5.9.26

Neil Jordan - “O Fim da Aventura” / “The End of The Affair”


Neil Jordan
“O Fim da Aventura” / “The End of The Affair”
(Grã-Bretanha/EUA – 1999) – (102 min/Cor)
Ralph Fiennes, Julianne Moore, Stephen Rea.

O cineasta irlandês Neil Jordan, que ficara célebre através da película “Jogo de Lágrimas” / “The Crying Game”, ao aproximar-se o milénio, ofereceu-nos um dos mais intrigantes e apaixonantes melodramas da Sétima Arte, tendo por base o fabuloso romance de Graham Greene “The End of The Affair”, sobre o qual William Faulkner se referiu nestes termos após o ter lido: “Para mim é um dos mais verdadeiros e comovedores romances do meu tempo em qualquer língua”.


Mais uma vez Neil Jordan se vai encarregar do argumento de “O Fim da Aventura” / “The End of The Affair”, algo que é habitual na sua forma de trabalhar, ao mesmo tempo que convidava esse actor chamado Stephen Rea, uma espécie de alter-ego do cineasta, para uma das personagens e transforma Ralph Fiennes e Julianne Moore nos protagonistas deste enredo apaixonante, que também possui muito de religioso, já que estamos perante uma promessa que, ao ser esquecida, será confrontada com uma dura pena.


O escritor Maurice Bendix (Ralph Fiennes) mantém uma relação amorosa com Sarah Miles (Julianne Moore), casada com Henry Miles (Stephen Rea), durante a guerra, com Londres a ser duramente atingida pelo Blitz da aviação alemã e nesse dia trágico a casa onde se encontram é bombardeada e embora ambos consigam sobreviver, “quase” por milagre, Sarah (Julianne Moore) decide abandonar o amante para sempre, sem lhe dar qualquer explicação. Dois anos depois, com a guerra terminada Maurice Bendiz (Ralph Fiennes), que nunca esqueceu a mulher que amou e continua a não perceber as razões que a levaram a abandoná-lo, percebe que nunca poderá viver com a dúvida na sua alma e após ter-se cruzado com o enigmático Henry Miles (Stephen Rea), decide descobrir o verdadeiro mistério que rodeia o seu abandono pela mulher que o amava perdidamente.


“O Fim da Aventura” / “The End of The Affair” possui todos os ingredientes que conduzem um filme a esse estatuto de obra-prima, porque estamos perante um argumento fabuloso, com uma realização sem mácula de Neil Jordan, com interpretações inesquecíveis e uma das mais belas bandas sonoras de Michael Nyman, a pontuar de forma perfeita esse belo e movediço território da paixão, que aqui assume um contexto religioso.


Não perca este filme e leia também o livro, porque vale mesmo a pena, sendo a tradução de Jorge de Sena. Aproveito para relembrar que a primeira adaptação cinematográfica do livro de Graham Greene foi feita pelo cineasta norte-americano Edward Dmytryk em 1955 sendo os protagonistas da película, Deborah Kerr, Van Johnson e Peter Cushing.

4.9.26

Keith Jarrett - “Staircase”


Keith Jarrett
“Staircase”
ECM Records
1977

Keith Jarrett – Piano

1 – Staircase – Part 1 – 6:52
2 – Staircase – Part 2 – 7:53
3 – Staircase – Part 3 – 1:18
4 – Hourglass – Part 1 – 4:39
5 – Hourglass – Part 2 – 13:51
6 – Sundial – Part 1 – 8:55
7 – Sundial – Part 2 – 4:52
8 – Sundial – Part 3 – 6:20
9 – Sand – Part 1 – 6:50
10 – Sand – Part 2 – 8:46
11 – Sand . Part 3 – 3:21

A história de como nasceu este duplo álbum de piano solo de Keith Jarrett é bem curiosa, porque tudo partiu de um convite do produtor Manfred Eicher ao pianista norte-americano para gravarem um disco e quando Jarrett chegou ao Estúdio, o alemão disse-lhe que o Estúdio era dele, podia gravar o que desejasse e assim iria surgir o duplo álbum “Staircase”, que surge um pouco como se tratasse de quatro sonatas do pianista a navegarem pelas habituais paisagens criadas por Keith Jarrett, mas no meio da serenidade que se respira em cada faixa, há um tema que se destaca pela sua beleza transcendental: “Hourglass” - Part 2.

Tentem escutar este belíssimo tema de Keith Jarrett e certamente irão descobrir que estamos perante uma das mais belas peças para piano criadas nesse distante século XX. Gravado em Maio de 1976 no Davout Studio, Paris, por Roger Roche. Masterizado por Robert C. Ludwig. Fotografias de Franco Fontana. Design de Barbara Wojirsch. Produção de Manfred Eicher. Todas as composições são da autoria de Keith Jarrett.

Pier Paolo Pasolini - “Empirismo Hereje” / “Empirismo Eretico”


Pier Paolo Pasolini
“Empirismo Hereje” / “Empirismo Eretico”
Páginas: 250
Assírio & Alvim

Nesta obra encontramos três temas que irão recolher a especial atenção do seu autor: a “Língua”, a “Literatura” e o “Cinema” e neles fica bem patente o pensamento de Pier Paolo Pasolini, sobre estas matérias. A maioria dos textos aqui recolhidos foi escrita na década de 60. do século XX e apenas alguns viram a luz do dia, já nos anos setenta do século passado.

René Magritte - "La naissance de l'idole"


René Magritte
"La naissance de l'idole"
Óleo sobre tela
120 x 80 cm.
Ano: 1926

Sam Peckinpah - “A Quadrilha Selvagem” / “The Wild Bunch”


Sam Peckinpah
“A Quadrilha Selvagem” / “The Wild Bunch”
(EUA – 1969) – (145 min. / Cor)
William Holden, Robert Ryan, Ernest Borgnine,
Edmond O’Brien, Warren Oates, Ben Johnson, Jaime Sanchez.

O Californiano Sam Peckinpah celebrizou-se pela forma como retratou a violência, nos mais diversos géneros, desde o microcosmo contemporâneo de “Cães de Palha” / “Straw Dogs”, passando pelo filme de guerra “A Grande Batalha” / “Cross of Iron”, até à revisão do “western” clássico com “A Quadrilha Selvagem” / “The Wild Bunch”, utilizando como marca de autor a câmara lenta ou “slow motion” se preferirem, nas cenas de maior violência, oferecida sempre com um rigor absoluto.


E como não podia deixar de ser, a honra dos heróis, sejam eles politicamente correctos ou não, surge como um dado adquirido, porque estamos decididamente num território masculino, onde o mais forte dita a lei.

“A Quadrilha Selvagem” / “The Wild Bunch” narra-nos a história de um perigoso bando que tenta roubar os salários dos trabalhadores dos caminhos-de-ferro, na sequência inicial, mas ao contrário do que pensava Pike Bishop (William Holden) o cérebro da quadrilha, estão prestes a cair numa armadilha, bem montada pelo homem que o conhece melhor, o seu ex-companheiro Dike Thornton (Robert Ryan), que se encontra a trabalhar, forçado, para um magnata dos caminhos-de-ferro.


O resultado do confronto é profundamente mortífero, porque os habitantes da povoação desconhecem o que se irá passar, terminando por serem vítimas do fogo cruzado entre os dois grupos. Iniciando-se então a fuga do bando dizimado e a respectiva perseguição que os irá levar até território mexicano.

Mais uma vez Sam Peckinpah vai-nos demonstrar como a violência e os escrúpulos não possuem rosto, porque será sempre difícil dizer quem é mais selvagem, se os elementos do bando ou os caçadores de prémios que os perseguem.


Por outro lado iremos perceber como são fortes os laços que unem Pike e Dike, através de diversos “flash-back”, ao mesmo tempo que conhecemos a história e as motivações do único elemento mexicano do bando de nome Angel, representando bem a inocência que transporta consigo.

Com a entrada do bando em território mexicano, o cineasta oferece-nos um retrato poderoso do México pré-revolucionário, com os homens do inenarrável general Mapache (Emílio Fernandez) e as forças do célebre Villa apoiadas pela população martirizada, na luta contra o legitimo governo corrupto, que então espalhava o terror no México.


Ao longo de “Wild Bunch” iremos descobrir interpretações fabulosas de um elenco, com provas mais que dadas no cinema e quando a honra fala mais alto, após a morte do jovem Angel às mãos das forças governamentais, percebemos como o destino destes homens, eternamente perseguidos, se encontra decididamente traçado.

O duelo final, verdadeiramente sanguinário, demonstra bem o saber do cineasta, oferecendo-nos um dos momentos mais célebres do filme, muitos anos depois citado por Walter Hill em “Extreme Prejudice” / “A Fronteira do Perigo”.


“A Quadrilha Selvagem” de Sam Peckinpah permanece na história do cinema como uma das obras fulcrais da revisão do “western” clássico, encetada nas décadas de 60/70, oferecendo-nos obras-primas que sobreviveram à passagem dos anos.

3.9.26

Wim Mertens - "Lisa"


Wim Mertens
"Lisa"
Les Disques du Crépuscule
1996


Wim Mertens - piano

Banda sonora do filme "Lisa", realizado por Jan Keymeulen.

Yoko Tsuno - "O Trio do Estranho" - Roger Leloup


Yoko Tsuno
"O Trio do Estranho" / "Le trio de l'étrange"
Arte: Roger Leloup
Argumento: Roger Leloup
Spirou - 2ª Série - nº.1 a .24
Ano: 1979

Esta série de ficção-científica surgiu pela primeira vez no Spirou nº.1693 de 24 de Setembro de 1970. Inicialmente as aventuras da japonesa Yoko Tsuno tiveram Maurice Tillieux como argumentista e Roger Leloup nos desenhos.

Vincent van Gogh - "Scheveningen"


Vincent van Gogh
"Scheveningen"
Óleo sobre papel sobre cartão
34,5 x 51 cm.
Ano: 1882
Stedelijk Museum, Amesterdão.

"Tivemos aqui em toda a semana muito vento, tempestade e chuva, e eu estive muitas vezes em Scheveningen a observar. Trouxe para casa duas pequenas composições sobre o mar. Já numa há muita areia, mas a segunda ficou de tal modo coberta duma grossa camada de areia, quando com uma forte borrasca o mar se aproximou  das dunas, que tive duas vezes de a raspar completamente. A tempestade era tão forte que mal me aguentava em pé e quase nada podia ver por causa do redemoinho de areia"

Vincent van Gogh