João Canijo - (1957 - 2026)
João Canijo nasceu na cidade do Porto, cidade onde frequentou o curso de História, mas a sua paixão pelo cinema levou a que iniciasse a sua actividade na sétima arte como assistente de realização, trabalhando com cineastas como Manoel de Oliveira, Paulo Rocha e o alemão Wim Wenders, que rodou no nosso país e mais tarde decidiu partir para a realização estreando-se com a curta-metragem "O Meu Amor" em 1984.
Quatro anos mais tarde surge a longa-metragem "Três Menos Eu", com Rita Blanco como protagonista e que viria a ser um dos rostos preponderantes da sua filmografia; em 1990 surge a película "Filha da Mãe", com a participação do actor brasileiro José Wilker e de imediato os holofotes surgiram sobre ele decidindo então partir para a experiência em televisão, realizando a série "Alentejo Sem Lei", que teve como um dos protagonistas Herman José. No pequeno écran irá realizar ainda duas novas séries: "Cluedo" e "Sai da Minha Vida".
Em 1998 surge o filme "Sapatos Pretos" com Ana Bustorff como protagonista que teve um enorme sucesso e, com a chegada do novo milénio, realiza na primeira década do século XXI três películas: "Ganhar a Vida", "Noite Escura", que confesso ser o meu filme favorito de João Canijo, e "Mal Nascida", ao mesmo tempo que realiza para a televisão os filmes "A Audição" e "Fugas.pt" e uma curta-metragem intitulada "Mãe Há Só Uma".
Na década seguinte João Canijo, que assinava muitos dos argumentos dos seus filmes, desenvolveu uma intensa actividade como cineasta, realizando as películas "Fantasia Lusitana", "Trabalho de Actriz, Trabalho de Actor", "Sangue do Meu Sangue", "É o Amor", "Portugal - Um Dia de Cada Vez", "Fátima" que nos conta a odisseia de 11 mulheres numa peregrinação de Bragança até ao Santuário de Fátima, que virá dar origem à série de televisão, em cinco episódios, "Fátima - Caminhos da Alma" no ano de 2015, a que se seguiu o documentário "Diário das Beiras" em 2017.
Ao longo da sua actividade como realizador João Canijo visitou o documentário a par do cinema de ficção e em 2020 realiza com a actriz Anabela Moreira, que foi protagonista de alguns dos seus filmes, a longa-metragem documental "Fojos". Três anos mais tarde são estreadas as películas "Mal Viver", que recebeu o Urso de Prata do Júri do Festival de Berlin em 2023 e "Viver Mal", que conquistou diversos prémios em Portugal e que virá a dar origem à série de televisão "Hotel do Rio" em 2024.
João Canijo tinha neste momento, em fase de pós-produção, a película "Encenação", que visitava o universo teatral.
Aos 68 anos João Canijo deixa uma obra cinematográfica que bem merece ser redescoberta e exibida de novo nas salas de cinema e esperamos que a Cinemateca lhe dedique um ciclo de cinema, assim como edite um livro, como é prática da casa. Já a televisão devia voltar a passar as suas série,s para muitos redescobrirem a outra faceta deste nome do cinema português que nos deixou em 29 de Janeiro de 2026.






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