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18.5.26

Luis Buñuel - “A Idade de Ouro” / “L’Âge D’Or”


Luis Buñuel
“A Idade de Ouro” / “L’Âge D’Or”
(França – 1930) – (62 min. – P/B)
Lya Lys, Gaston Modot, Max Ernst, Pierre Prévert.

Após o sucesso de “Un Chien Andalou” / “Um Cão Andaluz”, um ano antes, Luis Buñuel e Salvador Dali decidem partir para uma nova aventura surrealista, mas desta feita a intervenção no argumento do célebre pintor iria ser bem menor e será o Visconde de Noialles a produzir o filme (basicamente a financiar a rodagem), que será apresentado a 12 de Novembro de 1930, no Studio 28, em Paris.


Mas quando “L’Âge D’Or” se estreou para o grande público, foi o escândalo, desde as sequências iniciais com os esqueletos de bispos na praia, depois de termos tido um “estudo” sobre a forma de agir dos escorpiões, passando por diversos segmentos onde o surrealismo está bem presente, até terminar com a sequência em que o espectador é introduzido nas páginas do Marquês de Sade e o seu livro “Os 120 Dias de Sodoma” que, muitos anos depois, irá servir a Pier Paolo Pasolini para o seu derradeiro filme.


Ao chegarmos à sequência final de “L’Âge D’Or” e vemos o rosto da pessoa que abandona o castelo de Selliny, ficam bem explicitas as razões porque o filme esteve proibido durante décadas, depois de ter sido na época exibido apenas durante 13 dias, com tumultos na sala e até lançamento de bombas para o seu interior.


Recorde-se que o célebre “O Nascimento de Uma Nação” / “Birth of a Nation”, de D.W. Griffith, também provocou inúmeros tumultos aquando da sua estreia. Mais de meio-século passado, “L’Âge D’Or” permanece como uma obra incontornável do Movimento Surrealista no interior da Sétima Arte.

6.2.26

Luis Buñuel - “Um Cão Andaluz” / “Un Chien Andalou”


Luis Buñuel
“Um Cão Andaluz” / “Un Chien Andalou”
(França – 1929) - (18 min. – P/B – Mudo)
Pierre Batcheff, Simone Mareuil. Luis Buñuel, Salvador Dali.


Luís Buñuel e Salvador Dali andavam maravilhados com o Movimento Surrealista no Cinema, aliás Luis Buñuel encetara a sua actividade no meio cinematográfico como crítico de cinema, três anos antes, tendo até sido assistente de realização de Jean Epstein e um dia, ao chegar a casa de Salvador Dali, contou-lhe um sonho que tivera: uma nuvem a cortar a lua, como se fosse uma lâmina a cortar um olho e assim serão os primeiros planos de “Un Chien Andalou”, em que vemos primeiro Luis Buñuel a fumar na varanda olhando o céu.


Mas voltando um pouco atrás, Salvador Dali gostou da ideia e decidiram assim fazer um filme escrito por ambos, tendo por base os sonhos e só se estivessem de acordo ambos é que contariam o respectivo sonho, mal saberia Luis Buñuel que muitos anos depois iria ser traído e denunciado por Salavador Dali (mas isso é outra história, que fica para mais tarde). Assim nasce o filme, por onde navega já o célebre imaginário que viria a celebrizar a pintura de Dali, com as formigas e a mão cortada, assim como alguns planos do filme nos remetem também para a obra fotográfica de Man Ray. Recorde-se que aquando da estreia da película, “Um Chien Andalou” teve a “bênção” de André Breton.


O filme foi um sucesso e as posições extremaram-se, não havia meio-termo, mas o certo é que ele ficou na História do Cinema e até foi bem rentável para o cineasta espanhol. Em 1960 o filme foi sonorizado segundo as indicações de Luis Buñuel, que escolheu alguns tangos argentinos e excertos bem conhecidos da ópera “Tristão e Isolda” de Richard Wagner, sendo essa a cópia que visionei. “Un Chien Andalou” permanece como uma obra incontornável do Movimento Surrealista no interior da Sétima Arte.