5.3.26

Art Ensemble of Chicago - “Nice Guys”


Art Ensemble of Chicago
“Nice Guys”
ECM Records
1979

Lester Bowie – trumpet, celeste, bass drum.
Roscoe Mitchell – alto saxophone, soprano saxophone, flute, piccolo flute, oboe, clarinet, gong.
Joseph Jarman – tenor saxophone, alto saxophone, soprano saxophone, clarinet, flute, conch, vibraphone, gong, whistle, vocals.
Malachi Favors Maghostut – bass, melodica, percussion.
Famoudou Don Moye – drums, bells, horn, congas,timpani, marimba, bongos, chimes, gong, conch, whistle, wood block, cowbell, percussion.

1 – Ja (Lester Bowie) – 8:39
2 – Nice Guys (Roscoe Mitchell) – 1:41
3 – Folkus (Don Moue) – 10:59
4 – 587-59 (Joseph Jarman) – 6:43
5 – CYP (Roscoe Mitchell) – 4:49
6 - Dreaming of The Master (Joseph Jarman) – 11:40


Como muito bem indica o título deste álbum, trata-se de "tudo bons rapazes", não os do filme de Martin Scorsese, mas sim os membros de uma das bandas de jazz mais inovadoras algumas vez surgidas no universo musical: The Art Ensemble of Chicago, que encontraram na ECM Records o mais perfeito divulgador da sua Arte Musical!

"Nice Guys" foi gravado em Maio de 1978 no Tonstudio Bauer, Ludwigsburg, por Martin Wieland. Masterizado por Henry Riedel. Design de Barbara Wojirsch. Fotografias de Dani Lienhard, Isio Sabo e Roberto Masotti. Produção de Manfred Eicher.

Hopalong Cassidy - "Corisco, o Vaqueiro em "Ladrões de Gado" - Dan Spiegle



Hopalong Cassidy
"Corisco, o Vaqueiro em "Ladrões de Gado"
Arte: Dan Spiegle
Criador: Clarence E. Mulford
Mundo de Aventuras 347 a 369 - 1ª Série
Ano: 1956

As aventuras de "Hopalong Cassidy" ao serem publicadas na revista de banda desenhada Mundo de Aventuras, viram o hrói criado por Clarence E. Mulford e Dan Spiegle, ser baptizado de "Corisco, o Vaqueiro".

Gustave Caillebotte - "Rue de Paris, temps de pluie"


Gustave Caillebotte
"Rue de Paris, temps de pluie"
Óleo sobre tela
212 x 276 cm.
Ano: 1877
Art Institute, Chicago.

Gustave Caillebotte - (1848 - 1894) - foi um pintor francês impressionista que ficou célebre pelo seu traço bem distintivo e métodos usados para a criação da sua obra.


Estamos perante a pintura mais célebre de Gustave Caillebotte que utilizou segundo se pensa uma máquina fotográfica equipada de uma grande angular possuindo assim a criação de profundidade que se pode ver nesta obra intitulada "Rue de Paris, temps de pluie" datada de 1877.

Descobrimos nesta pintura uma imagem que acompanha um conjunto de pessoas a caminhar num dia chuvoso com os seus chapéus de chuva abertos na Paris criada pelo Barão Haussmann, em que a geometria das ruas se revela de forma perfeita. Temos assim a actual "Place de Dublin" na época conhecida como "Carrefour de Moscou", situado a leste da célebre "Gare Saint-Lazare", no norte de Paris.

Todd Haynes - “Seguro” / “Safe”


Todd Haynes
“Seguro” / “Safe”
(EUA – 1995) – (119 min. / Cor)
Julianne Moore, Peter Friedman, Xander Berkeley, Susan Norman.


Todd Haynes deu nas vistas em 1991 no Festival de Sundance, com a sua primeira película intitulada “Poison” / “Veneno”, que nos oferecia três histórias: Hero, Horror e Homo, sendo esta última baseada numa novela de Jean Genet. Quando em 1995, o cineasta decidiu fazer a sua segunda longa-metragem, intitulada “Safe” / “Seguro”, iria mais uma vez surpreender o público, que ao ver o nome de Julianne Moore no elenco, aderiu de imediato ao filme, desconhecendo estar perante uma obra que interrogava a existência contemporânea.


“Seguro” / “Safe”, conta-nos a história de Carol White (Julianne Moore), que possui tudo para ser feliz: um marido carinhoso, uma bela casa, tipicamente californiana e sem problemas económicos. No entanto ela não se sente feliz e começa a temer pela sua vida desenvolvendo alergias ao meio-ambiente, não encontrando ninguém, explicação para o seu estado de apatia e medo de sair de casa, porque lá fora o mal a pode contaminar.


Desenvolve então um problema de pele, ao mesmo tempo que as dores de cabeça a invadem de forma violenta, passando as noites a ver televisão, como se estivesse hipnotizada pelas imagens. Preocupado com o estado da esposa, o marido, decide interná-la numa dessas clínicas ”New Age”, (tão do agrado de alguns), onde os médicos fazem diagnósticos complexos e desenvolvem tratamentos incomuns para fazerem regressar o bem-estar aos seus pacientes.


No entanto, apesar de todos os esforços dos terapeutas e do próprio marido, que ama profundamente a mulher, o seu estado de saúde agrava-se de dia para dia, chegando ela a temer o próprio ar que respira.


Todd Haynes em “Seguro” / “Safe”, apresenta-nos o seu diagnóstico sobre a vida contemporânea, numa alegoria ao vírus do século xx, conhecido como sida, ao mesmo tempo que nos alerta para as contradições existentes no tão propalado sonho do “american way of life”. A interpretação de Julianne Moore é soberba, conseguindo contagiar o espectador com os seus medos e receios, desses vírus que a atingem e que ninguém consegue identificar. Esta película acabou por nos revelar um autor, cujos filmes seguintes irão comprovar o seu enorme talento.

4.3.26

Pierre Moerlen's Gong - "Downwind"


Pierre Moerlen's Gong
"Downwind"
Arista
1979


Pierra Moerlen (1952 - 2005) ficou conhecido da minha geração quando surgiu o duplo álbum "Incantations" de Mike Oldfield e todos nós ficámos fascinados com o lado B do segundo disco (era a idade do vinil) e logo depois surgiu nas discotecas este álbum assinado por Pierre Moerlen's Gong e intitulado "Downwind", cujo tema, bastante longo, tinha a participação de Mike Oldfield na guitarra e o Terry Oldfield na flauta, para além de o violinista Didier Lockwood e o Steve Winwood também andarem a viajar a sua arte musical por este álbum, que adorei recordar e recomendo!

Marcel Proust - "Em Busca do Tempo Perdido" / "À la recherche du temps perdu"


Marcel Proust
"Em Busca do Tempo Perdido" / "À la recherche du temps perdu"
Relógio D'Água
(7 Volumes)

No dia em que iniciei a leitura de “Em Busca do Tempo Perdido” de Marcel Proust, só consegui parar de ler o volume quando me chamaram para jantar, porque tinha terminado de descobrir o livro da minha vida. Nos dias seguintes, todos os minutos livres foram dedicados à descoberta do universo de Marcel Proust e quando concluí a leitura do romance entre Swann e Odete (que seria levado ao grande écran pela mão do cineasta alemão Volker Schlondorff, com Jeremy Irons e Ornela Mutti a vestiram de forma perfeita as personagens do romance), fui até à livraria mais próxima e comprei “À Sombra das Raparigas em Flor”.


Por ali navegava o mais belo oceano de palavras, que me enviava até à praia de Balbec, levado pelas suas vagas literárias em pequenas ondas de espuma. Lentamente fui entrando no romance, quase como um intruso e comecei a conviver com as diversas personagens criadas por Marcel Proust, viajando depois até essa Combray tão longe da vida mundana de Paris. Essa mesma vida que Proust tão bem conheceu e decidiu abandonar para se dedicar, refugiado no seu quarto do Boulevard Haussmann, à feitura desta obra incontornável da Literatura que é “Em Busca do Tempo Perdido”.


Um dia, ao passear pelas ruas da maravilhosa cidade de Paris, não resisti a tirar uma fotografia junto ao prédio onde, num quarto com paredes forradas a cortiça devido à asma do escritor, páginas e páginas foram escritas e revistas por ele, quantas vezes deitado na cama, num fervor literário em busca dessa obra mais-que-perfeita, que pretendia deixar a todos nós amantes da Literatura. E se nessa mesma Paris, se decidirmos descer os famosos Campos Elísios, iremos descobrir também a sua famosa alameda, esse lugar privilegiado por onde o escritor dava os seus passeios com a avó, olhando o mundo com um sorriso nos olhos da alma.


Ao chegar o dia em que terminei a leitura de “A Fugitiva”, o sexto volume de “Em Busca do Tempo Perdido” e fui comprar o último volume da obra intitulado “O Tempo Reencontrado”, senti uma certa tristeza, porque sabia que estava perante o último volume de uma obra que me oferecera uma nova visão do universo literário.


Li assim, com uma enorme paixão, as páginas de “O Tempo Redescoberto” e ao chegar a esse momento em que virei a última folha e retomei a leitura, depois de fazer uma pausa para molhar a madalena na chávena de chá, escutei a criança-nocturna que vive no meu interior a ler comigo as palavras escritas por Marcel Proust.

«A realidade que eu conhecera já não existia. (…) a recordação de uma determinada imagem não passa da nostalgia de um determinado momento; e as casas, as estradas, as avenidas, são infelizmente fugazes, como os anos.»


Neste século XXI, em que o mundo teima infelizmente em não ter passado, gosto de mergulhar as minhas pequenas memórias nas páginas de “Em Busca do Tempo Perdido” tornando-me assim, também eu, em personagem de uma das mais belas obras do universo Literário.


Antes de me deitar, tiro da estante um dos volumes de “Em Busca do Tempo Perdido” de Marcel Proust e depois de me sentar no sofá e de ter percebido como a noite veio para ficar, abro o livro numa página qualquer, indiferente ao tempo que faça lá fora e entro no mais belo sonho de um leitor em busca do tempo reencontrado.


«A realidade que eu conhecera já não existia. Bastava que a senhora Swann não chegasse tal e qual e no mesmo momento para que a avenida fosse outra. Os lugares que conhecemos só pertencem ao mundo do espaço em que os situamos para maior facilidade. Não eram mais que uma delgada fatia por entre impressões contíguas que formavam a nossa vida de então; a recordação de uma determinada imagem não passa da nostalgia de um determinado momento; e as casas, as estradas, as avenidas, são infelizmente fugazes, como os anos.»

in "Do Lado de Swann"
"Em Busca do Tempo Perdido"
Marcel Proust

Vincent van Gogh - "Terrasse au jardin du Luxembourg"


Vincent van Gogh
"Terrasse au jardin du Luxembourg"
Óleo sobre tela
63,5 x 35,8 cm.
Ano:1886
Clark Art Institute, Williamstown.

Vincent van Gog - (1853 - 1890) é um nome incontornável na História da Arte. Este pintor holandês criou ao longo da sua curta vida mais de um milhar de obras incluindo mais de oitocentas pinturas a óleo, que irão tornar célebre o pintor após a sua morte, encontrando-se nos dias de hoje as suas obras no mercado da arte a serem avaliados por somas verdadeiramente astronómicas.


A obra "Terrasse au jardin du Luxembourg" revela desde logo uma certa luminosidade a banhar o jardim do Luxembourg em Paris, o que é pouco habitual na sua obra, acompanhando o passeio dos seus habitantes num percurso repleto de árvores, onde a luz invade a paisagem, revelando as sombras projectadas por estes Parisienses, que passeiam numa das alamedas de um dos mais célebres espaços verdes da cidade das luzes.