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14.5.26

Mike Newell - “A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata” / “The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society”


Mike Newell
“A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata” /
“The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society”
(Grã-Bretanha/França/EUA – 2018) – (124 min./Cor)
Lily James, Michiel Hulsman, Matthew Goode,
Jessica Brown Findlay, Tom Courtenay, Penelope Wilton.

Estamos perante um belo filme assinado pelo experiente Mike Newell que, ao longo de décadas na realização, tem mantido uma consistência nas obras por si assinadas, sejam pequena ou grandes produções, fazendo que mereça que se fale dele como o cineasta Mike Newell!


“A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata” oferece-nos um elenco composto por diversas caras bem conhecidas da famosa série “Downton Abbey”, como Lily James, Jessica Brown Findlay, que aqui provam o seu talento, enquanto Matthew Goode e Penelope Wilton, actores de gerações bem diferente, mas cujo talento é enorme, são iguais a si próprios ou seja excelentes!


Chegamos assim à história deste filme fabuloso, tenho de confessar que adorei este filme de Mike Newell e vou procurar comprar o dvd, porque ele é a prenda perfeita para se dar a quem goste de livros e de cinema. Mas dizia eu que esta Sociedade Literária, nasce de forma espontânea durante a ocupação alemã da ilha de Guernsey durante a Segunda Grande Guerra (convém recordar que os alemães, depois da rendição da França, acharam que a Inglaterra de Churchil seria uma pêra doce e uma das suas acções foi precisamente ocuparem militarmente as ilhas que se encontram no Canal da Mancha). Nas vésperas dessa ocupação militar, os ingleses ainda conseguiram evacuar todas as crianças, ficando os adultos e dias depois entravam triunfantes as forças germânicas.


O que se passou então conduz-nos a um olhar sobre diversas histórias que se entrecruzam, entre os famosos membros da “Sociedade Literária da Tarte da Casca da Batata”, mas essas mesmas histórias, de que ninguém pretende falar após o final da guerra, irão despertar o interesse de uma jovem escritora e do seu editor, quando ela troca correspondência com um criador de porcos, membro da Sociedade Literária.


A forma como Mike Newell nos oferece os diversos “flashback”, que vão levantando o véu dos acontecimentos recentes, recordo que estamos em 1946, assim como a perfeita reconstituição de época, em que o cinema britânico é pródigo, oferece-nos um desses filmes que desejamos guardar para sempre na nossa memória e depois temos os livros, ah os livros! Esses companheiros que nunca irão trair o leitor desde que sejam bem escolhidos.

2.3.26

Mike Newell - “Quatro Casamentos e Um Funeral” / “Four Weddings and a Funeral”


Mike Newell
“Quatro Casamentos e Um Funeral” / “Four Weddings and a Funeral”
(Grã-Bretanha – 1994) – (117 min. / Cor)
Hugh Grant, James Fleet, Simon Callow,
Kristin Scott Thomas, John Hannah, Andie McDowell.

“Quatro Casamentos e Um Funeral” de Mike Newell possui um excelente argumento de Richard Curtis e transformou decididamente a Indústria Cinematográfica Britânica, ao instituir a comédia romântica como veículo para o sucesso cinematográfico, já que após o êxito desta película foram inúmeros os filmes saídos das ilhas britânicas seguindo o caminho aberto por este filme. Por outro lado Hugh Grant irá desde então enveredar por uma carreira baseada um pouco na personagem nascida em “Four Weddings and a Funeral”, desistindo das composições dramáticas, como sucedia em “Maurice” de James Ivory.


A deliciosa película de Mike Newell conta-nos a história de um grupo de amigos, que se vai encontrando em diversos casamentos, sendo Charles (Hugh Grant) o padrinho do primeiro casamento, conhecido como eterno atrasado, onde irá encontrar o amor da sua vida, uma americana chamada Carrie (Andie MacDowell), por quem se apaixona.


Iremos assim assistir a diversos acontecimentos ou casamentos, se preferirem, que nos fazem o retrato de uma geração nascida e criada na “high-society”, e onde também não falta o dramatismo, quando assistimos à morte do folião Garet (Simon Callow numa extraordinária interpretação) e descobrimos que ele e Matthew (John Hannah) formavam um casal, algo desconhecido dos restantes amigos, sendo comovente o elogio fúnebre que é feito pelo seu companheiro, num dos mais belos momentos da película. Por outro lado se Charles (Hugh Grant) vê o seu amor casar-se com um rico escocês, também irá demorar a perceber que a sua eterna amiga Fiona (Kristin Scott Thomas) lhe dedica um amor secreto, que será revelado tarde demais.


Mike Newell em “Quatro Casamentos e Um Funeral” oferece-nos de forma perfeita o ambiente vivido nos casamentos, com os seus encontros e desencontros, veja-se a situação de Charles quando se cruza com as suas ex-namoradas ou esse momento em que decide casar com a Miss Bico de Pato, como é conhecida e no momento solene da cerimónia decide dizer Não!, para grande escândalo dos presentes e da própria noiva que reagiu de imediato, para mal do nariz de Charles.


Como não podia deixar de ser ao revermos esta película de Mike Newell, somos obrigados a recordar o famoso filme de Robert Altman “Um Casamento”, em que o cineasta americano nos oferecia uma crítica mordaz da sociedade norte-americana.


O delicioso “Quatro Casamentos e Um Funeral” de Mike Newell, abriu decididamente a estrada, para a comédia romântica se expandir no interior do cinema contemporâneo.