10.4.26

Blueberry - "A Águia Solitária" - Jean-Michel Charlier / Jean Giraud


Blueberry
"A Águia Solitária" / "L' Aigle solitaire"
Argumento: Jean-Michel Charlier
Arte: Jean Giraud
Páginas: 48
Asa/Público

O terceiro volume das aventuras de "Blueberry" surgiu em 1967 e assim iremos ter a continuação da série "Forte Navajo" com "Blueberry" a encontrar um adversário de peso chamado Águia Solitária, que se esconde como guia dos soldados azuis.

Como muitas vezes os responsáveis pela cor das aventuras de banda desenhada ficavam quase sempre esquecidos ou viviam no anonimato aqui vos deixo o nome de Claudine Blanc-Dumont (1953-2012) responsável pela cor da banda desenhada "Blueberry", entre outras, que infelizmente já nos deixou.

Vincent van Gogh - "Montmartre: la carrière les moulins"


Vincent van Gogh
"Montmartre: la carrière les moulins"

Óleo sobre tela
56 x 62,5 cm.
Ano:1886
Van Gogh Museum, Amsterdam.

Vincent van Gogh - (1853 - 1890) - em paris vive com o seu irmão Theona rua Victor-Massé e mais tarde na rua Lepic. e da varanda da casa gosta de observar o território que se estende perante o seu olhar, um espaço que como vemos na pintura repleto de uma vegetação rasa, repleta de pequenas rochas e ausente de casas ou outro tipo de construções e assim irá nascer "Montmartre: la carrière les moulins".

Wim Wenders - "O Amigo Americano" / "Der Amerikanische Freund"


Wim Wenders
"O Amigo Americano" / "Der Amerikanische Freund"
(Alemanha/França – 1977) – (125 min. / Cor)
Dennis Hooper, Bruno Ganz, Lisa Kreuzer, Gerard Blain, Nicholas Ray, Samuel Fuller, Daniel Schmid, Peter Lilienthal, Jean Eustache.

Foi com “O Amigo Americano” / “Der Amerikanisch Freund” que Wim Wenders se tornou conhecido e amado por muitos cinéfilos, este cineasta alemão oriundo da crítica, convoca para este filme Nicolas Ray, um cineasta por quem tem uma enorme admiração, oferecendo também pequenos papéis a outros realizadores como Samuel Fuller, Jean Eustache, Daniel Schmid, Peter Lilienthal e Gerard Blain (lembram-se dele em “Hatari!” de Howard Hawks?), para além de Dennis Hopper também ele cineasta (recordam-se de “Easy Rider” ou “Out of the Blue?), embora seja mais conhecido como actor.


Por outro lado, foi nesta película que descobrímos o enorme talento desse actor chamado Bruno Ganz que, embora seja suíço, fez a sua carreira no denominado “Novo Cinema Alemão” e, certamente, muitos se recordam dele nessa “Cidade Branca” chamada Lisboa, que Alain Tanner nos ofereceu um dia, para já não falar nessa sua espantosa interpretação de Hitler em “A Queda”.

Depois nunca é demais mencionar a presença de Lisa Kreuzer, um dos grandes nomes femininos do Cinema Alemão Contemporâneo que com Hanna Schygulla, Eva Mattes e Barbara Sukowa, deram rosto a inúmeras personagens desse cinema que nos maravilhou desde que nasceu através do célebre Manifesto de Oberhausen, onde foram traçadas as linhas pragmáticas do que se viria a chamar o “Novo Cinema Alemão”.


Partindo de um romance de Patrícia Highsmith, recorde-se que ela é a autora do famoso “O Desconhecido do Norte-Expresso” que Hitchcock adaptou ao cinema, Wim Wenders deu vida a essa personagem imoral chamada Tom Ripley (Dennis Hopper), havendo mais dois filmes nascidos desse anti-herói, onde John Malkovich e Matt Damon também nos ofereceram o rosto da célebre personagem do romance policial.

Iremos assim encontrar Tom Ripley nessa Nova Iorque onde ainda viviam as famosas Torres Gémeas, no apartamento de Derwatt (Nicolas Ray), a ver como decorrem os trabalhos do famoso pintor, para mais tarde o encontrarmos em Hamburgo, numa das suas actividades favoritas, a especulação e vigarice no mundo da Arte, vendendo quadros deste pintor que o mundo da Arte julga ter falecido. Mas a vista do pintor já não é a mesma e Jonathan Zimmermann, um pequeno restaurador de Hamburgo que assiste ao leilão, percebe que aquele azul (o célebre azul cobalto que o tornou célebre) já não é o mesmo.

Ripley, na sala, escuta o comentário de Zimmermann e, depois de lhe ser apresentado, toma a decisão de o usar nos seus outros negócios escuros, por onde anda a mão da máfia.


Jonathan tem uma doença no sangue incurável, sendo o seu tempo de vida muito reduzido e Tom Ripley decide, através de um gangster francês, torná-lo num assassino, em troca de o levar a outros especialistas para analisarem o seu estado de saúde, ao mesmo tempo que lhe paga pelos trabalhos efectuados, garantindo Jonathan desta forma uma “almofada económica” para a sua família.

Mas, como sucede nestas coisas, nada corre como previsto e Tom Ripley será forçado a ajudar o restaurador nos seus trabalhos muito pouco artísticos, nascendo desta forma uma espiral de violência que irá mudar para sempre a vida de todos os intervenientes.


Usando o seu habitual director de fotografia, Robby Muller, e com montagem de Peter Przygodda (outro nome forte da equipa), Wim Wenders oferece-nos um retrato de Hamburgo e da sua noite, com uma cor que nos deixa surpreendidos, ao mesmo tempo que a banda sonora de Jurgen Knieper (fixem o nome), vai dramatizando a acção da película pontuando de forma soberba o desenrolar dos acontecimentos, basta repararem nas sequências passadas no Metro Parisiense para ficar tudo dito.

Mais uma vez, como é regra em Tom Ripley, ele encontra sempre o inocente que vai usar em proveito próprio, saindo sempre ileso desse mundo do crime em que é um verdadeiro Príncipe Perfeito.


Recordar “O Amigo Americano” / “Der Amerikanisch Freund” não é só encontrar o melhor cinema de Wenders, mas também mergulhar nesse universo criado por Patrícia Highsmith, em que o herói é o assassino, esse mesmo assassino que irá sempre sobreviver a todos os seus planos maquiavélicos, como o que delineou para usar o pacato Jonathan Zimmermann.

Redescobrir o período alemão de Wim Wenders é uma aventura profundamente fascinante que recomendamos.

9.4.26

John Surman - “Upon Reflection”


John Surman
“Upon Reflection”
ECM Records
1979

John Surman – soprano saxophone, baritone saxophone, bass clarinet, synthesizer.

1 – Edges of Illusion – 10:10
2 – Filigree – 3:41
3 – Caithnen to Kerry – 3:51
4 – Beyond a Shadow – 6:40
5 – Prelude and Rustic Dance – 5:14
6 – The Lamplighter – 6:19
7 – Following Behind – 1:24
8 – Constellation – 8:16


Este saxofonista britânico, nascido ainda durante a Segunda Grande Guerra (1944), deu nas vistas ao integrar a orquestra de Mike Westbrrok, em meados dos anos 60 do século xx. Já no final dessa década irá surgir o seu primeiro álbum gravado para a etiqueta MPS Records, que durante largos anos teve distribuição no nosso país através da Dargil, e será precisamente dez anos após a gravação desse trabalho discográfico e já com uma história bem alicerçada na área do jazz contemporâneo que John Surman grava para a ECM Records este magnifico "Upon Reflection", como multi-instrumentista, já que ele toca todos os instrumentos que escutamos no álbum, algo que se irá tornar regular ao longo das décadas, ao mesmo tempo também que aqui se inicia uma das mais frutuosas colaborações entre um músico e um produtor, neste caso concreto, o alemão Manfred Eicher, que sempre ofereceu todos os meios para John Surman expandir a sua criatividade.

Gravado em Maio de 1979 no Talent Studio, Oslo, por Jan Erik Konghaug. Fotografia da capa do álbum de Christian Vogt. Design de Dieter Rehm. Produção de Manfred Eicher.

Todas as composições são da autoria de John Surman. Os temas “Edges of Illusion” e “The Lamplighter” foram inspirados e originalmente criados por Carolyn Carlson.

"Man Ray" - Emmanuelle de l'Ecotairs / Katherine Ware


"Man Ray"
Emmanuelle de l'Ecotairs / Katherine Ware
Páginas: 224
Taschen

A editora alemã Taschen pratica uma política de edição de obras de excelente qualidade gráfica a preços baixos e sempre com conteúdos bem aliciantes. Para contornar os custos de produção dos livros, algumas dessas edições são apresentadas com os textos que as acompanham, em diversas línguas, como sucede com este belo livro dedicado ao fotógrafo Man Ray. Uma edição em grande formato ou “álbum”, se preferirem uma linguagem de livreiro, surgindo assim os textos em espanhol, italiano e português.


Quando se fala em surrealismo e fotografia, o nome que de imediato nos vem à memória é precisamente o de Man Ray e precisamente por isso mesmo, este livro abre com um texto de André Breton, sobre o fotógrafo, intitulado “Sobre Man Ray”. Depois temos dois ensaios: “O Químico das Misturas – A Vida e a Obra Fotográfica de Man Ray" da autoria de Katherine Ware e “Man Ray criador da Fotografia Surrealista” assinado por Emmanuelle de l'Ecotairs.

Esta bela edição com inúmeras reproduções dos trabalhos do artista é da responsabilidade de Manfred Heiting.

Melanie Griffith - (1957)

Melanie Griffith
Aniversário: 9 de Agosto
Fotograma: "Testemunha de um Crime" / "Body Double" de Brian De Palma
Filme de Estreia: "Um Lance no Escuro" / "Night Moves" de Arthur Penn
Filme Favorito: "Selvagem e Perigosa" // "Something Wild" de Jonathan Demme
Nomeada para 1 Oscar

Irving Reis - “O Solteirão e a Pequena” / “The Bachelor and The Bobby-Soxer”


Irving Reis
“O Solteirão e a Pequena” / “The Bachelor and The Bobby-Soxer”
(EUA – 1947) – (95 min. - P/B)
Cary Grant, Myrna Loy, Shirley Temple, Ray Collins, Rudy Vallee.

Irving Reis iniciou a sua actividade no cinema como director de fotografia, passando mais tarde para a escrita de argumentos, ao mesmo tempo que durante as décadas de 20/30 do século passado dava os primeiros passos na arte da realização. Embora apenas tenha assinado dois filmes em vinte anos, ao entrar nesses saudosos anos quarenta irá dirigir 15 longas-metragens, desenvolvendo uma actividade onde assinou o mais diverso género de filmes, no entanto a morte virá travar a sua ascensão, ceifando-lhe a vida aos quarenta e sete anos de idade.


“O Solteirão e a Pequena”, título dado em Portugal a “The Bachelor and the Bobby-Soxer”, traduz-se numa irresistível comédia, onde mais uma vez Cary Grant revela todo o seu talento na denominada ”screwball comedy”, na pele de um pintor solteirão, que atrai sarilhos nos locais onde se encontra, embora sempre contra sua vontade. E, quando menos espera, irá conhecer a temível Juíza Margaret Turner (Myrna Loy), que avisada antecipadamente dos feitos do acusado pretende aplicar-lhe uma pesada pena de prisão, devido a desacatos ocorridos num clube nocturno. No entanto, o cativante Richard Nugent (Cary Grant) irá conseguir sair em liberdade depois de ter exposto a sua versão dos acontecimentos embora, como lhe diga a Juíza, é a última vez em que consegue sair ileso num tribunal presidido por ela.

Nesse mesmo dia, o célebre pintor irá dar uma conferência numa escola secundária, cativando de imediato a audiência de jovens, que esperavam encontrar um velhote e se deparam com um verdadeiro sedutor bem-falante. A adolescente Susan Turner (Shirley Temple), irmã da Juíza, fica de imediato apaixonada pelo pintor e, após a conferência, decide entrevistá-lo para o jornal da escola. Richard Nugent (Cary Grant) aceita contrariado dar a entrevista, desconhecendo a identidade da jovem, que não esconde a paixão que sente por ele, informando nessa noite a irmã que pretende ser modelo, iniciando-se assim uma série de peripécias que levarão de novo Richard Nugent a prestar contas com a justiça, depois de a jovem ser encontrada a dormir no seu apartamento.


Como é que ela conseguiu isso? É simples caro leitor, a bela Susan descobriu a morada de Richard, fazendo-se passar por modelo, vestindo uma indumentária de acordo, que lhe dava um ar mais velho, introduzindo-se no apartamento graças à ajuda do porteiro, que estava habituado a acompanhar os modelos até ao apartamento, quando o pintor estava ausente. Como ele não havia maneira de chegar, Susan termina por adormecer no sofá e quando Richard Nugent regressa a casa não a vê, só a descobrindo quando o apartamento é invadido pela temível Juíza, o Procurador e a polícia.

Colocado atrás das grades e acusado de desvio de uma menor, o galante pintor encontra-se em maus lençóis e será o psiquiatra do tribunal que, após conversar com ele, percebe que tudo não passa de um terrível equívoco, mas temendo a reacção intempestiva da jovem, que por acaso até é sua sobrinha, decide oferecer-lhe uma proposta que ele terá que aceitar: começar a acompanhar a jovem como se fosse seu namorado, até ela perder o interesse nele. Contrariado, Richard Nugent (Cary Grant) aceita o jogo e tudo fará para a desapontar. A Juíza Margareth Turner, ao conviver com ele, sempre de olho na irmã, começa a sentir uma certa afeição por aquele cavaleiro andante, chegando a vê-lo em sonhos, tal como a irmã, a envergar uma resplandecente armadura.


Irving Reis irá construir sequências verdadeiramente hilariantes, principalmente durante o piquenique, onde iremos ver o pintor a competir com o Procurador, nas diversas provas, perdendo-as todas, até chegar à derradeira e mais importante, que será ganha finalmente por ele, após a jovem Susan (Shirley Temple) ter pago aos outros concorrentes, seus colegas da escola, incluindo o seu ex-namorado (Rudy Vallee), para eles falsearem o resultado da prova.

A pouco e pouco a Juíza começa a sentir o seu coração a pender para o desafortunado Richard, que tudo aceita para não regressar à prisão. E será o seu tio, o psiquiatra, que irá convocar a psicanálise para o écran, muito em moda nesses anos, desvendando a solução para aquele terrível imbróglio.


Cary Grant, mais uma vez, está como peixe na água, enquanto Myrna Loy cumpre com o papel que lhe foi oferecido, já Shirley Temple encontrava-se nessa temível fronteira em que deixara de ser a menina-prodígio da América, pois chegara à adolescência e como todos sabemos foram inúmeras as estrelas que brilharam em crianças e chegadas à fase adulta perderam o fascínio, o que foi o caso dela, porque na verdade nem todas se podiam chamar Elizabeth Taylor.

“O Solteirão e a Pequena” / “The Bachelor and the Bobby-Soxer” revela-se assim uma irresistível comédia, que bem merece ser descoberta pelos cinéfilos, tendo ganho o Oscar do Melhor Argumento, tal é a forma sofisticada como foi elaborado.

8.4.26

Brian Eno and U2 with Luciano Pavarotti, Howie B and Holi - "Passengers: Original Soundtracks 1"


Brian Eno and U2
with Luciano Pavarotti, Howie B and Holi
"Passengers: Original Soundtracks 1"
Island Records
1995

Desde meados dos anos setenta do século xx, Brian Eno tem criado diversas composições para filmes imaginados que aguardam a chegada desse cineasta que os irá realizar e se escutarmos o álbum “Music For Films”, entendemos de imediato o conceito que Brian Eno explicou numa entrevista, aliás este primeiro trabalho possui um irmão gémeo que só surgiu em vinil intitulado “Music for Films – Director’s Cut”, que se revela uma releitura bem curiosa, Mais tarde surgiu o segundo álbum “Music for Films II”, que incluía algumas novas versões de temas incluídos nesse maravilhoso álbum intitulado “Apollo – Atmospheres & Soundtracks”, onde Brian Eno contava com a colaboração do seu irmão Roger Eno e do músico canadiano Daniel Lanois e que recentemente teve uma nova edição com novos temas.


Ao surgir o terceiro volume da série, intitulado precisamente “Music for Films III”, o leque de compositores e músicos foi alargado a toda uma geração de nomes bem conhecidos desse género musical intitulado “Ambient Music”, onde iremos encontrar ao lado de Brian Eno, para além de Roger Eno e Daniel Lanois, os nomes de Harold Budd, Laraaji e Michael Brook, que ao longo dos anos têm trabalhado em perfeita simbiose na divulgação deste género musical e aos quais se juntaram em “Music For Films III” John Paul Jones, Misha Mahlin e Lydia Theremin.


Quando foi decidido criar o quarto álbum da série, Brian Eno pensou em convidar os U2 para o projecto, tendo em conta o trabalho que tem desenvolvido com eles como produtor, mas Bono não apreciou muito que o álbum mantivesse o mesmo nome dos anteriores, sugerindo que fosse baptizado de “Passengers: Original Soundtracks 1” tendo sido convidados para o projecto Howie B e Holi, para além de Luciano Pavarotti, que irá oferecer-nos o tema que virá a ser o mais conhecido deste álbum, intitulado “Miss Sarajevo” onde iremos descobrir o célebre dueto entre Bono e o conhecido cantor lírico, tema esse que será também incluído no álbum “Luciano Pavarotti and Friends”, que irá dar origem a diversos espectáculos.


“Passengers: Original Soundtracks 1” irá surgir assim como um trabalho dos U2, mas em nome de Bono, Adam Clayton, The Edge e Larry Mullen Jnr., que com Brian Eno reúnem 14 temas criados para 13 filmes, apenas a película de Michelangelo Antonioni e Wim Wenders “Para Além das Nuvens” / “Par Dela les Nuages” é detentora de dois temas. Apesar da excelente produção de que foi rodeado este trabalho discográfico, ele não correspondeu ao esperado em termos de sucesso comercial pela banda de Bono, tendo os U2 decidido não prosseguir com esta viagem musical através do cosmo, o que lamentamos já que “Passengers. Original Soundtracks 1”, embora diferente dos anteriores álbuns da série “Music for Films”, possuía todos os atributos para ter continuidade.