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12.9.26

Charlie Haden / Jan Garbarek / Egberto Gismonti - “Mágico”


Charlie Haden / Jan Garbarek / Egberto Gismonti
“Mágico”
ECM Records
1980

Charlie Haden – bass.
Jan Garbarek – saxophones.
Egberto Gismonti – guitars, piano.

1 – Bailarina (P. Reis / G. E. Carneiro) – 14:23
2 – Mágico (Egberto Gismonti) – 7:41
3 – Silence (Charlie Haden) – 10:11
4 – Spor (Jan Garbarek) – 6:05
5 – Palhaço (Egberto Gismonti) – 5:00


Um trio constituído por um norte-americano, um norueguês e um brasileiro só poderia originar algo de Mágico e será precisamente com este nome que irá ficar conhecido na gíria musical este trio de jazz, onde o violão, o piano, o contrabaixo e o saxofone fazem as honras da casa.

Na época em que foi editado este trabalho discográfico intitulado “Mágico”, Egberto Gismonti tinha gravado em terras brasileiras para a etiqueta Odeon, o álbum “Circense”, todo ele dedicado às gentes e ao universo do Circo, (que fez as minhas delicias de criança, no Coliseu dos Recreios e curiosamente será nesse mesmo local, que muitos anos depois irei assistir a um concerto deste trio), tendo recuperado três temas para incluir neste trabalho discográfico para a editora alemã ECM Records: “Bailarina”, “Mágico” e “Palhaço”.

Por outro lado Charlie Haden oferece-nos a mais bela versão de “Silence”, um tema incontornável do seu reportório, que foi gravado nos mais diversos formatos musicais ao longo das décadas. Já Jan Garbarek surge com um “Spor” repleto dessas tonalidades que caracterizaram a sua música, em que basta escutar alguns segundos e descobrimos de imediato o seu famoso timbre.

Recordo-me que quando assisti ao concerto destes três nomes incontornáveis do jazz, Jan Garbarek, já tinha dado por fim a sua colaboração com Keith Jarrett, no célebre quarteto europeu do pianista norte-americano, por divergências insanáveis, terminando por criar este trio de jazz incontornável, sendo sempre de referir que Gismonti e Garbarek já tinham tocado juntos no álbum “Sol do Meio-Dia” do brasileiro, tal como Nana Vasconcelos, que mais tarde irá fazer parte do famoso Jan Garbarek Group.

Aproveitamos para fazer uma sugestão comparativa de audições dos álbuns “Circense” e “Mágico”, nos três temas acima referidos, como um belo exercício sobre a liberdade que o jazz proporciona a quem o toca. Mas regresso a “Mágico” do trio Haden / Garbarek / Gismonti, para vos referir como é belo o diálogo estabelecido na segunda parte do tema “Bailarina” entre a guitarra de Gismonti e o contrabaixo de Haden, assim como no tema “Silence”, onde o piano de Gismonti e o contrabaixo de Haden, oferecem-nos momentos verdadeiramente contemplativos e maravilhosos do som do silêncio. Já o saxofone de Garbarek, sempre que surge, revela-se uma verdadeira força da natureza, pontuando a sua intervenção nos diversos temas deste fabuloso “Mágico”!

Gravado em Junho de 1979 no Talent Studio, Oslo, por Jan Erik Kongshaug. Fotografia da capa do álbum de Herbert Wenn. Fotografia de Dag Alveng. Design de Barbara Wojirsch. Produção de Manfred Eicher. Em Novembro de 1979 este trio irá voltar a reunir-se no mesmo Estúdio para gravar o álbum “Folk Songs”.

13.8.26

Jan Garbarek - "Rites"


Jan Garbarek
"Rites"
ECM Records
1998

Jan Garbarek - Saxophone Tenor, Saxophone Soprano, Synthesizer, Sampler, Percussion.
Eberhard Weber - Bass.
Rainer Brüninghaus - Keyboards, Piano.
Marilyn Manzur - Drums, Cymbal, Tom Tom.

Bugge Wesseltoft - Synthesizer, Electronics, Accordion.
Tbilisi Symphony Orchestra - Jansug Kahhidze (conductor, vocals)
Boys From The Choir Solvguttene - Torstein Grythe (conductor)

O mais perfeito trabalho discográfico de Jan Garbarek em quarteto!

11.8.26

Jan Garbarek / Bobo Stenson Quartet - “Dansere”


Jan Garbarek / Bobo Stenson Quartet
“Dansere”
ECM Records
1976

Jan Garbarek – Tenor Saxophone, Soprano Saxophone.
Bobo Stenson – Piano.
Palle Danielsson – Bass.
Jon Christensen – Drums.

1 – Dansere – 15:03
2 – Svevende – 4:59
3 – Bris – 6:11
4 – Skrik & Hyl – 1:30
5 – Lokk (Tema Tradicional) – 5:39
6 – Til Vennene – 4:47

O célebre som das composições do saxofonista norueguês Jan Garbarek nasceu precisamente neste quarteto, onde se destaca ele próprio e o pianista Bobo Stenson que, com Palle Danielsson e Jon Christensen, formavam o Bobo Stenson Trio. E se mais uma vez temos arranjos de Jan Garbarek para um tema tradicional do folclore nórdico, já as restantes composições, com especial destaque para a que oferece precisamente o título ao álbum “Dansere”, navegam nas águas que irão tornar famoso anos mais tarde o Jan Garbarek Group.

Gravado em Novembro de 1975 no Talent Studio, Oslo por Jan Erik Kongshaug. Capa de Frieder Grinder. Fotografias de Jochen Monch. Produção de Manfred Eicher. Todas as composições são da autoria de Jan Garbarek, sendo o tema 5 um arranjo de Jan Garbarek de um tema tradicional.

1.8.26

Jan Garbarek Quartet - "Afric Pepperbird"


Jan Garbarek Quartet
"Afric Pepperbird"
ECM Records
1970

Jan Garbarek - tenor and bass saxophones, clarinet, flutes, percussion.
Terje Rypdal - guitar, bugle.
Arild Andersen - bass, african thumb piano, xylophone.
Jon Christensen - percussion.

1 - Skarabée - 6:16
2 - Mah-Jong - 1:53
3 - Beast of Kommodo - 12:23
4 - Blow Away Zone - 8:38
5 - MYB - 1:51
6 - Concentus - 0:50
7 - Afric Pepperbird - 7:58
8 - Blupp - 1:08


Este álbum reúne três nomes fundamentais da criatividade da ECM Records - Edition of Contemporary Music: o produtor Manfred Eicher, que nos irá oferecer novos universos musicais sem fronteiras, o engenheiro de som Jam Erik Kongshang, que irá criar as inesquecíveis sonoridades desta editora e Barbara Wojirsch, responsável pelas belas e inesquecíveis capas das edições discográficas. Recordo-me de, um dia, a loja da Valentim de Carvalho, situada na Rua Nova de Almada, em Lisboa, ter feito a montra apenas com as capas da ECM Records e aquilo que descobríamos era uma bela exposição de Arte!

A edição deste álbum marca também o primeiro encontro da ECM Records e Manfred Eicher com quatro músicos que irão permanecer na editora de Munique para sempre: Jan Garbarek, Terje Rypdal, Arild Andersen e Jon Christensen. Os três primeiros irão ter os seus próprios grupos, enquanto o último, Jon Christensen, será um dos músicos mais solicitados, participando nos mais variados projectos musicais. Gravado em 22 e 23 de Setembro de 1970 no Bendiksen Studio, Oslo, Gravado por Jan Erik Kongshaug e Produzido por Manfred Eicher. Design de B. & B. Wojirsch e Fotografia de Terje Engh.

6.7.26

Jan Garbarek Group - “Photo With Blue Sky, White Cloud, Wires, Windows and a Red Roof”


Jan Garbarek Group
“Photo With Blue Sky, White Cloud, Wires, Windows and a Red Roof”
ECM Records
1979

Jan Garbarek – tenor saxophone, soprano saxophone.
Bill Connors – electric guitar, acoustc guitar.
John Taylor – piano.
Eberhard Weber – bass.
Jon Christensen – drums.

1 – Blue Sky – 6:41
2 – White Cloud – 9:03
3 – Windows – 6:42
4 – Red Roof – 7:45
5 – Wires – 5:18
6 – The Picture – 8:03

Nestes anos de jazz europeu de Jan Garbarek, a formação em quarteto era a geralmente eleita pelo saxofonista norueguês, embora ele se tenha iniciado com um quinteto, mas o quarteto tradicional era a norma; neste álbum tal não irá suceder, porque a ele se irá juntar o guitarrista norte-americano Bill Connors, oriundo da banda de jazz-rock “Return to Forever” liderada por Chick Corea, criando uma sonoridade bem diferente do habitual nos quartetos de Jan Garbarek, mas para a qual é fundamental o contributo do pianista britânico John Taylor, membro do célebre trio de jazz Azimuth.

Outra particularidade deste magnífico álbum prende-se com o facto de o título dos temas terem nascido a partir de uma fotografia tirada pelo contrabaixista alemão Eberhard Weber, que figura na capa deste belo trabalho discográfico, intitulado precisamente “Photo With Blue Sky, White Cloud, Windows and a Red Roff”.

Gravado em Dezembro de 1978 no Talent Studio, Oslo, por Jan Erik Kongshaug. Fotografia da capa do álbum de Eberhard Grames. Fotografia da contracapa do álbum de Michal Heeg. Design de Barbara Wojirsch. Produção de Manfred Eicher. Todos temas foram compostos por Jan Garbarek.

21.5.26

Keith Jarrett / Jan Garbarek - “Luminessence”


Keith Jarrett / Jan Garbarek
“Luminessence”
(Music for String Orchestra and Saxophone
Composed by Keith Jarrett
Saxophone Improvisations – Jan Garbarek)
ECM Records
1975

1 – Numinor – 13:49
2 – Windsong – 6:21
3 – Luminessence – 15:18


Desde sempre Keith Jarrett partilhou um certo gosto pela utilização dos instrumentos de cordas tradicionais em algumas das suas composições, algo que é bem visível nesse trabalho discográfico intitulado “Expectations” (*), gravado em 1972, na companhia do denominado quarteto americano, ao qual se juntaram o percussionista brasileiro Airto Moreira e o guitarrista Sam Brown, em alguns temas.


Já quando o duplo álbum “In The Light” viu a luz do dia na ECM Records de Manfred Eicher, muitos descobriram o Keith Jarrett compositor, com peças onde as secções de cordas tinham uma natural preponderância: “Metamorphosis”, tendo a flauta como instrumento solista; “In the Cave, In the Light”, para piano, percussão e cordas; “Short Piece for Guitar and Strings” (com Ralph Towner na guitarra). E será na última semana de Abril de 1974, após ter gravado nos dias 24 e 25, com o quarteto nórdico o álbum “Belonging”, que Keith Jarrett irá entrar no Studio Bauer, para com Jan Garbarek e a secção de cordas da Sudfunk Symphony Orchestra, de Stuttgart, dirigida por Mladen Gutesha, gravar o trabalho “Luminessence”. (2)



O álbum “Luminessence” é composto por três temas: “Numinor” e “Windsong”, no denominado lado A do vinil e depois no lado B o tema que oferece o título ao álbum e que na verdade é inesquecível, tal é a forma como as cores que nos são oferecidas por Jan Garbarek nos envolvem primeiro com uma alegria contagiante, para depois caírem numa certa melancolia e nos devolverem por fim, após uma certa contemplação do universo que nos rodeia, a essa mesma alegria de recomeçar de novo.

Ao escutar nos dias de hoje o tema “Luminessence”, a magia do saxofone de Jan Garbarek, acompanhado das sonoridades envolventes da orquestra de cordas, continua a fascinar-me, como se tratasse de uma primeira audição (estou a escutar o cd enquanto escrevo), Vale a pena (re)descobrir “Luminessence” da dupla Keith Jarrett / Jan Garbarek.


Gravado nos dias 29 e 30 de Abril de 1974 no Studio Bauer, Ludwigsburg, por Martin Wieland e Kurt Rapp. Produzido por Manfred Eicher. Design da capa da responsabilidade de B & B Wojirsch. Fotografias de Terje Mosnes e Kira Tolkmitt.

(1) – Devido ao insucesso comercial deste trabalho discográfico a editora cancelou o contrato que mantinha com o músico.

(2) – Este CD/Álbum foi editado pela ECM Records com duas capas bem distintas. Originalmente com uma capa branca com as letras em relevo e depois numa capa em tons de azul.

(3) - A editora ECM Records ao regressar à feitura de discos em vinil de 180 g., entre os quais se encontram inúmeras reedições, decidiu denominar esta nova série de "Luminessence".

9.5.26

Art Lande / Jan Garbarek - “Red Lanta”


Art Lande / Jan Garbarek
“Red Lanta”
ECM Records
1974

Art Lande – Piano.
Jan Garbarek – Flutes, Soprano Saxophone, Bass Saxophone.

1 – Quintennaissance – 5:35
2 – Velvet – 5:37
3 – Waltz For A – 3:43
4 – Awakening – Midweek – 11:00
5 – Verdulac – 7:07
6 – Miss Fortune – 5:06
7 – Medley: Open Return – Cancion Del Momento – 5:44
8 – Meanwhile – 4:19
9 – Cherifen Dream of Renate – 2:07


O pianista e compositor norte-americano Art Lande ficou conhecido como líder do grupo Rubisa Patrol, mas antes desta banda de jazz surgir a oferecer-nos uma música onde as raízes da música popular se encontravam bem inseridas, iria gravar o álbum “Red Lanta” com Jan Garbarek, nesse ano de 1973 em que ambos começavam a dar nas vistas no novo panorama do jazz europeu.


Art Lande neste trabalho discográfico surge a tocar no seu instrumento de eleição, o célebre piano, recorde-se que ele é multi-instrumentista, já o saxofonista Jan Garbarek, em mais de metade deste álbum, apenas toca flauta, criando nestes belos duetos um clima pastoral, que nos convida a percorrer a paisagem musical que nos é oferecida, de forma contemplativa, revelando-se este “Red Lanta” um trabalho discográfico que bem merece ser redescoberto, assinado pela dupla Art Lande e Jan Garbarek.

Gravado nos dias 19 e 20 de Novembro no Arne Bendiksen Studio, Oslo, por Jan Erik Kongshaug. Produzido por Manfred Eicher. Fotografia da capa do álbum e Design de Frieder Grindler. Todas as composições são da autoria de Art Lande.

20.3.26

Jan Garbarek - “Sart”


Jan Garbarek
“Sart”
ECM Records
1971


Jan Garbarek - Tenor e Bass Saxophones, Flute.
Bobo Stenson – Piano, Electric Piano.
Terje Rypdal – Guitar
Arild Andersen – Double-Bass.
Jon Christensen – Drums.

1 – Sart (Jan Garbarek) – 14:15
2 – Fountain of Tears (Jan Garbarek) – Part I and II – 6:03
3 – Song of Space (Jan Garbarek) – 9:39
4 – Close Enough for Jazz (Arild Andersen) – 1:59
5 – Iir (Jan Garbarek) – 7:15
6 – Lontano (Terje Rypdal) – 2:12


Quatro dos membros deste quinteto irão formar as suas próprias bandas de jazz, tornando-se nomes incontornáveis no interior do Jazz Europeu, fazendo nos dias de hoje já parte da sua História.

O Jan Garbarek Group, o Bobo Stenson Trio, Terje Rypdal & The Chaser, o Arild Andersen Quartet e o baterista Jon Christensen, que nos deixou recentemente viajou entre todos estes agrupamentos, que se revelaram verdadeiras instituições do jazz e o álbum “Sart” conta-nos a história de como tudo se iniciou. Um álbum que bem merece ser redescoberto!

Gravado a 14 e 15 de Abril de 1971 no Arne Bendiksen Studio, Oslo, por Jan Erik Kongshaug. Design de B & B Wojirsch e Fotografia de Bjorn A. Fossum. Produção de Manfred Eicher.