"Small Craft on a Milk Sea"
Warp Records
2010
Andy Warhol - (1928 - 1987) ao longo dos anos criou inúmeros "Self-Portrat" e este datado de 1978 será dos menos conhecidos. Ainda me recordo da grande primeira exposição de arte contemporânea norte-americana realizada na Fundação Calouste Gulbenkian na década de setenta do século passado em que a primeira obra que era possível encontrar era precisamente uma enorme "Self-Portrait" mais famosa do artista em seis reproduções de tonalidades diferentes.
Andy Warhol que nasceu em Pittsbourg, estudou história da arte, sociologia e psicologia no Carnagie Institute of Technology e em 1949 foi viver para New York tendo realizado a sua primeira exposição individual em 1952 na Hugo Gallery, vindo a tornar-se o mais famoso artista da sua geraç~~ao e um nome incontornável no interior da "Pop Art".
João Canijo nasceu na cidade do Porto, cidade onde frequentou o curso de História, mas a sua paixão pelo cinema levou a que iniciasse a sua actividade na sétima arte como assistente de realização, trabalhando com cineastas como Manoel de Oliveira, Paulo Rocha e o alemão Wim Wenders, que rodou no nosso país e mais tarde decidiu partir para a realização estreando-se com a curta-metragem "O Meu Amor" em 1984.
Quatro anos mais tarde surge a longa-metragem "Três Menos Eu", com Rita Blanco como protagonista e que viria a ser um dos rostos preponderantes da sua filmografia; em 1990 surge a película "Filha da Mãe", com a participação do actor brasileiro José Wilker e de imediato os holofotes surgiram sobre ele decidindo então partir para a experiência em televisão, realizando a série "Alentejo Sem Lei", que teve como um dos protagonistas Herman José. No pequeno écran irá realizar ainda duas novas séries: "Cluedo" e "Sai da Minha Vida".
Em 1998 surge o filme "Sapatos Pretos" com Ana Bustorff como protagonista que teve um enorme sucesso e, com a chegada do novo milénio, realiza na primeira década do século XXI três películas: "Ganhar a Vida", "Noite Escura", que confesso ser o meu filme favorito de João Canijo, e "Mal Nascida", ao mesmo tempo que realiza para a televisão os filmes "A Audição" e "Fugas.pt" e uma curta-metragem intitulada "Mãe Há Só Uma".
Na década seguinte João Canijo, que assinava muitos dos argumentos dos seus filmes, desenvolveu uma intensa actividade como cineasta, realizando as películas "Fantasia Lusitana", "Trabalho de Actriz, Trabalho de Actor", "Sangue do Meu Sangue", "É o Amor", "Portugal - Um Dia de Cada Vez", "Fátima" que nos conta a odisseia de 11 mulheres numa peregrinação de Bragança até ao Santuário de Fátima, que virá dar origem à série de televisão, em cinco episódios, "Fátima - Caminhos da Alma" no ano de 2015, a que se seguiu o documentário "Diário das Beiras" em 2017.
Ao longo da sua actividade como realizador João Canijo visitou o documentário a par do cinema de ficção e em 2020 realiza com a actriz Anabela Moreira, que foi protagonista de alguns dos seus filmes, a longa-metragem documental "Fojos". Três anos mais tarde são estreadas as películas "Mal Viver", que recebeu o Urso de Prata do Júri do Festival de Berlin em 2023 e "Viver Mal", que conquistou diversos prémios em Portugal e que virá a dar origem à série de televisão "Hotel do Rio" em 2024.
João Canijo tinha neste momento, em fase de pós-produção, a película "Encenação", que visitava o universo teatral.
Aos 68 anos João Canijo deixa uma obra cinematográfica que bem merece ser redescoberta e exibida de novo nas salas de cinema e esperamos que a Cinemateca lhe dedique um ciclo de cinema, assim como edite um livro, como é prática da casa. Já a televisão devia voltar a passar as suas série,s para muitos redescobrirem a outra faceta deste nome do cinema português que nos deixou em 29 de Janeiro de 2026.
Ralph Towner - (1940 - 2026)
Multi-instrumentista o guitarrista norte-americano Ralph Towner teve na editora ECM Records a sua casa onde gravou mais de meia-centena de álbuns, com a cumplicidade do produtor Manfred Eicher, tanto a solo como em trio e quarteto na companhia de músicos como Jan Garbarek, John Abercrombie, Jack DeJohnette, Gary Burton, entre muitos outros, deixando-nos obras únicas no interior do jazz. Recorde-se que a guitarra clássica também era outro dos seus instrumentos preferidos, para além do piano, sintetizadores e percussão. Álbuns como "Diary", "Sargasso Sea" ou "Solstice" são bem demonstrativos da arte de Ralph Towner.
António Chainho foi um virtuoso da guitarra de 12 cordas e desde muito novo se interessou por este instrumento tão célebre no interior da música portuguesa. Foram os seus pais que lhe despertaram a paixão pela música e desde os oito anos começou a interessar-se pela guitarra e aos 13 anos já acompanhava a mãe quando ela cantava fado; sempre que escutava a rádio decidia também ele acompanhar os fados que surgiam no rádio lá de casa.
Seria na casa de fados "A Severa", situada no então já célebre Bairro Alto em Lisboa, que surgiu a tocar com enorme sucesso, assim como na casa de Fados "O Faia" e no Restaurante "O Folclore", situado mesmo ao lado da célebre cervejaria "Trindade". Ao longo dos anos acompanhou fadistas como Teresa de Noronha, Carlos do Carmo, Hermínia Silva, Francisco José, Helena Lima e até Tony de Matos e António Calvário, entre muitos outros.
Anos mais tarde iniciou uma careira internacional, tocando com nomes como Paco de Lucia, John Williams, Bruce Swedien, Geg Cohen, Peter Scherer e Jacques Morelenbaum e em 1980 inicia uma carreira em nome próprio com o álbum "Guitarra Portuguesa". Em 1996 grava com a célebre "The London Philharmonic Orchestra" um fabuloso trabalho discográfico, a que se seguiu dois anos mais tarde o álbum "A Guitarra e Outra Mulheres" na companhia de Teresa Salgueiro e Elba Ramalho, entre outros nomes.
Com a chegada do novo Milénio surge o álbum "António Chainho - Lisboa Rio", que conta com diversas colaborações incluindo a do famoso Ney Matogrosso. Três anos mais tarde é lançado o registo ao vivo de um concerto no CCB com Marta Dias, para depois surgir seis anos mais tarde o fabuloso "LisGoa". Em 2012 nasce entre amigos o álbum "António Chainho - Entre Amigos", em que encontramos nomes como Camané, Adriana Calcanhoto, Ney Matogrosso, Elba Ramalho, para três anos mais tarde chegar o seu derradeiro trabalho discográfico cujo título nos revela o retrato de uma vida intitulado, "Cumplicidades - 50 Anos de Careira" em que participam Rui Veloso, Pedro Abrunhosa, Paulo de Carvalho entre outros.
António Chainho, o virtuoso da guitarra, era conhecido como o homem tranquilo e a sua paixão pela guitarra ficou bem expressa ao longo da sua genial carreira repleta de sucessos, tendo até sido convidado por K. D. Lang e José Carreras para participar em temas destes nomes incontornáveis do universo musical.
António Chainho deixou-nos a 27 de Janeiro de 2026, mas fica para sempre na nossa memória.