30.6.26

Pat Metheny Group - “American Garage”


Pat Metheny Group
“American Garage”
ECM Records
1979

Pat Metheny – 6 & 12 – String Guitars.
Lyle Mays – Piano, Synthesizer, Autoharp, Organ.
Mark Egan – Bass.
Dan Gottlieb – Drums.

1 – (Cross The) Heartland – 6:51
2 – Airstream – 6:17
3 – The Search – 4:48
4 – American Garage – 4:10
5 – The Epic – 12:59


Aqui nasceu o célebre som do Pat Metheny Group, sendo sempre de recordar que todas as composições que se escutam em “American Garage” (um título que é desde já um programa para a banda), são da autoria da dupla Pat Metheny e Lyle Mays, que irão construir ao longo de vinte anos um dos mais belos monumentos da história do jazz, onde as mais diversas influências musicais navegam nos grandes espaços da América, como ficará bem patente pelas imagens escolhidas para as diversas edições discográficas do Pat Metheny Group.

“American Garage” revela-se assim um álbum incontornável, para quem deseja descobrir o universo do Pat Metheny Group!

Gravado em Junho de 1979 na Long View Farm Studios, NO. Brookfields, MASS., por Kent Nebergall, assistido por Jesse Henderson. Fotografia da capa do álbum de Joel Weyerowitz. Fotografia de Rob Van Petten. Design de Basil Pao. Produção de Pat Metheny tendo como Produtor Executivo Manfred Eicher.

J. Siclier / André S. Labarthe - "Cinema e Ficção-Científica"


J. Siclier / André S. Labarthe
"Cinema e Ficção-Científica" / "Images de la Science-fiction"
Introdução: Manuel Gama
Páginas: 164 + 16
Editorial Aster

O cinema nos livros tem abordado muitas vezes o género cinematográfico e se a ficção-científica foi durante muito tempo considerado um género menor, de forma bem injusta, a denominada série-B por onde este género tantas vezes navegou, recordando até esse génio dos primórdios chamado Méliès, encontra nesta obra da dupla J. Siclier / André S. Labarthe, uma das mais aliciantes abordagens a este género cinematográfico que cativou as plateias, revelando-se este livro um verdadeiro clássico do género, para os cinéfilos e não só!

Émile Antoine Guillier - "Le Théàtre de Guignol au jardin des Tuileries"


Émile Antoine Guillier
"Le Théàtre de Guignol au jardin des Tuileries"
Óleo sobre tela
Ano: 1883

Robert Luketic - “Uma Sogra de Fugir” / “Monster-in-Law”


Robert Luketic
“Uma Sogra de Fugir” / “Monster-in-Law”
(EUA - 2005) – (102 min. / Cor)
Jane Fonda, Jennifer Lopez, Michael Vartan, Wanda Sykes.

Todos nós sabemos como um dia Robert de Niro decidiu ser “Um Sogro do Pior” / “Meet the Parents”, oferecendo-nos uma comédia fabulosa, que até originou uma sequela e também nessa película conhecemos a sua “mulher”, muito diferente dele. Se um dia nos deparasse pela frente uma sogra igual a ele seria de fugir a sete pés. Porém, não tivemos de esperar muito porque Jane Fonda decidiu vestir a pele de Bob de Niro no feminino, tornando-se numa sogra de fugir, que o diga a Jennifer Lopez.


Estávamos assim não perante mais uma comédia, mas sim face ao regresso de Jane Fonda ao grande écran, depois de uma ausência de 15 anos. Uma década e meia depois da actriz, ainda, nos surpreender nessa obra-prima de Martin Ritt “Para Íris Com Amor” / “Stanley & Íris”, ela volta a dar cartas, como a grande Senhora que todos conhecemos, deixando aeróbicas de parte e Ted Turner para trás. Esta divertida comédia intitulada “Uma Sogra de Fugir” / “Monster-In-Law”, revela-se uma saborosa comédia do australiano Robert Luketic, que já nos tinha oferecido anteriormente uma “Legalmente Loura” / “Legally Blonde” chamada Reese Witherspoon.


Para acompanharmos as diabruras desta sogra foram convocados para seu filho Michael Vartan, que já tinha dado boas indicações nessa obra fabulosa de Mark Romanek “One Our Photo” / “Câmara Indiscreta”, um magnifico ensaio sobre a solidão, onde Robin Williams brilhava, sendo o Michael o marido infiel de Connie Nielsen, comoalguns devem estar recordados. Depois, para compor a figura da nora perseguida nada melhor do que Jennifer Lopez, repetindo um papel já interpretado no cinema como “cinderela”. Ela é Charlote Cantilini ou Charlie para os amigos se preferirem. Tem como profissão passear os cães dos ricos pela praia de Venice, na bela Santa Mónica, e será aí que se irá encontrar com o belo e rico médico cirurgião Kevin Fields (Michael Vartan) dando-se então início ao amor provocado pela célebre seta do Cupido e tudo irá correr bem até esse famoso dia em que ela irá conhecer Viola (Jane Fonda) a futura sogra.


Vamos então assistir ao show de Jane Fonda na figura dessa temível sogra que tudo fará para destruir o casamento do filho. Pela frente ela é só doçuras, nunca hesitando no comentário depreciativo cheio de charme, para demonstrar à futura nora que ela se enganou no número da porta, o seu querido filho nunca poderá casar com uma mulher como Charlie e actuando desta forma, Viola, sempre mergulhada em calmantes, irá tudo fazer para demonstrar a Kevin como ele escolheu a mulher errada e que mesmo que ela fosse a última mulher ao cimo da terra nunca poderia contrair matrimónio com ele.


A actuação de Jane Fonda é de tal forma electrizante, que nos esquecemos da presença de Jennifer Lopez, os seus ataques de fúria perfeitamente descontrolados são perfeitos e depois temos a sua assistente Ruby (Wanda Sykes), sempre pronta a deitar “água na fervura”, não vá o “caldo entornar à vista de todos”. Surge então esse momento sublime da recepção em que a querida sogra compra um vestido para a futura noiva, fazendo sobressair de forma escandalosa o corpo de Jennifer Lopez.


Encontrar Jane Fonda nesta comédia é uma perfeita delícia, porque como sabemos ela não necessita de provar nada, todos conhecemos o seu talento, basta recordar filmes como “Julia”, “Os Cavalos Também se Abatem” / “They Shoot Horses, Don’t They?”, “Klute” ou “Descalços no Parque” / “Barefoot in the Park” e ficamos por aqui porque a lista é longa. A Jane que um dia rodou “Tout va Bien” ao lado de Yves Montand, assinando no filme o seu contrato, ou a erótica “Barbarella”, fazem parte integrante do seu curriculum, já para não falar dessa ida polémica a Hanói, em plena guerra do Vietname, para ser fotografada em cima de um tanque, escandalizando a América e a família. Essa família Fonda tão desavinda e tão talentosa, ou não fosse ela filha de Henry Fonda e como todos sabemos filha de peixe sabe nadar, que o digam o irmão Peter Fonda e a sobrinha Bridget Fonda. Curiosamente seria com “Uma Casa no Lago” / “On Golden Pond”, que essa família talentosa mostraria ao mundo, como o passado não pode interferir com o presente. Aliás foi ela quem foi receber o Oscar atribuído ao pai, já que ele se encontrava doente em casa.


Regressando a “Uma Sogra de Fugir” somos obrigados a reconhecer que estamos perante um “One Woman Show”, porque ela é o filme, chegando por vezes a obrigar-nos a recordar os tempos dessa Hollywood das “screwball comedy”, em que pontificaram Carole Lombard e Gregory La Cava. Infelizmente o realizador de “Monster-In-Law”, não possui a arte de La Cava, embora não interfira de forma alguma com o talento de Jane Fonda. Ela enche o écran, fazendo-nos esquecer os seus partenaires, nora e filho, ou melhor Jennifer e Michael, embora tenha em Wanda Sykes uma actriz à altura para responder com charme e humor a todas as suas réplicas, tornando desta forma “Uma Sogra de Fugir” uma comédia no feminino, cheia de humor.

29.6.26

Carly Simon - "No Secrets"


Carly Simon
"No Secrets"
Elektra
1972

Carly Simon ao terceiro álbum alcançou um sucesso mais do que merecido, revelando-se uma voz incontornável e ao longo dos anos muito se irá escrever a propósito da canção "You're so Vain", que figura neste trabalho discográfico e que se revelou um enorme hit tanto na época como ao longo da sua carreira, já que surgia sempre em colectâneas e no registo dos concertos.

Blake e Mortimer - "S.O.S. Meteoros" - Edgar P. Jacobs


Blake e Mortimer
"S.O.S. Meteoros" / "S.O.S. Météoros"
Arte: Edgar P. Jacobs
Argumento: Edgar P. Jacobs
Páginas: 64
Asa/Público

Uma das minhas aventuras favoritas da dupla "Blake e Mortimer" criada por Edgar Pierre Jacobs, que tinha um traço e escrevia imenso (sempre no bom sentido) nas pranchas que criava. Um Génio da 9ª Arte!

Auguste Renoir - "L'Escarpolette"


Auguste Renoir
"L'Escarpolette"
Óleo sobre tela
77 x 58 cm.
Ano: 1876
Musée d'Orsay, Paris.

Wim Wenders - “Movimento em Falso” / “Falsche Bewegung”


Wim Wenders
“Movimento em Falso” / “Falsche Bewegung”
(Alemanha - 1975) – (103 min. / Cor)
Rudiger Vogler, Hanna Schygulla, Nastassja Kinski, Lisa Kreuzer, Ivan Derny.

Wim Wenders, o mais fascinante cineasta alemão depois de Rainer Werner Fassbinder, decidiu trocar a Alemanha pela América, a sua nova Pátria, para mais tarde se tornar uma espécie de cidadão do Planeta. O filme de que desejamos falar hoje é um road movie, com estradas, mas sem carros intitulado "Movimento em Falso".


"Movimento em Falso" / “Falsche Bewegung” e uma película datada de 1975, que constitui segundo muitos um dos andamentos da sua trilogia alemã "on the road", composta por "Ao Correr do Tempo" / "Im Lauf der Zeit", "Alice nas Cidades" / "Alice in den Stadten" e a obra em questão. Se a viagem através da Alemanha em busca de uma identidade individual e colectiva, perdida nas cinzas da memória da História recente, é o elo de ligação entre os três filmes, já o tema da viagem é um elemento constante de todos as suas películas do período alemão, a par da memória do cinema norte-americano, bastando recordar "Paris/Texas" e "Hammett", para já não falarmos em "Nick's Movie" um outro género de memória, como todos sabemos.


"Falsche Bewegung" / "Movimento em Falso" é a viagem de Wilhelm (Rudiger Vogler) através da Alemanha (debaixo da sombra de Goethe) em busca da sua própria vocação adormecida: ser escritor. Decidindo conviver com todos aqueles que vai encontrando ao longo do seu trajecto. Os seus companheiros de estrada são uma actriz (Hanna Schygulla) – a presença dela é cristalina – um velho, antigo membro das SS, (representante do passado e da sua história recente), uma adolescente (Nastassja Kinski) e um poeta meio-louco mas civilizado.


Mais uma vez Wim Wenders nos oferece o seu retrato da Alemanha através de personagens marginais, embora contendo no seu interior o exemplo perfeito da composição social. Recorde-se que este filme foi ainda realizado nessa década que ficou conhecida como os "anos de chumbo" e que de certa forma foram retratados nesse filme colectivo intitulada "A Alemanha no Outono" / "Deutschland im Herbst", no qual Wim Wenders curiosamente não participou.


Olhar esta película de Wim Wenders é encontrar a solidão: a maior inimiga do ser humano. E é essa mesma solidão que nos acaba por invadir durante o visionamento de "Movimento em Falso", obrigando-nos a procurar após o seu final outros rostos humanos, em busca de palavras/diálogos para a construção de um novo romance.

28.6.26

Terje Rypdal / Miroslav Vitous / Jack DeJohnette - “Terje Rypdal / Miroslav Vitous / Jack DeJohnette”


Terje Rypdal / Miroslav Vitous / Jack DeJohnette
“Terje Rypdal / Miroslav Vitous / Jack DeJohnette”
ECM Records
1979

Terje Rypdal – guitar, guitar synthesizer, organ.
Miroslav Vitous – double bass, electric piano.
Jack DeJohnette – drums.

1 – Sunrise (Terje Rypdal) – 8:26
2 – Den Forste Sne (Terje Rypdal) – 6:35
3 – Will (Miroslav Vitous) – 8:01
4 – Believer (Miroslav Vitous) – 6:23
5 – Flight (Vitous/Rypdal /DeJohnette)– 5:25
6 – Seasons (Rypdal/Vitous/DeJohnette) – 7:22


Poderíamos afirmar que estamos perante um trio improvável, ao lermos o nome dos seus componentes: o guitarrista norueguês Terje Rypdal, oriundo da banda de Jan Garbarek, o contrabaixista checo Miroslav Vitous, membro fundador dos Wheather Report e o baterista norte-americano Jack DeJohnette, oriundo do Charles Lloyd Quartet e da galáxia Miles Davis, que nesta altura já tinham todos eles o seu projecto musical em nome próprio.

Recordo-me, numa breve memória, de ter comprado este álbum na saudosa discoteca Roma, em Lisboa (já encerrada), numa edição da ECM, oriunda/fabricada em Espanha e que era mais barata que a oriunda da Alemanha; rapidamente percebi as razões: espessura de vinil diferente e material da capa do álbum de qualidade inferior ou seja, como dizia a minha avó, de Espanha nem bom vento nem bom casamento.

Os seis temas que compõem este álbum são possuidores de um segredo que se irá dar a conhecer ao longo da audição, em que iremos começar por distinguir perfeitamente a música de Rypdal, sem Jon Christensen, mas com Jack DeJohnette a introduzir o seu timbre característico, enquanto nas faixas três e quatro sentimos a chegada de Miroslav Vitous, que até nos surge a tocar piano, evoluindo para o interior do seu universo criado após a saída dos Wheather Report até que, sem darmos por isso, encontramos Jack DeJohnette a comandar as operações e a conduzir-nos pela estrada fora em boa companhia, como se estes três músicos tocassem juntos há décadas. Um álbum fabuloso!

Gravado em Junaho de 1978 no Talent Studio, Oslo, por Jan Erik Kongshaug. Fotogafia da capa do álbum de Dieter Rehn. Fotografia de Roberto Masotti. Produção de Manfred Eicher.

Neal Barrett Jr. - "O Stutzman Voador"


Neal Barrett Jr.
"O Stutzman Voador"
Magazine do Fantástico e Ficção Cientifica nº.2
(The Magazine of Fantasy and Science Fiction)
Matriz / Editorial Império

Neal Barrett Jr. (1929 - 2014) e desde cedo começou a dedicar-se à escrita das famosas "short-stories" fruto também das inúmeras revistas existentes, muitas delas temáticas e assim em Agosto de 1960 publicou o seu primeiro conto de ficção-científica intitulado "To Tell the Trhth", iniciando assim uma acticvidade literária que se irá estender também aos famoso crimes e mistérios, para além do fantástico. Rapidamente passa das "short-stories" às novelas e em 1980 viu o seu mérito como escritor a ser reconhecido após a publicação de "Through Darkest America". Nomeado para os famosos prémios "Nebula Award" e "Hugo Award" terminaria por receber o título de "Author Emeritus" do "Science Fiction and Fantasy Writers of America.

Em "O Stutzman Voador" descobrimos uma fantasia invulgar acerca de um vendedor que é apanhado num inferno vivo de hospedeiras, travessas de lanches e refeições das linhas aéreas. Após a sua leituras certamente nunca mais voltaremos a queixar de voar


«Stutzman deu uma olhadela através da pequena janela redonda. Bancos compactos de nuvens perfeitamente brancas cobriam a terra. Podia-se olhar para uma nuvem durante o dia inteiro sem pensar em nada. Uma vez, quando voltara a casa, dissera a Ângela: "Nunca alguém se magoou a olhar para uma nuvem"»

Neal Barrett Jr.

Édouard Manet - "Chez le père Lathuille"


Édouard Manet
"Chez le père Lathuille"
Óleo sobre tela
92 x 112 ccm.
Ano: 1879
Musée des Beaux-Arts, Tournai.

Sergei M. Eisenstein - “Ivan o Terrível – Parte 1 e 2” /”Ivan Grozny – I & II”


Sergei M. Eisenstein
“Ivan o Terrível – Parte 1 e 2” /”Ivan Grozny – I & II”
(URSS – 1945/46) – (98 min. – P/B) – (85 min. – P/B-Cor)
Nikolai Tcherkassov, Seraphina Birman, Ludmila Tzelikovskaia.


Quando Estaline, o Czar Vermelho do Kremlin, encomendou a feitura de um grande fresco histórico sobre o “primeiro Czar de todas as Rússias”, recorde-se que foi ele que Fez a unificação das diversas regiões, o cineasta encontrava-se nas ruas da amargura, depois do insucesso da sua estadia no Ocidente (Paris, Londres, América (Hollywood) e México) e mesmo depois do seu “Alexandre Nevsky”, feito a pedido das autoridades soviéticas, viu o filme tornar-se invisível devido ao famoso e controverso pacto germano-soviético de Brest/Litovsky, entre o regime nacional-socialista e o regime soviético, tendo de imediato o filme se tornado bastante incómodo e passando ao estatuto de obra cinematográfica invisível.


Com a invasão da então URSS pelas tropas de Hitler, e tendo em conta que o Czar do Kremlin conhecia todas as potencialidades do cinema de propaganda, para além de ser um amante dos musicais de Hollywood, que lhe eram projectados secretamente na sua sala de cinema privada, decidiu “convidar” Serguei M. Eisenstein para construir um fresco sobre o Czar Ivan, onde pudesse ver projectada a sua própria figura como grande líder da nação russa. E o cineasta do “Couraçado Potemkine” deitou mãos à obra, tendo recebido do Senhor do Kremlin todos os meios disponíveis para a realização do filme, que iria ser composto de três partes, portanto um longo fresco para a nação poder ver em Estaline o seu líder supremo.


“Ivan, o Terrível” / “Ivan Grozny” irá ter argumento, montagem e realização de Serguei M. Eisenstein e música de Serguei Prokofiev, que nos irá contar a vida de Ivan desde o seu nascimento até chegar esse momento inadiável da sua morte, mas se esta primeira parte, que até teve estreia no Teatro Bolshoi no final de 1944 (numa altura em que as tropas nazis já tinham sido expulsas da URSS e o exército vermelho avançava na Europa de Leste), contou com a presença do próprio Estaline, que teceu rasgos elogios ao cineasta, mas quando o ditador viu a segunda parte da obra, abandonou a sala a meio do filme, porque desta vez o retrato de Ivan, colava-se de forma imperfeita ao seu culto da personalidade, revelando muitos dos seus temores e de imediato o cineasta “caiu em desgraça”, tornando-se um proscrito para as autoridades soviéticas, ao mesmo tempo que a segunda parte de “Ivan, o Terrível” era de imediato proibida, só sendo vista em 1958, após o processo de destalinização levado a cabo pelas novas autoridades do Kremlin, saídas do “famoso” XX Congresso do PCUS. Quanto à terceira parte daquela que seria a obra monumental de Serguei M. Eisenstein, nunca viu a luz do dia.


Os filmes “O Couraçado Potemkine” / “Bronenosets Potemkine”, sobre o qual já aqui escrevemos, “Alexandre Nevsky”/ “Aleksandr Nevskii e “Ivan, o Terrível”/ “Ivan Grozny”, revelam-nos a genialidade deste Mestre da Sétima Arte chamado Serguei M. Eisenstein, já o seu famoso filme inacabado, posteriormente montado por terceiro, intitulado “Que Viva México” é bem revelador do que iria a Sétima Arte conquistar, com a presença do cineasta no Ocidente, mas este infelizmente terminou por deixar Hollywood e regressar a Moscovo.

27.6.26

Harold Budd - "By The Dawn's Early Light"


Harold Budd
"By The Dawn's Early Light"
Opal Records
1991


Harold Budd - piano, organ, synthesizer, vocals (poems).
Bill Nelson - electric guitar, acoustic guitar.
B. J. Cole - pedal steel guitar.
Mabel Wong - viola.
Susan Allen - harp.

Alix - "A Ilha Maldita" - Jacques Martin


Alix
"A Ilha Maldita" / “L'ille Maudite"
Arte: Jacques Martin.
Argumento: Jacques Martin
Páginas: 64
Asa/Público

"A Ilha Maldita" / “L'ille Maudite" é a terceira aventura do jovem Alix criado por Jacques Martin, ainda no formato inicial com uma prancha muito trabalhada e repleta de referências históricas. Uma das mais interessantes bandas desenhadas da escola franco-belga pelo seu rigor histórico e genialidade do seu criador.

Auguste Renoir - "Au café"

Auguste Renoir
"Au café"
Óleo sobre tela
35,7 x 27,5 cm.
Ano: 1877

John Lee Hancock - “Álamo” / “The Alamo”


John Lee Hancock
“Álamo” / “The Alamo”
(EUA – 2004) – (137 min. / Cor)
Dennis Quaid, Billy Bob Thorton,
Jason Patric, Patrick Wilson, Emilio Echevarria.

Em 1960 o actor John Wayne decidiu tomar em suas próprias mãos a realização de “Álamo”, sendo ao mesmo tempo o protagonista, vestindo a pele do célebre David Crockett.


Embora as dificuldades tenham sido enormes e até o amigo John Ford lhe tenha dado uma ajuda na feitura da película, o actor/realizador levou a bom porto a película, que sempre gostamos de rever. E ao longo dos anos foram inúmeros os filmes que abordaram a luta gloriosa dos Texanos para a fundação do seu Estado, perante as forças do temível General Santa Anna.

Como não podia deixar de ser este é um tema muito querido aos texanos e John Lee Hancock na companhia Ron Howard, vestindo este último a pele de produtor, decidiram levar acabo mais uma versão da luta que se desenrolou na antiga missão de Álamo.


O realizador que se estreou com “Hard Times Romance” em 1991 e depois deu nas vistas com as séries de televisão L. A. Doctors (2000) e “Falcone” (1998), decidiu ir mais longe e narrar-nos não só a luta dos defensores de “Álamo”, mas também contar-nos a derradeira batalha que opôs as tropas mexicanas de Santa Anna e os Texanos chefiados pelo General Sam Huston, cujo nome irá figurar para sempre na famosa capital do Texas: Huston.

Iremos assim conhecer num baile o General Sam Buttons (Dennis Quaid), o célebre David Crockett (Billy Bob Thorton) e o Coronel James Bowie (Jason Patric) a congeminarem a melhor forma de, com os seus milicianos, declararem a Independência do Texas, do México, assistindo-se depois há sua partida para esse posto avançado, chamado Álamo, ao mesmo tempo que conhecemos as inevitáveis intrigas entre os políticos dessa jovem América.


Ao contrário da película de John Wayne, o filme de John Lee Hancock opta por nos oferecer os conflitos e as diferenças de opinião entre os defensores de Álamo, perante a chegada das tropas mexicanas, em número infinitamente maior, comandadas pelo sanguinário General Santa Anna, que se julga um novo Napoleão.

Embora a forma como nos é dado os combates se encontra perfeita, já a lentidão que os antecede, demonstra uma certa falta de mão na planificação da película, revelando um grave problema de ritmo. Por outro lado em termos de estrutura de argumento, percebemos o desejo do realizador em ir mais longe que John Wayne, ao oferecer-nos o derradeiro embate, entre Americanos e Mexicanos, com a vitória do General Sam Huston, que seguindo o ensinamento de Wellington, na sua vitória sobre Napoleão, escondeu as suas tropas da visão das forças Mexicanas, que entretanto se tinham dividido em três grupos, perdendo o respectivo contacto.


Derrotado e preso o General Santa Anna (Emilio Echevarria), aceitará abdicar do Texas em troca da liberdade, conseguindo os Texanos obter a sua independência e assim formar mais um Estado da futura União.

John Lee Hancock oferece-nos em “Álamo” um filme honesto, mas que infelizmente não cativa o espectador, devido a um argumento que se estende em demasiadas frentes, perdendo-se em estudos psicológicos das diversas personagens, o que não irá contribuir em nada, para o retrato histórico que nos pretende oferecer.

26.6.26

Collin Walcott - “Grazing Dreams”


Collin Walcott
“Grazing Dreams”
ECM Records
1977

Collin Walcott – sitar, tabla.
John Abercrombie – electric guitar, acustic guitar, electric mandolim.
Don Cherry – trumpet, woode flute, doussn’Gouni.
Palle Danielsson – bass.
Dom Um Romão – berimbau, chica, tambourine, percussion.

1 – Changeless Faith
A – Song of the Morrow – 9:15
B – Gold Sun – 7:03
C – The Swarm – 6:07
D – Mountain Morning – 1:56
2 – Jewel Ornament – 5:01
3 – Grazing Dreams – 6:50
4 – Samba Tala – 1:30
5 – Moon Lake – 8:25


Este é um dos grandes trabalhos discográficos de Collin Walcott, esse genial tocador de cítara e tabla, que infelizmente nos deixou demasiado cedo. Gravado em Fevereiro de 1977 no Talent Studio, Oslo, por Jan Erik Kongshaug, Mastered por HR (Henry Riedel) no Tonstudio Bauer, Ludwigsburg. Cover Photo de Franco Fontana. Layout de Dieter Bonhorst. Produzido por Manfred Eicher.

Todos os temas são da autoria de Collin Walcott, excepto os temas “Gold Sun” assinado por Collin Walcott e Don Cherry; “Jewel Ornament” composto por Don Cherry, John Abercrombie e Collin Walcott; “Samba Tala” pertencente a Dom Um Romão e Collin Walcott.

Já as faixas “Mountain Morning” e “Moon Lake” revelam-se como pura improvisação dos músicos que tocam no álbum “Grazing Dreams” de Collin Walcott. O instrumento Doussn’Gouni, tocado por Don Cherry, é uma harpa oriunda do Mali, conhecida também pelo nome de “African Hunter’s Guitar”.

Lawrence Durrell / Henry Miller - "A Private Correspondance"


Lawrence Durrell / Henry Miller
"A Private Correspondance"
Páginas: 400
Faber and Faber

Esta correspondência entre Lawrence Durrell e Henry Miller possui uma excelente edição da responsabilidade de George Wickes, que para além de assinar uma interessante introdução, irá ao longo do livro situar o contexto e a época da correspondência trocada entre estes dois nomes incontornáveis da Literatura.


Estamos perante um livro fundamental para conhecermos melhor Lawrence Durrell e a sua obra, desde como surgiu o sucesso inesperado, passando pelas inúmeras dificuldades económicas, até à importância da sua terceira esposa na criação do célebre "Quarteto de Alexandria" e muito mais, não esquecendo a famosa carta de Larry para Miller quando este leu "Sexus", que detestou, a que se seguiu um telegrama a pedir desculpa pela linguagem.

Porque razão este livro se encontra por editar em Portugal tal como a restante obre de Lawrence Durrell, permanece um mistério.

Claude Monet - "La Grenouillère"


Claude Monet
"La Grenouillère"
Óleo sobre tela
74,6 x 99,7 cm.
Ano: 1884 - 1886
The Art Institute, Chicago.

Liliana Cavani - “O Porteiro da Noite” / “Il portieri di notte”


Liliana Cavani
“O Porteiro da Noite” / “Il portieri di notte”
(Itália - 1974) – (118 min./Cor)
Dirk Bogarde, Charlotte Rampling, Philippe Leroy.

Liliana Cavani ao longo da sua filmografia nunca se apresentou como uma cineasta convencional, antes optando por temas polémicos por um lado, como sucedeu com este “O Porteiro da Noite” / “Il portieri di notte”, ou temas tabu como irá suceder com “O Caso de Berlin” / “The Berlin Affair”, já aqui abordado, para situar apenas duas películas centradas no mesmo período, a Segunda Grande Guerra.


Desta feita a cineasta italiana conta com dois nomes enormes da Sétima Arte, Dirk Bogarde e Charlotte Rampling, que irão vestir a pele do torcionário nazi e da sua vítima, num campo de concentração, que 13 anos após o final da guerra se irão cruzar uma noite em Viena, no hotel onde Max (Dirk Bogarde) trabalha e ela é hóspede com o seu marido.

Desta feita estamos bem longe desse outro olhar, sobre o mesmo tema, que nos foi oferecido pelo cineasta polaco Andrzej Munk no seu fabuloso filme “A Passageira” / “Pasazerka”, datado de 1963, que nos oferecia o encontro entre uma prisioneira de um campo de concentração com uma das suas carcereiras, anos depois, a bordo de um navio. Na verdade Liliana Cavani opta por explorar até às últimas consequências a relação sado-masoquista que se estabelece no campo de concentração entre Max (Dirk Bogarde) e Lucia (Charlotte Rampling), que 13 anos depois irão percorrer os corredores da memória, à beira do abismo.


Estávamos nos anos setenta e os cineastas italianos todos os anos nos ofereciam filmes que após a estreia eram de imediato alvo de enormes polémicas, como sucedeu com este quarteto cinematográfico:

1972 – Bernardo Bertolucci e “O Último Tango em Paris”
1973 – Marco Ferreri – “A Grande Farra”
1974 – Liliana Cavani – “O Porteiro da Noite”
1975 – Pier Paolo Pasolini – “Saló ou os 120 Dias de Sodoma”


Eram os anos 60/70 e o cinema por muito discussão que gerasse oferecia a oportunidade do confronto de ideias, com debates por vezes verdadeiramente apaixonantes de ambos os lados das barricadas cinéfilas, que o digam os “Cahiers du Cinéma” e a “Positif”!

Uma última nota para a interpretação memorável dessa actriz enorme chamada Charlotte Rampling, que teve no seu colega de profissão Dirk Bogarde, o parceiro perfeito, nesta película de Liliana Cavani, que não deixou ninguém indiferente.

25.6.26

Edith-Claire Gérin - " Pont des Arts, Paris


Edith-Claire Gérin
"O Transeunte"
Pont des Arts, Paris
Ano: 1953

Robert Siodmak - “A Mulher Desconhecida” / “Phantom Lady”



Robert Siodmak
“A Mulher Desconhecida” / “Phantom Lady”
(EUA – 1944) – (87 miin. – P/B)
Franchot Tone, Ella Raines, Alan Curtis.

O nome do cineasta Robert Siodmak pertence a esse colectivo “alemão” que um dia realizou um filme verdadeiramente fundador de um novo cinema, quando em 1930 surgiu a película “Manschen am Sonntag” (possivelmente a película que mais vezes vi deste genial cineasta), mas nunca é demais referir os outros nomes que assinaram este filme incontornável, seja na realização como no argumento, já que se trata de um trabalho colectivo: Fred Zinnemann, Edgar G. Ulmer, Curt Siodmak, Rochus Gliese e Billy Wilder.


Após esta pequena introdução para situar o cineasta de “The Killers”, entramos neste inesquecível “film noir” intitulado “Phantom Lady” / “A Mulher Desconhecida”, indo de imediato ao encontro desse homem só num bar, sem saber se pretende companhia ou não, mas que termina por convidar para um espectáculo a dama solitária que por ali anda, com um estranho chapéu e este acessório feminino, bem original, será o “macguffin” do filme, usando a terminologia hitchcockiana, porque se por um lado iremos estar num verdadeiro “blind date”, já que a dama se recusa a dizer o seu nome e mais tarde desaparece de circulação, por sua vez o perdido Scott Anderson (Alan Curtis, que infelizmente nos deixou demasiado cedo), ao regressar a casa, irá ser recebido pela polícia, que ali se encontra devido ao assassínio da sua esposa, que se recusara a ir com ele ao Teatro, naquela noite em que celebravam mais um aniversário de casados.


Um dos princípios do cinema de Robert Siodmak é precisamente a forma como ele usa as “cores” do preto e branco, ao mesmo tempo que a sua câmara se revela sempre bastante inquieta ou se preferirem anti-convencional, recorde-se que também ele gostava de produzir os seus filmes, para fugir aos constrangimentos que habitualmente eram impostos pelos Estúdios.


Mas regressando a Scott Anderson, que irá com a polícia aos locais onde esteve, para provar que não se encontrava em casa na altura do assassinato, irá descobrir que o seu alibi é de papel, porque todas as pessoas que se cruzaram com ele, o barman, o taxista, a cantora do Music-Hall, que usava precisamente um chapéu igual ao da mulher misteriosa, todos eles dizem que o viram, mas sem qualquer mulher, porque ele estava sozinho e assim Scott Anderson é condenado, mas a sua secretária não se resigna à decisão tomada pelo júri e decide percorrer os locais onde ele esteve e confrontar essas mesmas pessoas, usando os mais diversos métodos.


A forma brilhante como Robert Siodmak estabelece os enquadramentos e a ligação dos planos, reflecte-se, por exemplo, nesse momento sublime do grupo de jazz, assim como a transformação que a bela Carol Richman (Ella Raines) faz de si própria, de uma sensualidade bem marcante deste género cinematográfico. E se no final de “A Mulher Misteriosa” / “The Phantom Lady” somos surpreendidos, não nos esqueçamos que o suspense vai aumentando sempre de minuto a minuto, ao mesmo tempo que vamos tendo mais dados sobre o que na realidade se passou mas, dizia eu, não desliguem o televisor, porque se pensa que sabe tudo, engana-se, veja mesmo até ao último fotograma e oiça as palavras de Scott, “não desligue Miss Carol…