2.7.26

Herbert Joos - “Daybreak – The Dark Side of Twilight”


Herbert Joos
“Daybreak – The Dark Side of Twilight”
JAPO 60015
ECM 3615
ECM Records
1990


Herbert Joos – fluegelhorn, trumpet.
Thomas Schwarz – oboe
Radio Symphony Orchestra Stuttgart –strings.
Wolfgang Czelusta – trombone (track 7)

1 – Why? – 9:39
2 – When Were You Born? – 4:46
3 – Leicester Court 1440 – 3:38
4 - Daybreak – 6;12
5 – Black Trees – 7:12
6 – Faster Your Seatbelt – 4:09
7 – The Dark Side of Twilight” – 15:19


Nas décadas de 70/80, do século passado, assistiu-se com uma certa regularidade ao encontro entre a denominada música erudita e o jazz, revelando-se este casamento luminoso de uma harmonia quase perfeita, já que quase sempre encontrávamos elementos melódicos que faziam a delicia dos nossos ouvidos e neste caso concreto Herbert Joos, que para além de músico de jazz, era também artista gráfico, não fugiu a esta bela regra. Recorde-se que músicos como Keith Jarrett, Jan Garbarek, Eberhard Weber e Terje Rypdal utilizaram com enorme saber a fusão destes géneros musicais.

Ao ser reeditado este belo álbum de Herbert Joos foi incluído mais um tema, com cerca de 15 minutos, intitulado “The Dark Side of Twilight” onde surge também o trombonista Wolfgang Czelusta. Estamos perante um trabalho discográfico que bem merece ser (re)descoberto, pela sua originalidade no interior desse enorme universo que é o jazz, onde as mais diversas tendências habitam, na mais bela harmonia.

Gravado no mês de Outubro de 1976, no Tonstudio Bauer, Ludwigsburg, por Carlos Albrecht (faixas 1 a 6) e no mês de Julho de 1988 (faixa 7 – The Dark Side of Twilight”). Layout de Dieter Rehm. Capa de Herbert Joos. Fotografia de Marion Winter. Producão de Herbert Joos e Thomas Stowsand.

Todos os temas foram compostos por Herbert Joos. O álbum “Daybreak” de Herbert Joos foi editado pela primeira vez em 1976, com o selo JAPO Records – JAPO 60015 e reeditado no ano de 1990, com o selo da ECM Records - ECM 3615, ao qual foi acrescentado o tema “The Dark Side of Twilight”, passando a ter o título de: Herbert Joos – “Daybreak – The Dark Side of Twilight”.

James Joyce - “Ulisses”


James Joyce
“Ulisses”
Páginas: 848
Livros do Brasil

“Não é difícil ser-se audacioso quando se é jovem, mas a audácia mais bela é a do fim da vida. Admiro-a em Joyce, como a admiro em Mallarmé, em Beethoven e em alguns raríssimos artistas cuja obra termina numa falécia e que ao futuro apresentam a mais abrupta face do seu génio. Sem nunca deixar conhecer a insensível encosta por onde atingiram pacientemente essa desconcertante altitude.”

André Gide

Man Ray - "Tristan Tzara"


Man Ray
"Tristan Tzara"
Ano: 1934

George Pan Cosmatos - “Cassandra Crossing” / “The Cassandra Crossing”


George Pan Cosmatos
“Cassandra Crossing” / “The Cassandra Crossing”
(Grã-Bretanha, Itália, Alemanha – 1976) – (129 min,/Cor)
Sophia Loren, Richard Harris, Burt Lancaster,
Ava Gardner, Ingrid Thulin, Martin Sheen, Alida Valli.


Na década de 70 o cinema, perante a invasão da televisão nos lares, descobriu no sub-género “filme catástrofe” um modo de captar as audiências e assim foram inúmeros os filmes que surgiram nesse sentido, desde o célebre “Aeroporto” com as diversas sequelas, até a filmes como este “Cassandra Crossing” / “The Cassandra Crossing”, realizado por George Pan Cosmatos que, a par da intriga política sempre presente, narra a odisseia de um comboio e dos seus passageiros que foram contaminados por um vírus, transportado por um homem em fuga, único sobrevivente de um assalto à Organização Mundial de Saúde, onde se encontravam colheitas de diversos vírus para fins pouco pacíficos.


Como era habitual nesta época, a película possui no elenco diversas estrelas de cinema que viram o seu apogeu em décadas anteriores, mas que não deixam os seus créditos por mãos alheias, por outro lado temos uma eficácia narrativa a par de uma realização de George Pan Cosmatos que consegue manter o suspense, ao longo da película, revelando-se “Cassandra Crossing” como um filme a redescobrir e comparar com certos filmes catástrofes que por aí abundam, reféns dos efeitos especiais.

1.7.26

Penguin Cafe Orchestra - "Broadcasting From Home"


Penguin Cafe Orchestra
"Broadcasting From Home"
Editions EG
Ano: 1984

Uma sugestão musica de Podkayne Fries, a rapariga de Marte, que também gosta da música deste planeta.

Valerian - "O Império dos Mil Planetas" - Pierre Christin / Jean-Claude Mézières


Valerian
"O Império dos Mil Planetas" / "L'Empire des Mille Plantes"
Argumento: Pierre Christin
Desenho: Jean-Claude Mézières
Páginas: 48
Meribérica

A segunda aventura de Valerian, esse herói da ficção-cientifica que se irá tornar uma banda desenhada de referência da célebre Revista Pilote e que em Portugal foi publicado na saudosa Revista Tintin, possui em “O Império dos Mil Planetas” / "L'Empire des Mille Plantes" uma das mais famosas histórias saídas da imaginação de Pierre Christin e da pena artística de Jean-Claude Mézières.

Recorde-se que foi precisamente esta aventura de Valerian, que chegou aos écrans de cinema do Planeta Azul no ano de 2017, pela mão de Luc Besson (um confessado fan desta BD) com actores de “carne e osso” iguais às personagens criadas por Jean-Claude Mézières e Pierre Christin!

Helmut Newton - "Charlotte Rampling"


Helmut Newton
"Charlotte Rampling"
St. Tropez
Ano: 1976

Alfred Hitchcock - "Difamação" / "Notorious"


Alfred Hitchcock
"Difamação" / "Notorious"
(EUA – 1946) – (101 min. – P/B)
Ingrid Bergman, Cary Grant, Claude Rains, Louis Calhern, Leopoldine Konstantin.

“Notorious” / “Difamação”, como todos sabemos, é uma das obras-primas de Alfred Hitchcock e, nesta história de espionagem, vive uma das mais belas histórias de amor do cinema. Como não podia deixar de ser não se trata de um par, mas sim de um triângulo, composto por Devlin (Cary Grant), Alicia (Ingrid Bergman) e Sebastian (Claude Rains). E o célebre MacGuffin, como explicou Hitch, é uma amostra de urânio escondida numas garrafas de vinho. E nunca é demais referir que na época poucos sabiam a que se destinava o célebre urânio, chegando-se a falar que Hitchcock foi vigiado por agentes do FBI, quando se conheceu o argumento. Estamos assim perante um verdadeiro enredo de um filme de espionagem, género tão do agrado do Mestre do Suspense.


Alicia Huberman (Ingrid Bergman) assiste, no início do filme, ao julgamento do pai, um espião nazi entretanto descoberto e preso pelas autoridades americanas. Este tipo de relação familiar já nos tinha sido oferecida em “Correspondente de Guerra” / “Foreign Correspondent” (1942), porque na verdade todos sabemos que, durante a Segunda Guerra Mundial, foram muitos os espiões alemães a fazerem o seu trabalho no território do adversário, como Alfred Hitchcock nos mostrou também nessa outra película intitulada “Sabotagem” / “Saboteur” (1942). Iremos assim assistir à condenação de Huberman e à saída da sua filha do tribunal tentando, por todos os meios, fugir às perguntas dos jornalistas.


A condenação do seu pai leva-a a tentar encetar uma nova vida e será assim que a iremos encontrar a dar uma festa em sua casa para os amigos, refugiando-se no álcool para esquecer a perda do pai. Será também aqui que iremos encontrar Devlin (Cary Grant) pela primeira vez, cuja identidade desconhecemos. Alicia abandona a festa e decide andar pela estrada fora no seu carro e Devlin faz-lhe companhia, seguindo todos os seus gestos com a máxima atenção, porque ela acelera demasiado e está perfeitamente ébria, até que são detidos por um polícia e só então ficamos a saber, tal como Alicia, a verdadeira identidade de Devlin: um agente do governo encarregado de a vigiar. Mas com a passagem do tempo ambos se apaixonam, embora Devlin coloque o dever acima do amor e quando ele a informa que necessita dos seus serviços para vigiar um grupo de nazis suspeitos, que se encontram no Brasil, ela irá aceitar essa missão.


Alexander Sebastian (Claude Rains), antigo amigo do pai de Alicia, nutre uma profunda paixão por ela e quando se encontram ele não esconde os seus desejos. E será assim que Devlin irá mandar a mulher que ama para os braços de outro homem, depois dela ter aceite a perigosa missão. Iremos então assistir ao conflito interior que irá tomar conta de Devlin, que tal como Alicia aceita as sugestões dadas por Paul Prescott (Louis Calhern), o responsável pela espionagem americana no Rio de Janeiro, mantendo-se Devlin como o agente de ligação de Alicia.


Mas ao contrário de Devlin (Cary Grant), Sebastian (Claude Rains) não esconde o seu amor pela jovem e quando ele lhe propõe casamento tudo se irá complicar, embora Alicia (Ingrid Bergman) cumpra à risca as ordens que lhe são dadas: casar com o homem que não ama para descobrir o que se passa naquela casa em que se reúnem nazis. E nunca é demais lembrar o esforço de guerra feito pelos americanos na chamada política de boa vizinhança com os países da América Latina, onde algumas simpatias pelo regime de Hitler eram por vezes bem visíveis. E será assim que Alfred Hitchcock irá introduzir a chave do mistério que rodeia aquela casa, onde cientistas alemães se reúnem.


Alfred Hitchcock irá introduzir o “suspense” de forma lenta e gradual ao longo da película, ao acompanharmos o percurso de Alicia pela casa, sempre vigiada pela possessiva mãe de Sebastian (Leopoldine Konstantin), que segue a nora para todo o lado, em busca do segredo que desconhece. E será numa festa dada pelos Sebastian que Alicia revela a Devlin, então presente como amigo dela, que algo se encontra escondido na adega da casa, as célebres garrafas com urânio, e será nesta longa sequência, em busca do célebre MacGuffin, tratada por Hitchcock com enorme sabedoria, que Sebastian irá perceber que a sua mulher é uma espia. Decide então confessar o sucedido à mãe, ao mesmo tempo que esconde dos restantes cúmplices alemães a terrível descoberta porque, melhor do que ninguém, ele sabe que eles não irão ter contemplações com Alicia nem mesmo com ele, porque por ali não se olha a meios para atingir fins e cometer um erro dessa envergadura é imperdoável.


Até aqui a forma de agir de Devlin, para o espectador, é verdadeiramente antipática, porque se trata de um homem que trocou o amor por uma causa, mas quando ele percebe que a mulher que ama nunca irá sair daquela casa, tudo muda de figura, porque ela até está a ser envenenada, lentamente, com arsénico. Hitchcock cria então o verdadeiro clímax do filme nesse momento em que Devlin (Cary Grant) entra na casa para levar Alicia (Ingrid Bergman) dali para fora. E aqui Hitchcock, mais uma vez, decidiu sabotar a censura e o famoso código Hays, quando infringe as regras da duração de um beijo, estipuladas pelo infelizmente célebre censor, pondo Devlin a beijar de forma ininterrupta a bela e doente Alicia, no cimo das escadas, enquanto a tenta arrastar para fora da Mansão.


O par de amantes, ao ser descoberto, consegue no entanto sair daquele antro onde se encontram reunidos os conspiradores nazis, simplesmente porque Sebastian se recusa a confessar aos seus cúmplices que a sua mulher é uma espia, deixando-a por amor seguir o seu caminho, levada pelo seu rival, porque é mesmo disso que trata “Notorius” / “Difamação”: a luta de dois homens pela posse do corpo amado. E mais uma vez Alfred Hitchcock nos oferece a essência do seu cinema, criando ao longo de toda a película um suspense gradual, que irá atingir o seu clímax na sequência final.


“Difamação” / "Notorious" surge assim, como um dia afirmou François Truffaut, como “a quintessência de Hitchcock”. Uma obra que nos fascina cada vez mais com a passagem do tempo e onde a câmara do cineasta filma, como ninguém, os sentimentos das diversas personagens, basta ver como o olhar de cada um deles nos é oferecido para descobrirmos como muitas vezes o cinema consegue filmar a alma.