27.6.26

Auguste Renoir - "Au café"

Auguste Renoir
"Au café"
Óleo sobre tela
35,7 x 27,5 cm.
Ano: 1877

John Lee Hancock - “Álamo” / “The Alamo”


John Lee Hancock
“Álamo” / “The Alamo”
(EUA – 2004) – (137 min. / Cor)
Dennis Quaid, Billy Bob Thorton,
Jason Patric, Patrick Wilson, Emilio Echevarria.

Em 1960 o actor John Wayne decidiu tomar em suas próprias mãos a realização de “Álamo”, sendo ao mesmo tempo o protagonista, vestindo a pele do célebre David Crockett.


Embora as dificuldades tenham sido enormes e até o amigo John Ford lhe tenha dado uma ajuda na feitura da película, o actor/realizador levou a bom porto a película, que sempre gostamos de rever. E ao longo dos anos foram inúmeros os filmes que abordaram a luta gloriosa dos Texanos para a fundação do seu Estado, perante as forças do temível General Santa Anna.

Como não podia deixar de ser este é um tema muito querido aos texanos e John Lee Hancock na companhia Ron Howard, vestindo este último a pele de produtor, decidiram levar acabo mais uma versão da luta que se desenrolou na antiga missão de Álamo.


O realizador que se estreou com “Hard Times Romance” em 1991 e depois deu nas vistas com as séries de televisão L. A. Doctors (2000) e “Falcone” (1998), decidiu ir mais longe e narrar-nos não só a luta dos defensores de “Álamo”, mas também contar-nos a derradeira batalha que opôs as tropas mexicanas de Santa Anna e os Texanos chefiados pelo General Sam Huston, cujo nome irá figurar para sempre na famosa capital do Texas: Huston.

Iremos assim conhecer num baile o General Sam Buttons (Dennis Quaid), o célebre David Crockett (Billy Bob Thorton) e o Coronel James Bowie (Jason Patric) a congeminarem a melhor forma de, com os seus milicianos, declararem a Independência do Texas, do México, assistindo-se depois há sua partida para esse posto avançado, chamado Álamo, ao mesmo tempo que conhecemos as inevitáveis intrigas entre os políticos dessa jovem América.


Ao contrário da película de John Wayne, o filme de John Lee Hancock opta por nos oferecer os conflitos e as diferenças de opinião entre os defensores de Álamo, perante a chegada das tropas mexicanas, em número infinitamente maior, comandadas pelo sanguinário General Santa Anna, que se julga um novo Napoleão.

Embora a forma como nos é dado os combates se encontra perfeita, já a lentidão que os antecede, demonstra uma certa falta de mão na planificação da película, revelando um grave problema de ritmo. Por outro lado em termos de estrutura de argumento, percebemos o desejo do realizador em ir mais longe que John Wayne, ao oferecer-nos o derradeiro embate, entre Americanos e Mexicanos, com a vitória do General Sam Huston, que seguindo o ensinamento de Wellington, na sua vitória sobre Napoleão, escondeu as suas tropas da visão das forças Mexicanas, que entretanto se tinham dividido em três grupos, perdendo o respectivo contacto.


Derrotado e preso o General Santa Anna (Emilio Echevarria), aceitará abdicar do Texas em troca da liberdade, conseguindo os Texanos obter a sua independência e assim formar mais um Estado da futura União.

John Lee Hancock oferece-nos em “Álamo” um filme honesto, mas que infelizmente não cativa o espectador, devido a um argumento que se estende em demasiadas frentes, perdendo-se em estudos psicológicos das diversas personagens, o que não irá contribuir em nada, para o retrato histórico que nos pretende oferecer.

26.6.26

Collin Walcott - “Grazing Dreams”


Collin Walcott
“Grazing Dreams”
ECM Records
1977

Collin Walcott – sitar, tabla.
John Abercrombie – electric guitar, acustic guitar, electric mandolim.
Don Cherry – trumpet, woode flute, doussn’Gouni.
Palle Danielsson – bass.
Dom Um Romão – berimbau, chica, tambourine, percussion.

1 – Changeless Faith
A – Song of the Morrow – 9:15
B – Gold Sun – 7:03
C – The Swarm – 6:07
D – Mountain Morning – 1:56
2 – Jewel Ornament – 5:01
3 – Grazing Dreams – 6:50
4 – Samba Tala – 1:30
5 – Moon Lake – 8:25


Este é um dos grandes trabalhos discográficos de Collin Walcott, esse genial tocador de cítara e tabla, que infelizmente nos deixou demasiado cedo. Gravado em Fevereiro de 1977 no Talent Studio, Oslo, por Jan Erik Kongshaug, Mastered por HR (Henry Riedel) no Tonstudio Bauer, Ludwigsburg. Cover Photo de Franco Fontana. Layout de Dieter Bonhorst. Produzido por Manfred Eicher.

Todos os temas são da autoria de Collin Walcott, excepto os temas “Gold Sun” assinado por Collin Walcott e Don Cherry; “Jewel Ornament” composto por Don Cherry, John Abercrombie e Collin Walcott; “Samba Tala” pertencente a Dom Um Romão e Collin Walcott.

Já as faixas “Mountain Morning” e “Moon Lake” revelam-se como pura improvisação dos músicos que tocam no álbum “Grazing Dreams” de Collin Walcott. O instrumento Doussn’Gouni, tocado por Don Cherry, é uma harpa oriunda do Mali, conhecida também pelo nome de “African Hunter’s Guitar”.

Lawrence Durrell / Henry Miller - "A Private Correspondance"


Lawrence Durrell / Henry Miller
"A Private Correspondance"
Páginas: 400
Faber and Faber

Esta correspondência entre Lawrence Durrell e Henry Miller possui uma excelente edição da responsabilidade de George Wickes, que para além de assinar uma interessante introdução, irá ao longo do livro situar o contexto e a época da correspondência trocada entre estes dois nomes incontornáveis da Literatura.


Estamos perante um livro fundamental para conhecermos melhor Lawrence Durrell e a sua obra, desde como surgiu o sucesso inesperado, passando pelas inúmeras dificuldades económicas, até à importância da sua terceira esposa na criação do célebre "Quarteto de Alexandria" e muito mais, não esquecendo a famosa carta de Larry para Miller quando este leu "Sexus", que detestou, a que se seguiu um telegrama a pedir desculpa pela linguagem.

Porque razão este livro se encontra por editar em Portugal tal como a restante obre de Lawrence Durrell, permanece um mistério.

Claude Monet - "La Grenouillère"


Claude Monet
"La Grenouillère"
Óleo sobre tela
74,6 x 99,7 cm.
Ano: 1884 - 1886
The Art Institute, Chicago.

Liliana Cavani - “O Porteiro da Noite” / “Il portieri di notte”


Liliana Cavani
“O Porteiro da Noite” / “Il portieri di notte”
(Itália - 1974) – (118 min./Cor)
Dirk Bogarde, Charlotte Rampling, Philippe Leroy.

Liliana Cavani ao longo da sua filmografia nunca se apresentou como uma cineasta convencional, antes optando por temas polémicos por um lado, como sucedeu com este “O Porteiro da Noite” / “Il portieri di notte”, ou temas tabu como irá suceder com “O Caso de Berlin” / “The Berlin Affair”, já aqui abordado, para situar apenas duas películas centradas no mesmo período, a Segunda Grande Guerra.


Desta feita a cineasta italiana conta com dois nomes enormes da Sétima Arte, Dirk Bogarde e Charlotte Rampling, que irão vestir a pele do torcionário nazi e da sua vítima, num campo de concentração, que 13 anos após o final da guerra se irão cruzar uma noite em Viena, no hotel onde Max (Dirk Bogarde) trabalha e ela é hóspede com o seu marido.

Desta feita estamos bem longe desse outro olhar, sobre o mesmo tema, que nos foi oferecido pelo cineasta polaco Andrzej Munk no seu fabuloso filme “A Passageira” / “Pasazerka”, datado de 1963, que nos oferecia o encontro entre uma prisioneira de um campo de concentração com uma das suas carcereiras, anos depois, a bordo de um navio. Na verdade Liliana Cavani opta por explorar até às últimas consequências a relação sado-masoquista que se estabelece no campo de concentração entre Max (Dirk Bogarde) e Lucia (Charlotte Rampling), que 13 anos depois irão percorrer os corredores da memória, à beira do abismo.


Estávamos nos anos setenta e os cineastas italianos todos os anos nos ofereciam filmes que após a estreia eram de imediato alvo de enormes polémicas, como sucedeu com este quarteto cinematográfico:

1972 – Bernardo Bertolucci e “O Último Tango em Paris”
1973 – Marco Ferreri – “A Grande Farra”
1974 – Liliana Cavani – “O Porteiro da Noite”
1975 – Pier Paolo Pasolini – “Saló ou os 120 Dias de Sodoma”


Eram os anos 60/70 e o cinema por muito discussão que gerasse oferecia a oportunidade do confronto de ideias, com debates por vezes verdadeiramente apaixonantes de ambos os lados das barricadas cinéfilas, que o digam os “Cahiers du Cinéma” e a “Positif”!

Uma última nota para a interpretação memorável dessa actriz enorme chamada Charlotte Rampling, que teve no seu colega de profissão Dirk Bogarde, o parceiro perfeito, nesta película de Liliana Cavani, que não deixou ninguém indiferente.

25.6.26

Edith-Claire Gérin - " Pont des Arts, Paris


Edith-Claire Gérin
"O Transeunte"
Pont des Arts, Paris
Ano: 1953

Robert Siodmak - “A Mulher Desconhecida” / “Phantom Lady”



Robert Siodmak
“A Mulher Desconhecida” / “Phantom Lady”
(EUA – 1944) – (87 miin. – P/B)
Franchot Tone, Ella Raines, Alan Curtis.

O nome do cineasta Robert Siodmak pertence a esse colectivo “alemão” que um dia realizou um filme verdadeiramente fundador de um novo cinema, quando em 1930 surgiu a película “Manschen am Sonntag” (possivelmente a película que mais vezes vi deste genial cineasta), mas nunca é demais referir os outros nomes que assinaram este filme incontornável, seja na realização como no argumento, já que se trata de um trabalho colectivo: Fred Zinnemann, Edgar G. Ulmer, Curt Siodmak, Rochus Gliese e Billy Wilder.


Após esta pequena introdução para situar o cineasta de “The Killers”, entramos neste inesquecível “film noir” intitulado “Phantom Lady” / “A Mulher Desconhecida”, indo de imediato ao encontro desse homem só num bar, sem saber se pretende companhia ou não, mas que termina por convidar para um espectáculo a dama solitária que por ali anda, com um estranho chapéu e este acessório feminino, bem original, será o “macguffin” do filme, usando a terminologia hitchcockiana, porque se por um lado iremos estar num verdadeiro “blind date”, já que a dama se recusa a dizer o seu nome e mais tarde desaparece de circulação, por sua vez o perdido Scott Anderson (Alan Curtis, que infelizmente nos deixou demasiado cedo), ao regressar a casa, irá ser recebido pela polícia, que ali se encontra devido ao assassínio da sua esposa, que se recusara a ir com ele ao Teatro, naquela noite em que celebravam mais um aniversário de casados.


Um dos princípios do cinema de Robert Siodmak é precisamente a forma como ele usa as “cores” do preto e branco, ao mesmo tempo que a sua câmara se revela sempre bastante inquieta ou se preferirem anti-convencional, recorde-se que também ele gostava de produzir os seus filmes, para fugir aos constrangimentos que habitualmente eram impostos pelos Estúdios.


Mas regressando a Scott Anderson, que irá com a polícia aos locais onde esteve, para provar que não se encontrava em casa na altura do assassinato, irá descobrir que o seu alibi é de papel, porque todas as pessoas que se cruzaram com ele, o barman, o taxista, a cantora do Music-Hall, que usava precisamente um chapéu igual ao da mulher misteriosa, todos eles dizem que o viram, mas sem qualquer mulher, porque ele estava sozinho e assim Scott Anderson é condenado, mas a sua secretária não se resigna à decisão tomada pelo júri e decide percorrer os locais onde ele esteve e confrontar essas mesmas pessoas, usando os mais diversos métodos.


A forma brilhante como Robert Siodmak estabelece os enquadramentos e a ligação dos planos, reflecte-se, por exemplo, nesse momento sublime do grupo de jazz, assim como a transformação que a bela Carol Richman (Ella Raines) faz de si própria, de uma sensualidade bem marcante deste género cinematográfico. E se no final de “A Mulher Misteriosa” / “The Phantom Lady” somos surpreendidos, não nos esqueçamos que o suspense vai aumentando sempre de minuto a minuto, ao mesmo tempo que vamos tendo mais dados sobre o que na realidade se passou mas, dizia eu, não desliguem o televisor, porque se pensa que sabe tudo, engana-se, veja mesmo até ao último fotograma e oiça as palavras de Scott, “não desligue Miss Carol…