20.1.26

F. W. Murnau - "Aurora" / "Sunrise"


 F. W. Murnau
"Aurora" / "Sunrise"
(EUA – 1927) - (117 min. - P/B - Mudo)
George O’Brien, Janet Gaynor, Margareth Livingstone.

Quando F. W. Murnau chegou aos Estados Unidos, a convite da Fox, foi-lhe de imediato dada carta-branca para filmar e assim nasceria “Sunrise” / “Aurora”, uma das mais admiráveis histórias de amor do cinema. Estamos mais uma vez perante a história da célebre tentação, personificada aqui pela vamp (Margaret Livingstone), que tudo irá fazer para seduzir George O’Brien, esse fiel esposo que um dia decide assassinar a mulher angélica que vive com ele.


Mais uma vez F. W. Murnau usa o travelling e a luz como só ele sabia fazer. Mas ao chegar a esse momento capital em que a vida e a morte se confrontam o marido, enfeitiçado pela vamp, desiste do seu objectivo e mais uma vez será Deus, segundo a visão do cineasta alemão, que irá escrever o destino por portas e travessas, quando ele pensa que a mulher morreu.


A forma “celestial” como nos é oferecido o rosto de Janet Gaynor, essa esposa angélica, ao longo do filme é surpreendente, em contraste com o rosto da vamp e quando o cineasta parte do campo para essa cidade cheia de luz e movimento, retratada de forma sublime, percebemos como o destino daquele par será escrito pelo amor que nutrem um pelo outro.


“Aurora” / “Sunrise” recebeu, na época da sua estreia, o Óscar para a melhor produção de qualidade artística, o equivalente nos dias de hoje ao Óscar para Melhor Filme, na verdade uma das obras-primas do Cinema!

19.1.26

Peter Baumann - "Machines of Desire"


Peter Baumann
"Machines of Desire"
Bureau B
2016

"Machines of Desire" marca o regresso de Peter Baumann, ex-membro dos Tangerine Dream, que desenvolveu um trabalho meritório como produtor na etiqueta "Private Music", ao interior da música electrónica, recordando por vezes precisamente o seu álbum de estreia, a solo, "Romance 76", poderemos dizer que o filho pródigo regressa a casa, bem inspirado, musicalmente falando.


Alex Simmons - (Enrique Sánchez Pascual) - "Frente Este" / " El Frente Este"


 Alex Simmons
(Enrique Sánchez Pascual)
"Frente Este" / " El Frente Este"
Páginas: 106
Distribuidora de Publicações/Palirex

A denominada literatura popular oriunda de Espanha esteve muito em voga no nosso país, no século passado, tendo até tido vários escritores nacionais que se dedicaram a ela. Denominada por muitos como uma "literatura menor", consideramos esse atributo injusto, porque ela terminava por convidar o leitor à descoberta de novos autores e a usufruir desse belo prazer que é a leitura.

Enrique Sánchez Pascual nasceu em Agosto de 1918 em Madrid e era estudante de medicina quando estalou a Guerra Civil; a sua condição de combatente Republicano obrigou-o a refugiar-se em França onde se viria a casar, decidindo depois regressar a Espanha, o que lhe viria a custar ter de cumprir uma pena de prisão devido à sua participação na Guerra Civil.

Mais tarde trabalhou como delegado de propaganda médica e seria um amigo, que conhecia os seus dotes literários, que o iria convencer a encetar uma carreira literária no âmbito da então denominada literatura popular, que tinha um enorme sucesso em Espanha e cujos livros eram também editados em Portugal, com um número bem apreciável de vendas.

A sua escrita irá abordar as mais diversas áreas, desde o policial até ao livro de guerra, passando pelo "western" e a ficção-científica, sendo um entusiasta dos livros de Ray Bradbury e Isaac Asimov. Como não podia deixar de ser a sua editora seria a Bruguera, fundada em 1910, a mais importante nesses anos 50/60 neste género editorial, o que o irá levar a mudar-se com a família de Madrid para Barcelona.

Ao longo da vida escreveu centenas de livros, com os mais variados pseudónimos, como era habitual na época e Alex Simmons é precisamente um deles, sendo bem curioso o facto de os livros que li deste escritor serem possuidores de uma marca de escrita que os diferencia dos restantes (refiro-me aos denominados livros de Guerra), como sucede com este "Frente Este", editado pela Palirex em Portugal, na sua famosa colecção dedicada à Segunda Grande Guerra. Poderemos também encontrar diversos livros deste escritor na colecção "Patrulha de Combate" editados pela Agência Portuguesa de Revistas, confesso que li bastantes livros desta colecção em criança.

Giuseppe De Nittis - "La Place du Carrousel, ruines des Tuileries"

Giuseppe De Nittis
"La Place du Carrousel, ruines des Tuileries"
Óleo sobre tela
45 x 60 cm.
Museu do Louvre
Ano:1882

Neste quadro o pintor impressionista Giuseppe De Nittis (1846-1888) faz do Palácio das Tulherias, devastado pelos incêndios da Comuna, o motivo central de sua pintura. O sol ilumina o fundo enquanto as sombras envolvem o primeiro plano. Vemos um casal a puxar uma carroça, ao mesmo tempo que duas mulheres vestindo de negro atravessam o espaço. Estamos perante uma Paris que estava a desaparecer e que virá dar lugar a uma Paris Moderna que tantas vezes será retratada pelos pintores impressionistas.

Michelangelo Antonioni - “Identificação de Uma Mulher” / “Identificazione Di Una Donna”


 Michelangelo Antonioni
“Identificação de Uma Mulher” / “Identificazione Di Una Donna”
(Itália/França – 1982) – (128 min. / Cor)
Tomas Milian, Daniela Silverio, Christine Boisson, Sandra Montelioni.

No ano anterior ao da saída deste filme, 1981, Michelangelo Antonioni tinha-nos oferecido essa obra-prima intitulada “O Mistério de Oberwald” / “Il Mistério di Oberwald”, com Mónica Vitti na protagonista, sendo este o derradeiro filme do cineasta com a sua musa. E no ano seguinte nasceu “Identificação de Uma Mulher” / “Identificazione Di Una Donna”, que nos narra a história de um cineasta que, divorciado da sua mulher, sendo a ferida ainda recente, procura um rosto para nos contar uma história de amor.


Niccoló Farra (Tomas Milian) é o cineasta possuidor desse desejo, de curar as feridas do amor em busca dessa mulher perfeita que lhe liquide a solidão. Será ao atender um telefonema na clínica da sua irmã que irá ficar a conhecer Mavi (a fascinante Daniela Silverio), de origens aristocráticas, enquanto ele costuma ler em casa o L’Unitá, surgindo assim duas visões do mundo bastantes distantes, como se irá perceber na festa a que vão juntos. Entretanto o cineasta começa a receber ameaças de uma identidade desconhecida, que não gosta da sua nova relação amorosa.


Mavi esconde no seu belo corpo segredos profundos da sua alma e, como tal, irá um dia desaparecer de circulação sem deixar rasto, apesar de todas as diligências de Niccoló. Porém o seu desejo de encontrar a mulher perfeita para o seu filme, para a sua vida, leva-o ao teatro onde Ida (Christine Boisson), uma actriz sua conhecida, é a protagonista. E, como não podia deixar de ser, ele começa a ver nela a mulher ideal para o seu filme, para a sua vida. Decidem então ir um fim-de-semana até Veneza, para ali descobrirem essa lagoa aberta invadida pela neblina, que irá ditar a ambos um falso futuro, precursor da solidão que se avizinha e que Niccoló desconhece.


Ao chegarem ao hotel em Veneza, Ida recebe um telefonema a informá-la que está grávida de um outro homem e de imediato a incerteza toma posse dela, o pedido de casamento feito por Niccoló, na solidão da lagoa encontra-se à beira do naufrágio. E será isso mesmo que ela percebe quando, junto da porta do hotel, enquanto as imagens exteriores são projectadas nos vidros, numa simbiose perfeita, Niccoló reconhece a dificuldade em ser pai, naquelas circunstâncias.

Já Mavi, que tinha desaparecido sem deixar rasto, acaba por ser localizada e Niccoló decide investigar o mundo em que ela agora vive. A zona não é das melhores, como bem vemos e depois, discretamente, Michelangelo Antonioni oferece-nos um dos segredos de Mavi.


Por fim Niccoló Farra percebe como é difícil identificar uma mulher para ser protagonista do seu filme, como é difícil encontrar uma mulher que lhe preencha o vazio da sua vida. Senta-se então no parapeito da janela e começa a reparar no brilho do sol, a solução para o seu desastre sentimental poderá estar ali, bem longe das ilusões terrenas.

Antonioni oferece-nos em “Identificação de Uma Mulher”, uma obra cujo argumento se encontra em perfeita ebulição, ao longo da película, ao mesmo tempo que continua a dar uma importância enorme à composição do plano, em que mais uma vez a cor é o elemento primordial. Por outro lado, consegue oferecer-nos uma banda sonora da autoria de John Foxx que nos deslumbra, ao mesmo tempo que junta excertos de obras conhecidas de Peter Bauman e Tangerine Dream, sendo inesquecível essa sequência final, com Niccoló a olhar fascinado para o sol, imaginando uma nave espacial a dirigir-se na sua direcção, ao mesmo tempo que assistimos à perfeita conjugação entre música e imagens.


“Identificazione di una Donna” oferece-nos um novo retrato desse célebre universo da incomunicabilidade, que Michelangelo Antonioni tão bem dissecou ao longo da sua obra cinematográfica. A mulher permanece para o realizador a mais bela-luz do seu cinema. Descobrir e amar os seus sentimentos foi a sua tarefa de cineasta ao longo dos anos.

18.1.26

Edgar Degas - "Place de la Concorde"


Edgar Degas
"Place de la Concorde"
Óleo sobre tela
78 x 118 cm.
Museu Hermitage, São Petersbourg.
Ano: 1875

Edgar Degas o mestre da composição cria muitas vezes as personagens dos seus quadros como se obtivesse um instantâneo fotográfico e neste quadro intitulado "Place de la Concorde" vemos o Visconde Lepic a passear com as suas duas filhas perante o olhar atento de um transeunte.

17.1.26

Michael Mantler - “The Jazz Composer’s Orchestra”


Michael Mantler
“The Jazz Composer’s Orchestra”
JCOA Records / WATT Records
1968

1 – Communication # 8 – 13:52
2 – Communication # 9 – 8:08
3 – Communication # 10 – 13:26
4 – Preview – 3:23
5 – Communication # 11 – 15:10
6 – Communication “ 12 – 17:47


The Jazz Composer’s Orchestra foi fundada em 1965 por Michael Mantler e Carla Bley para promover o jazz de vanguarda sem fins lucrativos.

A JCOA Records foi criada para divulgar a música dos seus membros e o editor alemão Manfred Eicher decidiu divulgar os trabalhos discográfico de dois dos seus criadores incontornáveis: Michael Mantler e Carla Bley.

Ao longo dos anos a ECM Records irá editar e comercializar, as obras discográficas de Michael Mantler e Carla Bley, mantendo no entanto, os dois artistas a sua total independência criativa através da sua própria etiqueta Watt Works Music.

Este duplo álbum foi sendo gravado ao longo de seis meses, com Michael Mantler a dirigir esta orquestra de jazz e onde surgem como solistas, nomes bem conhecidos como Cecil Taylor, Don Cherry, Roswell Rudd, Pharoah Sanders, Larry Coryell e Gato Barbieri.

Gravado em Janeiro, Maio e Junho de 1968 no RCA Victor’s Studio B, New York City, por Paul Goodman. Design da capa e Layout de Paul McDonough. Produção de Michael Mantler. Todas as composições são da autoria de Michael Mantler, que também dirigiu a orquestra.

16.1.26

Red Canyon - "Sargento Raio - Perigo na Montanha"


Red Canyon
"Sargento Raio - Perigo na Montanha"
Arte: Jim Gary
Argumento: Jim Gary
Mundo de Aventuras nºs. 367 a 381
Ano: 1956


Em Portugal o célebre sargento da Policia Montada do Canadá, Red Canyon, foi baptizado de Sargento Raio e esta aventura publicada no ano de 1956, na revista de banda desenhada "Mundo de Aventuras", no célebre sistema de "em continuação" é bem aliciante, com uma bela e perigosa personagem feminina.