31.3.26

Anar Band - "Anar Band"


Anar Band
"Anar Band"
Alvorada
1977

Jorge Lima Barreto - synthesizer piano, percussion
Rui Reininho - electric guitar, percussion.


Este álbum de estreia da Anar Band, surgiu em 1977 e surpreendeu o auditório com musicólogo, jornalista e compositor Jorge Lima Barreto nos teclados e o Rui Reininho na guitarra eléctrica, que viria a abandonar o projecto Anar Band para se tornar no vocalista dos GNR (Grupo Novo Rock)..

O álbum "Anar Band" apresenta no lado A quatro temas que se encontram interligados transformando-o num tema que ocupa a totalidade do lado, uma fórmula muito em voga nessa época, bastando recordar o "The Lamb Lies Down On Broadway" dos Genesis, em que o responsável pela ligação musical das faixas foi um cavalheiro chamado Brian Eno. Enquanto no lado B temos quatro temas independentes e que nos oferecem uma viagem musical bem diferente.


Como simples curiosidade será sempre de recordar os títulos dos temas que nos reenviam para o universo da banda desenhada e não só e por isso mesmo aqui vos deixo os títulos:

Lado A - Aquaman / Plasticman / Batman / Superman.

Lado B - 1 - Fantasma; 2 - Sandokan; 3 - Mandrake; 4 - Fantasma.

Jerry Spring - "A Rapariga do Canyon" - Jijé / Philip


Jerry Spring
"A Rapariga do Canyon" / "La fille du canyon"
Arte: Jijé (Joseph Gillain)
Argumento: Philip (Philippe Gillain)
Revista Spirou - 2ª Série nºs. 1 a 23
Ano: 1979

A aventura de Jerry Spring intitulada "A Rapariga do Canyon" / "La fille du canyon" é o 16º álbum da famosa série de banda desenhada, sendo a história constituída por 46 pranchas, que foram publicadas na segunda série da revista "Spirou" portuguesa, que tinha como director Vasco Granja.


Para aqueles que não sabem convém referir que Jijé o desenhador da série se chama Joseph Gillain e o argumentista desta história que assina simplesmente como Philip, foi um argumentista "ocasional" desta série e o seu nome é Philippe Gillain, o filho de Jijé. Para terminar nunca é demais referir que esta é a mais divertida aventura de Jerry Spring que li até hoje e já ando à mais de meio-século a ler banda desenhada.

Richard Burton - (1925 - 1984)


Richard Burton
Aniversário: 10 de Novembro
Fotograma: "Adeus Ilusões" / "The Sandpipe"
Filme de Estreia: "The Last Days of Dolwyn"
Filme Favorito: "A Noite de Iguana" / "The Night of Iguana"
Oscar: 7 Nomeações.

Frank Capra - “O Mundo é um Manicómio” / “Arsenic and Old Lace”


Frank Capra
“O Mundo é um Manicómio” / “Arsenic and Old Lace”
(EUA – 1944) – (118 min. – P/B)
Cary Grant, Priscilla Lane, Raymond Massey, Peter Lorre.

Para muitos esta peça escrita por Joseph Kesselring, que foi um enorme sucesso na Broadway e que teve nos gémeos Epstein (os autores do célebre "Casablanca"), os argumentistas perfeitos, vive do enorme talento dos actores que lhe deram vida no cinema.


Cary Grant e as famosas tias, que gostavam de envenenar os velhinhos que acolhiam, depois temos o Coronel, com a sua corneta, mais o temível irmão de Mortimer Brewster, acompanhado por aquele senhor alemão, a quem alguns chamaram num filme de Lang, o vampiro de Düsseldorf e aqui é "médico", depois ainda temos um polícia metediço e bem intencionado e por fim a pobre noiva recém-casada com Mortimer Brewster, a bela Elaine Harper, que está na casa ao lado à sua espera, enquanto ele dá a noticia do seu casamento às tias.


Não sei se perceberam, mas a ficha técnica e artística habitual está no topo, e ver este "Arsenic and Old Lace" / "O Mundo é Um Manicómio" é muito mais hilariante do que assistir aos telejornais da nossa televisão, as notícias são iguais de canal para canal e no fim nem as tias se salvam!

30.3.26

Carlos Santana / Mahavishnu John McLaughlin - "Love Devotion Surrender"


Carlos Santana / Mahavishnu John McLaughlin
"Love Devotion Surrender"
CBS
1973


Carlos Santana - guitar
John McLaughlin - guitar
Jan Hammer - piano
Larry Young - organ
Doug Rauch - bass
Armando Peraza - congas
Bill Cobham - drums
James Lewis . percussion
Don Alias - percussion, drums


O encontro entre Carlos Santana e John McLaughlin, dois guitarristas incontornáveis, originou este belo e inesquecível "Love Devotion Surrender", por onde navega a memória de John Coltrane, nos dois primeiros temas do álbum!

"John Huston - Cavaleiro Errante" - Vários Autores


"John Huston - Cavaleiro Errante"
Vários Autores
Páginas: 320
Cinemateca Portuguesa

Textos de:
- Maria João Madeira
- Gary Edgerton
- António Santamarina
- Nuria Vidal
- Manuel Cintra Ferreira
- Mário Jorge Torres
- Luís Miguel Oliveira
- Lesley Brill
- John Huston,
- James Agee


Ao longo dos anos a Cinemateca Portuguesa tem dedicado muitos dos seus catálogos à obra e vida de um cineasta, oferecendo assim ao grande público livros cuja qualidade é indesmentível e que reúnem textos das mais diversas proveniências, desde críticos da própria Cinemateca até outros contributos oriundos do universo crítico nacional e internacional. "John Huston - Cavaleiro Errante" é precisamente um dos grandes catálogos editados pela Instituição e que bem merece ser redescoberto, tal como a filmografia do cineasta, que anda um pouco esquecida. Tendo em conta a dificuldade que há em encontrar as obras da Cinemateca nos espaços comerciais, aqui fica o convite para descobrirem este livro, assim como o cinema de John Huston, um verdadeiro cavaleiro errante da Sétima Arte.

Claude Monet - "Les Déchargeurs de charbon"


Claude Monet
"Les Déchargeurs de charbon"
Óleo sobre tela
54 x 65,5 cm.
Ano: 1875
Musée d'Orsay

Claude Monet - (1840 - 1926) - nesta intitulada "Les Déchargeurs de charbon" oferece-nos a labuta diária dos trabalhadores que descarregam quilos de carvão das embarcações fruto dessa época em que a revolução industrial impunha horário terríveis junto das das massas trabalhadores, que conduziam à exaustão quem por ali sobrevivia em condições, por vezes bem degradantes, com condições inimagináveis nos dias de hoje. Não é por acaso que nesta pintura o sol está ausente encontrando-se a atmosfera carregada de tons escuros, reflexo perfeito das do esforço despendido por quem ali trabalhava, aliás a forma como as silhuetas dos trabalhadores que transportam os quilos de carvão às costas é disso mesmo exemplo da época que então se vivia em França e no resto da Europa.

Gary Fleder - “O Júri” / “Rumaway Jury”


Gary Fleder
“O Júri” / “Rumaway Jury”
(EUA – 2003) – (127 min./Cor)
John Cusack, Gene Hackman, Dustin Hoffman, Rachel Weisz, Bruce Davidson.

O nome do escritor John Grisham é por demais conhecido do mundo literário, tendo o universo da advocacia como um dos seus territórios de eleição para os seus thrillers, explorando de forma precisa as contradições da profissão, ao mesmo tempo que tem encontrado uma enorme recepção aos seus romances por parte do cinema e basta recordar filmes como “A Firma” / “The Firm”, realizado por Sydney Pollack, “Dossier Pelicano” / “Pelican Brief”, dirigido por Alan J, Pakula ou “O Poder da Justiça” / “The Rainmaker”, levado ao grande écran por Francis Ford Coppola, só para citar alguns dos nossos favoritos, para termos de imediato a certeza das qualidades deste magnifico filme intitulado “O Júri” / “Runaway Jury”, que forma com as três películas citadas um quarteto perfeito.


Ao entrarmos na génese desta película realizada por Gary Fleder, um experiente homem do pequeno écran, vamos entrar nesse território que antecede os julgamentos na América e que se intitula a formação do Júri, que irá julgar um caso em que estão envolvidos milhões de dollars e vidas humanas e se a parte acusada, onde os meios financeiros abundam e que conta com o poderoso Ranken Fitch (Gene Hackman), que não olha a meios para atingir os seus fins, já o outro lado tem em Wendell Rohr (Dustin Hoffman) um advogado que faz da honestidade o seu lema no interior da profissão que escolheu, mas pelo meio deste duelo iremos descobrir Nicholas Easter (John Cusack, numa genial interpretação), que ao ser convocado para pertencer ao Júri deste caso, tudo fará para ser excluído, ao mesmo tempo que iremos conhecer, Marlee (Rachel Weisz), uma mulher enigmática que acompanha o julgamento de forma (in)visível, “incendiando” as diversas audições e sabotando o trabalho do poderoso Ranker Fitch (Gene Hackman).


“O Júri” / “Runaway Jury” de Gary Fleder é uma dessas películas que nos traz à memória o fabuloso “Doze Homens em Fúria” / “12 Angry Men” de Sidney Lumet, que vi com sete anos e do qual nunca mais me esqueci e se aí tínhamos Henry Fonda, desta vez num combate bem diferente, estamos perante uma questão bem premente neste século XXI: será que o poder do dinheiro consegue comprar a verdade?

29.3.26

Harmonia 76 - "Tracks & Traces"


Harmonia 76
"Tracks & Traces"
Rykodisc
1997


A banda de krautrock Harmonia nasceu da junção do guitarrista Michael Rother, dos Neu, com os dois membros do grupo Cluster, Hans-Joachim Rodelius e Dieter Moebius, que possuíam o seu próprio Estúdio de gravação, nessa tranquila região Bávara da Floresta Negra, onde podiam trabalhar de forma contemplativa a música que criavam, oferecendo-nos verdadeiras paisagens musicais, por onde fluía a guitarra de Michael Rother.

Após terem gravado dois álbuns, “Music Von Harmonia” (1974) e “DeLuxe” (1975), o visionário Brian Eno, ao escutar os trabalhos dos Harmonia, elegeu-os como o mais importante grupo de rock surgido nesses anos, tendo de imediato partido ao seu encontro, para trabalharem em conjunto os temas que irão dar origem ao álbum “Tracks and Traces”, mas durante as sessões de gravação no Estúdio dos Cluster, Brian Eno irá receber o célebre convite de David Bowie para trabalhar com ele em Berlin, porque também Bowie se encontrava fascinado pelo movimento Krautrock, tendo de imediato Eno partido ao seu encontro, para participar com David Bowie naquele que ficou conhecido como o período de Berlin do qual nasceram três álbuns.


Os temas produzidos nos Estúdios da Floresta Negra pernoitaram durante longos anos até verem a luz do dia, já numa época em que Michael Rother encetara uma carreira de sucesso a solo, enquanto Moebius e Rodelius refundavam os Cluster e Brian Eno se transformava na figura proeminente da denominada Ambient Music.

O surgimento deste trabalho tão secreto surpreendeu meio-mundo nos anos noventa do século passado, mas rapidamente ficou esquecido devido a uma deficiente distribuição e divulgação. Em 2009 surgiu uma nova edição, ostentando uma nova capa (fotografia dos quatro músicos a beberem café ou chá), que nos oferece três temas extras à gravação original: “Welcome”, “Atmosphere” e “Aubade”. “Tracks and Traces” é todo ele composto por temas instrumentais, da autoria dos quatro músicos, excepto “Luneburg Heath” uma faixa cantada por Brian Eno.

Redescobrir “Tracks and Traces” de “Harmonia & Eno” é um verdadeiro mergulho no interior das belas paisagens criadas pelo Krautrock, que tanto fascinou uma geração e que bem merece ser descoberto neste novo milénio, já que se trata de uma das pérolas mais secretas desta maravilhosa música.

Helena Lima - "Gosto de Te Ver Zangado"


"Gosto de Te Ver  Zangado"

Gosto de te ver zangado
Mas se é só um bocadinho
Esse teu ar amuado
Parece pedir carinho

Acho graça ver-te assim
Esse teu ar tem poesia
E dou-te em beijos de mim
O que tenho de alegria

Se estás zangado a valer
Sem teus olhos a falar
Então não sei que dizer
Só me apetece chorar

Não te voltes a zangar
Fica o mundo triste e eu
Sem te poder abraçar
Fico mais triste que tu!

Nota: Poema incluído no disco "Barcos no Cais" de Helena Lima.

Helena Lima
in "Poesia"

Amy Adams - (1974)


Amy Adams
Aniversário: 20 de Agosto
Fotograma: "Julie & Julia"
Filme Favorito: "Olhos Grandes" / "Big Eyes" - Tim Burton
Filme de Estreia: "Linda de Morrer" / "Drop Dead Gorgeous" - Michael Patrick Jann.
Oscar: Nomeada 6 vezes.

Blake Edwards - “A Semente de Tamarindo” / “The Tamarind Seed”


Blake Edwards
“A Semente de Tamarindo” / “The Tamarind Seed”
(EUA – 1974) – (119 min./Cor)
Julie Andrews, Omar Sharif, Anthony Quayle.

O nome de Blake Edwards está associado aos famosos filmes do Inspector Clouseau e dessa temível Pantera, cujas comédias arrastaram multidões, mas na sua longa filmografia pode-se encontrar também películas bem sérias como este policial, intitulado “A Semente de Tamarindo” / “The Tamarind Seed”, que de imediato cativa qualquer leitor dos romances de John Le Carré, não só devido à elegância dos diálogos entre o espião russo Feodor Sverlov (Omar Sharif numa excelente interpretação) e a funcionária do Foreign Office Judith Farrow (Julie Andrews) que, após se terem cruzado nas ilhas Barbádos, se transformam num par improvável de apaixonados, porque ambos sabem que, no ano de 1974, a Guerra Fria estava bem quente e ambos serão alvo dos respectivos serviços secretos.


O clima que se vai instalando ao longo da película, deixa inúmeras dúvidas sobre a sinceridade deste espião soviético, ao mesmo tempo que vamos descobrindo os planos do temível General Golitsyn (Oskar Homolka), que não olha a meios para atingir fins, mas que tem ao seu nível o cinismo do seu homólogo britânico, o mal-amado Jack Loder (Anthony Quayle, sempre excelente).


Desde os famosos interrogatórios do MI5, passando pela toupeira russa, infiltrada ao mais alto nível, até chegar ao famoso final, todo o argumento se situa muito próximo dessa Gente de Smiley, que tem habitado os romances de Le Carré, depois temos um conjunto de interpretações magnificas e uma realização bem cuidada, como foi sempre apanágio do homem que se tornou marido de Julie Andrews e se a estrela não nos surpreende a habitar este território de espiões, a razão prende-se com o famoso filme de Hitchcock “Cortina Rasgada” / “Torn Curtain” em que tinha como colega de elenco Mr. Blue Eyes, também conhecido por Paul Newman.

28.3.26

Julian Priester Pepo Mtoto - “Love, Love”


Julian Priester Pepo Mtoto
“Love, Love”
ECM Records
1974

Julian Priester Pepo Mtoto (Julien Priester) – trombone, horn, cowbell, whistle flute, percussion, synthesizers, bass trombone.
Pat Gleeson – synthesizers.
Hadley Caliman – flute, soprano saxophone, tenor saxophone, bass clarinet.
Bayete Umbra Zindiko (Todd Thomas Cochran) – piano, electric piano, clavinet.
Nyimbo Henry Franklin (Henry Franklin) – electric bass, acustic bass.
Kamau Eric Gravatt (Eric Gravatt) –drums.
Ndugu Leon Chancler (Leon Chancler) – drums.
Ron McClure – electric bass.
Bill Connors – electric guitar.
Mguanda David Johnson (David Johnson) – flute, soprano saxophone.

1 – Prologue / Love, Love – 19:30
2 – Images / Eternal Worlds / Epilogue – 18:24


Um género musical que marcou decididamente os anos setenta foi o jazz-rock e um dos nomes mais originais nesta área, hoje em dia tão esquecida, foi precisamente Julian Priester que, com este "Love, Love", nos oferece um trabalho discográfico bem original, fugindo aos diversos parâmetros onde era hábito situar este género musical.

Mantendo uma tradição que fez escola também nesta época, mas que invadiu outros géneros musicais, como o rock progressivo, o trabalho "Love, Love" estende-se na totalidade por cada um dos lados do disco de vinil. Vale a pena descobrirem!

A gravação deste álbum efectuou-se nos dias 28 de Junho e 12 de Setembro de 1973, no Different fur Music, San Francisco, por John Viera e Dane Butcher. Produzido por Julian Priester e Pat Gleeson. Layout de B & B Wojirsch. Capa do álbum da autoria de Tadayuki Naito.

Todos os temas foram compostos por Julian Priester Pepo Mtoto.

Bill Connors, Ron McClure e Eric Gravatt tocam apenas no lado 1, enquanto Henry Franklin, Leon Chancler e David Johnson surgem apenas no lado 2. Alguns dos músicos participantes no álbum “Love, Love”, de Julian Priester, decidiram assinar o trabalho discográfico com um nome um pouco diferente, modificando assim o nome pelo qual são mais conhecidos, o qual surge entre parêntesis.

Schtroumpfs - "A Fome dos Schtroumpfs" - Peyo


Schtroumpfs
"A Fome dos Schtroumpfs" / "La faim des Schtroumpfs"
Arte: Peyo
Argumento: Peyo
Spirou nº.1 a 20 - 2ªSérie
Ano: 2017

Hoje decidi rever os maravilhosos "Schtroumpfs" azuis, criação do artista Peyo,  que um dia encontrei no Museu da Banda Desenhada em Bruxelas com a sua aldeia e depois através da memória regressei à primeira série do Spirou português, nessa época em que a revista Tintin vendia como pãezinhos quentes e a editora Bertrand decidiu lançar a versão portuguesa da revista Spirou. 


Esta aventura intitulada "A Fome dos Schtroumpfs" / "La faim des Schtroumpfs" surgiu publicada no nosso país quando esse amante da banda desenhada, chamado Vasco Granja, decidiu relançar a revista "Spirou" numa segunda série, que infelizmente teve uma curta duração, tal como sucedeu com a primeira edição editada pela Bertrand que durou apenas seis meses.

Alfred Sisley - "Le Canal Saint-Martin"

Alfred Sisley
"Le Canal Saint-Martin"
Óleo sobre tela
38 x 46,5 cm.
Ano: 1872
Musée d'Orsay, Paris.

Alfred Sisley - (1839 - 1899) - foi um pintor impressionista de origem britânica, embora tenha nascido em Paris, sendo os seus pais ingleses. Recorde-se que o seu pai era director de uma empresa de exportação de flores artificiais para a América latina e que desejava que o filho lhe seguisse as suas pisadas à frente deste negócio, tendo o jovem Alfred Sisley estudado em Inglaterra na área do Comércio, mas a paixão da pintura seria mais forte para este jovem e assim o seu destino viria a ser traçado no interior das belas-artes.


Desde muito cedo Alfred Sisley se apaixonou pelo movimento dos embarcações ao longo do famoso canal Saint-Martin, um dos locais de turismo nos dias de hoje com os passeios turísticos que existem neste famoso canal com as suas comportas. Um passeio que já fizemos e que é verdadeiramente fascinante até chegarmos a "la Villette. Podemos ver ao fundo do quadro uma das pontes da época, ao mesmo tempo que o reflexo das nuvens nas águas do rio é uma constante e que foi devidamente retratada nesta famosa obra do pintor impressionista.

Billy Wilder - "Cinco Covas no Egipto" / "Five Graves to Cairo"


Billy Wilder
"Cinco Covas no Egipto" / "Five Graves to Cairo"
(EUA – 1943) – (96 min. - P/B)
Franchot Tone, Anne Baxter, Eric Von Stroheim, Akim Tamiroff, Peter Von Eyck.

Billy Wilder é um nome conhecido dos cinéfilo e são inúmeros os filmes que são citados como um dos favoritos, no entanto as suas obras iniciais permanecem um pouco desconhecidas, como sucede com este “Cinco Covas no Egipto” / “Five Graves to Cairo”, já editado em dvd.


“Five Graves to Cairo” / “Cinco Covas no Egipto” foi o segundo filme de Billy Wilder realizado em terras americanas, recorde-se que ele foi o argumentista dessa obra fulcral do cinema germânico intitulada “Menschen am Sonntag” e sendo Billy Wilder austríaco, trabalhou na UFA até 1933, partindo da Alemanha após a chegada de Hitler ao poder, permanecendo em território francês durante cerca de um ano (onde realizou “Mauvaise Graine”, o seu baptismo atrás da câmara), partindo de seguida para os Estados Unidos onde Peter Lorre, o actor de “M” / “M – Matou”de Fritz Lang, foi um bom amigo.


Em 1942, quando toda a gente pensava que a conquista do Cairo por Rommel estaria por semanas, após a sua vitória em Tobruck, os aliados através do general britânico Montgomery iriam, em El Alemain, derrotar pela primeira vez a célebre “raposa do deserto”. E como durante estes anos o cinema teve sempre uma palavra a dizer no esforço da guerra, basta recordar essa séria fabulosa de Frank Capra “Why We Fight”, os Estúdios americanos empenharam-se a fundo nesse trabalho e a Paramount encomendou a Billy Wilder um filme sobre a derrota de Rommel, corria então o ano de 1943, faltando ainda dois longos anos para terminar a Segunda Guerra Mundial.


No início do filme encontramos um tanque desgovernado a andar pelas areias do deserto, estando todos os seus ocupantes mortos, excepto o major John Bramble (Franchot Tone), que é “cuspido” para fora do tanque caindo nas areias escaldantes do deserto, tudo parece perdido para ele, mas quando menos espera encontra uma estrada que o irá levar até ao hotel de Farid (Akim Tamiroff), que servira de quartel-general das tropas britânicas derrotadas em Tobruck, onde é recolhido por Farif e Mouche (Anne Baxter), uma francesa que odeia os ingleses por eles os terem abandonado no início do conflito, com a trágica “fuga” em Dunquerque. Mas, pouco depois de o Major chegar ao hotel, surgem as tropas alemãs que decidem montar o seu Estado-Maior naquele local, onde irá permanecer Rommel (Erich Von Stroheim) na sua caminhada “vitoriosa”. Para não ser preso pelos alemães, o major Bramble irá assumir a identidade de um empregado do hotel que morrera após um dos muitos bombardeamentos alemães, desconhecendo que ele era um espião alemão.


Curiosamente, a forma como nos é apresentado Rommel por Billy Wilder é bastante diferente daquela que se poderia pensar inicialmente, já que estamos em plena guerra, sendo este trabalho um produto inevitável de propaganda, mas o cineasta sempre foi um homem que respirou cinema por todos os poros e daí a forma como ele decidiu apresentar os seus personagens. Ali existem dois exércitos em confronto e é essa história que ele nos vai contar.


Rommel sempre teve grandes actores a interpretar a sua figura, Erich Von Stroheim aqui e mais tarde James Mason. Mas neste filme também existe uma história de amor e ódio na figura de Anne Baxter (recordam-se dela na “Eve” / “Eva” de Joseph L. Mankiewicz), que só pretende recuperar o irmão preso num campo de concentração alemão, daí a relação que ela estabelece com o tenente Schweger (Peter Von Eyck, excelente), ao mesmo tempo que odeia o major Bramble. Mas nem sempre as coisas são o que parecem e no final tudo será diferente após se descobrir o segredo das cinco covas do Egipto.


Oferecendo-nos já todo o seu saber, Billy Wilder constrói um filme que, situando-se ao longo do tempo quase sempre no mesmo décor, nos prende à cadeira até ao último minuto, revelando-se a direcção de actores um dos seus pontos fortes, onde Erich Von Stroheim e Anne Baxter se destacam. Um filme bem interessante, que merece ser (re)descoberto.

27.3.26

King Crimson / ProjeKct Two - "Space Groove I"


King Crimson / ProjeKct Two
"Space Groove"
Discipline Global Mobile
1998


Robert Fripp - guitar
Adrian Belew - V drums
Trey Gunn - touch guitar, guitar synth


Nessa época em que o ano de 1998 viu nascer o Projekct Two a sua música foi classificada de jazz-rock, space-rock e até de experimental, mas estes cavalheiros não são outros do que os King Crimson em trio: Robert Fripp, Adrian Belex e Trey Gunn (ex-aluno de Mr. Fripp).

E as razões comerciais ou editoriais que os levaram a lançar na Discipline Global Mobile são lé com eles, mas fizeram muito bem, porque este duplo cd dividido em "Space Groove" e "Vector Patrol" é excelente, depois como sabem aqueles que lhes seguiram os passos, as formações e os algarismos romanos multiplicaram-se como um milagre e as sonoridades também, consoante as formações sempre como "Projekct" (o "Kc" é elucidativo ou marca registada).

De todos os "Projekct" que nasceram a partir da formação dos King Crimson até hoje tenho de confessar que este é o meu favorito, não por ser o primeiro a ver a luz do dia da edição, apesar de ser "Two" e de se ter antecipado ao "One"!

James Finn Garner - "Clássicos de Hollywood Politicamente Correctos"


James Finn Garner
"Clássicos de Hollywood Politicamente Correctos"
"Recut Madness – Favorite Movies Retold for Your Partisan Pleasure"
Páginas: 218
Gradiva

Numa época em que se tenta tirar tantas ilações políticas dos argumentos dos filmes, James Finn Garner oferece-nos neste “Clássicos de Hollywood Politicamente Correctos” / "Recut Madness – Favorite Movies Retold for Your Partisan Pleasure", uma viagem por diversos argumentos de filmes que fizeram as delícias das mais diversas gerações, oferecendo-nos uma visão da história do cinema verdadeiramente aliciante.

Basta olhar para a capa da edição para, de imediato, um sorriso nos surgir no rosto, pois ali temos as personagens do famoso “O Feiticeiro de Oz”, com a feiticeira ou bruxa má se preferirem a recordar-nos Hilary Clinton, ao mesmo tempo que o Feiticeiro é o não menos famoso George W. Bush.

De “Laranja Mecânica” a “Citizen Kane”, passando por “As Vinhas da Ira”, descobrimos na sua escrita um humor corrosivo, ao mesmo tempo que a memória cinéfila nos conduz pela estrada do cinema.


James Finn Garner oferece-nos assim uma série de “guiões corrigidos para agradar à esquerda e à direita”, porque como ele refere na introdução do seu livro, “diz-se que os filmes preferidos de alguém nos dão muitas indicações sobre as suas inclinações políticas”. (…) Mas porque há-de a arte permanecer segregada? Por que razão hão-de as tendências políticas de uma pessoa impedi-la de desfrutar a gama completa das artes cinematográficas?”.

Este escritor cujo passatempo favorito é pôr em causa a ideologia dominante do século XXI, o bem conhecido “politicamente correcto”, que nos faz dar um novo uso ao vocabulário tornando simples palavras que utilizámos uma vida inteira como proibidas nos dias de hoje ou se preferirem censuradas pelo nosso (in)consciente.

Vale a pena ler “Clássicos de Hollywood Politicamente Correctos” pela magia que respira na escrita de James Finn Garner e o aliciante jogo cinéfilo que vive no interior de cada história.

Claude Monet - "Gare Saint-Lazare, arrivée d'un train"

Claude Monet
"Gare Saint-Lazare, arrivée d'un train"
Óleo sobre tela
75 x 105 cm.
Ano: 1877
Fogg Art Museum, Cambridge.

Claude Monet - (1840 - 1926) - foi o mais célebre pintor impressionista francês, sendo curioso o facto de o termo "impressionista ter surgido a partir da sua obra intitulada "impressão, nascer do sol", tendo sido o escritor Louis Leroy a criar este termo. Recorde-se que Louis Leroy também se dedicava à arte da pintura.


Como podemos ver nesta obra intitulada  "Gare Saint-Lazare, arrivée d'un train" que a famosa gare ferroviária domina o quadro com os seus tons cinzentos, ao mesmo tempo que retrata a evolução da época com o nascimento da indústria e o respectivo progresso que se assiste nesta época de finais do século xix. Sendo de realçar que Claude Monet sentiu um certa fascínio pelos ambientes ferroviários tendo realizado um conjunto de obras em que aborda esta temática, já que sempre que se dirigia paa fora de Paris rumo à província era precisamente os meios ferroviários que usava para as suas deslocações.

George Clooney - “Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind”


George Clooney
“Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind”
(EUA/Alemanha/Canada – 2002) – (113 min./Cor)
Sam Rockwell, George Clooney, Julia Roberts,
Drew Barrymore, Rutger Hauer, Maggie Gyllenhaal.

Foi com este filme “louco”, mas bem verdadeiro, que George Clooney se estreou como realizador, dando de imediato um passo enorme a caminho da categoria de cineasta e nunca é demais recordar que o amigo Steven Soderbergh foi o produtor executivo, enquanto o argumento foi escrito por Charlie Kaufman, que até não gostou muito da pelicula após ter visto o resultado final, mas também confessou que possivelmente nenhum Estúdio iria certamente aceitar as suas opções criativas e por fim temos Sam Rockwell a interpretar a figura de Chuck Barris, um conhecido apresentador de programas da televisão norte-americana, autor do livro de memórias, escolhido por George Clooney para o seu baptismo atrás da câmara de filmar.


Ao longo destas “Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind”, iremos conhecer a história de Chuck Barris (com uma interpretação memorável de Sam Rockwell), que ao longo das décadas de 60 e 70 (do séc.XX) se irá tornar um conhecido apresentador, autor e produtor de programas como “The Gong Show”, “The Dating Game” e “The Newlywed Game”, entre outros, mas que terá também uma outra profissão nessas décadas em que a Guerra Fria fazia parte do quotidiano e a Alemanha se encontrava dividida entre RFA e RDA, ao ser contratado para trabalhar como agente dos serviços secretos norte-americanos.


George Clooney, que interpreta a personagem de Jim Byrd, o homem que o convida a entrar para a Agência norte-americana irá ser o seu mentor, sendo memorável a cena de abordagem e recrutamento, tal como toda a sequência passada em Berlin Leste, onde iremos descobrir esse grande actor chamado Rutger Hauer na figura do contacto alemão, Keeler, e onde percebemos como nesses tempos a improvisação era a lei, porque nada corria como o previsto ou seja as fugas perfeitas do Leste para o Ocidente só aconteciam nos filmes e nos livros, já que na realidade só a sorte marcava o destino e o sucesso das fugas ou informações confidenciais. Por outro lado nunca é demais recordar que os serviços secretos norte-americanos souberam da queda do muro de Berlin pela CNNJ!


A feitura de “Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind” não foi fácil para George Clooney, em termos de recolha de meios para a sua concretização, mas contou com o apoio de muitos amigos e se, como dissemos anteriormente, a presença de Steven Soderbergh foi fundamental, já Julia Roberts e Drew Barrymore aceitaram um cachet “simbólico” de 250.000 dollars, por outro lado Brad Pitt e Matt Damon com duas aparições (os célebres “cameo”), fizeram-no de “borla” e depois muitas das sequências foram feitas em apenas um “take”, para poupar dinheiro, mas com excelentes resultados! Veja-se o ritmo da película e a loucura que por ali navega e certamente muitos se irão recordar dos irmãos Coen, com quem George Clooney tem trabalhado ao longo dos anos.


Vale a pena descobrir “Confissões de uma Mente Perigosa” / “Confessions of a Dangerous Mind” e conhecer como nasceu um cineasta chamado George Clooney!

26.3.26

Art Ensemble of Chicago - “Full Force”


Art Ensemble of Chicago
“Full Force”
ECM Records
1980


Lester Bowie – Trumpet
Joseph Jarman – Sopranino Sxophone, Alto Saxophone, Tenor Saxophone, Baritone Saxophone, Bass Saxophone, Bass Clarinet, Bd Clarinet, Bassoon, Piccolo, Flute, Alto Flute, Conch Shel, Vibraharp, Celeste, Gongs, Congas, Whistle.
Roscoe Mitchell – Soprano Saxphone, Alto Saxophone, Baritone Saxophone, Piccolo, Flute, Bd Clarinet, Gongs, Glockenspiel, Conga.
Malachi Favors Maghostus – Bass, Percussion, Melodica, Vocal.
Famoudou Don Moye – Sun Percussion (Drums, Bells, Bikehorns, Congas, Tympani, Bongos, Chimes, Gongs, Conch Shell, Whistles, Wood Blocks, Cow Bells).

1 – Magg Zelma – 19:50
2 – Cara Free - 0:46
3 – Charlie M – 9:17
4 – Old Tome Southside Street Dance – 5:11
5 – Full Force – 7:24


O Art Ensemble of Chicago é, nos dias de hoje, uma verdadeira Instituição do jazz de avant-garde, onde dois nomes são incontornáveis no caminho que a banda trilhou ao longo das décadas sempre na vanguarda: Lester Bowie e Roscoe Mitchell, os dois alicerces fundamentais da banda. E se tem dúvidas no que terminou de ler, escute o tema “Charlie M” dedicado a Charlie Mingus, por outro lado terá sempre a oportunidade de navegar no tema “Magg Zema” que, como era moda na época em que foi gravado este álbum (1980), ocupava a totalidade do lado A do vinil. Descobrir a música do Art Ensemble of Chicago é mergulhar nos ambientes mais tórridos e aliciantes do jazz de vanguarda, em excelente companhia!

Um álbum gravado em Janeiro de 1980 no Columbia Recording Studios, New York, por David Baker, Mistura de Martin Wieland, Capa/Fotografia de Tadayuki Naitoh. Design de Dieter Rehm. Produção de Manfred Eicher. O tema 1 foi composto por Malachi Favors Maghostus. O tema 2 pertence a Roscoe Mitchell. O tema 3 é da autoria de Lester Bowie. O tema 4 pertence a Joseph Jarman e o tema 5 é da autoria dos membros do Art Ensemble of Chicago.