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20.8.26

Michael Curtiz - “Máscaras de Cera” / “The Mystery of The Wax Museum”


Michael Curtiz
“Máscaras de Cera” / “The Mystery of The Wax Museum”
(EUA – 1933) – (77 min./Cor)
Lionel Atwill, Fay Wray, Glenda Farrell.

Michael Curtiz, esse cineasta húngaro que escolheu o Novo Mundo como a sua nova pátria, foi um trabalhador incansável, realizando na década de 30, do século passado, diversos filmes por ano e quando o ano de 1933 chegou surgiu com um filme de terror que iria surpreender tudo e todos, intitulado “The Mistery of The Wax Museum” / “Máscaras de Cera”, que tinha ainda a particularidade de ser a cores e que cores! Recorde-se que a cópia do filme a cores foi dada como perdida durante largos anos, tendo sido descoberta na década de 60 e nos dias de hoje restaurada de forma brilhante, “metendo num chinelo” os filmes de terror que “crescem por aí como cogumelos”!


Uma das particularidades de “Máscaras de Cera”, para além de ser um clássico no género de terror, prende-se com a espantosa interpretação de Fay Wray, ao dar corpo e voz à intrépida jornalista Charlotte Duncan, que perante o pré-aviso de despedimento procura uma história, encontrando no “Wax Museum” algo de misterioso e bem perverso, a começar no seu proprietário, passando pelos criadores das figuras de cera, terminando por se deparar perante o abismo, quando descobre a verdade.


Por outro lado gostaria de vos contar que no dia em que entrei pela primeira vez, bastante fascinado no Museu Grévin em Paris, apanhei um dos maiores sustos da minha vida, que me deixou boquiaberto, quando uma dessas figuras de cera me sorriu! Mas pior foi o cavalheiro que se encontrava atrás de mim, que deu um salto, indo contra a senhora que o acompanhava. É claro que a Paula se fartou de rir!


A razão por que vos conto esta história prende-se com o facto de algumas das figuras de cera que vimos no filme, se tratarem de pessoas de carne e osso, como sucede com a célebre Joana D’Arc, que será observada atentamente por Charlotte Duncan (Fay Wray), enquanto outras são mesmo feitas de cera num magnífico trabalho de criação artística.


Regresso a Fay Wray para vos chamar à atenção da velocidade dos diálogos na boca dela, recordando o que virá a fazer uma década depois Howard Hawks na famosa comédia “His Girl Friday” / “O Grande Escândalo”, com os diálogos entre Cary Grant e Rosalind Russell. Em “The Mistery of The Wax Museum”, a bela Fay Wary demonstra-nos a versatilidade do seu enorme talento, não nos esqueçamos que o famoso “King Kong” é precisamente desse mesmo ano.


“Máscaras de Cera” / “The Mistery of The Wax Museum” é uma obra-prima do cinema de Terror, realizada por Michael Curtiz!

15.8.26

Michael Curtiz - “Os Comancheros” / “The Comancheros”


Michael Curtiz
“Os Comancheros” / “The Comancheros”
(EUA – 1961) – (107 min./Cor)
John Wayne, Stuart Whitman, Ina Balin.

O conhecido cineasta Michael Curtiz despede-se do cinema com este belo “western”, em que mais uma vez temos John Wayne na figura de um Texas Ranger que persegue um jogador chamado Paul Regret (Stuart Whitman), que matou o filho de um Juiz num duelo, segundo as regras, mas que a lei pretende condenar à forca, para pôr um fim aos duelos e por outro lado porque o poder dos Juízes se encontra acima da própria justiça.


Mas o Texas, nessa época, era ainda uma República independente que ainda não tinha aderido à União e a lei termina por ser contornada pelo bom senso dos homens. Mas “Comancheros” é muito mais, porque pelo meio surge o tráfego de armas, onde um grupo de homens chefiado por um “patriarca” domina, utilizando as riquezas do território conquistado e usando os índios como força de combate, instituindo as suas próprias leis, entre a população que ali vive (onde já vimos isto no século XXI, com outros protagonistas?).


Só para terminar e para além de recomendarmos este belo “western”, em que não falta o romance através da bela Pilar Graile (Ina Balin, que infelizmente nos deixou demasiado cedo), convém referir que o próprio John Wayne deu “uma mãozinha” na direcção de “Comancheros”, fruto da sua experiência na realização do filme “Àlamo”, ocorrido no ano anterior, em que o próprio John Ford lhe foi dar uns conselhos irrecusáveis.