29.6.26

Auguste Renoir - "L'Escarpolette"


Auguste Renoir
"L'Escarpolette"
Óleo sobre tela
77 x 58 cm.
Ano: 1876
Musée d'Orsay, Paris.

Wim Wenders - “Movimento em Falso” / “Falsche Bewegung”


Wim Wenders
“Movimento em Falso” / “Falsche Bewegung”
(Alemanha - 1975) – (103 min. / Cor)
Rudiger Vogler, Hanna Schygulla, Nastassja Kinski, Lisa Kreuzer, Ivan Derny.

Wim Wenders, o mais fascinante cineasta alemão depois de Rainer Werner Fassbinder, decidiu trocar a Alemanha pela América, a sua nova Pátria, para mais tarde se tornar uma espécie de cidadão do Planeta. O filme de que desejamos falar hoje é um road movie, com estradas, mas sem carros intitulado "Movimento em Falso".


"Movimento em Falso" / “Falsche Bewegung” e uma película datada de 1975, que constitui segundo muitos um dos andamentos da sua trilogia alemã "on the road", composta por "Ao Correr do Tempo" / "Im Lauf der Zeit", "Alice nas Cidades" / "Alice in den Stadten" e a obra em questão. Se a viagem através da Alemanha em busca de uma identidade individual e colectiva, perdida nas cinzas da memória da História recente, é o elo de ligação entre os três filmes, já o tema da viagem é um elemento constante de todos as suas películas do período alemão, a par da memória do cinema norte-americano, bastando recordar "Paris/Texas" e "Hammett", para já não falarmos em "Nick's Movie" um outro género de memória, como todos sabemos.


"Falsche Bewegung" / "Movimento em Falso" é a viagem de Wilhelm (Rudiger Vogler) através da Alemanha (debaixo da sombra de Goethe) em busca da sua própria vocação adormecida: ser escritor. Decidindo conviver com todos aqueles que vai encontrando ao longo do seu trajecto. Os seus companheiros de estrada são uma actriz (Hanna Schygulla) – a presença dela é cristalina – um velho, antigo membro das SS, (representante do passado e da sua história recente), uma adolescente (Nastassja Kinski) e um poeta meio-louco mas civilizado.


Mais uma vez Wim Wenders nos oferece o seu retrato da Alemanha através de personagens marginais, embora contendo no seu interior o exemplo perfeito da composição social. Recorde-se que este filme foi ainda realizado nessa década que ficou conhecida como os "anos de chumbo" e que de certa forma foram retratados nesse filme colectivo intitulada "A Alemanha no Outono" / "Deutschland im Herbst", no qual Wim Wenders curiosamente não participou.


Olhar esta película de Wim Wenders é encontrar a solidão: a maior inimiga do ser humano. E é essa mesma solidão que nos acaba por invadir durante o visionamento de "Movimento em Falso", obrigando-nos a procurar após o seu final outros rostos humanos, em busca de palavras/diálogos para a construção de um novo romance.

28.6.26

Terje Rypdal / Miroslav Vitous / Jack DeJohnette - “Terje Rypdal / Miroslav Vitous / Jack DeJohnette”


Terje Rypdal / Miroslav Vitous / Jack DeJohnette
“Terje Rypdal / Miroslav Vitous / Jack DeJohnette”
ECM Records
1979

Terje Rypdal – guitar, guitar synthesizer, organ.
Miroslav Vitous – double bass, electric piano.
Jack DeJohnette – drums.

1 – Sunrise (Terje Rypdal) – 8:26
2 – Den Forste Sne (Terje Rypdal) – 6:35
3 – Will (Miroslav Vitous) – 8:01
4 – Believer (Miroslav Vitous) – 6:23
5 – Flight (Vitous/Rypdal /DeJohnette)– 5:25
6 – Seasons (Rypdal/Vitous/DeJohnette) – 7:22


Poderíamos afirmar que estamos perante um trio improvável, ao lermos o nome dos seus componentes: o guitarrista norueguês Terje Rypdal, oriundo da banda de Jan Garbarek, o contrabaixista checo Miroslav Vitous, membro fundador dos Wheather Report e o baterista norte-americano Jack DeJohnette, oriundo do Charles Lloyd Quartet e da galáxia Miles Davis, que nesta altura já tinham todos eles o seu projecto musical em nome próprio.

Recordo-me, numa breve memória, de ter comprado este álbum na saudosa discoteca Roma, em Lisboa (já encerrada), numa edição da ECM, oriunda/fabricada em Espanha e que era mais barata que a oriunda da Alemanha; rapidamente percebi as razões: espessura de vinil diferente e material da capa do álbum de qualidade inferior ou seja, como dizia a minha avó, de Espanha nem bom vento nem bom casamento.

Os seis temas que compõem este álbum são possuidores de um segredo que se irá dar a conhecer ao longo da audição, em que iremos começar por distinguir perfeitamente a música de Rypdal, sem Jon Christensen, mas com Jack DeJohnette a introduzir o seu timbre característico, enquanto nas faixas três e quatro sentimos a chegada de Miroslav Vitous, que até nos surge a tocar piano, evoluindo para o interior do seu universo criado após a saída dos Wheather Report até que, sem darmos por isso, encontramos Jack DeJohnette a comandar as operações e a conduzir-nos pela estrada fora em boa companhia, como se estes três músicos tocassem juntos há décadas. Um álbum fabuloso!

Gravado em Junaho de 1978 no Talent Studio, Oslo, por Jan Erik Kongshaug. Fotogafia da capa do álbum de Dieter Rehn. Fotografia de Roberto Masotti. Produção de Manfred Eicher.

Neal Barrett Jr. - "O Stutzman Voador"


Neal Barrett Jr.
"O Stutzman Voador"
Magazine do Fantástico e Ficção Cientifica nº.2
(The Magazine of Fantasy and Science Fiction)
Matriz / Editorial Império

Neal Barrett Jr. (1929 - 2014) e desde cedo começou a dedicar-se à escrita das famosas "short-stories" fruto também das inúmeras revistas existentes, muitas delas temáticas e assim em Agosto de 1960 publicou o seu primeiro conto de ficção-científica intitulado "To Tell the Trhth", iniciando assim uma acticvidade literária que se irá estender também aos famoso crimes e mistérios, para além do fantástico. Rapidamente passa das "short-stories" às novelas e em 1980 viu o seu mérito como escritor a ser reconhecido após a publicação de "Through Darkest America". Nomeado para os famosos prémios "Nebula Award" e "Hugo Award" terminaria por receber o título de "Author Emeritus" do "Science Fiction and Fantasy Writers of America.

Em "O Stutzman Voador" descobrimos uma fantasia invulgar acerca de um vendedor que é apanhado num inferno vivo de hospedeiras, travessas de lanches e refeições das linhas aéreas. Após a sua leituras certamente nunca mais voltaremos a queixar de voar


«Stutzman deu uma olhadela através da pequena janela redonda. Bancos compactos de nuvens perfeitamente brancas cobriam a terra. Podia-se olhar para uma nuvem durante o dia inteiro sem pensar em nada. Uma vez, quando voltara a casa, dissera a Ângela: "Nunca alguém se magoou a olhar para uma nuvem"»

Neal Barrett Jr.

Édouard Manet - "Chez le père Lathuille"


Édouard Manet
"Chez le père Lathuille"
Óleo sobre tela
92 x 112 ccm.
Ano: 1879
Musée des Beaux-Arts, Tournai.

Sergei M. Eisenstein - “Ivan o Terrível – Parte 1 e 2” /”Ivan Grozny – I & II”


Sergei M. Eisenstein
“Ivan o Terrível – Parte 1 e 2” /”Ivan Grozny – I & II”
(URSS – 1945/46) – (98 min. – P/B) – (85 min. – P/B-Cor)
Nikolai Tcherkassov, Seraphina Birman, Ludmila Tzelikovskaia.


Quando Estaline, o Czar Vermelho do Kremlin, encomendou a feitura de um grande fresco histórico sobre o “primeiro Czar de todas as Rússias”, recorde-se que foi ele que Fez a unificação das diversas regiões, o cineasta encontrava-se nas ruas da amargura, depois do insucesso da sua estadia no Ocidente (Paris, Londres, América (Hollywood) e México) e mesmo depois do seu “Alexandre Nevsky”, feito a pedido das autoridades soviéticas, viu o filme tornar-se invisível devido ao famoso e controverso pacto germano-soviético de Brest/Litovsky, entre o regime nacional-socialista e o regime soviético, tendo de imediato o filme se tornado bastante incómodo e passando ao estatuto de obra cinematográfica invisível.


Com a invasão da então URSS pelas tropas de Hitler, e tendo em conta que o Czar do Kremlin conhecia todas as potencialidades do cinema de propaganda, para além de ser um amante dos musicais de Hollywood, que lhe eram projectados secretamente na sua sala de cinema privada, decidiu “convidar” Serguei M. Eisenstein para construir um fresco sobre o Czar Ivan, onde pudesse ver projectada a sua própria figura como grande líder da nação russa. E o cineasta do “Couraçado Potemkine” deitou mãos à obra, tendo recebido do Senhor do Kremlin todos os meios disponíveis para a realização do filme, que iria ser composto de três partes, portanto um longo fresco para a nação poder ver em Estaline o seu líder supremo.


“Ivan, o Terrível” / “Ivan Grozny” irá ter argumento, montagem e realização de Serguei M. Eisenstein e música de Serguei Prokofiev, que nos irá contar a vida de Ivan desde o seu nascimento até chegar esse momento inadiável da sua morte, mas se esta primeira parte, que até teve estreia no Teatro Bolshoi no final de 1944 (numa altura em que as tropas nazis já tinham sido expulsas da URSS e o exército vermelho avançava na Europa de Leste), contou com a presença do próprio Estaline, que teceu rasgos elogios ao cineasta, mas quando o ditador viu a segunda parte da obra, abandonou a sala a meio do filme, porque desta vez o retrato de Ivan, colava-se de forma imperfeita ao seu culto da personalidade, revelando muitos dos seus temores e de imediato o cineasta “caiu em desgraça”, tornando-se um proscrito para as autoridades soviéticas, ao mesmo tempo que a segunda parte de “Ivan, o Terrível” era de imediato proibida, só sendo vista em 1958, após o processo de destalinização levado a cabo pelas novas autoridades do Kremlin, saídas do “famoso” XX Congresso do PCUS. Quanto à terceira parte daquela que seria a obra monumental de Serguei M. Eisenstein, nunca viu a luz do dia.


Os filmes “O Couraçado Potemkine” / “Bronenosets Potemkine”, sobre o qual já aqui escrevemos, “Alexandre Nevsky”/ “Aleksandr Nevskii e “Ivan, o Terrível”/ “Ivan Grozny”, revelam-nos a genialidade deste Mestre da Sétima Arte chamado Serguei M. Eisenstein, já o seu famoso filme inacabado, posteriormente montado por terceiro, intitulado “Que Viva México” é bem revelador do que iria a Sétima Arte conquistar, com a presença do cineasta no Ocidente, mas este infelizmente terminou por deixar Hollywood e regressar a Moscovo.

27.6.26

Harold Budd - "By The Dawn's Early Light"


Harold Budd
"By The Dawn's Early Light"
Opal Records
1991


Harold Budd - piano, organ, synthesizer, vocals (poems).
Bill Nelson - electric guitar, acoustic guitar.
B. J. Cole - pedal steel guitar.
Mabel Wong - viola.
Susan Allen - harp.

Alix - "A Ilha Maldita" - Jacques Martin


Alix
"A Ilha Maldita" / “L'ille Maudite"
Arte: Jacques Martin.
Argumento: Jacques Martin
Páginas: 64
Asa/Público

"A Ilha Maldita" / “L'ille Maudite" é a terceira aventura do jovem Alix criado por Jacques Martin, ainda no formato inicial com uma prancha muito trabalhada e repleta de referências históricas. Uma das mais interessantes bandas desenhadas da escola franco-belga pelo seu rigor histórico e genialidade do seu criador.