20.7.26

Gavin Bryars - "Vita Nova"


Gavin Bryars
"Vita Nova"
ECM New Séries
1994

1 - Incipit Vita Nova
David James - countertenor
Rebecca Firth - cello
Ulrike Lachner - viola
Annemarie Dreyer - violin

2 - Glorious Hill
The Hilliard Ensemble

3 - Four Elements
Large Chamber Ensemble

4 - Sub Rosa
Gavin Bryars Ensemble

“Four Elements” revela-se como a peça mais importante deste quarteto de trabalhos musicais de Gavin Bryars incluído no cd “Vita Nova” editado pela ECM Records.

John K. Fyfe - "A Nossa Corrida Suicida Atrás dos Submarinos"


John K. Fyfe
"A Nossa Corrida Suicida Atrás dos Submarinos"
Colecção Guerra nº.10
Palirex

No volume 10 da "Colecção Guerra" editada pela editora Palirex encontramos um pequeno conto escrito pelo Almirante John K. Fyfe, que nos relata a sua odisseia ao comando do USS Batfish nesse dia histórico em que afundaram três submarinos inimigos.

Na imagem que reproduzimos temos à direita o então Capitão John K. Fyfe ao lado do outro oficial Walter Small. A forma como este conto está escrito é de tal forma intensa que nos sentimos no interior do submarino acompanhando todas as sequências dos diversos combates, a angústia dos seus tripulantes e a honra dos combatentes.

Por vezes nestes livros da Literatura Popular muito em voga nas décadas de 50/60/70 do século passado descobrimos verdadeiras pérolas literárias.

Marcel Bovis - "Rue de l'Arrivée"


Marcel Bovis
"Rue de l'Arrivée"
Ano: 1932

Dustin Hoffman - “Quarteto” / “Quartet”


Dustin Hoffman
“Quarteto” / “Quartet”
(Grã-Bretanha – 2012) – (94 min./Cor)
Maggie Smith, Michael Gambon, Bill Connolly, Tom Courtenay, Pauline Collins.

Recentemente nessa cruzada que atingiu Hollywood através do “Me Too”, o actor Dustin Hoffman foi acusado por uma senhora de, na década de 70 do século xx, contar anedotas picantes, mas o célebre actor respondeu à letra e bem a esta anedótica acusação afirmando eram os anos setenta, toda a gente contava anedotas e assim o “caso” morreu.


Esta história vem a propósito da realização deste fabuloso filme realizado por Dustin Hoffman, intitulado “Quarteto”, que deve ter tido um ambiente verdadeiramente carismático nos bastidores, com inúmeras anedotas a serem contadas e bem divertidas, tendo em conta o poderoso elenco deste maravilhoso filme, que se passa numa residência de repouso para músicos e cantores líricos, cujo amor pela música e pelo belo canto continuam bem vivos, para além das suas rivalidades, que por vezes permanecem.


Mas, quando estiver a passar o genérico final deste magnifico “Quarteto”, esteja atento às imagens, pois irá descobrir que todos os secundários deste filme são precisamente músicos e membros desse bel canto, a quem dedicaram uma vida: as fotografias falam por eles.


Dustin Hoffman e o seu elenco fizeram deste “Quarteto” uma pérola cinematográfica e só poderemos dizer que a magia dos anos 70 passou por aqui!

19.7.26

Annette Peacock - "The Perfect Release"


Annette Peacock
"The Perfect Release"
Aura
1979


No seguimento do enorme sucesso que foi o álbum "X-Dreams", no ano de 1978, Annette Peacock no ano seguinte surgiu no mercado discográfico com este maravilhoso "The Perfect Release".

Michel Vaillant - "O Grande Desafio" - Jean Graton


Michel Vaillant
"O Grande Desafio" / "Le grand défi"
Arte: Jean Graton
Argumento: Jean Graton
Pranchas: 62
Revista: Cavaleiro Andante nºs. 357 a 406
Álbum: Autosport

Estamos perante a primeira aventura de Michel Vaillant que surgiu pela primeira vez em Portugal nas páginas da revista "Cavaleiro Andante" nº.357 datado de 1 de Novembro de 1958 e cuja publicação no sistema de "em continuação" irá durar até ao nº.406 surgido nas bancas a 10 de Outubro de 1959.


A maioria das páginas foram publicadas a cores, sendo poucas as que surgiram a preto e branco e curiosamente esta primeira história o tema é precisamente o encontro duelo entre Michel Vaillant e Steve Warson, mas também iremos conhecer Agnès que se irá casar com Jean-Pierre, assim como já por lá anda o piloto russo a seguir atentamente o duelo entre os dois campeões.


Como curiosidade convém referir que nestes anos 50 do século passado as personagens de banda desenhada viam em Portugal os seus nomes alterados para a língua portuguesa ou seja Michel Vaillant irá surgir como sendo português e o seu nome é Miguel Gusmão, já o irmão Jean-Pierre será o João Pedro e o senhor Vaillant irá transformar-se num industrial português de sucesso no ramo automóvel de apelido Gusmão.

Édouard Manet - "La Rue Mosnier aux paveurs"


Édouard Manet
"La Rue Mosnier aux paveurs"
Óleo sobre tela
63 x 79 cm.
Ano: 1878

Richard Brooks - “O Homem das Lentes Mortais” / “Wrong is Right”


Richard Brooks
“O Homem das Lentes Mortais” / “Wrong is Right”
(EUA – 1982) – (117 min. / Cor)
Sean Connery, George Grizzard, Robert Conrad,
Katharne Ross, John Saxon, Henry Silva, Leslie Nielsen.

E a ficção tornou-se realidade… assim poderia terminar esta crónica de cinema sobre a película de Richard Brooks, “Wrong is Right”, mas optámos por inserir a frase no início porque o que está aqui em jogo é precisamente o poder dos “Media” e a sua manipulação pelos políticos, embora também seja possível ver este filme como inspiração de factos ocorridos duas décadas depois.


Vamos buscar a cinéfilia para concretizar melhor este ponto de vista, quando Barry Levinson, no intervalo das filmagens de “A Esfera” / “Sphere”, devido à longa produção dos efeitos especiais, decidiu levar ao écran um argumento do fabuloso David Mamet intitulado “Manobras na Casa Branca” / “Wag the Dog”, nunca pensando que uma história muito idêntica estivesse a decorrer no maior dos segredos nessa mesma Casa Branca, como os acontecimentos posteriores vieram a demonstrar.

Ora o que sucede com o filme de Richard Brooks é que antecipa a História em duas décadas. Como sabemos, após os ataques do 11 de Setembro em New York, foram criadas as condições para desencadear uma guerra, tendo como pretexto a existência de armas de destruição maciça em mãos erradas, tudo por causa da riqueza do petróleo. Se virmos bem, é disso mesmo que trata “Wrong is Right”.


“O Homem das Lentes Mortais” faz assim história, quase um quarto de século depois da sua estreia nos écrans. Na época em que o vimos pela primeira vez em Lisboa, no saudoso cinema Monumental, foi com enorme prazer que encontrámos Sean Connery na figura do destemido jornalista Patrick Hale, sempre acompanhado da sua câmara de filmar, essa câmara de lentes mortais que tudo fixa e tudo transmite, sempre ao “serviço da verdade jornalística”.

Richard Brooks, como um profeta, mostra-nos aquela que será a televisão do século XXI, com os seus “reality shows”, onde se confessam “crimes não cometidos”, desde a mulher que deseja matar o marido, a filha que pretende aniquilar a mãe, desejos esses que o pequeno écran irá servir ao espectador como uma espécie de terapia, ao mesmo tempo que os seus protagonistas atingem esses 15 minutos de fama de que tanto falou Andy Wahrol.


Mas se para muitos, incluindo o próprio Patrick Hale (Sean Connery), o jornalismo representa o “Quarto Poder”, iremos verificar como este poder é tão frágil que consegue ser usado e manipulado para proveito dos mais poderosos, porque aqui não há regras do jogo, porque a partida está viciada desde o início, todas as cartas estão marcadas.

Partindo do livro “The Better Angels” de Charles McCarry, o argumento que Richard Brooks escreveu a duas mãos com o escritor oferece-nos a criação/existência dos homens bombas, numa célebre antecipação dos bombistas suicidas que proliferam pelo mundo inteiro, só que nesta ficção o objectivo é chamar a atenção para a sua luta e não de provocarem o maior número de vítimas inocentes como sucede nos dias de hoje nos atentados terroristas.


Temos assim o jornalista Patrick Hale, que se movimenta muito bem nos corredores do poder, tanto na Casa Branca como no Médio-Oriente, entrando por sua própria iniciativa na rede de espionagem mantida por americanos e israelitas, onde não faltam os inevitáveis vendedores de armas (o negócio gere milhões) e aqui vamos encontrar essa estrela chamada Katherine Ross (a miúda da época, para alguns cinéfilos) envolvida em redes incontroláveis, porque nunca se sabe quem está a manipular os acontecimentos.

Repare-se na forma como nos é apresentado o Presidente Lockwood (George Grenville), que nos faz recordar uma certa pessoa, desde os seus discursos até à forma de se comportar perante os “média”, usando sempre as reportagens contundentes de Patrick Hale (Sean Connery) “para levar a água ao seu moinho”, enquanto por outro lado o jornalista vai transmitindo aos espectadores a informação mais credível sobre o desenrolar dos acontecimentos sempre em “prime-time” para manter o “share” das audiências e assim aumentar as receitas da publicidade.


A forma como é montada toda a intriga, assim como os métodos da contra-informação, levam-nos a pensar até que ponto não somos manipulados neste século xxi, diariamente, pela informação que consumimos, porque cada vez mais o que se publica não é a verdade dos factos, mas sim as notícias que conseguem angariar as maiores receitas: morte, crime, destruição, guerra.

Recorde-se que na panóplia de imagens televisivas com que se inicia o filme “Wrong is Right” / “O Homem das Lentes Mortais” está lá essa maravilhosa publicidade para nos ajudar a viver no melhor dos universos, porque neste Admirável Mundo Novo cada vez mais se vai copiar o pior da história do passado, para se criar a história do presente.