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25.8.26

Frank Darabont - “Os Condenados de Shawshank” / “The Shawshank Redemption”


Frank Darabont
“Os Condenados de Shawshank” / “The Shawshank Redemption”
(EUA – 1994) – (142 min. / Cor)
Tim Robbins, Morgan Freeman, Bob Gunton, William Sadler, Clancy Brown.

“Os Condenados de Shawshank” / “The Shawshank Redemption” é uma película que depois de ser vista nunca mais se esquece e a forma como ela se tornou célebre é prova disso mesmo, porque não foi a critica especializada a fazer o seu elogio, mas sim o público, que falava dela, transformando-a num verdadeiro “cult-movie”.


Frank Darabont ao adaptar o conto de Stephen King ao cinema, encontrou em Tim Robbins o actor perfeito para encarnar a figura do banqueiro Andy Dusfrene, condenado por matar a mulher e o amante dela, sendo enviado para uma das mais temíveis cadeias de todo o sistema prisional norte-americano e será precisamente aí que todo o filme se irá desenrolar, para assistirmos ao verdadeiro calvário de Andy, ficando implícita a violação de que será vítima. No entanto ele irá estabelecer uma relação especial com os guardas prisionais e o director da cadeia, tratando das suas declarações de impostos, ao mesmo tempo que lhes ensina como se consegue fugir ao fisco, passando rapidamente a ser o responsável pela aplicação das suas finanças. Ao mesmo tempo a amizade que irá travar com Red (Morgan Freeman), outro prisioneiro do estabelecimento, bem conhecedor do terreno, irá proporcionar-lhe o conhecimento e a camaradagem entre iguais, embora sejam oriundos de extractos sociais bem diferentes.


A forma simples como Frank Darabont nos narra a vida destes dois homens é na verdade contagiante e quando percebemos que Andy (Tim Robbins), ao longo dos anos prepara de forma minuciosa a sua fuga do estabelecimento prisional, nunca perdendo a esperança de voltar a respirar o doce sabor da liberdade, contribuiu para criar no espectador o interesse no desenrolar dos acontecimentos.

As interpretações de Tim Robbins e Morgan Freeman são memoráveis, apresentando-se o argumento de Frank Darabont muito bem escrito, conduzindo-nos a esse momento mágico em que os dois homens se encontram na praia muitos anos depois.


“Os Condenados de Shawshank” de Frank Darabont termina por se revelar uma das melhores películas de sempre, nesse sub-género, que é o filme de prisão, com as inevitáveis tentativas de fuga, umas fracassadas e outras bem-sucedidas.

24.2.26

Clint Eastwood - “Imperdoável” / “Unforgiven”


Clint Eastwood
“Imperdoável” / “Unforgiven”
(EUA – 1992) – (131 min. / Cor)
Clint Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman, Richard Harris.

Foi através dos “westerns” de Sergio Leone e Don Siegel que Clint Eastwood manteve bem vivo o género, tendo depois aberto o seu próprio caminho, compondo diversas personagens, geralmente o cow-boy solitário que termina por ir em defesa dos oprimidos, fazendo a inevitável justiça pelas suas próprias mãos, numa caminhada que o conduziria até “Imperdoável” / “Unforgiven”, cujo guião andou durante largos anos pelos corredores dos Estúdios, sem ninguém se interessar por ele. Mas a história daquele velho pistoleiro, tornado agricultor e com duas filhas para criar, que regressa à actividade porque uma prostituta foi esfaqueada, seduziu de imediato o actor/cineasta, que assim nos irá oferecer uma película crepuscular sobre o velho Oeste.


Numa dessas cidades onde a população só se quer manter viva perante a lei do brutal Xerife Little Bill Daggett (Gene Hackman num desempenho extraordinário, que lhe irá dar o Oscar para o Melhor Actor Secundário). Um dia dois cow-boys decidem esfaquear no rosto uma das raparigas que trabalha no saloon e quando elas pedem justiça a Little Bill este simplesmente nada faz, considerando que são riscos da própria profissão e elas decidem oferecer um prémio a quem faça a verdadeira justiça.


Bill Munny (Clint Eastwood) que na sua quinta conhece bem as agruras da terra, perante a insistência de Kid (Jaimz Woolvett) decide ir até à cidade para conhecer o ambiente e será também com o seu antigo companheiro Ned Logan (Morgan Freeman), que ele irá delinear o plano para enfrentar o temível xerife Little Bill e fazer a tão desejada justiça ou a temível vingança das raparigas, se preferirem. No entanto ele deixara a profissão de pistoleiro há longos anos e assim iremos acompanhar o regresso doloroso do pistoleiro Bill Munny ao território das armas, onde não há contemplações nem heróis, mas sim simples justiceiros.


A forma como o argumento de “Imperdoável” / “Unforgiven” nos apresenta o pistoleiro retirado Bill Munny, faz-nos recordar um pouco a personagem de Tom Logan criada por Jack Nicholson em “Duelo no Missouri” / “The Missouri Breaks” de Arthur Penn, no entanto a película dirigida por Eastwood possui uma envolvência e uma ferocidade que terminam por surpreender o espectador, ao mesmo tempo que nos oferece a imagem desse Oeste selvagem que tão bem retratou Michael Cimino, na sua obra-prima “As Portas do Céu” / “Heaven’s Gate”. Porém Clint Eastwood consegue introduzir ao longo da película, de forma genial, o crepuscular do género, na forma como filma esse território, sem heróis, ao mesmo tempo que nos revela personagens atípicas, como esse pistoleiro tagarela e fanfarrão, encarnado por Richard Harris, conhecido por English Bob, que anda sempre acompanhado por esse cobarde “contador de histórias”, chamado Beauchamp (Saul Rubinek, numa boa prestação), cuja função é escrever os seus feitos.


“Imperdoável” / “Unforgiven”, que foi dedicado por Clint Eastwood aos seus Mestres Sergio Leone e Don Siegel, terminou por oferecer a Eastwood a tão desejada consagração pelos seus pares, quando surgiu como o grande triunfador da noite dos Oscars, tendo recebido os Oscars da Academia para Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Montagem e Melhor Actor Secundário, numa noite memorável, que transformou e revigorou, da forma que todos conhecemos, a carreira de Clint Eastwood, considerado hoje em dia, como o último dos cineastas clássicos.