David O’Selznick que, como todos sabemos, iria abrir as portas de Hollywood para a maravilhosa carreira americana de Alfred Hitchcock.