Mostrar mensagens com a etiqueta Dennis Quaid. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dennis Quaid. Mostrar todas as mensagens

27.6.26

John Lee Hancock - “Álamo” / “The Alamo”


John Lee Hancock
“Álamo” / “The Alamo”
(EUA – 2004) – (137 min. / Cor)
Dennis Quaid, Billy Bob Thorton,
Jason Patric, Patrick Wilson, Emilio Echevarria.

Em 1960 o actor John Wayne decidiu tomar em suas próprias mãos a realização de “Álamo”, sendo ao mesmo tempo o protagonista, vestindo a pele do célebre David Crockett.


Embora as dificuldades tenham sido enormes e até o amigo John Ford lhe tenha dado uma ajuda na feitura da película, o actor/realizador levou a bom porto a película, que sempre gostamos de rever. E ao longo dos anos foram inúmeros os filmes que abordaram a luta gloriosa dos Texanos para a fundação do seu Estado, perante as forças do temível General Santa Anna.

Como não podia deixar de ser este é um tema muito querido aos texanos e John Lee Hancock na companhia Ron Howard, vestindo este último a pele de produtor, decidiram levar acabo mais uma versão da luta que se desenrolou na antiga missão de Álamo.


O realizador que se estreou com “Hard Times Romance” em 1991 e depois deu nas vistas com as séries de televisão L. A. Doctors (2000) e “Falcone” (1998), decidiu ir mais longe e narrar-nos não só a luta dos defensores de “Álamo”, mas também contar-nos a derradeira batalha que opôs as tropas mexicanas de Santa Anna e os Texanos chefiados pelo General Sam Huston, cujo nome irá figurar para sempre na famosa capital do Texas: Huston.

Iremos assim conhecer num baile o General Sam Buttons (Dennis Quaid), o célebre David Crockett (Billy Bob Thorton) e o Coronel James Bowie (Jason Patric) a congeminarem a melhor forma de, com os seus milicianos, declararem a Independência do Texas, do México, assistindo-se depois há sua partida para esse posto avançado, chamado Álamo, ao mesmo tempo que conhecemos as inevitáveis intrigas entre os políticos dessa jovem América.


Ao contrário da película de John Wayne, o filme de John Lee Hancock opta por nos oferecer os conflitos e as diferenças de opinião entre os defensores de Álamo, perante a chegada das tropas mexicanas, em número infinitamente maior, comandadas pelo sanguinário General Santa Anna, que se julga um novo Napoleão.

Embora a forma como nos é dado os combates se encontra perfeita, já a lentidão que os antecede, demonstra uma certa falta de mão na planificação da película, revelando um grave problema de ritmo. Por outro lado em termos de estrutura de argumento, percebemos o desejo do realizador em ir mais longe que John Wayne, ao oferecer-nos o derradeiro embate, entre Americanos e Mexicanos, com a vitória do General Sam Huston, que seguindo o ensinamento de Wellington, na sua vitória sobre Napoleão, escondeu as suas tropas da visão das forças Mexicanas, que entretanto se tinham dividido em três grupos, perdendo o respectivo contacto.


Derrotado e preso o General Santa Anna (Emilio Echevarria), aceitará abdicar do Texas em troca da liberdade, conseguindo os Texanos obter a sua independência e assim formar mais um Estado da futura União.

John Lee Hancock oferece-nos em “Álamo” um filme honesto, mas que infelizmente não cativa o espectador, devido a um argumento que se estende em demasiadas frentes, perdendo-se em estudos psicológicos das diversas personagens, o que não irá contribuir em nada, para o retrato histórico que nos pretende oferecer.

22.3.26

Steven Soderbergh - “Traffic – Ninguém Sai Ileso” / “Traffic”


Steven Soderbergh
“Traffic – Ninguém Sai Ileso” / “Traffic”
(EUA/Alemanha – 2000) – (147 min. / Cor)
Michael Douglas, Catherine Zeta-Jones, Benicio delTtoro, Tomas Milian,
Luis Guzman, Don Cheadle, Miguel Ferrer, Steven Bauer, Dennis Quaid, Jacob Vargas.

Quando William Friedkin realizou “French Connection” / “Os Incorruptíveis Contra a Droga”, ofereceu-nos um olhar perfeito sobre o tráfego de droga e os seus tentáculos. Com o passar dos anos o comércio e a difusão/variedade de estupefacientes existentes no mercado, atingiram níveis perfeitamente alarmantes e no virar de página de mais um século, o cineasta Steven Soderbergh decidiu oferecer-nos o seu olhar, sobre o circuito por onde navega o produto que vai enriquecendo a vida de alguns, à custa da destruição da vida de muitos.


“Traffic – Ninguém Sai Ileso” nasceu a partir da série televisiva “Traffik”, situando-se a acção do filme no continente americano, utilizando meios de produção enormes, só possíveis graças ao empenhamento do Estúdio, que viria coroado de sucesso o seu trabalho, após o êxito obtido junto do grande público, ao mesmo tempo que cativava a crítica cinematográfica, tendo ainda sido galardoado de forma eficaz numa memorável noite dos Oscars: Melhor Realização, Melhor Montagem, Melhor Argumento e Melhor Actor Secundário – Benicio Del Toro.

Javier Rodriguez (Benicio Del Toro) e Manolo Sanchez (Jacob Vargas) são dois polícias mexicanos que dedicam a sua vida a combater o tráfego de droga e logo no início da película iremos assistir ao sucesso de mais uma operação levada acabo por ambos, mas rapidamente iremos perceber, como são longos e misteriosos os tentáculos do polvo, ao conhecermos o general Arturo Salazar (Tomas Milian), responsável máximo pela luta anti-droga no México.


Do outro lado da fronteira, nos Estados Unidos da América, um juiz do Ohio é nomeado pela Casa Branca, como o novo responsável da luta contra o crime organizado, que obtém o seu financiamento no comércio de estupefacientes. O juiz Robert Wakefield (Michael Douglas), enquanto inicia o seu combate em território americano de forma feroz, utilizando todos os recursos da DEA ao seu dispor, irá descobrir com o passar do tempo, que a sua luta se irá tornar mais que pessoal, ao descobrir que a célebre cocaína e o famoso crack tomaram conta da vida da sua filha Caroline (Erika Christensen), sendo o “dealer” um colega de escola, visita habitual de sua casa.

Steven Soderbergh ao construir uma película em forma de mosaico, em que todas as peças se encaixam de forma perfeita, irá conduzir-nos até um respeitável e influente homem de negócios chamado Carlos Ayala (Steven Bauer), que controla o negócio em território americano, com mão de ferro e que acabará por ser preso, iniciando a sua mulher, Helena Ayala (Catherine Zeta-Jones), que até então desconhecia a actividade do marido, uma luta feroz e mortífera, para obter a sua libertação, não olhando a meios para atingir os fins pretendidos.


Por outro lado iremos acompanhar a luta dos homens da DEA com os traficantes, onde a denúncia é sempre paga com a morte, por mais bem guardados que estejam aqueles que decidem colaborar com as forças policiais, ao denunciarem os seus mentores.

Se Javier Rodriguez (Benicio Del Toro) consegue obter esse campo de futebol, para as crianças jogarem à bola, mantendo-as assim afastadas deste flagelo, já o juiz Robert Wakefield (Michael Douglas) irá perceber como a sua luta é demasiado dramática e pessoal, para continuar a desempenhar as funções para que fora indigitado.


“Traffic” de Steven Soderbergh possui ainda a curiosidade de ser o primeiro filme em que o casal Michael Douglas e Catherine Zeta-Jones participam no mesmo filme, embora nunca haja nenhuma sequência em que os dois estejam presentes em simultâneo, nunca se tendo cruzado nos bastidores, como foi confessado pelo actor numa entrevista.

Contando com um lote enorme de actores e utilizando meios até então nunca vistos num filme do género, o cineasta Steven Soderbergh, consegue oferecer-nos uma imagem contundente deste drama, de forma acutilante e não moralista, sendo ele próprio o responsável pela fotografia, utilizando o pseudónimo de Peter Andrews.


A fragmentação da montagem do filme e a utilização da luz e da cor de forma realista, transformam muitas vezes esta obra de ficção, quase num documentário, filmado à flor da pele, oferecendo ao espectador uma narrativa onde são expostos os tentáculos do polvo que controla o comércio dos estupefacientes, expansão essa que atinge todos os lugares da sociedade, desde o mais baixo, até chegar ao topo da pirâmide, ao mesmo tempo que se infiltra e alicia aqueles que se encontram destinados a combatê-lo.

“Traffic” surge assim, não como uma denúncia, mas sim como um observador atento, que coloca questões pertinentes, aos responsáveis pela luta contra o tráfego de droga, ao mesmo tempo que nos oferece uma magistral lição de cinema, sendo impossível ficarmos indiferentes perante a acutilância deste magnifica película e a genialidade do seu autor: o cineasta Steven Soderbergh.