4.7.26

Steve Reich - “Music For 18 Musicians”


Steve Reich
“Music For 18 Musicians”
ECM Records
1978

Steve Reich – Piano, Marimba.
Shem Giribbory – Violin.
Ken Ishii – Cello.
Elizabeth Arnold – Voice.
Rebecca Armstrong – Voice.
Nurit Tilles – Piano.
Larry Karusch – Piano, Maracas.
Garry Schall – Marimbba, Maracas.
Bob Becker – Marimba, Xylophone.
Russ Hartenberger – Marimba, Xylophone
James Preiss – Metallophone, Piano.
Steve Chambers – Piano.
David Van Tieghen – Marimba, Xylophone.
Glen Velez – Marimba.
Virgil Blackwell – Clarinet, Bass Clarinet.
Richard Cohen – Clarinet, Bass Clarinet.
Jay Clayton – Voice, Piano.
Pamela Fraley – Voice.

1 – Pulse – Sections I – X – Pulse – 56:31


A Estreia Mundial deste trabalho musical de Steve Reich deu-se em Abril de 1976, no Town Hall, NYC. A Estreia Europeia aconteceu em Outubro de 1976 no Metamusik Festival Berlin. Todas as composições são da autoria de Steve Reich. “Music For 16 Musicians de Steve Reich foi o primeiro álbum a ser editado com o selo da ECM New Series.

Nos dias de hoje "Music For 18 Musicians" é, possivelmente, a mais famosa composição de Steve Reich que, como alguns devem estar recordados, veio a Portugal com o seu Ensemble tocar este longo tema, num célebre concerto realizado no Centro Cultural de Belém em Lisboa. Este álbum foi gravado por Klaus Hiemann e posteriormente misturado por Klaus Hiemann, Rudolph Werner, Steve Reich. Produção de Rudolph Werner. Artwork: Beryl Korot. Design: Paula Bisacca.

Gordon Eklund - "Ponto de Contacto"


Gordon Eklund
"Ponto de Contacto"
Magazine do Fantástico e Ficção Cientifica nº.2
(The Magazine of Fantasy and Science Fiction)
Matriz / Editorial Império

Gordon Eklund nasceu em Seattle em 1945 e desde cedo se dedicou à literatura e em especial à ficção-científica tendo conquistado o prestigiado prémio "Nebula" em 1974. Dois dos primeiros episódios da famosa série de televisão "Star Trek" são de sua autoria, mas este escritor também escreve utilizando os pseudónimos de Wendell Stewart e E. E. "Doc" Smith. O conto "Ponto de Contacto" conta-nos o encontro "entre espécies inteligentes, uma humana e a outra não-humana. A data, pelo velho calendário, é de 24 de Julho de 2340".


«Perto do exterior, pulsante e extinto da Estrela de Neutrões Vt 29, materializam-se, súbita e simultaneamente, dois engenhos espaciais. Se este acontecimento sem precedentes é ou não uma coincidência, não pode inicialmente determinar-se. O que parece certo é que ambas as naves visitam este ponto do espaço, para utilizaram a Vt 29 como conexão gravitacional para um voo sub-espacial subsequente.»

Gordon Eklund
in "Ponto de Contacto"

Frederick Childe Hassam - "Montmartre"


Frederick Childe Hassam
"Montmartre"
Óleo sobre tela
20,6 x 24,7 cm.
Ano: 1889

Alfred Hitchcock - “O Caso Paradine” / “The Paradine Case”


Alfred Hitchcock
“O Caso Paradine” / “The Paradine Case”
(EUA – 1947) – (125 min. - P/B)
Gregory Peck, Alida Valli, Louis Jordan, Ann Todd, Charles Laughton.

Como a maioria sabe, deve-se a David O’Selznick a ida de Alfred Hitchcock para a América, estreando-se com o célebre “Rebecca” e nem sempre foi fácil a colaboração entre estes dois homens, mas ofereceram-nos filmes inesquecíveis. “O Caso Paradine” / “The Paradine Case” encerra a associação entre o poderoso produtor e o Mestre do Suspense. Estamos no ano de 1947 e mais uma vez é Selznick que impõe os actores, aliás veja-se a forma como o nome de Alida Valli surge em destaque no genérico, simplesmente com um Valli de grafia diferente, que se destaca de imediato dos restantes nomes do elenco, embora nem venha em primeiro lugar.


O argumento de “O Caso Paradine” nasce de uma novela escrita pela esposa do cineasta, Alma Reville, tendo Alfred Hitchcock investido todo o seu saber neste filme em que logo de início nos deparamos com a figura sedutora de Alida Valli, mas que nos transmite também uma certa inocência, perante a tranquilidade com que recebe a acusação que lhe é feita pela polícia: ter morto o marido, o Coronel Paradine, um homem muito mais velho do que ela e cego, de quem ela era os olhos.


O caso é entregue a um advogado famoso pelos seus resultados em tribunal de seu nome Anthony Keane (Gregory Peck), cuja vida familiar com a esposa Gay (Ann Todd) é o retrato perfeito da harmonia conjugal. Porém, quando Anthony Keane conhece na prisão Mrs. Paradine, todos os alicerces em que se baseia a sua vida conjugal parecem ceder e depois de lhe prometer que irá conseguir provar a sua inocência, recorde-se que ela é acusada de ter envenenado o marido, decide construir uma defesa em que acusa Andre Latour (Louis Jourdan), o antigo criado e homem de confiança do Coronel Paradine, com quem este serviu no Exército, como o autor do envenenamento.


E aqui desde logo percebemos como o advogado Anthony Keane (Gregory Peck) se encontra fascinado, tal como o espectador, por aquela mulher que clama inocência, mas que possui no seu interior um segredo que pretende esconder de todos.


Durante a visita que Keane faz à casa onde viviam os Paradine tenta falar com o criado, para saber um pouco mais e assim o poder incriminar, mas Andre Latour esquiva-se à conversa, desaparecendo. Ao regressar a Londres, recorde-se que a acção da película se passa em Inglaterra, Anthony Keane transmite à sua cliente o que pretende fazer: apresentar Latour como responsável da morte do Coronel Paradine.


Para sua grande surpresa, e de imediato, Maddalena-Anna Paradine recusa-se a aceitar essa opção e ordena que Latour não seja chamado a depor. A partir de então Anthony Keane (Gregory Peck), perdidamente apaixonado pela mulher acusada, percebe que tem de lutar em duas frentes, conquistar Mrs. Paradine e incriminar André Latour (Louis Jordan) no tribunal, ao mesmo tempo que se afasta cada vez mais da esposa, que de imediato percebe o fascínio que o marido sente pela acusada.

A forma como Alfred Hitchcock joga com a luz, onde as sombras das diversas personagens surgem como a sua própria consciência em dilema profundo e a maneira como nos mostra, num plano sequência genial, a entrada de André Latour (Louis Jordan) no tribunal (1), marcam esteticamente “O Caso Paradine” / “The Paradine Case”, ao mesmo tempo que o olhar de Alida Valli fala o tempo todo com o advogado durante o julgamento, implorando primeiro para deixar em paz Latour, para depois o fuzilar quando este acusa Latour de ser o responsável pela morte do coronel Paradine, numa derradeira tentativa de Keane para salvar a mulher por quem se apaixonou, esquecendo tudo o que aprendeu nos tribunais, ao mesmo tempo que abandona a sua esposa (Ann Todd), que sofre sentada nas galerias a assistir ao julgamento


À medida que o tempo passa, percebemos como é complexa a relação de Mrs. Paradine com André Latour (num excelente desempenho de Louis Jourdan), mas para o que ninguém estava preparado, nem o próprio Anthony Keane, é para a revelação de Maddalena-Anna Paradine, quando tem conhecimento do suicídio de Latour. E aqui Alfred Hitchcock oferece-nos a auto-destruição da carreira de um homem, com o discurso que Anthony Keane faz (fabuloso Gregory Peck), após Mrs. Paradine confessar ser ela a autora do crime.


Maddalena-Anna Paradine e André Latour estavam apaixonados e eram amantes, mas ele nunca concordou em eliminar o Coronel Paradine das suas vidas. Por outro lado ela transforma-se de Ré em Acusadora, quando condena, perante o tribunal, o seu advogado Anthony Keane de se encontrar apaixonado por ela e de ter destruído a vida de um inocente, no supremo clímax da película, onde o ódio e a impotência são bem visíveis no rosto dos protagonistas.

Durante largo tempo “O Caso Paradine” / “The Paradine Case” foi um dos filmes menos falados de Alfred Hitchcock, o que na verdade se trata de uma enorme injustiça, porque nele descobrimos uma das mais complexas histórias de amor que nos foi dado ver por Alfred Hitchcock em toda a sua carreira, basta recordar “Vertigo” ou “Notorious”, mas só para vermos o desempenho verdadeiramente felino de Alida Valli, a queda no abismo de Gregory Peck e o remorso de Louis Jordan, vale a pena descobrir esta película.


(1) – Alfred Hitchcock contou desta forma a François Truffaut a construção do célebre plano: “Filmei esse plano em dois takes. A câmara está sobre Alida Valli e, por cima do ombro dela vê-se ao longe Louis Jourdan que entra e passa por trás dela, dirigindo-se para o banco das testemunhas. Comecei por fazer uma panorâmica de 360 graus, a mostrar Jourdan a andar da porta até ao banco, mas sem Alida Valli. A seguir filmei o grande plano de Alida Valli diante dum écran de transparência, sentando-a numa cadeira giratória para conseguir o “revolving effect”. Quando a câmara a abandona para voltar a Louis Jourdan, tive que a fazer desaparecer da tela. Foi complicadíssimo de filmar, mas muito interessante”.

3.7.26

Jean-Michel Jarre - "Les Chants Magnètiques"


Jean-Michel Jarre
"Les Chants Magnètiques"
Disques Dreyfus
1981

Jean-Michel Jarre ficou célebre com o trabalho discográfico "Oxygene" e em 1981 irá gravar o seu quinto álbum de Estúdio intitulado "Les Chants Magnètiques". A celebridade do músico francês, filho do compositor Maurice Jarre, irá no ano seguinte, 1982, realizar uma série de concertos na China que irão ficar célebres no universo musical.

Bruno Brazil - "A Noite dos Chacais" - William Vance / Louis Albert


Bruno Brazil
"A Noite dos Chacais" / "La nuit des chacals"
Arte: William Vance
Argumento: Louis Albert
Páginas: 46
Bertrand

Foi na revista Tintin (portuguesa), que nesse ano de 1967 descobri as aventuras de Bruno Brazil e que se viria a tornar um dos meus heróis favoritos da banda desenhada franco-belga. Como já referimos anteriormente, Louis Albert é um pseudónimo de Michel Regnier, mais conhecido no universo da 9ª Arte com o pseudónimo de Greg: um artista genial!

Vincent van Gogh - "Le Moulin de Blute-Fin, Montmartre"


Vincent van Gogh
"Le Moulin de Blute-Fin, Montmartre"
òleo sobre tela
Ano:1886
Kelvingrove Museum, Glasgow.

Robert De Niro - “O Bom Pastor” / “The Good Shepherd”


Robert De Niro
“O Bom Pastor” / “The Good Shepherd”
(EUA – 2006) – (167 min. / Cor)
Matt Damon, Angelina Jolie, William Hurt, John Turturro,
Robert De Niro, Billy Crudup, Michael Gambon, Austin Williams, Joe Pesci.

São muitos os casos de actores que passam para detrás das câmaras, nascendo nessa viragem muitos cineastas. Raoul Wash talvez seja um dos primeiros casos, obrigado a trocar a interpretação pela realização, mas um dos casos mais bem-sucedidos é, sem dúvida alguma, Robert Redford um dos grandes actores da História do Cinema que um dia ao realizar o seu primeiro filme “Gente Vulgar” / “Ordinary People” viu o seu esforço coroado de Óscares. Outro nome a seguir é, evidentemente, George Clooney que nos ofereceu na segunda realização em “Boa Noite e Boa Sorte” / “Good Night and Good Luck” uma obra assombrosa. Já Kevin Spacey ao realizar “Bobby Darin”, criou um musical que deve ser descoberto por todos. Poderíamos falar em casos como Stanley Tucci ou John Turturro, actores conhecidos de muitos, que vão construindo uma obra de cineastas pela calada da noite. E só para terminar esta introdução nunca nos poderemos esquecer desse grande actor e cineasta, um dos pais do cinema independente, chamado John Cassavetes, que aplicava o dinheiro ganho nas interpretações em filmes realizados por outros, para investir na execução dos seus projectos cinematográficos, construindo uma das mais belas obras de um cineasta.


Não é a primeira vez que Robert de Niro assina a realização de uma película, já que se estreou atrás das câmaras nesse filme mágico intitulado “Uma Rua em Nova Iorque” / “A Bronx Tale” (1993) escrito e interpretado pelo actor Chazz Palminteri, tendo até mais tarde dado uma ajuda na realização a Frank Oz, no célebre filme “The Score” onde encontrávamos uma tripla chamada Marlon Brando, Robert de Niro e Edward Norton, o retrato perfeito de passagem de testemunhos na interpretação entre três gerações.

Mas chegar até à realização de “O Bom Pastor” não foi fácil. Inicialmente o cineasta pretendido era John Frankenheimer, infelizmente a morte veio buscá-lo e depois Francis Ford Coppola trabalhou durante algum tempo no projecto, sendo nessa altura a personagem de Edward Wilson interpretada por Robert de Niro, daí o facto de Coppola surgir como produtor executivo nos créditos da película. Porém o projecto não avançou e seria o próprio Robert de Niro, ao fim de dez anos, a conseguir concretizá-lo surgindo também como realizador.


“O Bom Pastor” oferece-nos o retrato da fundação da CIA, nascida da criação da OSS durante a Segunda Guerra Mundial e será através de Edward Wilson (Matt Damon) que iremos saber como tudo se passou. Logo no início do filme se percebe que ele é uma personagem cinzenta que procura saber como falhou a primeira grande operação da CIA no exterior, já que o FBI trata dos assuntos internos. Essa operação foi a célebre crise da Baía dos Porcos, com a tentativa da invasão da ilha de Cuba levada a efeito por exilados cubanos, mas preparada e comandada pela CIA. Fidel Castro era uma “persona non grata” (veja-se o filme realizado sobre ele por Oliver Stone já editado em dvd) e teria que ser derrubado rapidamente. Como todos sabemos a operação falhou e iremos descobrir ao longo do filme como o KGB tomou conhecimento da acção, através dessa personagem chamada Ulisses (Oleg Stefan), o agente de serviço do KGB.


Da mesma forma que o MI6 britânico recrutava os seus espiões na elite da Universidade de Cambridge, os americanos escolheram a Universidade de Yale para formarem a sua Agência e será aqui que iremos encontrar o jovem Edward Wilson, através de diversos flashbacks, que irá aceitar a missão de uma vida, tornando-se uma personagem cinzenta, colocando a nação acima da família, chegando mesmo a sacrificá-la. Ele transforma-se num marido e pai ausente, desde o dia do casamento e ao longo da vida a CIA será a sua casa.

As actividades da CIA já foram por diversas vezes documentadas no cinema, basta recordar filmes como “Os Três Dias do Condor” de Sidney Pollack com Robert Redford no protagonista ou o recente “Syriana” de Stephen Gaghan, interpretado por George Clooney, mas nunca até hoje ninguém se tinha debruçado sobre a fundação da Agência de Espionagem e Robert de Niro oferece-nos um olhar perfeito sobre a forma de agir dos serviços de espionagem norte-americanos, através do olhar de Edward Wilson, repare-se na forma como ele conduz a história, dando particular atenção aos pequenos gestos e ao cinismo que se vive entre os membros da Agência, atente-se na forma de agir da personagem criada por William Hurt (Phillip Allen), aliás baseada em parte em Allen Dulles, chefe dos serviços de contra-espionagem, da mesma forma que Bill Crudup, o agente britânico Arch Cummings, se baseia na famosa toupeira Kim Philby. Recorde-se que os serviços de Sua Majestade foram os mais permissíveis à entrada de agentes duplos, aliciados pelo KGB.


No argumento construído por Eric Roth, o mundo da espionagem é um universo masculino, sendo a personagem de Angelina Jolie/Margaret um simples contraponto da solidão em que vive o marido Edward Wilson, a sua solidão é idêntica à do marido, embora na de Edward se corra um risco permanente de vida, repare-se nos encontros entre Ulisses e Edward (The Mother, o nome com que o agente do KGB baptizou Edward) em territórios neutrais para, na troca de impressões, fazerem o seu jogo de chantagem.

“The Good Sheperd” surge assim como uma película perfeita sobre o mundo dos espiões, tão perfeita como esse magnífico livro escrito por John Le Carré, “O Espião Perfeito”, infelizmente nunca adaptado ao grande écran, embora tenha sido adaptado para a televisão (passou em Portugal na RTP-2, bem escondido do grande público).


Nos dias de hoje, ao sabermos de certas actividades desta Agência de Espionagem interrogamo-nos sobre quem efectivamente controla as suas actividades, o Presidente Americano ou o o Congresso dos Estados Unidos? A resposta é-nos dada no final do filme, quando o superior de Edward Wilson o avisa que irão certamente ter visitas para supervisionar o trabalho deles, mas que nem tudo será revelado, porque ali quem mais ordena é o Director. E basta recordar as teses apresentadas por Oliver Stone no seu “JFK” para obtermos algumas respostas.


“O Bom Pastor” é o retrato mais-que-perfeito de uma organização que cresceu no mundo da espionagem, temida e odiada por muitos, oferecendo-nos a sua história através dessa personagem criada por Matt Damon de forma sóbria e contida. Este “The Good Sheperd” surge como o outro lado da moeda do “Jogo de Espiões” / “Spy Games” (de Tony Scott) e revela-nos um cineasta chamado Robert de Niro acima de qualquer suspeita.