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26.6.26

Lawrence Durrell / Henry Miller - "A Private Correspondance"


Lawrence Durrell / Henry Miller
"A Private Correspondance"
Páginas: 400
Faber and Faber

Esta correspondência entre Lawrence Durrell e Henry Miller possui uma excelente edição da responsabilidade de George Wickes, que para além de assinar uma interessante introdução, irá ao longo do livro situar o contexto e a época da correspondência trocada entre estes dois nomes incontornáveis da Literatura.


Estamos perante um livro fundamental para conhecermos melhor Lawrence Durrell e a sua obra, desde como surgiu o sucesso inesperado, passando pelas inúmeras dificuldades económicas, até à importância da sua terceira esposa na criação do célebre "Quarteto de Alexandria" e muito mais, não esquecendo a famosa carta de Larry para Miller quando este leu "Sexus", que detestou, a que se seguiu um telegrama a pedir desculpa pela linguagem.

Porque razão este livro se encontra por editar em Portugal tal como a restante obre de Lawrence Durrell, permanece um mistério.

19.5.26

Lawrence Durrell - “Petite Musique Pour Amoureux” / “Pied Piper of Lovers”


Lawrence Durrell
“Petite Musique Pour Amoureux” / “Pied Piper of Lovers”
Páginas: 400
Buchet – Chastel

Durante largos anos, “Pied Piper of Lovers” não foi reeditado por decisão do próprio escritor, que decidiu proibir qualquer reedição do seu livro de estreia, tendo a sua vontade sido cumprida pelos editores. Mas, após a morte de Lawrence Durrell, alguns editores decidiram ir de encontro ao desejo dos milhares de leitores do célebre escritor que sempre desejaram conhecer o seu livro de estreia Literária e, assim, o seu primeiro romance terminou por ser reeditado tanto em Inglaterra como em França, sendo neste último país o responsável a editora Buchet-Chastel, que nos oferece ainda uma excelente introdução sobre o romance da autoria de Michel Déon, da Academia Francesa.


As razões que terão levado a Lawrence Durrell não querer que “Pied Piper of Loves” fosse reeditado, deve-se ao facto de o livro ser profundamente autobiográfico, já que a própria infância do escritor se confunde com o protagonista deste belo romance que, tal como ele, nasceu na Índia (na época a célebre “Jóia da Coroa” Britânica) e que irá ser enviado para Inglaterra pelo pai, para ali fazer os seus estudos, tal como sucedeu com o jovem Durrell. Se o leitor ler a fabulosa biografia de Lawrence Durrell escrita por Ian S MacNiven intitulada “Lawrence Durrell – A Biography”, editado pela Faber and Faber, irá certamente encontrar um manancial de traços biográficos entre o jovem Walsh de “Pied Piper of Lovers” e o então jovem Larry que tinha decidido ser escritor.

Ao lermos este belo romance que nos oferece já algumas das estradas trilhadas por Lawrence Durrell, ficamos a conhecer ainda melhor este escritor, cuja obra é incontornável no Universo Literário. Mas, a terminar, gostaríamos de sugerir aos editores portugueses a edição deste belo romance intitulado “Pied Piper of Lovers” de Lawrence Durrell, porque os amantes de literatura certamente iriam corresponder ao vosso esforço literário.

7.3.26

Lawrence Durrell - “Tunc”


Lawrence Durrell
“Tunc”
Páginas: 332
Ulisseia

A obre literária de Lawrence Durrell é composta por ciclos em que o mais famoso é “O Quarteto de Alexandria”, constituído por quatro volumes, depois temos o célebre “Quinteto de Avinhão”, que compreende cinco volumes, já as aventuras e desventuras de Antrobus, esse maravilhoso diplomata britânico, teve a Arte e o Humor de Lawrence Durrell em três inesquecíveis volumes, também com edição nacional, mas esquecidos nas prateleiras das livrarias ou guardados nos armazéns, o ciclo da denominada literatura de viagens, composto por vários volumes e do qual recentemente a “Relógio d’Água” editou “As Ilhas Gregas” e por fim o ciclo “The Revolte of Aphrodite” / “A Revolta de Afrodite”, composto por dois volumes, “Tunc” e “Nunquam”, que irão surgir no universo literário após o sucesso mundial de “O Quarteto de Alexandria” e que irão ser muito mal recebidos na época, tanto pela crítica como pelo público.

“Tunc”, o primeiro volume, viu a luz do dia em 1968 e “Nunquam” em 1970 e se o primeiro teve edição em Portugal através da Ulisseia, já “Nunquam” não teve tanta sorte, segundo me é dado saber, e assim durante anos procurei adquirir o segundo volume deste ciclo, sempre que me ausentava deste país à beira-mar plantado e finalmente, no belo mês de Março deste ano, encontrei em Paris na “Shakespeare & Co”, a edição de “Nunquam” da Faber & Faber, no antiquário, a um preço nada convidativo, mas que a Princesa me ofereceu, apesar de ser ela a aniversariante.

“Tunc” possui um estilo literário, onde se reconhece de imediato a marca do escritor, mas que se aproxima muito do seu “O Livro Negro de Lawrence Durrell” (que Lawrence enviou antes de publicar a Henry Miller). Mordaz e satírico, mas também romântico e enigmático, sempre crítico desta sociedade em que vivemos, conduzindo o leitor ao desejo de descobrir a totalidade da obra do escritor.

Ao acompanharmos a história de Felix Charlock (os nomes das personagens, como sempre, são um “mimo”) e o seu trabalho na poderosa multinacional Merlins, denominada simplesmente como “A Firma”, encontramos implícita uma crítica bem mordaz a esses finais de sessenta do século xx, não sendo indiferente ao escritor a memória recente de Maio de 68 em França, recorde-se aliás que Lawrence Durrell vivia na Provence.

Felix Charlock, ao ingressar na poderosa Firma que estendia os seus tentáculos através das mais diversas zonas do globo, apaixona-se por Benedicta e afasta-se da sua amante grega Iolanthe, que mais tarde irá reencontrar como estrela de Hollywood. Mas o poder da Firma irá abater-se sobre ele e não será ele a usá-la em proveito próprio mas sim ela a controlar todos os seus movimentos e desejos.

Se ainda não leu “Tunc” e gosta de Lawrence Durrell, irá certamente ter uma oportunidade de encontrar o livro perdido numa prateleira de um alfarrabista, já quanto a “Nunquam”(*) peça aos editores portugueses que se lembrem dele, e não sonhem só com Harry Potter, Dan Brown & Co.. Na verdade, Lawrence Durrell merece ter a sua obra publicada neste cantinho europeu, com acordo ou sem acordo ortográfico.

Nota: Poderemos também colocar em ciclos a poesia, o teatro, os ensaios, a correspondência, enfim a totalidade da obra genial de Lawrence Durrell, que é urgente editar, porque mesmo em Inglaterra ou França é muito difícil de encontrar, (pelo menos os livros que me faltam).


«Ela dirigiu-me um olhar de fria apreciação, retribuindo a minha saudação com um breve aceno. Tinha um rosto frio, belo, emoldurado por lustrosa cabeleira negra, ligeiramente enrolado na nuca, A brancura da testa alta conferia-lhe certa serenidade; porém, quando cerrava os olhos, o que fazia ao desviar a cabeça de uma pessoa para outra, podia adivinhar-se-lhe a máscara mortuária. Os lábios eram delgados e formoso, mas quase toda a sua expressão denotava desdém e indiferença. Era nessa altura tão imperiosa como a filha de um indivíduo rico se atreve a ser: facto que me fez experimentar em relação a ela uma quase antipatia que a tornou interessante a meus olhos.»

Lawrence Durrell
in “Tunc”
Ulisseia

27.1.26

Lawrence Durrell - "Collected Poems 1931 - 1974"


Lawrence Durrell
"Collected Poems 1931 - 1974"
Páginas: 352
Faber and Faber


Este livro dedicado à poesia de Lawrence Durrell, editado pelo canadiano James A, Brigham, reúne todos os poemas escritos pelo célebre autor de "O Quarteto de Alexandria" e teve uma preciosa ajuda na sua feitura de Alan G. Thomas, que dedicou uma vida a reunir e a criar a mais completa bibliografia de Lawrence Durrell, reunindo tudo o que foi escrito e publicado ao longo dos anos, desde as mais pequenas edições de livros, até às revistas de reduzida circulação, onde a arte de Lawrence Durrell foi navegando, desde esse dia em que decidiu ser escritor.


Este extraordinário volume, que finalmente consegui adquirir na Amazon, reúne todos os poemas do escritor, mas não inclui poemas que surgiram em obras literárias, como sucede com os poemas que fazem parte do belo "Carrossel Siciliano", nem a dramaturgia do escritor, escrita em verso. Como curiosidade, de referir que Lisboa surge num dos seus poemas, tal como o Funchal e será talvez de nos interrogarmos sobre o silêncio editorial nacional, que continua a esquecer-se de um dos maiores escritores do século XX.