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28.8.26

"A Vida Maravilhosa de Charles Chaplin" - José Ruy


"A Vida Maravilhosa de Charles Chaplin"
Autor : José Ruy
Revista Spirou - 2ª Série - nº. 1 a 23
Ano: 1979

José Ruy chama a esta bela biografia de Charles Chaplin "uma narração livre em banda desenhada" e tendo eu lido diversos livros sobre o famoso actor e cineasta, incluindo a sua auto-biografia, confesso que gostei imenso de ler/ver este trabalho da 9ª Arte portuguesa.

"A Vida Maravilhosa de Charles Chaplin" saída da criação de José Ruy é uma leitura para miúdos e graúdos, porque alguns já não sabem o que são "livros aos quadradinhos" e esta banda desenhada bem merece ser reeditada!

7.3.26

Charles Chaplin - "Tempos Modernos" / "Modern Times"


Charles Chaplin
"Tempos Modernos" / "Modern Times"
(EUA – 1936) – (85 min. - Mudo - P/B)
Charlie Chaplin, Paulette Godard, Henry Bergman.

Quando Charlie Chaplin rodou “Os Tempos Modernos”, já o sonoro tinha tomado conta do cinema como uma verdadeira instituição. Mas o cineasta percebeu que essa figura imortal criada por ele e conhecida como Charlot nunca poderia viver sem a “pantomina” e, como tal, decidiu realizar o seu último filme mudo no interior do sonoro, para espanto de muitos.


Charlot é “convidado” a servir de cobaia a uma máquina criada para diminuir o tempo gasto pelos operários durante o almoço (numa crítica feroz ao Taylorismo), porém a máquina aumenta cada vez mais a sua velocidade para ver até que ponto vai a resistência humana, até que fica perfeitamente descontrolada ou louca, se preferirem. O nosso herói fica exausto e a loucura apodera-se dele, como não podia deixar de ser, terminando por ser conduzido ao hospital.


Ao sair recuperado, percebe que o desemprego lhe bateu à porta e rapidamente começa a viver de expedientes para sobreviver, ao mesmo tempo que decide tomar conta de uma jovem (a inevitável Paulette Godard) que, como ele, também se encontra na miséria.


Um dos momentos sublimes do filme é quando Charlot repara numa daquelas bandeiras vermelhas, transportada num camião, para sinalizar a carga e que cai no asfalto, de imediato apanha a bandeira e começa a correr atrás da camioneta para a devolver, embora o seu gesto se revele infrutífero. Nesse preciso momento surge atrás dele uma manifestação de desempregados em luta por melhores condições de vida e que ele irá encabeçar sem se aperceber, enquanto agita a bandeira vermelha. A inevitável carga policial não se faz esperar e ele termina na prisão.


Após ser libertado, Charlot irá continuar a sua caminhada pela vida, na companhia da sua jovem protegida. Irão ambos trabalhar num cabaret, criando um número musical de enorme sucesso, em que Charlot “canta/fala” pela primeira vez, brincando com uma melodia. Porém a sorte vira-lhes as costas e terminamos o filme a vê-los juntos a caminhar pela estrada fora, sem destino certo, mas com a esperança num futuro melhor.


“Modern Times” é uma obra-prima do Cinema que merece bem ser revisitada nesta época de crise global, para mais uma vez (re)descobrirmos a genialidade dessa grande figura chamada Charlie Chaplin.