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17.7.26

Matthew Vaughn - “X-Men: O Início” / “X-Men: First Class”


Matthew Vaughn
“X-Men: O Início” / “X-Men: First Class”
(EUA – 2011) – (132 min. / Cor)
James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon,
Rose Byrne, Jennifer Lawrence, Oliver Platt.

Nas duas últimas décadas, o cinema norte-americano descobriu nos “comic-books” e nos seus heróis um verdadeiro filão, que não pára de encher as salas de cinema e tem oferecido aos Estúdios das Majors uma enorme fonte de rendimento, revelando-se uma verdadeira mina, explorada até ao infinito pelos executivos dos Estúdios.


As aventuras de X-Men, uma célebre banda desenhada da Marvel, originaram diversos filmes: “X-Men 1.5”, “X-Men 2” e “X-Men o Confronto Final”, até que chegamos a “X-Men: O Início” / “X-Men: First Class”, realizado por Matthew Vaughn, revelando-se este como o seu quarto trabalho, depois de se ter estreado em 2004 com “Layer Cake” / “Crime Organizado”, seguindo-se em 2007 “Stardust” / “O Mistério da Estrela Cadente” e 2010 “Kick Ass” / “O Novo Super Herói”. No entanto, nunca será demais realçar que, por detrás de tudo, se mantém o conhecido Brian Singer, verdadeiro pai da série, se assim lhe poderemos chamar, e na verdade todo o seu saber faz-se sentir nesta película da saga “X-Men”.


Em “X-Men: First Class” iremos saber como tudo começou e pela primeira vez percebe-se o verdadeiro significado dos números inscritos no braço de Magneto, fruto da sua permanência num campo de concentração nazi, durante a Segunda Guerra Mundial; por outro lado o filme oferece-nos a história e o aparecimento dos mutantes no interior da humanidade e a forma como se deu a composição dos dois campos que irão entrar em confronto, chefiados respectivamente por Charles Xavier/Professor X (James McAvoy) e Erik Lenhnsherr/Magneto (Michael Fassbender). Convém desde já referir que ambos os actores cumprem com o que se esperava deles, mas a verdadeira estrela deste filme, para além do argumento bem carpinteirado e dos efeitos especiais bem explorados, reside na personagem do vilão, aqui interpretada pelo actor Kevin Bacon que, como todos sabemos, adora este género de personagens.


O argumento da película, para além de nos oferecer as origens destes mutantes, consegue introduzir um dado bem concreto da história contemporânea no interior da acção, com a inclusão da célebre crise dos mísseis em Cuba ocorrida em inícios dos anos sessenta do século XX, quando o mundo esteve à beira de um conflito nuclear entre as duas superpotências de então: os Estados Unidos da América e a União Soviética. Na verdade este “X-Men” trabalha este tema de forma perfeita em conjugação com o combate entre os mutantes chefiados pelo médico nazi Sebastian Shaw (Kevin Bacon), que só deseja dominar o mundo, sendo ele o criador do célebre capacete de Magneto, um acessório bem conhecido dos fans da série.


O inglês Matthew Vaughn cumpre na realização de “X-Men: O Início” / “X-Men: First Class”, construindo uma película de acção que se vê com agrado e que se situa uns furos bem acima do que é habitual no género. Já no respeitante às interpretações será sempre de destacar o excelente trio de actores constituído por Kevin Bacon, James McAvoy e Michael Fassbender, onde o primeiro não deixa os seus créditos por mãos alheias e os restantes confirmam possuir os dotes necessários para subirem a espinhosa escada da fama. “X-Men: O Início” termina por se revelar um bom filme, que se revê com enorme agrado, ao fazermos um ciclo com os restantes filmes da série.

22.5.26

Oliver Stone - “JFK”


Oliver Stone
“JFK”
(EUA – 1991) – (189 min. – Cor - P/B)
Kevin Costner, Kevin Bacon, Tommy Lee Jones,Gary Oldman,
Jack Lemmon, Sissy Spacek, Walter Matthau, Donald Sutherland.

Oliver Stone sempre gostou da habitual controvérsia que rodeia quase sempre os seus filmes e mais uma vez em “JFK” conseguiu colocar uma nação a meditar no assassinato do mais célebre Presidente Norte-Americano do século XX, John F. Kennedy, que como muitos se recordam foi baleado em Dallas no dia 22 de Novembro de 1963, durante um desfile automóvel pelas ruas da cidade, sendo a sua viatura descapotável. Este trágico momento foi captado por acaso por um amador de cinema, Abraham Zapruder, com a sua câmara de 8mm, tendo essas mesmas imagens percorrido o mundo.


A história decidiu atribuir a autoria do atentado a um atirador solitário chamado Lee Harvey Oswald, interpretado de forma magnífica no filme de Oliver Stone, por Gary Oldman. Mas esse mesmo homem seria morto à queima-roupa por Jack Ruby, perante o espanto do mundo, sendo o momento registado pelas televisões norte-americanas, tendo deixado a investigação sem pernas para andar. No entanto, três anos depois, o Procurador de New Orleans Jim Garrisson, aqui interpretado por Kevin Costner, numa das melhores interpretações da sua carreira, irá tentar desvendar quem estava por detrás do atentado e aqui Oliver Stone oferece-nos todos os dados disponíveis, viajando no tempo, através de poderosos “flashbacks” e sempre com a habitual montagem em fragmentos rápidos, para prender a atenção do espectador, ao mesmo tempo que nos apresenta o seu olhar sobre a conspiração.


A forma como nos é narrado o filme e a maneira como acompanhamos as investigações de Jim Garrisson, ao longo de três anos (1966-69), oferece-nos a teoria de que existia mais do que um atirador, sendo por outro lado bem plausível o envolvimento de terceiros.


“JFK”, como não podia deixar de ser, levantou imensa polémica na América, mas a forma como Oliver Stone manipula os dados ao seu dispor, cinematograficamente falando, transformaram esta película numa das melhores de toda a sua cinematografia, ao mesmo tempo que lançou imensas interrogações, cujas respostas permanecem desconhecidas ainda hoje em dia.


Oliver Stone conseguiu com “JFK” não só interrogar as Instituições, como também oferecer ao cinema a oportunidade de estudar um pouco a história recente norte-americana, oferecendo-nos um filme repleto de excelentes actores, que nos oferecem o seu melhor. Ao revermos muitos anos depois “JFK”, entendemos decididamente os caminhos trilhados por este cineasta, no interior da produção norte-americana.