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10.7.26

Francis Ford Coppola - “Apocalipse Now” / “Apocalypse Now”


Francis Ford Coppola
“Apocalipse Now” / “Apocalypse Now”
(EUA – 1979) – (153 min. / Cor)
Marlon Brando, Martin Sheen, Robert Duvall, Frederic Forrest,
Sam Bottoms, Laurence Fishburne, Albert Hall, Dennis Hooper.

Francis Ford Coppola, após o enorme sucesso público e crítico de “O Padrinho” / “The Godfather”, alcançara decididamente o seu estatuto de génio e, como tal, fugiu aos parâmetros de Hollywood ao realizar “Apocalypse Now”, o maior filme de sempre acerca da guerra e das suas consequências, baseado no famoso romance de Joseph Conrad “No Coração das Trevas”.


“Apocalypse Now” rapidamente se transformou num dos maiores marcos da História do Cinema, sendo a sua inclusão na lista dos dez melhores filmes de sempre uma realidade a que ninguém pode fugir. O Génio tinha descido do céu e mergulhado no inferno, transportando para o presente as feridas da memória.


Mas a rodagem de “Apocalypse Now” foi um verdadeiro épico, quase uma tragédia: inicialmente o protagonista era Harvey Keitel, no entanto Coppola não se entendeu com o actor e este acabou por ser substituído por Martin Sheen o qual iria ter, perto do final da rodagem, um ataque cardíaco.


Por outro lado, a personagem do Coronel Kurtz criada por Marlon Brando, foi uma espécie de defesa do actor, porque foi com enorme espanto e irritação que Coppola recebeu um Brando calvo e com demasiados quilos para o papel, mas a escola do “método”, mais uma vez, demonstrou que essa Arte de dar corpo às personagens só pertence aos grandes actores.


Já as condições climatéricas nunca foram as melhores, tendo a rodagem do filme sido interrompida por um tufão que destruiu os cenários construídos, ao mesmo tempo que os célebres helicópteros, que usavam a música de Wagner nos ataques efectuados às linhas Vietnamitas, postos à disposição pelas autoridades Filipinas, eram muitas vezes requisitados por essas mesmas autoridades para irem combater a guerrilha.


Perante um cenário destes, a esposa de Francis Ford Coppola, Eleanor Coppola, escreveu um livro/diário intitulado “Notes on the Making of Apocalypse Now”, tendo a famosa critica norte-americana Pauline Kael falado dele como o mais lúcido relato da aventura épica de um cineasta. E, como não podia deixar de ser, esta obra-prima deu origem a um “Making of” que fez história e seria exibido nas salas de cinema, “Hearts of Darkness: A Filmmaker’s Apocalypse”, realizado por Fax Bahr e George Hickenlooper.


Francis Coppola acabaria por ganhar a Palma de Ouro em Cannes, mas falharia os Oscars. Na primeira versão distribuída comercialmente, a película terminava com a destruição/bombardeamento do Templo onde se refugiara/vivia o coronel Kurtz e os seus seguidores, ao mesmo tempo que os Doors cantavam “The End”. Esta sequência iria gerar polémica nos Estados Unidos, já que muitos viram nela uma apologia da Guerra. E esta leitura errada teve tantos adeptos que obrigou o cineasta, ao fim de duas semanas de exibição do filme, a mandar retirar as cópias de circulação e substituir por outras onde essa sequência era simplesmente eliminada.


Mas o que poucas pessoas sabem é que quando “Apocalypse Now” surgiu no Festival de Cannes, quase em “montagem” permanente, possuía duas versões para o final, tendo ambas sido exibidas no Festival de Cannes. Na primeira, Willard (Martin Sheen) liquida o “rebelde” Coronel Kurtz (Marlon Brando), mas permanece no “santuário” deste, ocupando o seu lugar, sendo este o final apresentado na sessão a concurso e o favorito de Francis Ford Coppola, que como sabemos ganharia a Palma de Ouro. Aliás na conferência de imprensa no Festival de Cannes o cineasta diria que “gosto deste fim. Há pessoas que querem que se dê ao público uma conclusão agradável, antes de o mandar para casa. Mas, honestamente, o meu fim é este.”. No entanto no dia seguinte, no Olympia, passou a versão que ficou conhecida de todos, em que Willard (Martin Sheen) mata o Coronel Kurtz e regressa a Saigão. Curiosamente Francis Ford Coppola não esteve presente na segunda exibição, declarando que não iria estar presente porque não apreciava aquela versão.


“Apocalypse Now” é um filme acerca da Loucura da Guerra, que possui como referência o conflito Vietnamita, ultrapassando essa vertente particular para desaguar no célebre Horror da Guerra. Ao revermos hoje em dia “Apocalypse Now” de Francis Ford Coppola, só poderemos dizer que estamos perante uma das obras mais geniais da História do Cinema: uma Obra-Prima Imortal!

20.5.26

Francis Ford Coppola - “O Padrinho III” / “The Godfather III”


Francis Ford Coppola
“O Padrinho III” / “The Godfather III”
(EUA – 1990) – (162 min. / Cor)
Al Pacino, Diane Keaton, Talia Shire, Andy Garcia,
Eli Wallach, Joe Mantegna, Sofia Coppola, Bridget Fonda.

A Paramount Pictures nunca se esqueceu do êxito que foi “O Padrinho” / “The Godfather” e a sua sequela “O Padrinho: Parte II” / “The Godfather: Part II”, que lhe encheu os cofres e se revelou um dos maiores sucessos de sempre destes famosos Estúdios Americanos.


E quando foi anunciado a feitura de mais um filme da Saga da família Corleone, as expectativas foram bastante elevadas, conseguindo Francis Ford Coppola cumprir em todas as vertentes cinematográficas, ao mesmo tempo que nos oferecia, uma montagem final genial onde iremos assistir ao derradeiro ajuste de contas e a respectiva passagem de testemunho entre Don Michael Corleone (Al Pacino) e o seu eleito Vincent Mancini (Andy Garcia).

Mais uma vez Al Pacino demonstrou ser o maior actor norte-americano vivo. Basta recordarmos a sua morte no final, possivelmente um dos mais belos momentos do cinema de Francis Ford Coppola, possuidor dessa solidão que o poder transporta sempre consigo.


O ambiente em Roma, onde se desenrolou a rodagem de “O Padrinho: Parte III” / “The Godfather: Part III” era no início um verdadeiro caos. A Máfia “controlava” ao longe as filmagens da película, chegando-se até a falar-se que alguns elementos da organização participaram como extras, para controlarem o que se passava no interior da produção.

Foi este o clima encontrado por Winona Ryder ao chegar a Roma para interpretar a figura de Mary Corleone, a filha do poderoso Padrinho, Don Michael Corleone, e poucos dias depois, a actriz viu-se a braços com o inevitável esgotamento nervoso. Johnny Depp, então seu “namorado”, ainda voou para Itália, mas de nada serviu a sua presença. E foi assim que Francis Ford Coppola, desesperado, se virou para a sua filha Sofia Coppola e lhe disse que ela seria a nova Mary Corleone.


O que se passou a seguir é de todos conhecido: a crítica da especialidade saudou a película efusivamente, excepto a interpretação de Sofia Coppola. Basta consultar-se a imprensa da época, nacional ou estrangeira e o resumo é sempre o mesmo: “ a sua interpretação é um verdadeiro desastre”, depois os anos passaram e Sofia Coppola não voltou a estar à frente de uma câmara, preferindo ficar na retaguarda e seguir o caminho traçado pelo pai, abraçando a realização cinematográfica.

A sua película de estreia como cineasta, “As Virgens Suicidas” / “The Virgin Suicides”, recolheu o aplauso unânime da crítica especializada e do público e rapidamente todos nos esquecemos da sua passagem pelo terceiro capítulo da Saga “O Padrinho” / “The Godfather”, uma das mais fabulosas obras da História do Cinema.


Convém sempre recordar que com o seu filme seguinte “O Amor é um Lugar Estranho” / “Lost in Translation”, Sofia Coppola cimentou decididamente a sua carreira como cineasta.

Em “O Padrinho: Parte III” / “The Godfather: Part III” iremos assistir à tentativa de Don Michael Corleone (Al Pacino) legitimar/branquear os seus negócios, usando diversas entidades ligadas ao Vaticano para atingir esse fim, mas os inimigos espreitam por todos os lados, para se apoderarem dos negócios, como iremos ver logo no início com a tentativa de assassinato de Michael Corleone (Al Pacino) levada acabo por Joey Zasa (Joe Mantegna), que possui ligações subterrâneas com entidades ditas legais, mas com actividades muito pouco transparentes.


Por outro lado Mary Corleone (Sofia Coppola) e Vincent Mancini (Andy Garcia) terão que esquecer e abdicar do seu romance, para bem dos interesses da família, tornando-se ele no escolhido por Don Michael Corleone, para o suceder, jurando-lhe fidelidade, numa sequência que marca a ruptura definitiva entre os dois jovens apaixonados.

No final, após a vitória no confronto derradeiro com os seus inimigos, Michael Corleone, irá gozar a sua velhice solitária, até a morte o ir buscar, num dos momentos mais sublimes do filme.


Francis Ford Coppola conseguiu com esta terceira película fechar com chave de ouro a inesquecível Saga da família Corleone.

10.1.26

Francis Ford Coppola - “Do Fundo do Coração” / “One From The Heart”


Francis Ford Coppola
“Do Fundo do Coração” / “One From The Heart”
(EUA – 1981) – (107 min./Cor)
Frederic Forrest, Teri Garr, Raul Julia, Nastassja Kinski.

No início da década de 80, século XX, Francis Ford Coppola já atravessava uma determinada crise económica, mas o seu sonho, tal como o de “Tucker”, iria levá-lo à ruína. Ao ser feito no maior segredo, “One From The Heart” / “Do Fundo do Coração”, começou a levantar fortes suspeitas no interior da indústria cinematográfica e, ao ser exibida para a crítica cinematográfica, foi pura e simplesmente trucidada.


A campanha negativa foi de tal ordem, que ao fim de uma semana em exibição, com as salas praticamente desertas de público, o cineasta mandou retirar o filme do circuito de exibição e o sonho “Zoetrope” viu os seus dias contados. Os credores, que já rondavam as portas do Estúdio, não tiveram contemplações com o sonho megalómano do cineasta, embora os apaixonados da Sétima Arte recebessem o mais deslumbrante musical de sempre, de braços abertos. Conjugando o artifício e o espectáculo com a música de Tom Waits, nascia uma das mais belas bandas sonoras de sempre.


Mas Coppola, ao contrário de David Wark Griffith, que acabou os seus dias a “palmilhar” as ruas de Hollywood, esquecido de todos, devido ao insucesso da sua “Babilónia” (nem dinheiro havia para destruir os gigantescos cenários construídos), decidiu partir pela estrada fora e recomeçar tudo de novo!