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11.4.26

Mike Nichols - “Jogos de Poder” / “Charlie Wilson’s War”


Mike Nichols
“Jogos de Poder” / “Charlie Wilson’s War”
(EUA – 2007) – (97 min. / Cor)
Tom Hanks, Julia Roberts, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Ned Betty, Emily Blunt.

“Charlie Wilson’s War” / “Jogos de Poder” de Mike Nichols oferece-nos um retrato dos políticos americanos e do seu Congresso, nada brilhante. É certo que estamos face a uma “comédia” baseada em factos verídicos, segundo um argumento de Aaron Sorkin, mas se pensarmos como tudo se passou ficamos, na verdade, perplexos.


Quando a então União Soviética invadiu o Afeganistão, este país estava longe, mesmo muito longe, de ser primeira página nos jornais e mesmo a própria CIA via esta intervenção externa, do seu inimigo de sempre num país soberano, como um assunto mais que secundário. Mas em Washington, um político chamado Charlie Wilson (Tom Hanks) não pensava da mesma forma, decidindo fazer a sua própria guerra. O que estava então em causa era a chamada Guerra-Fria, depois o anti-comunismo primário que sempre se fez sentir fez o resto ou seja a angariação de fundos levada acabo por uma milionária Texana chamada Joanne Herring (Júlia Roberts), conseguiu obter verbas fabulosas para armar os pequenos grupos de resistentes que habitavam as montanhas afegãs.

Estamos assim perante aquele tipo de actividades que muitas vezes eram desconhecidas do próprio Congresso, de tal forma elas eram secretas, certamente alguns de nós ainda estão recordados do caso Oliver North. Mas, nesta "guerra privada de Charlie Wilson", os resultados acabariam por ser excelentes para a política externa norte-americana, para muitos anos depois o feitiço se virar contra o feiticeiro e criar um monstro que irá provocar um dos maiores atentados de sempre em território norte-americano..


Tom Hanks ao encarnar a figura do político Charlie Wilson está como peixe na água, algo que já não víamos há muito e assim vamos encontrar um homem amante da boa vida e cujo “staff” é todo feminino, a mergulhar num mundo que lhe era de todo alheio, depois de ter visto umas reportagens numa cadeia de televisão.

A forma como Mike Nichols nos oferece os meandros da guerra, onde muitas personagens secundárias eram mais que principais (caso do Paquistão), leva-nos na verdade a pensar no mundo em que vivemos e na forma como a política é cada vez mais alicerçada em bases tão frágeis que mais tarde ou mais cedo acabam por ruir.


Sempre com um olhar mordaz sobre os acontecimentos, Mike Nichols vai falando de coisas muito sérias e qualquer um de nós percebe que todas aquelas armas fornecidas à guerrilha afegã servem hoje para combater os próprios americanos, num terreno que se tornou um verdadeiro pântano. Na época os célebres "stinger" fizeram grande sucesso frente aos helicópteros soviéticos, aliás veja-se a forma como o cineasta nos mostra esse sucesso da tecnologia. Com a saída dos soviéticos do Afeganistão e a vitória de Charlie Wilson acabou de certa forma a denominada Guerra-Fria, pois logo a seguir cairia o Muro de Berlim, para espanto da própria CIA. Mas o que é importante realçar é que, depois da vitória, o dinheiro para reconstruir um país deixou de existir e como todos sabemos os célebres estudantes de Teologia, mais conhecidos por Taliban, iriam tomar conta daquela zona.

O que falhou nesta guerra de Charlie Wilson em que deixou de haver verbas para construir uma simples escola, depois de se terem gasto milhões de dolares num verdadeiro efeito "bola de neve", com as verbas sempre a duplicarem é uma verdadeira lição para todos e Mike Nichols mostra-nos isso mesmo, porque os célebres donativos da milionária de Houston, Joanne Herring, deixaram de existir, ao mesmo tempo que o Congresso tinha outras preocupações, porque o objectivo era derrotar os soviéticos e nunca ajudar um povo a reconstruir um país.


“Jogos de Poder”/ “Charlie Wilson’s War” oferece-nos por outro lado uma excelente direcção de actores, onde Philip Seymour Hoffman veste de forma perfeita o agente da CIA, que incomoda a própria direcção da Agência devido à sua forma de estar e que, ao ser posto de lado pelos superiores, mergulha nesta guerra ao lado do político e da milionária. Já Júlia Roberts agarra bem o papel, embora a sua prestação seja bastante reduzida.

Mike Nichols, um cineasta que conviveu com o sistema dos Estúdios durante longas décadas (ele era oriundo do Teatro), consegue levar a bom porto este “Jogos do Poder” / “Charlie Wilson’s War”, oferecendo-nos uma imagem da classe política e do mundo contemporâneo, que nos deixa perplexos, porque mesmo que tenhamos um sorriso na cara após o visionamento da película, sabemos que a brincar se vão contando as verdades dos factos e depois ao vermos as notícias do mundo no pequeno écran e escutamos os “grandes dirigentes” deste planeta, só podemos temer o pior... mas esperemos que não.


Os recentes acontecimentos no Médio Oriente revelam bem como é a economia que conduz a política, assim como estamos dependentes da energia. Como seria bom ser possível vivermos todos em paz e que a fome no mundo fosse extinta do planeta, porque todos merecemos viver em paz.

27.3.26

George Clooney - “Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind”


George Clooney
“Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind”
(EUA/Alemanha/Canada – 2002) – (113 min./Cor)
Sam Rockwell, George Clooney, Julia Roberts,
Drew Barrymore, Rutger Hauer, Maggie Gyllenhaal.

Foi com este filme “louco”, mas bem verdadeiro, que George Clooney se estreou como realizador, dando de imediato um passo enorme a caminho da categoria de cineasta e nunca é demais recordar que o amigo Steven Soderbergh foi o produtor executivo, enquanto o argumento foi escrito por Charlie Kaufman, que até não gostou muito da pelicula após ter visto o resultado final, mas também confessou que possivelmente nenhum Estúdio iria certamente aceitar as suas opções criativas e por fim temos Sam Rockwell a interpretar a figura de Chuck Barris, um conhecido apresentador de programas da televisão norte-americana, autor do livro de memórias, escolhido por George Clooney para o seu baptismo atrás da câmara de filmar.


Ao longo destas “Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind”, iremos conhecer a história de Chuck Barris (com uma interpretação memorável de Sam Rockwell), que ao longo das décadas de 60 e 70 (do séc.XX) se irá tornar um conhecido apresentador, autor e produtor de programas como “The Gong Show”, “The Dating Game” e “The Newlywed Game”, entre outros, mas que terá também uma outra profissão nessas décadas em que a Guerra Fria fazia parte do quotidiano e a Alemanha se encontrava dividida entre RFA e RDA, ao ser contratado para trabalhar como agente dos serviços secretos norte-americanos.


George Clooney, que interpreta a personagem de Jim Byrd, o homem que o convida a entrar para a Agência norte-americana irá ser o seu mentor, sendo memorável a cena de abordagem e recrutamento, tal como toda a sequência passada em Berlin Leste, onde iremos descobrir esse grande actor chamado Rutger Hauer na figura do contacto alemão, Keeler, e onde percebemos como nesses tempos a improvisação era a lei, porque nada corria como o previsto ou seja as fugas perfeitas do Leste para o Ocidente só aconteciam nos filmes e nos livros, já que na realidade só a sorte marcava o destino e o sucesso das fugas ou informações confidenciais. Por outro lado nunca é demais recordar que os serviços secretos norte-americanos souberam da queda do muro de Berlin pela CNNJ!


A feitura de “Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind” não foi fácil para George Clooney, em termos de recolha de meios para a sua concretização, mas contou com o apoio de muitos amigos e se, como dissemos anteriormente, a presença de Steven Soderbergh foi fundamental, já Julia Roberts e Drew Barrymore aceitaram um cachet “simbólico” de 250.000 dollars, por outro lado Brad Pitt e Matt Damon com duas aparições (os célebres “cameo”), fizeram-no de “borla” e depois muitas das sequências foram feitas em apenas um “take”, para poupar dinheiro, mas com excelentes resultados! Veja-se o ritmo da película e a loucura que por ali navega e certamente muitos se irão recordar dos irmãos Coen, com quem George Clooney tem trabalhado ao longo dos anos.


Vale a pena descobrir “Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind” e conhecer como nasceu um cineasta chamado George Clooney!

24.3.26

Joe Roth - “O Par do Ano” / “America’s Sweethearts”


Joe Roth
“O Par do Ano” / “America’s Sweethearts”
(EUA – 2001) – (99 min. / Cor)
Julia Roberts, Billy Crystal, Catherine Zeta-Jones, John Cusack.

Joe Roth é um desses produtores de Hollywood, excelente conhecedor de Hollywood, tanto na área cinematográfica como do pequeno écran e esporadicamente surge a realizar, como sucede com esta delirante película, cujo argumentista foi o nosso bem conhecido Billy Crystal, que aqui veste a pele do agente que tem de promover o último filme de um dos pares mais famosos do cinema o qual, ao contrário do que pensam os seus fans, se encontra separado; assim é montada uma estratégia, sempre à beira do precipício, para oferecer ao grande público e à imprensa o “grande amor, deste casal de estrelas”, conhecido como “O Par do Ano”.


Mais uma vez John Cusack está perfeito numa personagem que lhe assenta como uma luva e o mesmo se pode dizer de Catherine Zeta-Jones, os dois protagonistas do desavindo casal. Já Billy Crystal, na figura do infeliz agente Lee Philipps, irá contar neste seu plano para uma promoção perfeita da película com a cumplicidade da assistente e irmã da intratável Gwen Harrison (Catherine Zeta-Jones), esse “patinho feio” que todos tratam por Kiki (Julia Roberts), ao mesmo tempo que navega no meio de forma invisível, já que ninguém repara nela.


“America’s Sweethearts” / “O Par do Ano” é muito mais que uma delirante comédia, porque tem um elenco de secundários de primeira água! Christopher Walken, Stanley Tucci, Alan Arkin e Hank Azaria, só para citar alguns dos intervenientes, que nos irão surgir nas mais delirantes sequências, onde não faltam as referências cinéfilas e nunca é demais referir a genial composição de Christopher Walken, na figura do cineasta de culto!


E até o inesquecível Larry King, que infelizmente já nos deixou, quis fazer uma “perninha” no filme.